I got a war in my mind || POV
Aquelas cenas que precisavam ser refeitas não estavam em seus planos. Claro, sabia que acontecia vez ou outra de precisarem de um ângulo extra ou algo do tipo, mas havia conversado algumas semanas antes do final da gravação do drama se precisariam de algo como aquilo e lhe garantiram que não. Jinhwan havia pensado detalhadamente em tudo antes de aceitar participar do drama, por conta da gravidez da noiva. Não queria ficar longe dela, sabendo do estado de nervos que andava. Sabia que não era algo que qualquer um podia lidar e como sendo quando inteiramente culpado pelo atual estado de Heeji, estar ao seu lado era mais que uma obrigação. Podia simplesmente ter quebrado o contrato e pago a multa, realmente, deixar a equipe na mão não era uma de suas preocupações. Mas havia um grande porém em ser herdeiro de um grupo como o Paradise: reputação. Mesmo que a sua, em particular, não fosse muito boa, não podia deixar que ela continuasse chamando atenção agora que, finalmente, havia conseguido alcançar duas coisas que queria muito: Heeji e sua vida de ator. Seu pai esteve na sua orelha por dias seguidos repetindo coisas como "se começou, termine! Você não é mais uma criança que começa e para as coisas quando bem entende!". Realmente, precisou enfiar isso em sua cabeça. Por isso aceitou voltar para Busan para mais uma semana de filmagens. Por conta de um problema nos equipamentos, quatro ou cinco cenas externas precisariam ser refeitas.
Mas, quando partiu, não estava sentindo-se culpado nem nada. Não estava abandonando Heeji quando se levava em consideração que haviam mais de vinte funcionários na mansão, seus pais e Woohyun sempre por perto. Mas pegou-se pedindo que nada desse errado para que pudesse voltar logo. Pelo o que sabia do nascimento da filha, daria tempo dele estar presente para o tal dia. Presente na sala de espera porque já havia decretado que não entraria em uma sala de parto nem sob tortura. Mesmo que agora estivesse no final, toda aquela coisa de gravidez não era algo com o qual tinha se acostumado. Deixou seu celular com seu novo agente, pedindo para que ele ficasse por perto e que interrompesse aos gritos e apressadamente se recebesse qualquer notícia de Heeji. Ele assentiu, o que deixou o ator tranquilo para entrar em cena. Seu papel era de um antagonista dessa vez, que só andava muito bem vestido e tinha uma postura arrogante. Não era um desafio quando Jinhwan era assim também. Era uma cena um tanto dramática, seus braços estavam ao redor dos ombros da colega de cena, faltava apenas algumas linhas para o diálogo fosse finalizado, mas não aconteceu, foi interrompido pelo grito envergonhado de seu agente. O coração de Jinhwan afundou dentro do peito e, como uma criança, ele queria tapar os ouvidos e fingir que não havia escutado nada.
-- Vic, você precisa voltar pra Seoul agora. -- O agente avisou, aparecendo por entre os membros da equipe com seu celular em mãos. -- Heeji foi internada.
Tudo o que ele conseguia pensar foi algo sobre saber que alguma coisa ia dar errado. Claro que tinha de dar errado. Devia ser porque ele ainda estava perdido como cego em tiroteio no meio de tudo aquilo, era alguma piadinha que a Vida deveria achar engraçada. Do jeito que estava, correu atrás de seu agente, para o carro. E disse-lhe para correr, sem se preocupar com limites de velocidade ou o que quer que fosse. Estava com o celular entre as mãos trêmulas, mas desligara-o. Não queria saber de nada até estar no hospital. Sabia que ele mesmo teria um ataque dos nervos se soubesse de algo antes de poder fazer alguma coisa. A viagem nem era tão longa, mas pareceu interminável dentre aquele silêncio tenso, quebrado apenas pelo coração ruidoso em seu peito.
Havia gente demais na frente do hospital, dentre fãs seus e imprensa. Não o surpreendia mais, levando em conta a forma como crescera dentro daquele assédio, mas perguntava-se como a notícia correra tão rápido. Estava preocupado demais para fingir qualquer coisa e entrar com discrição no hospital, então simplesmente correu pela entrada principal sobre a chuva de flashes e gritos por seu nome. Chegou ofegante na recepção do andar reservado do hospital. A televisão estava ligada e o assunto era sua esposa. Só prestou atenção nisso porque deu a si mesmo um momento para colocar a respiração em ordem . "Por meio de nota, o hospital informou que foi um mal estar que causou a entrada de Geum Heeji ao hospital, não o nascimento da primeira filha do herdeiro do grupo Paradise. Mas nada foi dito sobre seu estado de saúde ou o da criança". -- Parem com essas notas! -- Jinhwan ordenou à recepcionista. -- Não é para falar mais nada! -- Bradou. A mulher assentiu brevemente, claramente assustada. Seguiu pelo corredor atrás de sua noiva, mas esbarrou com Eunah no meio do caminho. E ela chorava. E isso fez o pânico crescer em seu peito. Ficara sabendo há pouco mais de um mês da gravidez dela, por meio da felicidade de Heeji com a notícia. Não tivera tempo de parabenizá-la pessoalmente, mas não parecia o momento propício agora, realmente. Trocaram palavras breves e ele seguiu o caminho, depois de pedi-la para ir para casa descansar.
Na sala de espera, então, estavam seus pais, Woohyun e um médico. Jinhhwan não cumprimentou ninguém, só se aproximou para escutar o que o médico dizia. Só escutou algo sobre os medicamentos que ela tomara. Intrometeu-se então, perguntando o que ela tinha e como estava sua filha. Todo mundo hesitou. Isso atacou-lhe os nervos e ele começou a gritar ordenando que alguém falasse antes que atirasse alguém pela janela. O médico então o fez. Explicou-lhe sobre a condição de sua noiva e o que poderia acontecer, caso o quadro se agravasse. Escutou-o, mas não compreendeu. Não conseguiu enfiar em sua cabeça como aquilo podia ser. Aquele lugar era tão caro, escolhido a dedo pela capacidade de seus profissionais e por ter todo o aparato necessário para qualquer tipo de situação e aquele homem estava lhe dizendo que precisavam ser realistas e encarar que poderia haver a possibilidade de precisarem escolher entre a vida de Heeji e sua filha. Isso era absurdo! Se não fossem pelos braços de Woohyun ao seu redor, Vic teria desmontado no chão, pois perdera a força nas pernas. Uma tontura repentina, talvez pelo ar que simplesmente desaparecera de seus pulmões. Sentou-se em uma das poltronas do lugar, alguém lhe oferece água mas não quis. Estava atordoado e ligeiramente em choque. Ele tinha que fazer alguma coisa, mas não tinha nada que pudesse fazer além de esperar para ver no quê daria os tais medicamentos que Heeji tomara. Alguém que toda vida não enfrentara dificuldades, alguém que não conhecia limites, estava sentado ali, sem nenhum tipo de poder, dependendo talvez de um pouco de sorte. Estar impotente diante da situação lhe doía como uma dor física.
Jinhwan esteve com a testa na porta do quarto de Heeji por horas, remoendo pensamentos. Mas não entrou. Nem mesmo encostou na maçaneta. Não estava com coragem para encará-la quando sabia o tipo de conversa que ela iria querer ter. Porque ele escolheria levá-la para casa, se fosse preciso. Sabia que era um escolha egoísta e horrível, quando ele era o pai da criança cuja vida também estava em pauta. Mas alguém tinha de entender que ele era, sim egoísta com aquele amor. Que queria Heeji ao seu lado enquanto estivesse vivo. Prometera que não desistiria dela por nada no mundo. Por nada no mundo.
-- Ela não pode me pedir para viver sem ela. -- Foi o que respondeu, ao ser questionado por Woohyun sobre não entrar no quarto.












