Entre o tudo e o nada, eu existo,
No silêncio profundo, onde o eco é mudo.
Cada lembrança, um universo perdido,
Cada "se" um abismo, um sonho esquecido.
Olho para trás, vejo sombras dançantes,
Vestígios de vidas que nunca vivi,
Caminhos trilhados por passos errantes,
E as encruzilhadas que nunca escolhi.
No vazio das noites, onde o tempo se cala,
Questiono o que foi e o que não será,
As dores que poderiam ter sido evitadas,
Os amores que o medo fez naufragar.
Sentir tudo, sentir nada, um paradoxo cruel,
Como uma chama que arde em silêncio,
E no peito, a alma se dilui como fel,
Sonhando com o ontem, prisioneira do tempo.
Mas no meio do vácuo, encontro a verdade,
Que o que foi, foi, e o que não será,
Atravesso o abismo da minha própria saudade,
Aceito o nada, deixo o tudo passar.
E assim, sou inteira, mesmo sem nada sentir,
Na quietude do ser que se deixa fluir,
Pois entre o tudo e o nada, eu sou o que sou,
Um eco do passado, que o tempo apagou.
— Kételin Souza (via: @unfor-gettabl3)