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Tobimatsu Hina - Karate Girl
Disfuta algunos de los mejores combates del Cine de Kung Fu de Asia en este excelente video: http://duelos-del-cine.blogspot.com.uy/2016/04/kung-fu-en-el-cine.html
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“Wing Chun teaches you what to concentrate on, whether you’re here or out in the world dealing with problems.” Robert Downey Jr.
booom diia... Em especial para a beh, estou com saudades... #capitaoamerica #marvel #instahero #goodmorning #wakeup #hotelregis #sofoda #saudade #primegirl (em Regis Hotel)
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#partiu #viagem #adventures #heroes
Pronto para ir a facul #carademorto #cansadao #partiufacul (em Itaquera)
THE PRIME - FIRST TALES
Uma fraca chuva caia fazendo as ruas ao lado leste da cidade de São Paulo, próximo a subúrbios, ficarem ainda mais desertas, vez ou outra passava algum carro ou ônibus rompendo o silêncio. Aliás, os únicos barulhos perceptíveis eram de uivos de cachorros e os pingos de água batendo no asfalto. Pedro é dono de um estabelecimento, o Pedro's BAR, apesar de não ser um homem bonito possui feições de alguém bastante simpático, bochechas rosadas, cabelo ondulado e grisalho, tem muitas rugas, uma barriga protuberante e uma estatura baixa. Percebendo que as chances de ter algum cliente seriam baixíssimas ele começa a descer as portas do bar, quando um personagem surge correndo, com uma jaqueta de couro marrom sobre a cabeça protegendo-se da chuva, ele passa pelas costas de Pedro e entra no bar, o dono do local leva um susto ao ver o rapaz todo molhado, então, ele hesita em fechar as portas, deixando-as entreabertas e vai falar com o rapaz.
- Deseja alguma coisa? - Pergunta Pedro ao rapaz que sacudia a cabeça e esfregava as mão nela tentando secar o cabelo - Irei pegar uma toalha para que não se resfrie. - Completa o velho homem.
Pedro era um homem sempre disposto a ajudar o próximo, ele sai por uma porta bastante estreita aos fundos do bar deixando o rapaz sentado em frente ao balcão. Era um rapaz de cabelo liso e castanho, olhos também castanhos porém mais claros, da cor de uma avelã, um rosto fino e barba mal feita, seu porte físico era um tanto quanto forte, aproximadamente 1,85m. Pedro retorna minutos depois com duas toalhas em seus braços e oferece ao rapaz.
- Bom, obrigado por não me furtar enquanto estava lá dentro. (risos) Aqui estão as toalhas que prometi senhooor... - Pedro propositalmente para de falar para que o rapaz completasse a frase dizendo seu nome.
- Crestanni... Carlos Crestanni! Muito obrigado pelas toalhas, elas serão de grande utilidade. - Completa o rapaz.
- Sim, trouxe-as justamente para que se seque e não pegue um resfriado. - Bastante duvidoso com a frase que o rapaz havia dito, Pedro explica o motivo de ele ter trazido as toalhas.
O rapaz termina de secar seus cabelos e ombros, dobra as duas toalhas e as deixa sobre seu colo cobrindo uma de suas mãos. Ele levanta seu rosto que até o momento estava abaixado e olha profundamente nos olhos de Pedro.
- Você tem família senhor Pedro? Quantos anos têm? Confiaria tanto assim em um estranho a ponto de virar as costas e me deixar aqui sozinho? - Carlos começa a fazer uma sequência de perguntas.
Pedro se assusta com o número de perguntas que o rapaz havia feito e com a forma com a qual foi encarado, ele fica um pouco inseguro e sai de perto do rapaz, indo para trás do balcão onde apanha um telefone e começar a digitar uns números.
- Ca...Cara, você está me assustando, é...é melhor ir embora, deixa que o táxi é por mi...minha conta, vou ligar para um amigo meu vim lhe buscar! - Pedro demonstra que está com medo quando começa a gaguejar.
O rapaz se levanta em um movimento brusco fazendo a banqueta em que estava sentado cair e jogando as duas toalhas longe. Ele aponta uma arma na cara do dono do bar, pressionando-a com força em sua testa.
- Você está ligando para a polícia! Quer que me peguem, acha mesmo que quero fugir disto? Sabe qual o motivo de eu estar fazendo isso? Bom, irei te falar! Não há motivo, preciso ver alguém morrer, preciso suprir essa necessidade que sinto, estou a muito tempo sem sentir o cheiro da morte! Infelizmente você estava no lugar errado, na hora errada... Ou melhor dizendo, eu cheguei ao local errado na hora errada... Para você! HA HA HA! - O rapaz pressiona ainda mais a arma fazendo cair um fio de sangue no local que estava sendo pressionado e algumas lágrimas dos olhos de Pedro.
- Eu juro nã-não estava ligando para a polícia. Juro! - Pedro tenta se explicar, mas Carlos engatilha a arma.
- ALÔ!? ALÔ?! - Uma voz sai do telefone e Carlos arranca-o das mãos de Pedro.
- Alô! Aqui quem fala é o homem responsável pela morte do Pedro. Enquanto fala comigo há aqui duas pessoas vivas, mas assim que chegar, ambos estaremos mortos! HA HA HA... Alô? Alô?! Me responda maldito... Grrr! - Carlos bate o telefone no gancho com tamanha violência que parte o aparelho ao meio.
- Ele parou de falar com você, não foi? - Pedro faz a pergunta deixando Carlos confuso.
- Cale-se... Suas toalhas servirão para limpar o sangue de meu rosto, afinal, não quero que ao fim disso eu acabe com meu corpo infectado por seu sangue... Hã?! Por que está com esse sorriso irônico no rosto? - O homem demostra estar incomodado com a atitude do dono do bar.
- Sim... Você mesmo disse, está no lugar errado, na hora errada! Hu Hu Hu! - Depois das palavras de Pedro a fraca luz que iluminava o estabelecimento se apaga, assim como a dos postes que iluminavam a rua, a chuva se intensifica, como um prelúdio de que algo ruim iria acontecer. O homem armado entra em pânico ao reparar que não havia luz nas redondezas e atira em Pedro. A bala passa direto e se "estatela" no chão, fazendo um buraco no piso, Carlos assustado atira a esmo na direção onde Pedro estava, mas os outros dois tiros que ele aplica tem o mesmo efeito do primeiro, passam e atingem o piso já gasto do local.
- Vejo que você tem em sua posse uma 38, essa pistola tem a capacidade de apenas seis tiros, pelas ferrugens e marcas que ela possui deduzo que é bastante velha e por estar molhada as chances de um tiro falhar é grande. - A voz grave surge na escuridão deixando o rapaz com tremedeiras, bastante suado e esse temor se intensifica quando as portas do bar caem fechando-se completamente e a escuridão agora é total. Carlos dá mais um tiro a esmo, tentando acertar algo, mas desta vez em direção a porta e parece não surtir nenhum efeito, além de um furo na porta de aço. Uma fraca luz de isqueiro é ascendida, o maníaco ilumina a porta e em seguida vira-se rapidamente para o local onde Pedro deveria estar caído morto, mas apenas enxerga os buracos feitos no chão.
-Vou matar você seu covarde, apareça! Vou matar a todos! - Carlos fica girando de um lado para o outro balançando sua arma com mãos tremulas e suadas.
- Tem razão! Não serei mais covarde e me esconder, irei me... AAAAAH! - A voz nas trevas é interrompida por um tiro e desta vez parece que Carlos atingiu seu objetivo pois um grito de dor pode ser ouvido e um sorriso estampava seu rosto.
- Morreu covarde? Você não disse que apareceria?! Cadê você? Estou esperando... - A luz do isqueiro se apaga, com alguma dificuldade Carlos consegue reascende-la, mas é surpreendido, quando um rosto tampado por um capuz surge diante ele. - AAAAAH! - A chama se apaga novamente, pode ser ouvido um grito, um barulho de tiro e o barulho de algo sendo esmurrado. A porta da frente do bar é levantada com certa dificuldade e um homem corre debaixo daquele temporal para o meio da rua, seu rosto estava deformado e coberto por sangue que gradativamente vai se escorrendo devido a chuva.
-Venha! Estou aqui fora esperando por você desgraçado! - Carlos começa a gritar, ele apalpa seu bolso e tira algumas balas e em seguida recarrega sua arma.
Do telhado do bar um vulto surge e cai por sobre o homem parado no meio da rua, derrubando-o, fazendo a pistola cair em uma das calçadas. As duas figuras ficam no chão, o ser responsável por desarmar Carlos vestia uma blusa preta com um capuz por sobre o rosto, tinha braceletes de aço cor de bronze que protegiam todos seus antebraços, uma calça meio apertada preta e uma bota da mesma cor. Era um ser mirrado de aproximadamente 1,75m.
- Urgh... Ouch... Seu moleque... urgh... Irei acabar com você, desgraçado! - O maníaco levanta-se lentamente e mancando vai em direção ao encapuzado que continua caído no chão.
Carlos chega até o corpo estirado e começa a aplicar pontapés, depois de uma sequência de pisoes e chutes ele levanta o rapaz pela gola e coloca suas duas mãos enormes em volta de seu pescoço enforcando-o.
- Você me fez trocar o alvo de hoje, deixe o sr. Pedro vivendo sua vida, pois hoje você é quem irá perder a sua seu moleque. - Carlos aumenta a pressão no pescoço, o barulho de ossos estalando começa a ficar mais amplo. - Antes de eu acabar com você, deixe-me abaixar esse capuz e olhar em seus olhos pra saber quem estou matando. - Ele tira uma das mãos do pescoço do outro e abaixa o capuz que cobria seu rosto. Era um rosto bastante jovem, cabelo liso que tinham a altura mais ou menos até os olhos, magro, bastante frágil e bonito, os olhos entreabertos devido a dor tinham um tom castanho tão claro que se colocados contra a luz davam a impressão de ser verde. Aproveitando a oportunidade que o inimigo havia afrouxado os punhos, o garoto ergue suas pernas e chuta o peito do rapaz pegando impulso e caindo para longe dele, ambos os personagens caem no chão, cada um para um lado.
-HE HE HE, está mais divertido do que eu pensava! - Carlos ri enquanto se levanta e vai andando na direção do garoto, mas percebe que estava próximo a pistola, ele então muda a direção de seus passos e apanha a arma jogada no chão. - Ah! Que saudades de você minha amiguinha! Não fuja mais de mim, agora sim... - Carlos aponta a arma em direção ao menino estirado no chão, mas é surpreendido com uma cadeirada em suas costas, desaba no chão e novamente larga a arma. Pedro corre na direção do garoto e coloca-o em seus braços.
- Por isso está tão fraco, foi atingido por um tiro enquanto estava ainda lá dentro do bar. - O velho usa seu cinto para apertar o braço do menino onde o sangue corria em uma tentativa de estancar. - Chamei a polícia e eles estão vindo... - As palavras de Pedro são interrompidas com o barulho do ferrolho da arma sendo acionado.
- Dois coelhos com uma cajadada só. Saia da frente velho cuidarei de você depois. - O homem empurra Pedro para o lado e aponta sua arma para o garoto. - Diga-me seu nome moleque... - Um silêncio permanece e Carlos volta a falar. - Bom, pouco importa agora, né?! Este será seu fim!
Ele puxa o gatilho, mas a arma falha, devido a chuva, a arma estava encharcada. - Droga! - Com resmungos Carlos abre e fecha de novo o compartimento das balas e quando se prepara para apontar a arma novamente ao garoto, é surpreendido com ele em pé a sua frente.
- EU SOU O PRIME! Este é o ultimo nome que você ouvirá em sua vida - Prime estava em pé em frente a Carlos que atira novamente, outra tentativa falha. Um gancho de direita é aplicado pelo menino que desestabiliza Carlos, aproveitando que o maníaco estava tonto ele gira e aplica um chute nas mãos de seu oponente fazendo a arma outra vez ir parar longe. Um segundo chute é dado por Prime na boca do estomago do inimigo fazendo-o perder o ar e ficar curvado, Prime agarra-o pela gola e aplica uma sequência de socos, deixando ainda mais deformada a cara de Carlos que cai inconsciente.
O garoto põe de volta seu capuz encharcado, cobrindo seu rosto, anda até Pedro e o ajuda a se levantar. - Os policiais ainda vão demorar a chegar, uma árvore caiu no meio da estrada e obstruiu o caminho até aqui, amarre-o em algum lugar para que evite problemas. - Prime após dizer tais palavras vira-se de costas para o homem.
- Mas Feli... ops, mas Prime você tem certeza que é essa a vida que irá querer levar de hoje em diante? Você está cheio de ferimentos, sangrando. Ninguém merece uma vida assim. - Pedro diz isso olhando o braço ensanguentado do garoto.
- Você sabe que não atendo mais por aquele nome, por que ainda confunde? Sim, você está certo, irei ganhar cicatrizes, ferimentos, mas o que me traz mais gratidão é poder zelar por vidas como a sua, a qual consegui proteger hoje. Não faço isso por fama e sim por poder proteger as pessoas que estão ao meu redor. Quanto a esse ferimento a bala pegou de raspão, não se preocupe - Prime diz em um tom de seriedade.
Luzes de sirenes policiais surgem no horizonte e o barulho que vai aumentando conforme as viaturas se aproximam chamam a atenção do dono do bar. -Enfim a polici...- Ele interrompe sua própria frase ao perceber que o garoto que salvara sua vida não estava mais com ele naquele local, a chuva não diminui em nada sua intensidade e o velho dono do bar olha para o alto, na direção das nuvens negras e através de pensamentos agradece por ter sido salvo.
DO YOU REMEMBER, PRIME
O dia amanhece feio, nuvens brancas cobrem todo o céu tornando a paisagem bastante monocromática, um vento forte e gélido sopra em direção ao leste carregando algumas gotículas das nuvens. O local em questão é Itaquera, um bairro de classe média da cidade de São Paulo, na Rua Presidente Fernando Henrique, rua na qual se inicia esta história, é feita de paralelepípedos já desgastados, bastante humilde, calçadas cheias de rachaduras, casas bastante feias e alguns estabelecimentos como mercadinhos e bares compõe o ambiente. A rua deserta, as pessoas dentro de suas casas se aconchegando do frio, mas, além disso, outro fator foi prescindível para que o local estivesse deserto, na noite anterior um louco tentou assassinar Pedro, dono de um dos estabelecimentos dali, mas felizmente foi impedido por um jovem misterioso, que depois de uma batalha intensa e desengonçada, mesmo tendo ficado bastante ferido, conseguiu impedir os planos maléficos do meliante esquizofrênico. A policia havia fechado as duas extremidades da rua, impedindo os automóveis de passarem nela, para dar um dia de tranquilidade aos moradores que ainda estavam bastante assustados.
Alguns quarteirões dali, em um prédio doado pela prefeitura aos moradores carentes da região, com cinco andares e sem elevadores. A porta de um dos apartamentos se abre. Um apartamento pequeno, com móveis simples e um tanto quanto bagunçado, uma figura adentra cambaleando, derrubando abajures, vasos e outros adornos. Ele cai no sofá e desmaia, o sangue escorrendo pelo seu rosto e por uma ferida derivada de um tiro que levara na noite anterior.
Horas depois, lentamente, o jovem vai acordando e recobrando a consciência, sua visão ainda bastante embaçada volta-se para a porta que deixara aberta quando entrou, em seguida fica tateando o sofá até encontrar um controle remoto, ele liga a televisão em desenhos animados e por alguns minutos permanece ali com o olhar direcionado a tv, mas com a cabeça muito longe. Com bastante dificuldade ele levanta-se, apoia o braço debilitado com o outro braço e vai em direção ao banheiro. Com muita dificuldade, tira suas vestes cheias de rasgos e encobertas de sangue. A água quente cai, levantando uma nuvem de vapor, um corpo despido se posiciona abaixo do chuveiro e toda a água leva embora a sujeira e o sangue, percorrendo as feridas, as curvas do corpo, causando uma dor imensa, o chão em torno do ralo fica todo avermelhado.
- Uuurgh… Ooouch – Gritos e gemidos de dor são emanados por PRIME enquanto ele banha-se.
Ele apoia-se em uma das paredes, deixa a água cair por sobre seus ombros e sua mente novamente viaja, para longe, a visão fica turva e um branco toma conta de sua mente.
13 ANOS ANTES…
Duas crianças correm de um lado para o outro, com toalhas amarradas em suas costas, como se fossem capas, os sons de vôos, aterrissagens, golpes eram feito através de suas bocas. Festa de familiares, todos reunidos em volta de uma mesa rindo, conversando, um dos parentes estava em frente a uma churrasqueira servindo os demais, parecia que tudo estava perfeito.
- Eu sou o herói mais rápido de todos, sou super-rápido! – Um dos garotos que estavam com uma capa de toalha se vangloria dizendo ser o mais veloz entre todos os heróis.
Ele sobe em um muro de uma casa vizinha abandonada fazendo poses, fingindo soltar laser pelos olhos e imaginando seus inimigos caindo sob seus pés.
-Feeelipe! Desce dai senão você vai cair e se machucar… Vamos, dessa agora! – A voz da matriarca da família, a avó do garoto, toda preocupada com segurança de seu neto, aos berros pedindo para ele sair daquele lugar que ela julgava perigoso. Mas na mente do garoto ele podia fazer qualquer coisa, ele podia ser quem ele quisesse, afinal, em sua mente ele era o super-rápido.
A imagem do garoto sobre o muro com pose de herói vai gradativamente desaparecendo e o fundo branco retorna a dominar todo o cenário. Uma voz baixinha é percebida chamando por um nome, era uma voz diferente daquela da avó de minutos atrás, a voz vai ganhando tonificação e aumentando a cada segundo mais.
ATUALMENTE…
- felipe! Acorde… Felipe! ANDA, Vamos! FELIPE ACORDA! – Uma garota branca, magra, cabelos negros, olhos castanhos e muito bonita apoiava o corpo nu do rapaz em seu ombro, dando alguns tapas leves no rosto do jovem, tentando reanima-lo.
O garoto bastante tonto senta-se sobre a privada e fica com a cabeça baixa tentando entender o que se passa ao seu redor. – O. O que e..está havendo? A…Amanda? – Felipe desorientado pergunta a menina.
- Uns garotos estavam saqueando seu apartamento, a porta estava aberta, eu entrei e vi sangue esparramado por todos os lados, ouvi o barulho do chuveiro, chamei e como você não atendeu, eu entrei… Foi ai que encontrei você caído, delirando, falando que era super-rápido, pedindo desculpas a sua avó e mencionou um nome; Logan Quasar! – explica a garota.
O jovem olha para a pessoa a sua frente com cara de muitas dúvidas- Logan? Quasar? Mas quem é este? Quem é super-rápido? Ouch… Estou me sentindo muito mal. – Felipe abaixa sua cabeça novamente e consegue segurar o vômito.
- Também, você perdeu muito sangue, o que houve? Vai me dizendo pelo caminho, vou leva-lo ao hospital! – Ela coloca um dos braços do menino sobre seus ombros, com alguma dificuldade o levanta e arrasta-o para fora do apartamento, ela para diante a escada e começa a pensar em alguma forma de descer com o corpo.
- “Podexa!” Eu já estou bem, não quero ir para o hospital. – Felipe tira seus braços de cima dos ombros da moça, neste momento ele perde o equilíbrio e rola escada abaixo. Parece até ser muito cômico aquele corpo nu, descendo rolando as escadas do prédio, a menina apavorada desce correndo preocupada e chegando ao térreo, ela segura o riso devido à cena que presenciara, cobre o corpo do homem com seu casaco. – Espere aqui, irei buscar roupas para você vestir e já te levo em meu carro. – Após dizer isso ela sobe correndo e some escadaria acima. Prime não consegue manter seus olhos abertos, suas pálpebras estavam pesadas e ele pisca uma vez, mas abre rapidamente seus olhos, na segunda piscada ele abre de novo, mas agora lentamente e na terceira vez ele apaga, tudo fica preto.
6 ANOS ANTES…
Um grupo de meninos se encontram atrás de uma escola, 11 garotos cercam um nerd magrelo, cabelos negros e lisos, olhos castanhos bem claros e começam a atirar pedra nele, sempre que tentava fugir os meninos o pegavam e jogavam-no de volta ao centro da roda e não cessavam o apedrejamento.
- Parem! – Uma voz feminina faz todos pararem de atacar – Vocês são covardes demais, não podem fazer isso com ele. – Ela irritada encara a todos.
- Olha o que temos aqui, uma super-heroína. Ok mulher maravilha, junte-se a ele. – O menino de maior estatura, cabelo curto, loiro, enrolado, olhos azuis, parecia ser o líder do grupo. Ele pega a garota pelos cabelos e a joga em cima do menino que estava no chão sangrando. Era uma menina muito bonita, olhos verdes, nariz bem pequeno, rosto arredondado e de baixa estatura. – O que acha de levar uma pedrada em troca desse “muleque” escroto?! – Pergunta o líder do grupo, levantado à pedra preparando para atira-la.
- Abaixe essa pedra seu covarde, eu posso até aceitar que se reúnam em mil para me desafiarem, mas levantar a mão para uma menina, isso é inadmissível! – o Nerd raquítico levanta-se com olhar furioso e arruma a mochila em suas costas.
- Então venha, fique nervoso comigo! – O grandalhão atira a pedra acertando a testa da menina que fica chorando. – “Calaboca” Camila, nem joguei com tanta força vai! – Ele tenta se redimir por perceber que havia ido longe demais.
- Eu aviseeeei! - o garoto magro tira a mochila de suas costas, gira ela em torno de seu corpo para pegar impulso e acerta em cheio o queixo do líder malvado que cai desmaiado com o queixo deslocado, todos ficam estupefatos observando a cena e veem que a mochila estava cheia de pedras dentro. O garoto havia se aproveitado das pedradas que levara para guardar algumas na bolsa esperando o momento certo para dar o contra golpe. Camila para de chorar e vê que o jovem havia estendido a mão para ajuda-la. – Qual é seu nome? – pergunta ela orgulhosa do menino. – Eu sou Felipe! Muito prazer! – responde o nerd que levanta a menina e passa a mão arrumando o cabelo dela, tirando-o da frente de seu rosto.
- Ei, você quebrou os dentes do Billy, não vai ficar assim… Todos peguem ele! – Um garoto aleatório do grupo faz um motim para que todos acabem com Felipe que parte em uma arrancada incrível, o bando de moleques o persegue e Camila que havia ficado para trás corre para o lado oposto, indo na direção da reitoria da escola.
Felipe era um especialista em saltos, Ele tinha técnicas de mortais da capoeira e de queda e equilíbrio do Parkour. Ele correu o máximo que podia, mas não estava sendo o suficiente, o grupo o estava alcançando, ele passa por um portão bem frágil de uma casa simples e pequena, porém era guardada por dois boxers brancos, o menino para em frente ao portão, ao lado de uma árvore, e com a bolsa ainda cheia de pedras aplica um golpe bem forte quebrando a maçaneta do portão, abrindo-o, os cachorros acordam assustados e partem para cima de Felipe que rapidamente trata de subir a árvore. O grupo de alunos malfeitores muda a direção de sua corrida quando os cachorros mudam seu alvo e partem para cima dos meninos. Depois de algum tempo, Felipe desce da árvore e volta para a escola, para se encontrar com a Camila, a menina que o ajudara. No portão da escola ele é surpreendido pelo mesmo grupo que o perseguia, quando tudo parecia perdido surge a diretora, acompanhada da menina. – Agora quero ver, vocês se deram mal, bobões! – Camila caçoa dos meninos. Uma escuridão começa a tomar conta de tudo novamente, a visão do magrelo nerd começa a ficar turva, cada minuto mais e mais, até que uma nevoa branca domina tudo e nada mais pode ser visto.
ATUALMENTE…
Prime acorda lentamente, aos poucos vai abrindo os olhos, ele esfrega-os com os pulsos e percebe que está deitado no leito de um hospital, um tubo ligado a seu braço e uma bolsa de sangue, manda o sangue para o corpo, computadores registram seus batimentos cardíacos. – Oh droga, preciso sair daqui! - Ele reclama.
- Olá PRIME! – Uma voz um pouco rouca cumprimenta o jovem que imediatamente vira-se assustado. – AAAAAAAH! O quê? Quem? – Ainda zonzo ele só se acalma quando vê que aquela voz é de um amigo. – Pedro, você aqui?! – ele se surpreende ao ver seu amigo ali com ele. Pedro fica conversando com o jovem por um tempo até tocarem em um assunto muito importante.
- Prime, eu prometi aos seus pais que tomaria conta de você, sei que estou velho, você já é quase um adulto… - Pedro iria começar a discursar quando é interrompido. – Não, não, não, não… Chega de resmungar, tudo o que disser independente do que for… Nada me fará desistir de ser um herói… Eu salvei sua vida ontem. – Diz Prime com indignação
- Eu não iria falar pra você desistir de ser o PRIME Felipe, você é adulto e sabe o que faz de sua vida, Daquele dia em diante confesso que tenho gostado mais de suas atitudes, desde o ensino fundamental que você não se sacrifica para ajudar outras pessoas e hoje você voltou a ser aquele Felipe de anos atrás. – Diz o velho – Aquele dia foi o dia em que eu mais me orgulhei por estar cuidando de você… – A voz de Pedro gradativamente vai diminuindo até sumir totalmente e uma nevoa branca toma conta de tudo se novo.
7 MESES ATRÁS…
Uma televisão ligada no canal de noticias, localizada em um apartamento, também há uma mesa com um velho e um adolescente, ambos almoçam enquanto assistem.
-… Três andares inteiros sendo consumidos pelas chamas, os bombeiros conseguiram tirar algumas pessoas do prédio, mas parece que ainda resta alguém lá em cima… – O repórter que passava a noticia é interrompido por duas grandes explosões. – Oh meu Deus, o que foi isso? – o repórter espantado se impressiona com aquilo.
- Tomara que todos fiquem bem, esse prédio é aqui do lado. – Pedro fazendo comentários sobre as informações noticiadas.
- Hey, acho que eu consigo subir pelas laterais do prédio me apoiando nos cabos de para-raios e… – Felipe é interrompido pelo velho que estava com sua custódia. – Nem pense nisso, você só porque fica pulando de um lado para o outro com seus amigos que fazem JUMP, fica pichando prédios e muros, já acha que pode subir até lá e resgatar a todos, tenho uma coisa para dizer-lhe… TE PROIBO!
- Tarde demais… Ah! E é “Parkour” e não “jump”. – Felipe sai da sala correndo e bate a porta deixando o velho resmungando e gritando no apartamento. Ele encharca de água uma blusa preta com capuz e a coloca. De longe a fumaça pode ser vista, e não foi difícil para segui-la e chegar até o local, ele pula o muro do prédio pelos fundos e começa uma escalada pelos fios de para-raios.
- Olhe lá, alguém encapuzado conseguiu driblar a segurança e está escalando em direção aos andares incendiários. Ou ele é muito louco, ou muito corajoso – o repórter noticia a escalada de Felipe.
Chegando aos andares onde o fogo estava mais intenso, ele aos chutes consegue quebrar a janelas de uma cozinha e entrar. – Acho que foi uma má ideia… Não! Vou provar que sou útil para humanidade – Ele abaixa-se e andando agachado caminha por dentro do apartamento procurando pessoas, o fogo era muito intenso, depois de chamar por alguém e ninguém responder, Felipe tossindo muito sai para o corredor, o andar inteiro estava intransitável, vigas de madeira caiam em labaredas fazendo-o mudar a toda hora seu caminho. – Acho que todos já saíram, só eu estou aqui. – Ele volta para o apartamento de onde veio e ouve tosses. – Alguém… cof, cof… Esta aqui? cof, cof… – A respiração estava cada vez mais ofegante e ele usava seu ultimo folego para procurar por alguém ali. – Aqui, no banheiro! Cof, cof - uma voz de um homem avisa sua localidade.
Felipe havia voltado para a janela da cozinha que quebrara para respirar, assim que pegou o máximo de folego começou a caminhar, desta vez sem estar engatinhando, mas ficar em pé estava muito difícil, uma viga em chamas cai a sua frente impedindo-o de progredir, ele tem a ideia de quebrar o cano da pia fazendo jorrar água por toda a cozinha, ele consegue abrir uma passagem à frente dele e avança engatinhando até o banheiro, no banheiro ele se utiliza da mesma artimanha, quebra canos, liga chuveiro se encharca de água novamente e ao homem também, ambos vão engatinhando até a cozinha e por celular Felipe pede para que os bombeiros estique a escada até o andar que estavam, alguns minutos depois a escada é içada até a janela e o homem é salvo por um bombeiro. – Irei recolher a escada e assim que deixa-lo no chão, volto para pegá-lo – Diz o bombeiro se afastando. O apartamento começa a desmoronar, os moveis do apartamento de cima, todos, já caiam dentro do apartamento desse andar, o jovem começa a ficar nervoso e apreensivo. – Ele não vai ter tempo de voltar aqui! - ele levanta-se e corre para a sala, pega distância, corre novamente para a cozinha e se atira pela janela, no momento em que ele se atira uma explosão acontece aumentando o impulso e fazendo seu voo ficar maior. –AAAAAAAAH! – Felipe é arremessado contra a escada do bombeiro e consegue se segurar com um reflexo bastante ágil. Enquanto a escada vai sendo recolhida, voltamos ao quarto de hospital, onde podemos voltar a observar o velho sentado em uma cadeira contando historias…
ATUALMENTE…
- AAAAAAAH, aquele dia me orgulhei muito de você, você se lemb… hã?! - O velho se deliciava tanto com as próprias lembranças que nem se deu conta que o PRIME não mais se encontrava no quarto. –Hum… Bem a cara dele!
DO YOU REMEMBER, PRIME?
O dia amanhece feio, nuvens brancas cobrem todo o céu tornando a paisagem bastante monocromática, um vento forte e gélido sopra em direção ao leste carregando algumas gotículas de água das nuvens. O local em questão é Itaquera, um bairro de classe média da cidade de São Paulo, na Rua Presidente Fernando Henrique (rua na qual se inicia esta história), é feita de paralelepípedos já desgastados, bastante humilde, calçadas cheias de rachaduras, casas pequenas e bastante feias, alguns estabelecimentos como mercadinhos e bares compõe o ambiente. A rua estava deserta, as pessoas dentro de suas casas se aconchegando do frio, mas, além disso, outro fator foi prescindível para que o local estivesse vazio, na noite anterior um louco tentou assassinar Pedro, dono de um dos estabelecimentos dali, mas felizmente foi impedido por um jovem misterioso, que depois de uma batalha intensa e desengonçada, mesmo tendo ficado bastante ferido, conseguiu impedir os planos maléficos do meliante esquizofrênico. A policia havia fechado as duas extremidades da rua, impedindo os automóveis de passarem nela, para dar um dia de tranquilidade aos moradores que ainda estavam bastante assustados.
Alguns quarteirões dali, em um prédio doado pela prefeitura aos moradores carentes da região, com cinco andares e sem elevadores. A porta de um dos apartamentos se abre. Um apartamento pequeno, com móveis simples e um tanto quanto bagunçado, uma figura adentra cambaleando, derrubando abajures, vasos e outros adornos. Ele cai no sofá e desmaia, o sangue escorre pelo seu rosto e por uma ferida derivada de um tiro que levara na noite anterior.
Horas depois, lentamente, o jovem vai acordando e recobrando a consciência, sua visão ainda bastante embaçada volta-se para a porta que deixara aberta quando entrou, em seguida fica tateando o sofá até encontrar um controle remoto, ele liga a televisão em desenhos animados e por alguns minutos permanece ali assistindo, mas com a cabeça muito longe. Com bastante dificuldade ele levanta-se, apoia o braço debilitado sobre o outro braço e vai em direção ao banheiro. Com muita dificuldade, tira suas vestes cheias de rasgos e encobertas de sangue. A água quente cai, levantando uma nuvem de vapor, um corpo despido se posiciona abaixo da ducha que aos poucos leva pelo ralo a sujeira e o sangue, a água percorre as feridas, as curvas do corpo, causando uma dor imensa, o chão em torno do ralo fica em um tom avermelhado.
- Uuurgh... Ooouch – Gritos e gemidos de dor são emanados por PRIME enquanto ele banha-se.
Ele apoia-se em uma das paredes, deixa a água cair por sobre seus ombros e sua mente novamente viaja, para longe, a visão fica turva e um branco toma conta de sua mente.
13 ANOS ANTES...
Duas crianças correm de um lado para o outro, com toalhas amarradas em suas costas, como se fossem capas, os sons de vôos, aterrissagens e golpes eram feitos pela suas bocas. Festa de familiares, todos reunidos em volta de uma mesa rindo, conversando, um dos parentes estava em frente a uma churrasqueira servindo os demais, deveria se rum dos tios dos jovens, parecia que tudo estava perfeito.
- Eu sou o herói mais rápido de todos, sou super-rápido! – Um dos garotos que estavam com uma capa de toalha se vangloria dizendo ser o mais veloz entre todos os heróis.
Ele sobe em um muro de uma casa vizinha abandonada fazendo poses, fingindo soltar laser pelos olhos e imaginando seus inimigos caindo sob seus pés.
-Feeelipe! Desce dai senão você vai cair e se machucar... Vamos, dessa agora! – A voz da matriarca da família, a avó do garoto, toda preocupada com segurança de seu neto, aos berros pedindo para ele sair daquele lugar que ela julgava perigoso. Mas na mente do garoto ele podia fazer qualquer coisa, ele podia ser quem ele quisesse, afinal, ele era o super-rápido.
A imagem do garoto sobre o muro com pose de herói vai gradativamente desaparecendo e o fundo branco volta a dominar todo o cenário. Uma voz baixinha é percebida chamando por um nome, era uma voz diferente daquela da avó de minutos atrás, a voz vai ganhando tonificação e aumentando cada segundo mais.
ATUALMENTE...
- felipe! Acorde... Felipe! ANDA, Vamos! FELIPE ACORDA! – Uma garota branca, magra, cabelos negros, olhos castanhos e muito bonita apoiava o corpo nu do rapaz em seu ombro, dando alguns tapas leves no rosto do jovem, tentando reanima-lo.
O garoto bastante tonto senta-se sobre a privada e fica com a cabeça baixa tentando entender o que se passa ao seu redor. – O... O que e..está havendo? A...Alice? O que faz aqui? – Felipe desorientado faz um monte de perguntas a moça que ele parecia conhecer.
- Uns garotos estavam saqueando seu apartamento, a porta estava aberta, eu entrei e vi sangue esparramado por todos os lados, ouvi o barulho do chuveiro, chamei e como você não atendeu, eu entrei... Foi ai que encontrei você caído, delirando, falando que era super-rápido, pedindo desculpas a sua avó e mencionou um nome; Logan Quasar! – explica a garota.
O jovem olha para Alice com cara de muitas dúvidas- Logan? Quasar? Mas quem é este? Quem é super-rápido? Ouch... Estou me sentindo muito mal. – Felipe abaixa sua cabeça novamente e ameaça vomitar mas consegue conter sua ânsia.
- Também, você perdeu muito sangue, o que houve? Vai me dizendo pelo caminho, vou leva-lo ao hospital! – Ela coloca um dos braços do menino sobre seus ombros, com alguma dificuldade o levanta e arrasta-o para fora do apartamento, a jovem para diante a escada e começa a pensar em alguma forma de descer com o corpo.
- “Podexa!” Eu já estou bem, não quero ir para o hospital. – Felipe tira seus braços de cima dos ombros da moça, neste momento ele perde o equilíbrio e rola escada abaixo. Parece até ser muito cômico aquele corpo nu, descendo rolando as escadas do prédio, a menina apavorada desce correndo preocupada e chegando ao térreo, ela segura o riso devido à cena que presenciara, cobre o corpo do homem com seu casaco. – Espere aqui, irei buscar roupas para você vestir e já te levo em meu carro. – Após dizer isso ela sobe correndo e some escadaria acima. Prime não consegue manter seus olhos abertos, suas pálpebras estavam pesadas, ele pisca uma vez, mas abre rapidamente seus olhos, na segunda piscada ele abre de novo, mas agora lentamente e na terceira vez ele apaga e tudo fica preto.
6 ANOS ANTES...
Um grupo de meninos se encontram atrás de uma escola, 11 garotos cercam um nerd magrelo, cabelos negros e lisos, olhos castanhos bem claros e começam a atirar pedra nele, sempre que tentava fugir os meninos o pegavam e jogavam-no de volta ao centro da roda e não cessavam o apedrejamento.
- Parem! – Uma voz feminina faz todos pararem de atacar – Vocês são covardes demais, não podem fazer isso com ele. – Ela irritada encara a todos.
- Olha o que temos aqui, uma super-heroína!? Ok, mulher maravilha, junte-se a ele. – O menino de maior estatura, cabelo curto, loiro, enrolado, olhos azuis, parecia ser o líder do grupo, pega a garota pelos cabelos e a joga em cima do menino que estava no chão sangrando. Era uma garota muito bonita, olhos verdes, nariz bem pequeno, rosto arredondado e de baixa estatura. – O que acha de levar uma pedrada em troca desse “muleque” escroto?! – Pergunta o líder do grupo, levantado à pedra preparando para atira-la.
- Abaixe essa pedra seu covarde, eu posso até aceitar que se reúnam em mil para me desafiarem, mas levantar a mão para uma menina, isso é inadmissível! – o Nerd raquítico levanta-se com olhar furioso e arruma a mochila em suas costas.
- Então venha, fique nervoso comigo! – O grandalhão atira a pedra acertando a testa da menina que fica chorando. – “Calaboca” Camila, nem joguei com tanta força vai! – Ele tenta se redimir por perceber que havia ido longe demais.
- Eu aviseeeei! - o garoto magro tira a mochila de suas costas, gira ela em torno de seu corpo para pegar impulso e acerta em cheio o queixo do líder malvado que cai desmaiado com o queixo deslocado, todos ficam estupefatos observando a cena e veem que a mochila estava cheia de pedras dentro. O garoto havia se aproveitado das pedradas que levara para guardar algumas na bolsa esperando o momento certo para dar o contra golpe. Camila para de chorar e vê que o jovem havia estendido a mão para ajuda-la. – Qual é seu nome? – pergunta ela orgulhosa do menino. – Eu sou Felipe! Muito prazer! – responde o nerd que levanta a menina e passa a mão arrumando o cabelo dela, tirando-o da frente de seu rosto.
- Ei, você quebrou os dentes do Billy, não vai ficar assim... Turma peguem ele! – Um garoto aleatório do grupo faz um motim para que todos acabem com Felipe que parte em uma arrancada incrível, o bando de moleques o persegue e Camila que havia ficado para trás corre para o lado oposto, indo na direção da reitoria da escola.
Felipe era um especialista em saltos, Ele tinha técnicas de mortais da capoeira e de queda e equilíbrio do Parkour. Ele correu o máximo que podia, mas não estava sendo o suficiente, o grupo o estava conseguindo encurtar a distancia entre eles, o fugitivo passa por um portão bem frágil de uma casa simples e pequena, porém guardada por dois cachorros brancos da raça boxers, o menino para em frente ao portão, ao lado de uma árvore, e com a bolsa ainda cheia de pedras aplica um golpe bem forte quebrando o trinco do portão, abrindo-o, os cachorros acordam assustados e partem para cima de Felipe que rapidamente trata de subir a árvore. Os cachorros percebem o grupo correndo e começam a segui-los, mudando seus alvos. Os garotos mal encarados, fogem em disparada, mudando a direção de suas corridas. Depois de algum tempo, o jovem sobre a árvore desce e volta para a escola, para se encontrar com a menina e agradece-lá. Chegando ao portão do colégio é surpreendido pelo mesmo grupo que o perseguia, tudo parecia perdido, pelo jeito ele iria levar uma surra mas é salvo pela diretora, acompanhada da menina. – Agora quero ver, vocês se deram mal, bobões! – Camila caçoa dos meninos, que pareciam estar desta vez bastante encrencados. Uma escuridão começa a tomar conta de tudo novamente, a visão do magrelo nerd começa a ficar turva, cada minuto mais e mais, até que uma nevoa branca domina tudo e nada mais pode ser visto.
ATUALMENTE...
Prime acorda lentamente, aos poucos vai abrindo os olhos, ele esfrega-os com os pulsos e percebe que está deitado no leito de um hospital, recebendo uma transfusão de sangue, cercado por computadores que registram seus batimentos cardíacos. – Oh droga, preciso sair daqui! - Ele reclama.
- Olá PRIME! – Uma voz um pouco rouca cumprimenta o jovem que imediatamente vira-se assustado. – AAAAAAAH! O quê? Quem? – Ainda zonzo ele só se acalma quando percebe que aquela voz é de um amigo. – Pedro, você aqui?! – ele se surpreende ao ver seu amigo ali com ele. Pedro fica conversando com o jovem por um tempo até tocarem em um assunto muito importante.
- Prime, eu prometi aos seus pais que tomaria conta de você, sei que estou velho, você já é quase um adulto... - Pedro iria começar a discursar quando é interrompido. – Não, não, não, não... Chega de resmungar, tudo o que disser independente do que for... Nada me fará desistir de ser um herói... Eu salvei sua vida ontem! Deveria estar grato! – Diz Prime com indignação
- Eu não iria falar pra você desistir de ser o PRIME, Felipe, você é adulto e sabe o que faz de sua vida, Daquele dia em diante confesso que tenho gostado mais de suas atitudes, você sabe qual dia estou falando, não o via se importar com mais nenhuma pessoa daquele jeito desde os seus 14 anos e hoje você voltou a ser aquele Felipe de anos atrás. – Diz o velho – Aquele dia foi o dia em que eu mais me orgulhei por estar cuidando de você... – A voz de Pedro gradativamente vai diminuindo até sumir totalmente e uma nevoa branca toma conta de tudo de novo.
7 MESES ATRÁS...
Uma televisão ligada no canal de noticias, escorada em uma parede e sobre um raque, dois sofás velhos, alguns quadros baratos e um tapete rasgado, também havia uma mesa com um velho e um adolescente, ambos almoçando enquanto assistiam, essa cena compunha o interior de um apartamento.
-... Três andares inteiros sendo consumidos pelas chamas, os bombeiros conseguiram tirar algumas pessoas do prédio, mas parece que ainda resta alguém lá em cima... – O repórter que passava a noticia é interrompido por duas grandes explosões. – Oh meu Deus, o que foi isso? – o repórter fica muito espantado.
- Tomara que todos fiquem bem, esse prédio é apenas alguns quarteirões daqui. – Pedro fazendo comentários sobre as informações noticiadas.
- Hey, acho que eu consigo subir pelas laterais do prédio me apoiando nos cabos de para-raios e... – Felipe é interrompido pelo velho que estava com sua custódia. – Nem pense nisso, você só porque fica pulando de um lado para o outro com seus amigos que fazem JUMP, fica pichando prédios e muros, já acha que pode subir até lá e resgatar a todos, tenho uma coisa para dizer-lhe... TE PROÍBO!
- Tarde demais... Ah! E é “Parkour” e não “jump”. – Felipe sai da sala correndo e bate a porta deixando o velho resmungando e gritando no apartamento. Ele encharca de água uma blusa preta com capuz e a coloca. De longe a fumaça pode ser vista, e não foi difícil para segui-la e chegar até o local, ele pula o muro do prédio pelos fundos e começa uma escalada pelos fios de para-raios.
- Olhe lá, alguém encapuzado conseguiu driblar a segurança e está escalando em direção aos andares incendiários. Ou ele é muito louco, ou muito corajoso – o repórter noticia a escalada de Felipe.
Chegando aos andares onde o fogo estava mais intenso, ele aos chutes consegue quebrar a janelas de uma cozinha e entrar. – Acho que foi uma má ideia... Não! Vou provar que sou útil para humanidade – Ele abaixa-se e andando agachado caminha por dentro do apartamento procurando pessoas, o fogo era muito intenso, depois de chamar por alguém e ninguém responder, Felipe tossindo muito sai para o corredor, o andar inteiro estava intransitável, vigas de madeira caiam em labaredas fazendo-o mudar a toda hora seu caminho. – Acho que todos já saíram, só eu estou aqui. – Ele volta para o apartamento de onde veio e ouve tosses. – Alguém... cof, cof... Esta aqui? cof, cof... – A respiração estava cada vez mais ofegante e ele usava seu ultimo folego para procurar por alguém ali. – Aqui, no banheiro! Cof, cof - uma voz de um homem avisa sua localidade.
Felipe havia voltado para a janela da cozinha que quebrara para respirar, assim que pegou o máximo de folego começou a caminhar, desta vez sem estar engatinhando, mas ficar em pé estava muito difícil, uma viga em chamas cai a sua frente impedindo-o de progredir, ele tem a ideia de quebrar o cano da pia fazendo jorrar água por toda a cozinha, ele consegue abrir uma passagem à sua frente e avança engatinhando até o banheiro, lá ele se utiliza da mesma artimanha, quebra canos, liga chuveiro se encharca de água novamente e ao homem também, ambos vão engatinhando até a cozinha e por celular Felipe pede para que os bombeiros estiquem a escada até o andar que estavam, alguns minutos depois a escada é içada até a janela e o homem é salvo por um bombeiro. – Irei recolher a escada e assim que deixa-lo no chão, volto para pegá-lo – Diz o bombeiro se afastando. O apartamento começa a desmoronar, os moveis do apartamento de cima, todos, já caiam dentro do apartamento desse andar, o jovem começa a ficar nervoso e apreensivo. – Ele não vai ter tempo de voltar aqui! - ele levanta-se e corre para a sala, pega distância, corre novamente para a cozinha e se atira pela janela, no momento em que ele se atira uma explosão acontece aumentando o impulso e fazendo seu voo ficar maior. –AAAAAAAAH! – Felipe é arremessado contra a escada do bombeiro e consegue se segurar com um reflexo bastante ágil. Enquanto a escada vai sendo recolhida, voltamos ao quarto de hospital, onde podemos observar o velho sentado em uma cadeira contando historias...
ATUALMENTE...
- AAAAAAAH, aquele dia me orgulhei muito de você, você se lemb... hã?! - O velho se deliciava tanto com as próprias lembranças que nem se deu conta que o PRIME não mais se encontrava no quarto. –Hum... Bem a cara dele!
Como eu me sinto em dias chuvosos kkk'