Por muitas vezes eu me escondi atrás de um gato preto e um nome que uma garota me chamou quando eu deixei um bilhete bobo no armário dela querendo chamar a atenção dela, criei um personagem inexistente e idiota que eu usei como escudo para falar sobre as coisas que me machucaram e em algumas vezes até cuspir de maneira rude as marcas restaram no meu peito.
Isso foi meu alívio em momentos onde eu precisei muito, onde eu tinha tanto dentro de mim e não sabia como esvaziar, foi um refúgio em dias que me senti tão sozinho ou tão magoado com tudo e queria despejar e de alguma forma me sentir ouvido. Eu tinha meu caderno pessoal, tinha mesmo, mas na maioria das vezes preferia vir aqui me esconder atrás da minha persona intelectual, racional e forte, mesmo que eu escrevesse estando completamente dilacerado ou magoado.
Na sessão da semana passada, minha psicóloga perguntou de que coisas eu sentia vontade de me desconectar, a minha primeira resposta foi: "minhas memórias". Honestamente, meu sonho era esquecer certos momentos, certas coisas que escrevi e que vi que hoje já não fazem mais sentido.
Eu senti vontade em inúmeros momentos de apagar esse blog e fingir que ele nunca existiu, mas nunca consegui. Eu lia e mesmo sem identificar o que me doía no dia que eu escrevi aquilo, eu continuava mantendo isso por aqui, em luto por coisas que já acabaram e foram encerradas e que eu nunca me dei permissão de pensar muito a respeito, porque tudo já acabou.
Eu senti tanta falta dos meus amigos de escrita, de falar no nosso grupo sobre o que havíamos escrito na semana e nos ocultar atrás de nossos blogs falando de tudo que nos partia ao meio, eu ainda sinto tanta falta dessas coisas, mas parte de mim tem certeza que tudo isso acabou e já não há muito que possa ser feito a respeito.
Já fazem anos que não conversamos e apenas nos vemos em algumas ocasiões raras por coincidência do destino, os pseudônimos que criei pra cada um nas minhas histórias não passam de nada além de nomes, eu sofri tanto quando me senti só, mas jamais culpei qualquer um de vocês por isso, muito pelo contrário. Em todo esse tempo sempre fui muito grato pelo que essas coisas representaram, e em especial, ao apoio que recebi em momentos difíceis.
Eu confessei terça-feira passada que sentia vontade de mandar mensagens e retomar a amizade que tínhamos, mas sabia que tudo já havia passado, e na mais remota chance de algo existir ainda, jamais seria como antigamente. Confesso isso sabendo que já não há mais o que fazer, e está tudo bem, sou grato pelo que tudo significou no passado pra mim.
Esse é o fim de algo que me dilacerou, e honestamente me fez mal, mas também me serviu de refúgio quando tudo que eu precisava era me esconder por trás da figura que eu achava que era, e as vezes, que eu precisava ser.