Prelúdio Linguístico
As palavras encantam e hipnotizam. Quando transcritas, formam uma sinfonia de sentimentos. Cada palavra bem pensada és prelúdio de uma orquestra.
A subjetividade pode iludir ou confundir. A beleza da unidade linguística é por si só uma destruição. Assim como o amor, ela é capaz de exercer função dicotômica. Bem usada, pode ascender, mas nas mãos dos mal-intencionados e doentes, tornam-se ruínas.
As lágrimas escorrem pelo seu rosto e posso sentir o gosto da mágoa. As lembranças não permitem que se desfaça, mas a dor ecoa e o destroça.
Todo o controle que buscarás és invocado pela sensação de não poder entender. Decifrar. Premeditar. Calcular a palavra afiada que acha sempre um jeito de lhe encontrar.
Os estilhaços estão por todos os lados. Descalço enquanto o sangue escorre pelo seu coração, busca a compreensão. Entretanto, permaneceste desnorteado, perdido. Incompreendido.
Suas palavras transformam, mas por vezes, rasgam. Pressionam e inundam as águas de tristezas. O fôlego que buscastes é julgado e suas forças, aterradas.
Até quando? Até quando o conflito andará contigo? Até quando o fardo de enxergar irá matar-te? Carregue contigo a coragem de escolher, mas também, de renunciar.
Forje sua armadura tão perfeitamente quanto as construções poéticas. Idealize sua firmeza somente na inconstância e enfrenta-te a ti mesmo, pois dentre todos os combates, os piores originam-se de dentro do peito. Dentre as tempestades, és o estrondo do coração que deves acalmar.
Regozije! Pois, deveras, és guerreiro e amante das palavras. Essas que desolam. Que acolhem.
Anda-te com a verdade, humilha-te diante de si. E encontraras o reduto que mereces.













