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"Eu sou pó enquanto Tu és vida em mim." (Transcender - Sarah Renata)
"Aquele que vive de modo justo diante de Deus, confiando nele, vive de verdade." Romanos 1.17 (A Mensagem)
Como vencer a tentação?
Tentação é o impulso para a prática de algo que é censurado, criticado, proibido ou ruim. A Bíblia nos ensina que somos tentados pelo nosso próprio desejo, ou seja, pela nossa própria vontade que, se satisfeita, leva-nos ao pecado (Tiago 1.14-15).
Habitualmente, tentamos justificar nossos pecados, afirmando que fomos levados a quebrar a Lei de Deus pelo Diabo. Ao que parece, conforme o texto de Tiago, o Diabo tão somente nos impulsiona, enquanto que o nosso próprio desejo de atender às nossas vontades é o que nos leva a pecar.
Mas como lidar com a tentação, já que nossas vontades sempre apontam para o mal (Romanos 3.10-23)? O que fazer já que somos contaminados pelo pecado desde o nascimento? Como vencer a tentação aqui na Terra, se somente alcançaremos a completa santificação no Céu?
A Bíblia nos traz dois episódios para refletirmos sobre este assunto: “Adão e Eva no Jardim do Éden”, e “Jesus no deserto” (Referência Bíblica para as histórias estão respectivamente em Gênesis 3 e Mateus 4.1-11).
Curiosamente, o Diabo usa um mesmo padrão para ambas as tentações, e o que muda é a maneira como os personagens das histórias lidam com as investidas de Satanás.
No Éden, a primeira coisa que Satanás questiona é o conhecimento da Palavra (de Deus). Ele indaga Eva sobre aquilo que Deus havia proibido. “Foi isso mesmo que Deus disse? Não comam de nenhum fruto das árvores deste jardim?” - disse Satanás a Eva. Eva prontamente responde, demonstrando conhecer exatamente o que Deus havia dito: “Podemos comer de todos os frutos, exceto o fruto da árvores do conhecimento do bem e do mal.”
Eva conhecia a Lei de Deus. Então Satanás questiona a veracidade da Palavra de Deus e a impulsiona a fazer um teste, sugerindo que o castigo pela desobediência certamente não seria conforme o que Deus havia dito, eles poderiam arriscar pois certamente não morreriam. Nesse momento, Eva duvida da palavra de Deus e, por perceber que o fruto era atraente aos olhos e sentir vontade de apreciar seu sabor, permite-se ser testada e desobedece a Deus, dando outro rumo à sua vida. Por fim, oferece também a Adão, o qual não lhe oferece nenhuma resistência.
No deserto, após Jesus enfrentar 40 dias de jejum, Satanás usa o mesmo padrão. Inicialmente, questiona a Palavra de Deus, dizendo que se Jesus fosse realmente o filho de Deus, ele poderia pedir que aquelas pedras se transformassem em pão. Jesus demonstra não só a convicção de saber que era filho de Deus, mas que afirma que a Palavra de Deus era o alimento principal da sua vida.
Vendo que Jesus conhecia a Palavra, parte para o segundo ataque, levando Jesus às alturas e pedindo que se jogasse de lá, pois poderia dar ordem aos anjos para segurá-lo. Obviamente era verdade. Mas Jesus não se permite cair nas insinuações de Satanás. Jesus não dá margens para Satanás continuar com seus ataques, nem aceita ser testado. Ele diz ao Diabo que não se deveria colocar Deus à prova. Jesus poderia se jogar dali e pedir que anjos o impedisse de tocar o chão naquela queda, Ele tinha poder para impedir a queda, porém não se atreveu tentar a Deus. Não colocou em risco seu relacionamento com o Pai.
E em um último golpe, Satanás lhe mostra todos os reinos do mundo, e promete lhe dar tudo, se Jesus o adorasse. Seria o esplendor dos reinos atrativo aos olhos de Jesus como aquele fruto foi para Adão e Eva? Jesus desejaria pegar um atalho e reinar sobre tudo aquilo sem precisar vencer a morte de cruz?
Tentador. Mas é só isso. O foco de Jesus ainda estava no plano de Deus. Jesus vence a tentação ao se lembrar de que somente Deus era digno de adoração. Então, Jesus afirma a Satanás que somente serviria aos propósitos de Deus, que só daria honras ao Pai, e que Deus deveria ser o foco de toda adoração.
Como vencer a tentação de Satanás? A postura de Jesus nos serve de exemplo. Vejamos:
Conheça a vontade de Deus para sua vida.
O principal meio através do qual Deus nos comunica a sua vontade é através da Bíblia. Conheça a Bíblia. Lembre-se de que o papel do Espírito Santo enquanto Conselheiro é justamente revelar (explicar) as Escrituras a nós. Não limite suas experiências com Deus ao que é postado nas redes sociais. Ouça Deus falar diretamente com você através da Bíblia.
Não tente demonstrar força ou poder diante da tentação.
A Bíblia - Palavra de Deus - orienta-nos a vigiar e orar para não cair em uma tentação (Mateus 26.41). Ela também nos ensina que devemos nos afastar da aparência do mal (Filipenses 5.22). Ou seja, não é um duelo, não é uma briga, não é pra medir forças, o conselho bíblico é “estejam atentos e fujam!”.
Mantenha o foco em Deus.
Fomos criados para adorar a Deus e é isso que traz sentido à nossa vida. Sabemos que Ele detém o controle de tudo e que os planos dEle são melhores que os nossos. Toda a adoração e toda a honra devem ser dadas a Deus. E isso significa que tudo o que decidirmos fazer deve ser para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31).
Que tenhamos a convicção de que somente em Deus encontraremos o melhor plano para as nossas vidas. Que busquemos seus conselhos e orientações diretamente em Sua Palavra. Que estejamos atentos àquilo que quer sair (ou entrar) em nossa mente e coração, sempre vigilantes e prontos para fugir o mais rápido possível de tudo o que nos arrasta para o pecado. Que nossos olhos estejam fixos em Deus e que haja em nós um desejo sincero de lhe agradar, honrar, servir, obedecer e adorar.
Como adorar a Deus?
Deus criou o Homem para adorá-lo (Efésios 1.5-6). Não porque Ele precisasse de bajulação, mas porque somente isso traria sentido a vida do Homem nesta Terra.
Quando refletimos sobre questões existenciais, do tipo: "Qual o propósito da minha vida?"; podemos ser abatidos por um sentimento de vazio interior e insignificância. Somente conseguimos sentir paz diante desse tipo de pergunta quando descobrimos nossa missão em Deus.
Muitos fazem da adoração a Deus somente um período do culto em uma igreja (infelizmente, muitas igrejas tem oferecido mais entretenimento do que cultos de adoração a Deus... Mas isso é conversa pra outra hora!). Porém a adoração a Deus precisa ir além da música, da mensagem, das poucas horas dentro de um templo religioso. Adoração é um estilo de vida.
Quando conhecemos a mensagem do evangelho, confessamos Jesus como nosso Salvador e iniciamos uma vida com Deus, descobrimos uma nova razão para viver. Essa nova vida com novos propósitos e novos valores é o que traz sentido aos nossos dias.
Ao pensarmos sobre a vida de um adorador, logo vem à mente a ideia de alguém que oferece sua vida em oferta a Deus. E sobre "ofertar algo a Deus", cabe aqui uma breve lembrança de três episódios bíblicos sobre o tema:
Caim e Abel (Gênesis 4): quando Caim separa uma oferta qualquer do fruto do seu trabalho, tem a reprovação de Deus. Por outro lado, Deus recebe com muito agrado a oferta preparada por Abel, retirada das melhores crias de seu rebanho. O próprio Deus explica a Caim que se fizesse o bem, se ofertasse de coração o que tinha de melhor em sua vida, obviamente seria aceito. Não havia em Caim um coração grato. Não havia uma honra sincera a Deus. Não havia a compreensão de quem era Deus. Pelo contrário, Caim não percebera que estava ali vivo porque Deus lhe dera o presente da vida, e fez da sua oferta um mero ato de obrigação.
A pecadora com o frasco de alabastro (Lucas 7): quando Jesus vai a casa de um grande conhecedor da Lei de Deus, é surpreendido por uma mulher que, de joelhos, lava seus pés com lágrimas, seca com seus cabelos e lhes unge com um perfume caro. O anfitrião questiona, em seu coração, a postura de Jesus, pois aquela mulher era uma ‘pecadora’. Jesus o surpreende pontuando que ele o havia recebido em sua casa, mas não havia oferecido água para lavar os pés, enquanto a mulher lavará seus pés empoeirados com as próprias lágrimas; Jesus questiona que recebeu um beijo na face daquele homem, mas aquela mulher não parava de lhe beijar os pés, e finaliza dizendo que o tal conhecedor da Lei, sequer ungiu sua cabeça, enquanto aquela mulher ‘pecadora’ não se conteve em derramar seu caro perfume em seus pés.
Viúva pobre (Lucas 21): num período em que as mulheres não eram reconhecidas ou valorizadas e, se perdessem seus maridos, ficariam abandonadas, uma viúva pobre oferece suas poucas moedas como oferta. Era tudo o que aquela mulher tinha. Jesus, diante daquele episódio, ensina que aquelas poucas moedinhas tinham grande valor, mais valor até que grandes quantias ofertadas por pessoas ricas naquele momento. Pois, os ricos haviam entregado aquilo que lhes sobrava, aquilo que não lhes fariam falta, e aquela pobre viúva, em um ato de fé, entregou tudo o que possuía para viver.
Poderíamos desenrolar vários parágrafos enumerando cada um dos ensinamentos sobre o ato de ofertar que estes três episódios trazem, entretanto, vamos concluir esta reflexão apontando três princípios que devem orientar nossa vida de adoração a Deus:
Deus observa a intenção dos nossos corações.
Que ao olhar para nós, Deus encontre corações gratos pelo vida que Ele deu. Que saibamos ofertar nossos dias a Deus em devoção e honra, não por mera obrigação.
Deus está atento às nossas ações.
Que ao receber nossa adoração, Deus encontre em nós um coração rendido e quebrantado, que se curva em humildade aos pés de Jesus, reconhecendo seu favor, misericórdia e poder. Que constrangidos pelo nosso pecado, saibamos responder ao amor de Deus ofertando o que possuímos de melhor em nossas vidas, com toda dedicação.
Deus espera que confiemos nEle e em Sua vontade.
Que ao nos encarar, Deus possa reconhecer adoradores íntegros, que não faltam com a verdade e que não oferecem somente as sobras de tempo, mas que desejam que Ele assuma o controle de tudo. Que, tomados pela fé em Cristo Jesus, entreguemos a Deus todo o nosso ‘ser’, e que sem reservas nos joguemos em seus braços de amor para viver todos os sonhos que Ele tem para nós.
Que esses princípios orientem nossa vida e que Deus encontre em nós verdadeiros adoradores (João 4.23) porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11.36).
Como prosseguir com o Ministério de Jesus?
Jesus veio ao mundo com a missão de mostrar como deveríamos viver, como nos relacionar com Deus e com as pessoas ao nosso redor. O propósito da sua vinda era nos reconciliar com o Pai e nos apresentar as boas novas do Reino de Deus. Ressurreto, pouco antes de subir aos céus, Ele se encontra novamente com seus discípulos e orienta: Vão e façam discípulos (Mateus 28.18-20).
Esse texto é conhecido como “A Grande Comissão”. Jesus compartilha sua missão com seus discípulos e os envia a continuarem a pregação das boas novas do evangelho. Jesus havia passado três anos ensinando exaustivamente sobre o Reino de Deus e agora era a hora de permitir que seus discípulos se tornassem mestres.
A missão de Jesus é compartilhada com novos cristãos e o ministério de Jesus (Glorificar a Deus) passa a ser cumprido por cada um que O reconhece como Seu Senhor e Salvador. Assim, a história segue com seus novos mestres e discípulos.
E aqui estamos nós, cumprindo o ministério de Jesus. Cada um assumindo uma função e levando as boas novas do Evangelho da maneira que Deus o chamou para fazer. Unidos por um único propósito, formamos o corpo do qual Cristo é o cabeça.
Sobre como ser uma parte do corpo e ajudar a completar o ministério de Jesus, ficam aqui três sugestões:
1. Descobrir, com muita oração, leitura bíblica e humildade, quais são nossos talentos e como podemos usá-los no Reino.
Façamos o que Deus quer de nós e não aquilo que achamos mais interessante! O fardo que Deus nos dá é leve (Mateus 11.28-30), e se essa caminhada está ficando muito pesada, talvez, nós estejamos carregando coisas que Deus não nos pediu para carregar.
2. Ir. Saiamos da zona de conforto, precisamos nos movimentar, correr atrás do sonho.
Uma vez conscientes de nossas funções, preparemo-nos para exercê-la. Que possamos investir nosso tempo, nossos recursos, nossas vidas. Afinal, nossa vida só terá sentido quando a usarmos para a glória de Deus, então, todo o investimento no Reino sempre valerá a pena – que Deus seja nossa prioridade!
3. Fazer discípulos.
Precisamos estar preparados para instruir pessoas a fim de que futuramente elas também possam ir e fazer novos discípulos. Essa é a grande comissão. Portanto, sejamos mestres: capazes de ensinar o que fazer e como fazer (teoria e prática!).
Na jornada da vida cristã, o crescimento é gradativo. A sabedoria vem com o tempo. Não duvidemos de que Deus nos criou com grande perfeição e somos capazes de ser e fazer qualquer coisa que realmente nos propusermos. Todos somos capazes de alcançar o que almejamos, mas precisamos nos preparar para suportar a caminhada até a realização do nosso sonho.
É Deus quem capacita! Verdade. Mas muitos cristãos usam a bondade de Deus em abençoar, como desculpa para não fazer a sua parte da missão. Não faz sentido esperar que Deus nos capacite a realizar determinada obra quando nós não buscamos essa capacitação como de fato deveríamos.
Por cerca de três anos, os discípulos de Jesus acompanharam suas viagens e ensinamentos. Deus poderia capacitá-los num piscar de olhos, mas não abriu mão da experiência de três anos de aprendizado com Jesus.
À medida que buscamos sabedoria (que Ele concede de boa vontade. Tiago 1.5), Deus nos capacita a exercer nossas funções no corpo. Aos poucos vamos crescendo, amadurecendo e desenvolvendo nossos talentos. Aos poucos vamos nos tornando mestres (sem deixarmos de ser discípulos!).
Dizem que “o ‘ministério de uma pessoa’ termina no dia em que ela afirma já saber tudo a respeito de sua função no corpo”. Faz muito sentido, pois a caminhada de aprendizado nunca termina.
Antes que surjam as desculpas, que possamos nos lembrar de que somos nós quem precisamos de Deus, e não o contrário. A caminhada não terminou e ainda há tempo para agir da forma correta.
Que possamos nos sentir motivados pelo amor e misericórdia de Deus já manifestados em nossas vidas. Que sejamos gratos pela oportunidade de nos juntarmos ao ministério de Jesus. Que possamos honrar nosso chamado, fazendo nossa parte como discípulos. Que nos preparemos para ser mestres de novos discípulos. Vamos!