𝐍𝐀𝐊𝐀𝐉𝐈𝐌𝐀 𝐁𝐑𝐎'𝐒: 𝘸𝘢𝘺 𝘣𝘢𝘤𝘬 𝘩𝘰𝘮𝘦.
Das vezes em que imaginou os momentos mais difíceis de sua vida, jamais passou por sua cabeça que algo do tipo aconteceria. Daichi tinha a vida muito mansa, boa até demais para alguém que tinha aquele tipo de índole. Mas se tudo o que soubessem decifrar por detrás daquela faceta que ele tanto escondia, nunca iriam pensar que uma pessoa como ele tinha sofrido na chuva antes mesmo de ver o sol. Perder @tci-taro naquele atentado poderia ter custado sua sanidade, disso ninguém podia sequer contestar. Quem era realmente próximo dos Nakajima, sabia que para o mais novo seria a pior perda de sua vida, pois não havia outra pessoa a quem Daichi recorresse ou se sustentasse nos momentos sôfregos.
O que, de fato, não sabiam era da importância da família para Daichi. Ele podia ser aquele “adolescente” que nunca amadurece, mas quando Taro precisava dele, estava sempre lá por perto, tal como o mais novo lhe dava algumas dores de cabeça de vez em quando --- só para não perder o costume. Gostava de ter a atenção do irmão, principalmente porque o respeitava muito e era óbvio para qualquer um que Daichi era dependente do mais velho. Os motivos só eles confidenciavam.
Meses com a ausência de Taro lhe custou a vida mansa de antes. Daichi sabia que em algum momento precisaria crescer de vez, mas não imaginou que sob aquelas circunstâncias. Quando se viu, depois de algum tempo, colocando-se no mesmo lugar que outrora o irmão se colocou, era natural que sentisse a obrigação. Mas, mais do que isso, era ver o jardim que Taro cultivava sem qualquer cuidados. Foi aí que Daichi entrou em ação. Por estes tantos meses sem o irmão ao lado, ocupou-se com a memória de vê-lo sempre a tratar das plantas como parte de si. Daichi nunca entendeu a importância, talvez até se questionasse ainda o motivo para tal. Talvez fosse apenas uma curiosidade dentro de si e não fosse nada demais. Talvez, mas só talvez, fosse uma desculpa para que sentisse Taro mais próximo de si do que antes, buscando sua atenção quando queria.
E assim, depois de meses sem sequer trocar uma palavra com o mais velho, que ele voltou a traçar o mesmo caminho de anteriormente. Havia virado uma rotina para ele cuidar daquele jardim, era o que lhe mantinha próximo do irmão. Olhava para os próprios pés, contando as passadas lentamente, pois sabia até mesmo a quantidade que era para chegar ao local, quando ergueu o olhar e encontrou o dito cujo. Seria uma outra visão do dia em que decidiu que mudaria? Parecia real demais... Somente as feições do mais velho que lhe entregaram: era Taro. O sorriso de Daichi abriu de ponta a ponta, capaz até mesmo de rasgar-lhe o rosto se ele não suavizasse. E que fossem embora todas as formalidades naquele momento, ao que se colocou a dar passadas mais rápidas e firmes, até que estivesse correndo até o lado do irmão. Parou para fitá-lo, pois não acreditava, mas quis alcançá-lo com um abraço mais do que imediato. Não havia tempo que apagasse a saudade que sentiu de seu protetor e mais do que nunca se sentiu em casa ao apoiar a cabeça no ombro alheio --- como se tivesse rejuvenescido até o momento em que viu Taro como sua única paz.
















