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@tim-westenberg
— Franz Kafka
We can be heroes, just for one day | @Dominique Podmore
Foi com certo alívio que assistiu a cabeça de Tim retornar ao estado normal, especialmente seus olhos, que já não eram mais buracos escuros e medonhos capazes de causarem calafrios sob as sombras onde estavam antes emergidos (e até na área iluminada eles ainda eram um tanto quanto assustadores, mas ela não arriscaria deixar um pensamento desses entrar em evidência, fosse verbal ou fisicamente). Outras pessoas poderiam ficar surpresas em seu lugar, assistindo a mudança quase instantânea na aparência do rapaz, mas não era como se fosse a primeira vez que presenciava aquilo e tampouco a primeira em que ele tentava assustá-la - e não se pode dizer que sem sucesso. Portanto, tratou de varrer a expressão surpresa de suas feições, o que foi relativamente fácil de se fazer, principalmente diante do suposto pedido de desculpas do rapaz. O tom irônico na voz dele era palpável e em resposta a esse sustentou apenas um olhar que poderia ser traduzido em palavras com o mesmo ar do que as dele, que se manteve mesmo depois do “momento do perdão” ter passado. - Realmente, transformar sua cabeça em uma abóbora rende bem menos piadas. - comentou, assentindo positivamente, como se aprovasse a decisão, uma expressão exageradamente séria e encorajadora - e por isso engraçada - formada em sua face. Um sorriso não tardou a surgir em seus lábios, no entanto, e Dominique abafou a risada. Imaginá-lo com uma esfera gigantesca e alaranjada em cima dos ombros a fazia pensar que aquela já não mais seria uma visão assustadora e sim divertida. Pensou em uma dúzia de piadinhas que poderia fazer a esse respeito (se ele tivesse optado por Ação de Graças ao invés de Halloween, tinha certeza que a essa altura já teria o dobro, não que isso fosse um problema), parando apenas quando ele voltou a falar. A sentença havia sido tão ampla que não tinha certeza sobre ao que se referia, fazendo-a refletir por alguns instantes, o cenho um tanto franzido. Não demorou a fazer a conexão, mas Tim já ia explicando-a em voz alta, enquanto o fazia em pensamentos. - Temporariamente e apenas em nome dos bons tempos. - respondeu com uma piscadela. A coloração avermelhada só duraria alguns dias, ou ao menos era o que pretendia que ocorresse quando fez a poção - uma mistura que deixaria professor Slughorn surpreso com suas habilidades para a matéria que lecionava - visto que apesar de sentir falta dos fios ruivos, preferia manter o loiro “original” (em especial, depois do “incidente” com Gideon e a conversa que o antecedera). Espiou-o estudando seus cabelos ruivos, virando a face assim que viu a mão do rapaz distanciar-se, como se protegesse algo, embora soubesse que era perfeitamente capaz de reparar qualquer estrago em um piscar de olhos. - A proposta é tentadora, mas creio que terei que declinar. Aliás, acho que estamos combinando mesmo assim e, além do mais, não gostaria de ter meu par confundido com um dos membros da “Caça Sem Cabeça” ou seja lá como se chama o grupo de fantasmas decapitados o qual Sir Patrick lidera. Sabe como é, falariam que pedi ao meu tataratataratataravó que ele mandasse um de seus cavaleiros ir comigo ao baile e ele ainda acaba mandando justamente o com uma abóbora no lugar da cabeça! Não ficaria bem. - disse com falsa polidez, perfeitamente ciente de que Tim estava longe de parecer um fantasma que havia perdido a vida e os miolos através de uma lâmina que cortou seu pescoço, o que só acentuava o tom de brincadeira que pretendia esboçar. - Vamos? - perguntou com as sobrancelhas erguidas indicando o corredor a frente, o braço já encaixado no dele.
Tim deu uma risada baixa com as colocações de Dominique e começou a pensar no quanto seria engraçado se ele gastasse um pouco de seu tempo para ir a uma “Caça Sem Cabeça”. A se julgar suas habilidades para o seu suposto “dom” o jovem poderia, até mesmo, enganar um ou outro fantasma desavisado, se vestido com as roupas adequadas e se conseguisse atingir um grau mais pesado de translucidez física. As transformações de Tim eram muito melhores que a maioria dos metamorfomagos de dezessete anos que estavam espalhados pelo mundo mágico. Por ser filho único e não ter grandes passatempos durante suas férias, os momentos de ócio e solidão em que estava longe de Hogwarts eram, em suma, o tempo em que o rapaz gastava treinando suas habilidades e pregando peças em filhos de vizinhos que costumam rir de sua aparência até que o pequeno Timothy tivesse sua metamorfomagia estabilizada. A leitura e o hábito de escrita também fizeram com que sua mente se expandisse a ponto de que o conhecimento do rapaz culminasse para que este conseguisse, inclusive, manter controle sobre sua habilidade alguns meses antes de completar a idade que desencadearia uma natural normatização das mudanças de seu corpo. Dominique era uma das poucas pessoas que sabiam um pouco mais sobre o talento do rapaz. Pelo mesmo, o jovem podia se lembrar com facilidade de quando ficou com os cabelos de um tom ridículo de rosa-chiclete por cerca de uma semana lá pelo seu segundo-ano em Hogwarts. Era bem chato ter que conviver com aquelas mutações constantes e lidar com piadas aqui e acolá, mas a compaixão ou, talvez, falta dela quando o assunto era Dominique Podmore e sua metamorfomagia sempre o fizeram se sentir bem com a ausência de uma aparência normal até poucos meses antes de seus treze anos.
- Não. - Disse consentindo com a cabeça para o pequeno monólogo de Dominique enquanto caminhavam para o Salão Principal com uma pressa suave e, ainda assim, um pouco exagerada. Não chegou a responder o “Vamos?” de Dominique com algo mais que o gesto de guia-la até o local do baile. – Daria para fazer muitas piadas sobre isso. – Completou como sua frase anterior, rindo para Dominique e fitando-a de soslaio com uma alegria sincera em seus gestos. De fato a estória fantasiosa da moça não seria uma maneira boa de dar procedência ao seu último ano em Hogwarts. Sair com um fantasma de trocentos anos e que tivesse uma abóbora no lugar da cabeça não era de nada discreto, ainda mais estando em um baile de máscaras. Sim, certamente seria fácil fazer piadas sobre isso.
- Aliás, eu gosto do cabelo laranja. Te dá um charme quase tão grande quanto o meu próprio. – Falou com um tom convencido pouco antes de chegarem ao Salão Principal, apertando o braço de Dominque de uma forma engraçada e erguendo as sobrancelhas para o local do baile. Apesar da piada, esta era a forma de Tim de dizer que sua amiga estava muito bonita.
We can be heroes, just for one day | @Dominique Podmore
Eram mechas de um alarajado intenso que caíam sobre os ombros de Dominique quando essa começou a se vestir para o aclamado baile que deveria ocorrer dali a algumas horas. Apesar de ser originalmente loira - ou quase isso, visto que até seu segundo ano na escola de magia seus cabelos eram mais ruivos do que louros - a lufana pensou que uma ocasião como tal pedia uma mudança em sua aparência, especialmente em se tratando de uma festa onde todos os convidados deveriam ir mascarados, o que, por si só, já tornaria a missão de reconhecê-los um tanto quanto difícil, então por que ela não haveria de dificultá-la ainda mais? Além disso, o vestido que iria vestir era de uma tonalidade que a fez torcer o nariz quando o viu pela primeira vez. O negro dos tecidos que davam forma à veste era bonito e contrastava com o tom pálido de sua pele, mas também trazia a ela um ar sério nada compatível com sua personalidade - e o dourado de seus fios não contribuía em nada para dizer o contrário. Era obra de sua mãe, soube assim que abriu o embrulho, em mais uma de suas tentativas de contrariar o pedido da filha do meio, que deixara bastante claro o que queria na carta que enviou pela coruja da família quando o evento foi anunciado. Mesmo assim, tinha de admitir que a sra. Podmore tinha bom gosto até mesmo quando ia contra seus desejos, pois o vestido era realmente bonito, apesar de um tanto trabalhoso de vestir devido às saias que o faziam ser volumoso. Essas cobriam até mesmo seus sapatos de salto, o que também atrapalhava seu andar, mas tratou desse assunto com alguns acenos de varinha enquanto esperava a ação da poção que usara para tingir seus cabelos naquela tarde se concluir. Observando agora o próprio reflexo no espelho, notou que seu trabalho havia sido realmente bem feito. O vestido parecia ter sido feito originalmente daquela maneira - nem muito curto, nem muito longo, simplesmente na medida - e o corpete coberto de rendas ajustara-se perfeitamente ao seu corpo. Os fios ruivos estavam uniformes e do jeito que lembrava serem da última vez que os tingira daquela cor, mesmo que estivessem reunidos em um coque firme atrás de sua cabeça, alguns deles escapando propositalmente, como jamais estiveram antes. Realmente, um bom trabalho, apesar de um tanto demorado, visto que não possuía nenhum dom mágico para alterar suas compleições com maior facilidade, como um certo rapaz que era, eventualmente, seu par. Lembrar de Tim fez com que terminasse sua arrumação com maior rapidez, apesar de não haver a menor necessidade para tal, uma vez que tinha tempo de sobra para se arrumar - e eventualmente perturbar Jasmine com perguntas a respeito de seu acompanhante misterioso. No entanto, a jovem queria estar a espera quando ele chegasse, com um comentário sobre o quão demorado era ao se preparar para uma festa pronto para ser feito. Pensara até mesmo em chamá-lo de “noiva” e recordar-se disso fez um sorriso brotar em seus lábios levemente rosados pelo batom. As maçãs do rosto também haviam adquirido um rubor suave - e artificial - e seus olhos foram devidamente destacados, os cílios alongados, mas tudo parecia harmonioso e condizente perto da vermelhidão que margeava seu rosto e com a máscara que por fim repousou sobre sua face. Era negra como o vestido e aveludada ao toque, além de possuir traços de flores em renda que remetiam ao rendado quase invisível do justilho. Uniu as fitas presas as suas extremidades atrás da cabeça, escondendo o laço sob o coque e dirigiu uma última olhada para a sua figura refletida. Então, deixou o dormitório e depois o Salão Comunal, admirando brevemente as figuras que estavam por ali - alguns de seus amigos esperando as garotas que se preparavam nos quartos, percebeu, além de casais já formados - antes de atravessar a passagem. Com passadas decididas, deixou os barris que davam acesso ao cômodo comum dos lufanos para trás rapidamente, virando uma curva para seguir pelo corredor que levaria ao piso superior. Não conseguiu dar mais do que meia dúzia de passos por esse caminho, porém, pois quando passou por uma das armaduras que haviam sido espalhadas por toda Hogwarts, uma voz vinda das sombras fez com que se sobressaltasse. Logo detectou a criatura que produzira tal som, sem conseguir esconder a surpresa estampada em sua face. - Alguém te disse que o dia das bruxas já passou? - perguntou com petulância, como se para disfarçar o fato de que havia se assustado, mesmo que sua expressão e os passos que dera para trás a entregassem. Só poderia haver uma pessoa capaz de fazer aquilo no castelo todo, e sabia muito bem o nome dela.
A expressão de surpresa de Dominique fora um pouco menos extravagante do que o grifano esperava, contudo, o rapaz precisou admitir que ver a amiga tentando disfarçar o susto era no mínimo o suficiente para render-lhe algumas poucas risadas. Saiu das sombras com um passo ou dois e deixou a esfera laranja voltar a tomar feições humanas e masculinas. Os cabelos ficaram castanhos e bagunçados e a face tornou-se novamente pálida. O grifano deu um sorriso travesso fitando a expressão atrevida de Dominique.
- Desculpe. – Afirmou irônico fazendo uma careta breve enquanto levava a máscara que ainda estava em seus dedos para a face não mais de abóbora. – Não consegui pensar em nada que remeta a bailes escolares. Hallowen foi a data comemorativa que consegui me lembrar. Ação de Graças até me passou pela cabeça, mas... Não queria ficar com cara de peru. Daria pra fazer muitas piadas sobre isso. – Falou erguendo as sobrancelhas de uma maneira cômica e gentil. Terminou de amarrar o material de aparência metálica em sua face e deu um sorriso maroto para Dominique. Apenas nesse instante pôde de fato fita-la.
- Pelo visto você teve a mesma ideia que eu, não é? – Perguntou sendo mais enigmático do que deveria até notar que sua fala poderia ter interpretações diversas. Entretanto, o jovem apenas comentava sobre o tom avermelhado dos cabelos de sua amiga. – Cabelos de abóbora, dona Dominique Podmore? – Disse procurando fazê-la compreender a piada até que pôs a ponta dos dedos sobre a parte mínima de cabelo que escapava da extremidade do coque da ruiva com um cuidado digno para não estragar o penteado da moça. – Se quiser ainda posso voltar com a cabeça de abóbora. Daí estaremos perfeitamente parecidos. – Sussurrou com graça piscando para a moça e oferecendo o braço para que fossem ao Salão Principal.
Heroes - David Bowie
We can be heroes, just for one day | @Dominique Podmore
Apesar de ser uma pessoa desleixada Timothy Westenberg realmente se esforçou, ainda que o mínimo, para ficar elegante durante o baile que teria no castelo. Tomou um belo banho e acabou por deixar a barba crescer bem ligeiramente já que fazê-lo não representava uma impossibilidade devido a sua metamorfomagia. Quando o horário do evento estudantil se aproximou o jovem tirou o traje engomado do armário antigo de seu dormitório e deu um sorriso breve e sincero para a vestimenta feita por Corina Darling. Não fosse o cuidado da amiga era mais do que provável que o rapaz sequer procurasse com afinco uma roupa boa e que o deixasse tão charmoso quanto havia ficado depois de se vestir com o tecido espesso e de exímia qualidade.
Demorou para conseguir colocar a gravata de uma maneira digna e quando deixou sua Torre percebeu que estava um pouco adiantado de acordo o horário combinado com Dominique. Sua máscara de losangos pretos e dourados ainda estava em suas mãos e, pensando em fazer uma surpresinha desagradável a amiga, o rapaz desceu as escadarias passando direto pelo Saguão - ignorando o fato de que a jovem e ele haviam combinado de se encontrar no local - para atingir os corredores que iriam para o Salão Comunal da Lufa-lufa. Quando já estava bem próximo do que deveria ser a entrada para o local o rapaz encostou-se na parede gelada de pedra ficando perfeitamente escondido atrás de uma armadura antiga e gigantesca de metal. Deu um suspiro entediado e deixou a face se contorcer até ficar incrivelmente laranja e redonda. Era difícil dizer se Tim era completamente louco ou se sua ideia era de fato muito original. Sua cabeça havia se transformado em um globo colossal que, bem aos poucos, tomou a forma quase perfeita de uma abóbora. Os furos dos olhos eram indubitavelmente malignos e uma luz fosca saia pelos buracos da estrutura assustadora. Esperou tranquilamente, escondido devido à falta de luz naquele ponto fixo e quando observou Dominique surgir ficou pronto para dar-lhe um susto. A brincadeira era de fato muito boba, mas Tim não ligava para isso. Quando estava com Dom geralmente eram bem infantis e sem graça um com o outro. Não queria perder esse costume. - Olá! – Disse fazendo uma voz grave e bem simples para que a noite já começasse com umas boas gargalhadas.
Tim And The Ball
The Man:
And The Mask:
A sua capacidade de distorcer as minhas palavras também é uma gracinha, mas você não vai ganhar flores por isso, sabe como é, os caras com quem divide o dormitório estranhariam. Se bem que contigo sabendo o que gérberas simbolizam, duvido muito que eles não tenham chegado a conclusão de que é, lá no fundo, uma garota. Aliás, prefiro nem saber como descobriu essa coisa das gérberas, mas na aula de Herbologia é que não foi.
O caminho até o Salão da Hufflepuff é muito longo vindo da Torre da Gryffindor, vou te dar essa colher de chá e deixar que você me encontre no Saguão. Te vejo lá, então?
Sou um homem sensível, Dom. Quase uma caixinha de surpresas, ok? Entendo de flores e de bordados. Sempre um passo a frente!
Sim, te encontro no Saguão, então. Aliás, vou até sua Sala Comunal e sairei te arrastando se você demorar. Venha de pijamas, mas venha! Talvez tenha notado que sou um pouco impaciente.... Enfim.
Perdoado.
Você está admitindo que sua companhia é ótima, eu disse que não seria nada mal tê-lo como par, mas não sei por quanto tempo essa opinião dura, diante dessa sua “legalzesa” em abundância. E você não precisa levar nada - mesmo que chocolate e firewhisky sejam tentadores.
Que foi?! Você quer flores? Awwn, que gracinha, Dom. Vou levar gerberas pra você, então. Sabia que essas flores representam a pureza e a inocência das crianças? Tipo a gente, saca?
Ok, agora estou parando de vez com minha "graça" extasiante, só que não. Vai ser legal a gente ir junto, preciso admitir. Não estou na vibe de cortejar uma garota e a gente pode beber e ser feliz. Quer que eu vá te pegar na sua Sala Comunal ou a gente se encontra no Saguão?
E também para qualquer mulherzinha, mas isso não quer dizer nada, é claro.
Você e essa sua sutileza de um elefante acabam com toda a graça da coisa, já te disse isso? Ou porque você é um mala, mas vamos nos manter esperançosos quanto ao “legal”. De qualquer maneira, já que falou, não seria nada mal ir contigo, como amigos, óbvio, por que o que mais eu iria querer de você mesmo, agora que já colocou até um teto acima da minha cabeça quando deixarmos Hogwarts? Eh, não é má ideia.
Pois eu tô achando graça suficiente da minha falta de sutileza, desculpa!?
Espera, você admitindo que minha companhia é ótima, é? Ah, Dom... Não seja por isso. Se me quer tanto como par estarei a sua disposição, ok? Minha legalzesa se supera, eu sei.
Quer que eu te leve algo? Chocolates, talvez? Ou flores? Firewhiskey também rola?
Sou bem eu quem está surtando, huh? Como é mesmo? Relaxa, Tim, relaxa.
De qualquer maneira, acho que nos veremos por lá, sim? Provavelmente nos esbarrando na entrada, se formos considerar a quantidade de pessoas que vão tentar entrar no mesmo lugar ao mesmo tempo …
Sabe como é. Com baile chegando são tantos os preparativos! Roupa, cabelo, perfume. Fica difícil dar conta das detenções e me manter lindo para o grande dia, né? Surtar é compreensível para todo garoto metrossexual de cabelos bagunçados.
Ok, agora parei! Dominique, se quer tanto ir ao baile comigo é só falar. Não precisa falar que "vamos entrar pela mesma porta", assim você perde a credibilidade, viu? Querendo ir como amigos é só avisar que vou checar minha disponibilidade e ver se posso te encaixar na minha agenda. Isso porque sou legal!
Acho que está me confundindo com uma dessas suas outras amigas, Timmy, porque, sinceramente, quando foi que me viu magoada por não receber a atenção de um cara? - E não, a vez que tentei pedir um autógrafo para um dos jogadores do Montrose e ele me ignorou não conta. - Ou então que me viu ficar de braços cruzados quando queria algo? Pior, ficar desesperada por não ter um par de calças para me acompanhar em um baile a ponto de estampar a minha cara em um jornal de índole questionável? Convenhamos, soa como uma piada ruim. Você me conhece e pode fazer melhor do que isso.
Relaxa, Dominique! Relaxa! Não precisa surtar por causa do que eu disse, viu? Eu mesmo estou sem par e nem por isso estou infeliz. Digo, não que eu pense que você esteja triste por não ter um par. Longe disso! Digo... Ok, só não me mate, Dom. Já me bastam "outras amigas" pra tentar me enlouquecer. Essa vida tá difícil.
Engraçado, você faz as ameaças, mas sou eu quem põe a amizade em risco. Realmente, faz muito sentido.
Com certeza, e de certo que tudo isso foi parte de uma estratégia para me chamar para o baile também. Pena que não está funcionando, já que ele não olha pra minha cara há dias, não é? Se não fosse esse pequeno detalhe, quase daria para considerar a ideia, depois dos convites estrambólicos que andaram fazendo.
Falando assim parece até que está magoada com a falta de atenção do Gideon com você. Poxa, Dom. Se quer repetir a dose vai lá você mesma e dá um jeito! Tô te dando força pra isso, ok? Confio na sua perseverança.
Convites estrambólicos? Sempre soube que extravagância atrai extravagância, Dom. Agora, é sério... Não conseguiu ninguém pra ir ao baile? Se você tivesse menos personalidade e fosse mais sem graça talvez rolasse. Incrível a falta de bom gosto por aí. Mas, se o desespero é grande, já cogitou mandar uma foto pro Scoop. Pode rolar, viu?
@Dominique Podmore
Se perguntada sobre a razão de Tim ter ganho aquela aposta que ela mesma havia proposto, a lufana diria que toda aquela historinha de convidá-la para passar uns tempos no Norte fazia parte de uma estratégia miraculosa que o rapaz havia bolado para derrotá-la, visto que essa seria a única maneira plausível de fazê-lo (ora essa, Dominique Podmore nunca perdia uma aposta!). Obviamente, ninguém fez pergunta alguma sobre o assunto naquele instante, logo a jovem não teve a oportunidade de expressar sua “mais sincera” opinião a esse respeito. Bem, ao menos sua mais sincera opinião da boca para fora. Sendo parte ou não de um plano, a proposta feita por ele havia realmente tirado seu foco de algo tão pequeno - guardadas as proporções - para pensar em algo muito maior, que determinaria como sua vida passaria a ser. Era estranho pensar dessa maneira, para não dizer o quão assustador também soava. Não havia muito tempo que estavam tomando sorvetes na calçada da Florian & Fortescue’s, preparando-se para seu segundo ano em Hogwarts, cheios de expectativas sobre as surpresas que ainda poderiam encontrar no castelo, e agora os planos eram para quando deixassem de viver naquela propriedade, enquanto lavavam troféus empoeirados. Crescer era uma ideia terrível, de fato. Nunca gostara muito de pensar no assunto, nem mesmo quando criança, época em que todos pareciam encantados pela ideia de pensarem no que fariam de suas vidas no futuro. Nem mesmo as brincadeiras que envolviam a temática “profissões” agradavam a pequena Dominique, que no auge de seus 6 anos de idade e ânsia imensa de agradar aos pais, só participava dos chás oferecidos por Abigail no quintal de casa ou das brincadeiras de casinha para não ficar de fora. Afinal, Hogwarts havia sido uma grande saída para ela. Não só dos chás, obviamente, por mais que os detestasse. Mas estar em uma escola interna, longe dos olhares de seus progenitores e, acima de tudo, longe de suas comparações, era um fator que por si só já fazia a estadia no local valer a pena. Quando somada ao fato de ter encontrado pessoas que tinham ideias compatíveis as suas (e às vezes nem tanto), que acabaram tornando-se suas amigas, como ocorrera com Timothy, tornava tudo ainda melhor. Porém, ainda era difícil processar que havia sido convidada para morar com ele, no sentido mais sincero e desprovido de implicações ou segundas intenções (a menos que essas fossem ter uma amiga por perto). Não, não era para menos ter perdido a aposta. E, por mais que jamais fosse admitir, talvez ele merecesse essa. Ou talvez não. Pela expressão configurada em sua face - um mix de descrença e indignação que era relativamente engraçado - a ideia de ter perdido não agradava muito mais do que a de aceitar que os anos haviam chegado para ela também. No entanto, com um olhar rápido dirigido aos troféus limpos, os sujos e o que estava em seu colo, meio-sujo (ou meio-limpo, mas aquela não era hora para otimismo), teve de aceitar que perdera. Mas não necessariamente na frente dele. - Pois saiba que vou querer uma revanche. - disse da forma mais infantil possível, como se estivesse inconformada com a derrota. Faltou apenas mostrar a língua para que voltassem alguns anos, em uma situação semelhante, salvas as diferenças de idade e da causa para a birra de Dom, que na dita ocasião estava emburrada porque acabara tomando um belo banho de água de sujeira de troféu “acidentalmente”. Conformada ou não, ela teria que pagar o preço por aquilo e esse seria o que quer que a mente criativamente maligna de Timothy Westenberg pensasse.
O conteúdo complexo da conversa dos dois teve fim quando a aposta combinada entre os dois bruxos indicou um vencedor. Tim não era bem daqueles que cantava vitória e fazia grandes balburdias após triunfos bobos, mas teve que admitir mentalmente que ver Dominique tão inconformada com o resultado da brincadeira dos era algo impagável.
Ergueu ambas as sobrancelhas e fez um gesto suave com os braços como que para dizer que não podia fazer nada por ela. Depois pôs o pano úmido sobre a borda do balde cheio de água e sabão e se levantou para terminar de guardar os troféus polidos.
- Não reclame. Você sabe que da próxima vez vai ganhar. Eu sempre deixo você fazê-lo. Não seria legal fazer a sua autoestima diminuir tanto. Sim, sou legal. – Afirmou com um ar convencido apesar do sorriso cômico. Terminou de guardar os seus troféus e, indo em direção a Dominique, resolveu ajuda-la a finalizar o trabalho com as peças metálicas dela. – Aliás, ainda nem sei o que fazer com o meu prêmio. – Completou-se enigmático ao mergulhar o tecido cinzento no líquido torpe e ensaboar um dos troféus do monte de Dom. No fundo pensava que ela poderia ter feito tudo àquilo para que o dia terminasse com Tim limpando muitos mais troféus do que ela, contudo, o rapaz sabia que, apesar do esforço, ele ainda tinha uma carta na manga contra Dominique. E, conhecendo o temperamento inflamável e espontâneo da moça, ele chegou a pensar que ela realmente seria capaz de tudo para provar que não era medrosa. Dominique era simplesmente uma figura.