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Laudelina de Campos Melo
Laudelina de Campos Melo nasceu em Poços de Caldas - MG
Se ainda hoje é comum casos de abusos contra as empregadas domésticas, imagine como era a situação das mesmas em meados de 1900? Foi em um cenário assim que, em 1904, nasceu e trabalhou Laudelina de Campos, ou Vó Nina, uma ativista que lutou pela qualidade de vida das empregadas domésticas e combateu a discriminação da sociedade contra as mesmas.
Em uma época em que existiam poucos direitos para os trabalhadores, especialmente os braçais, era mais do que comum encontrar crianças trabalhando. Vó Nina foi um ótimo exemplo dessa realidade, já que aos 7 anos de idade já trabalhava como empregada doméstica (Rapaz, eu com 7 anos de idade não sabia nem como funcionava o ferro de passar, imagine cuidar de uma casa inteira?).
Como se trabalhar tão jovem já não fosse o bastante, aos 12 anos ela perdeu o pai após um acidente onde ele trabalhava o que a obrigou a largar os estudos para cuidar dos 5 irmãos. Crescer tão próxima a uma realidade de exploração trabalhista e preconceitos de gênero e raça, serviu de motivação para que ela participasse de organizações de mulheres negras já aos 16 anos de idade.
Aos 20 mudou para São Paulo - SP entrando para a Frente Negra Brasileira, e após se aproximar do Partido Comunista Brasileiro criou, em 1936, a Associação das Empregadas Domésticas do Brasil que posteriormente foi fechada pelo Estado Novo em 1942.
Mas em 1961 persistiu e fundou a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas que acabou inspirando a criação de outras associações em São Paulo e no Rio de Janeiro, todas elas tiveram como resultado a criação do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos em 1988.
Ela ainda atuou junto a várias universidades brasileiras por cerca de 30 anos e chegou a ser eleita chefe do Departamento de Sociologia da PUC- RJ.
O trabalho de Vó Nina teve grande importância para que a categoria conquistasse o direito à CLT e à Previdência Social. Vó Nina é o tipo de mulher que a história não pode e não deve apagar. Mesmo contra todas as barreiras e limites impostos nas época em que viveu, ela permaneceu firme em sua luta pela igualdade e respeito.
Curiosidade: Foi enfermeira voluntária durante a II Guerra Mundial. Sua inspiração veio após uma leitura de um livro de Hitler. Percebendo a loucura dos ideias do ditador, ela se prontificou para ajudar de alguma maneira.
Curiosidade II: Quando criança ela presenciou o capataz da fazenda onde morava tentando agredir sua mãe, ela então partiu pra cima dele e tentou esganar o agressor.
Curiosidade III: Seus pais foram beneficiados pela Lei do Ventre Livre, uma lei que tornava livre os filhos de escravos alforriados, mas ainda assim sofreram com o preconceito e a falta de oportunidades, então continuaram trabalhando na fazenda.
Curiosidade IV: Ela tentou organizar um baile de debutantes de meninas negras em Campinas, mas foi proibida. Ao invés de desistir, ela chamou a atenção da mídia e conseguiu realizar o evento que ficou conhecido como o “Baile Pérola Negra”. Chegando até a sair na revista “O Cruzeiro” que era a mais importante da época.
Curiosidade V: O projeto www.casalaudelina.org.br mantém vivo seu legado e sua luta contra o racismo, sexismo dentre outras guerrilhas.
Fontes: https://goo.gl/Zy8gH8 https://goo.gl/fuU38j https://goo.gl/8YFpvS https://goo.gl/z4AGhx
Cruz e Sousa
João da Cruz e Sousa nasceu na cidade de Florianopolis - SC
Meu xará, João, (sim, meu nome é João, prazer) teve uma origem comum para a época em que nasceu. Era filho de dois escravos alforriados, a lavadeira Carolina Eva da Conceição e o mestre-padeiro Guilherme da Cruz.
O “Sousa” do seu nome foi herdado do ex-dono de seus pais, Coronel Guilherme Sousa, que o adotou e contribuiu com sua educação.
Mesmo com o forte preconceito da época, estudou no Ateneu Provincial Catarinense, onde aprendeu francês, inglês, latim, grego (e você feliz por saber escrever seu nome). O rapaz era tão nerd inteligente que aos oito anos já recitava versos homenageando o coronel Guilherme, seu tutor.
Fundou em 1881, ao lado de Virgílio Várzea e Santos Lostada, o jornal literário “Colombo” e foi diretor do jornal abolicionista Tribuna Popular, onde combateu a escravidão e o preconceito.
Pouco tempo depois foi nomeado promotor público no município de Laguna, mas foi impugnado pelos políticos locais que não aceitavam a ideia de um negro no cargo. Mais tarde, em parceria com Virgílio Várzea lançou, a obra “Tropos e Fantasias”.
Mesmo sofrendo represália para não sair de sua terra natal, deixou o sul do país e parte rumo ao Rio de Janeiro onde morou durante cerca de 9 meses.
Voltou para casa quando as contas apertaram e os empregos que conseguia não rendiam dinheiro o bastante. Ainda em terras cariocas conheceu seu parça e grande divulgador de sua obra, Nestor Vítor.
Dois anos depois, voltou ao Rio de Janeiro e começou a colaborar com as revistas “Ilustrada” e “Novidades”.
Um ano depois passou a publicar também nos jornais “Folha Popular” e “O Tempo”, ambos manifestos simbolistas (Se você não sabe o que é simbolismo, é só clicar aqui).
Com a publicação das obras “Missal” e “Broqueis” se consagrou como o fundador do Simbolismo Brasileiro, uma vez que combinava parnasianismo, pessimismo e materialismo à musicalidade simbolista, tudo isso sob influências das suas leituras de Baudelaire e Antero de Quental.
Também foi nomeado praticante e arquivista da Central do Brasil. Foi casado com a costureira Gavita Rosa Gonçalves, com quem teve quatro filhos.
Cruz e Sousa, como é popularmente conhecido, realizou conferências abolicionistas em várias capitais durante sua vida. Foi uma voz influente e importante na luta contra a escravidão no Brasil. Além de tudo isso, Cruz é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.
Curiosidade: Em Florianópolis, sua cidade Natal, existe o palácio Cruz e Sousa onde estão seus restos mortais.
Curiosidade I: Inúmeros municípios possuem ruas e avenidas com seu nome.
Curiosidade II: Em 1998 foi lançado um filme sobre ele com a direção de Sylvio Back e interpretação de Kadu Karneiro.
Curiosidade III: No município de Lages - SC existe o Clube Cruz e Sousa onde é preservada sua história e promovem a cultura negra.
Curiosidade IV: É considerado até hoje o mestre brasileiro do simbolismo.
Fontes: https://goo.gl/q34JDP ; https://goo.gl/FkrtJm; https://goo.gl/I2RFxU
Aida dos Santos
Aída Menezes dos Santos nasceu no Rio de Janeiro - RJ
As Olimpíadas têm a capacidade de despertas forças inimagináveis. Unir nações, torcidas e atletas. E com isso, presenciamos momentos espetaculares que ficam registrados na história. Pera, isso ficou bem bonito. Vou copiar e colar esse mesmo trecho aqui embaixo e você lê de novo, mas dessa vez mentalmente com a voz do Cid Moreira, ok?
“As Olimpíadas têm a capacidade de despertas forças inimagináveis. Unir nações, torcidas e atletas. E com isso, presenciamos momentos espetaculares que ficam registrados na memória e na história.”
Como por exemplo, uma das histórias mais incríveis que uma atleta brasileira já viveu: a de Aída dos Santos nas Olimpíadas de 1964.
De origem humilde e simples, Aída dos Santos começou a praticar o esporte graças a uma provocação de uma colega de estudos com quem pegava carona “Se não começar a treinar comigo(no atletismo), vai voltar a pé para casa”. Da brincadeira da colega, Aída, que já jogava volei, acabou descobrindo uma verdadeira paixão pelo atletismo.
Enquanto muitos atletas recebiam o apoio dentro de casa para praticar um esporte, Aída, após participar de sua primeira competição de salto em altura, apanhou dos seu pai, que disse “pobre tem de ganhar a vida, e você não ganhou nada pra fazer isso”.
Mas isso não fez Aída desistir. Tanto que se tornou campeã estadual, brasileira, sul-americana e pan-americana de salto em altura. E foi em 1964, na Olimpíada de Tóquio, que ela mostrou que nada a faria parar.
Tudo começa com a delegação brasileira dificultando a participação dela nos jogos. Sim, eles estavam dificultando e não, não é exagero. Eles pediram para que ela e outra atleta “disputassem” pela vaga. Aída venceu e garantiu seu lugar nos jogos. O problema é que isso fez com que sua classificação ficasse em cima da hora e como consequência, não conseguiu receber o uniforme ( e nem a delegação se esforçou para que isso acontecesse).
E é aqui que começa o filme, digo, a história.
O primeiro ponto que você precisa saber sobre sua participação nos Jogos de Tóquio é que ela não tinha técnico. Seu treinamento era feito em cima do básico, do básico. Tanto que em seus treinos ela não saltava para cair de costas e sim parcialmente de costas. Isso porque ela caía na grama ou areia e não em um colchão.
O segundo ponto é que ela não tinha um interprete, ou seja, ela chegou no Japão (velho, no Japão!) sem entender nada do que estavam falando. Pra se ter uma ideia, na hora do registro na Vila Olímpica a recepcionista apontou para um campo e começou a cantar “Happy Birthday”, foi aí que Aída entendeu que era o campo onde deveria escrever sua data de nascimento. E foi assim, aos trancos e barrancos que ela conseguiu se “comunicar” na terra do sol nascente.
O terceiro ponto é que ela também não tinha transporte para ir ao treinamento, então passou a usar uma bicicleta para se locomover. Só que isso na verdade foi uma coisa boa. Servia de exercício para fortalecer as pernas e melhorar o preparo dela para as competições.
O quarto ponto é que ela também não tinha material para competir. A delegação brasileira (nooossa, mas que delegação gente boa!) não colocou o nome dela na lista de atletas que poderiam retirar tênis e roupas na loja da marca patrocinadora, então ela teria que disputar com os pés descalços. Isso se ela não tivesse recebido a doação de um tênis para competir. O tênis era de sprinter, não tinha travas o que dificultava a tração, mas ainda assim era melhor que disputar a pé. Nos treinos ela usava uma camiseta do Botafogo, sua equipe no Brasil, e nas competições um uniforme antigo. Detalhe, no dia do desfile ela improvisou uma roupa para ficar parecida com a do restante da delegação.
O quinto ponto (isso tá quase virando um jogo Brasil x Alemanha) é que ela também não tinha equipe médica nem nada parecido.
O sexto ponto veio no dia da disputa. Parte da delegação brasileira dizia “te vemos no almoço, Aída”, fazendo a analogia de que ela seria eliminada antes do meio dia e almoçaria com o restante da delegação. Mas vale dizer algo muito importante: Aída era a única mulher e a única representante do atletismo de toda delegação, mas como diria a poetisa “Já que é pra tombar, tombei”.
Ela conseguiu chegar as eliminatórias e foi quando descobriu que precisaria saltar a altura de um metro e setenta para chegar nas finais. Até então, no Brasil, ela não havia conseguido nem saltar a marcação de um e sessenta e oito. Mesmo assim ela se concentrou, saltou e bateu a marca. Porém, acabou torcendo o pé já que não estava acostumada com o colchão de aterrissagem.
Recebeu atendimento do médico da equipe cubana, tomou um remédio e voltou ainda mancando para a disputa. Respirou, correu e novamente se superou e atingiu a marca de um metro e setenta e cinco. Isso garantiu o quarto lugar para nossa atleta.
Essa marca de 1,75 foi mantida entre as atletas brasileiras até 1996. Ou seja, seu recorde nacional foi mantido durante 32 anos.
Quando voltou ao Brasil foi ovacionada e reconhecida pelo seu feito. Mas ela não deu muita bola para isso dizendo que se não queriam saber dela antes, que não viessem agora. Quando deu uma entrevista revelando o descaso da delegação com ela em Tóquio, acabou sendo riscada da lista para a Olimpíada de Munique em 1972 (meu Deus do céu, mas alguém abraça o pescoço dessa delegação porque eles são legais demais).
Por fim (não farei um trocadilho dizendo que ela deu seus pulos) vale dizer que Aída é uma das atletas que possuí o verdadeiro espirito olímpico (não farei um trocadilho dizendo que ela deu seus pulos), sua determinação e o desejo de vencer todas as suas barreiras(não farei um trocadilho dizendo que ela deu seus pulos) resume bem o desejo de todo atleta.
Agora imagine você o que Aída teria alcançado se tivesse apoio, técnico, uniforme e o reconhecimento necessário (na verdade imagine isso até hoje com o tanto de talentos que passam despercebidos nos mais diversos esportes, e só recebem patrocínio quando ganham algo e não o contrário).
E sim, mesmo com todas as dificuldades ela deu seus pulos e venceu. Desculpe, não resisti.
Curiosidade I: Em 2006 recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, dado para atletas que apresentem a mesma determinação do mesmo.
Curiosidade II: A Confederação Brasileira de Atletismo criou o prêmio Aída dos Santos para as atletas brasileiras que conquistam títulos internacionais.
Curiosidade III: É mãe da jogadora de vôlei Valeskinha que já defendeu a seleção brasileira.
Curiosidade IV: Nos Jogos Rio 2016 ela carregou a tocha em Niterói - RJ.
Curiosidade V: O site Bikpek, que reúne a memória olímpica, fez uma campanha para que ela acendesse a tocha do Rio.
Curiosidade VI: Se você tem 27 minutos livres, pare o que está fazendo, e assista ao documentário “Aída dos Santos, uma mulher de garra” da ESPM que conta a história dela em Tóquio.
PS : o nome dela no título está sem acento por razões técnicas. :/
Fontes: http://goo.gl/b1QjWq; http://goo.gl/hsE6hx; http://goo.gl/Zf32Kt
Postagem especial: Rafela Silva
É ouro. ;)
Fontes: http://goo.gl/l9I9Fl, https://goo.gl/xknfaa,
Teodoro Sampaio
Teodoro Fernandes Sampaio nasceu em Santo Amaro - BA
Se a primeira coisa que vem a sua mente quando você pensa em Teodoro Sampaio é um sertanejo raiz com direito a dor de cotovelo e muita sofrência com estilo (afinal, a vida é muito curta pra gente não assumir que ouve uns sertanejos) essa história é perfeita pra você. Afinal, Teodoro Sampaio foi um dos maiores pensadores de sua época e contribuiu em diversas áreas como topografia, engenharia e literatura para a história do Brasil.
Filho da escrava de engenho Domingas da Paixão com, supostamente, o padre Manoel Fernandes Sampaio, Teodoro foi alforriado no batismo pelo próprio pai.
Eu digo supostamente porque, segundo alguns estudiosos, nosso querido Teo também poderia ser filho do senhor de engenho Francisco Antônio da Costa Pinto. Um padre ou o dono do engenho. Um bom resumo de como as escravas eram tratadas naquela época.
Quando completou dois anos de idade foi entregue para uma senhora da sociedade, D. Inês Leopoldina. Aos 10, foi estudar no Rio de Janeiro no colégio São Salvador onde, anos mais tarde, se tornou professor de Matemática, Filosofia, História, Geografia e Latim (quase uma escola inteira em uma só pessoa).
Ainda universitário, Teo foi desenhista no Museu Nacional onde conheceu o naturalista norte-americano Orville A. Derby, com quem saiu em uma expedição científica, em 1879, ao Vale do São Francisco para estudar os portos do Brasil e a navegação interior.
- Pausa -
Detalhe importante, por ser o único negro, o nome de nosso Teozinho não apareceu no Diário da União. Somente após a interferência do Senador Viriato de Medeiro o nome dele foi incluído. Durante essa expedição, ele ajudou nas obras de barragem e desobstrução do Velho Chico.
- Voltando -
Logo após essa expedição marota, Teo foi convidado a ingressar na Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, assumindo o comando dos Serviços de Água e Esgoto da Cidade de São Paulo.
Na década de 1890, ganhou cada vez mais reconhecimento intelectual em reflexo a seus feitos e criações. Como sua participação na organização da Escola Politécnica de São Paulo junto a Amando Sales de Oliveira.
Foi um dos primeiros a reconhecer a importância dos conhecimentos indígenas para o sucesso das trilhas bandeirantes.
Teodoro Sampaio foi um dos maiores pensadores de sua época. Nasceu escravo, mas cresceu livre e se tornou um dos maiores engenheiros que o país conheceu. Contribuindo com toda sua genialidade para um Brasil moderno e melhor.
Curiosidade I: Duas de suas obras são ainda bastante requisitadas no meio acadêmico: O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, de 1905, e O Tupi na Geografia Nacional, 1901.
Curiosidade II: Em São Paulo a rua Teodoro Sampaio foi nomeada em sua homenagem, assim como o nome da cidade em que nasceu que passou a ter seu nome e outra cidade do estado de São Paulo que também leva o nome do nosso amigo Teozin.
Fontes: http://goo.gl/RI4LpC; http://goo.gl/ZIj5Ja; http://goo.gl/l2EpWQ
Postagem especial: 25 de Julho. Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha
Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra e nasceu em La Victoria em1922.
Neste vídeo temos mais do que um simples manifesto. É um relato de uma situação vivida por Victoria quando tinha sete (ou cinco) anos de idade em que é expulsa da brincadeira por suas amigas (crianças são uns anjinhos ao avesso quando querem, né?) que queriam que outra menina brincasse e essa por sua vez, disse que não brincava com negrinhas.
Com o passar do tempo e com essa situação ainda na cabeça, Victoria entendeu e percebeu a importância de se afirmar e aceitar desde cedo.
Ela foi uma poeta, coreógrafa, folclorista e estilista peruana filha da grande bailarina de marinera (dança Peruana que mistura raízes indígenas, africanas e espanholas) e de Nicomedes Santa Cruz Aparicio, um importante dramaturgo e poeta.
Ela e seu irmão, também poeta, pesquisar e jornalista Nicomedes Santa Cruz Gamarra fundaram o primeiro grupo de teatro exclusivamente para negros, com o intuito de que a cultura afro-peruana fosse difundida de forma dinâmica e respeitável pelo país.
Passou uma temporada em Paris onde estudou na Universidade de Teatro das Nações e Escola Superior de Estudos Coreográficos. Chegou a se destacar na área de figurino onde criou para diversas obras.
Fundou a Companhia Teatro e Danças Negras do Peru assim que voltou para casa, e se apresentou nos melhores teatros e TVs do país.
Foi uma das poucas mulheres latino-americanas e negras a lecionar na Universidade Carnegie Mellon na Pensilvânia, Estados Unidos. Onde de professora convidada, com o passar do tempo, se tornou vitalícia.
Sua contribuição para valorizar a cultura afro-peruana faz com que suas palavras e seu trabalho ainda percorrem todo o mundo.
O negra que tentaram usar como uma ofensa, se tornou uma autoafirmação. Que isso também reflita em você, seja você quem/com for. ;)
Nos Jogos Olímpicos o Brasil terá 120 atletas das Forças Armadas. #SomosTodosBrasil
(Victoria Santa Cruz)
Tinha sete anos apenas, apenas sete anos, Que sete anos! Não chegava nem a cinco! De repente umas vozes na rua me gritaram Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! “Por acaso sou negra?” – me disse SIM! “Que coisa é ser negra?” Negra! E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia. Negra! E me senti negra, Negra! Como eles diziam Negra! E retrocedi Negra! Como eles queriam Negra! E odiei meus cabelos e meus lábios grossos e mirei apenada minha carne tostada E retrocedi Negra! E retrocedi . . . Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Neeegra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! E passava o tempo, e sempre amargurada Continuava levando nas minhas costas minha pesada carga E como pesava!… Alisei o cabelo, Passei pó na cara, e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Neeegra! Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! E daí? E daí? Negra! Sim Negra! Sou Negra! Negra Negra! Negra sou Negra! Sim Negra! Sou Negra! Negra Negra! Negra sou De hoje em diante não quero alisar meu cabelo Não quero E vou rir daqueles, que por evitar – segundo eles – que por evitar-nos algum disabor Chamam aos negros de gente de cor E de que cor! NEGRA E como soa lindo! NEGRO E que ritmo tem! Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Afinal Afinal compreendi AFINAL Já não retrocedo AFINAL E avanço segura AFINAL Avanço e espero AFINAL E bendigo aos céus porque quis Deus que negro azeviche fosse minha cor E já compreendi AFINAL Já tenho a chave! NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO Negra sou!
Fontes: http://goo.gl/br2Yuw ; http://goo.gl/n19228 ; http://goo.gl/ErH2Td ;
Maria Felipa
Maria Felipa de Oliveira nasceu na Ilha de Itaparica - BA
Se você assiste Game of Thrones, e já passou da primeira temporada, com certeza deve ter conhecido “Brienne de Tarth” (aquela guerreira alta, forte e que manja de dar uma surra em geral). Pois bem, saiba que também já tivemos a nossa guerreira alta, forte e que gostava de bater em quem cometesse atos de injustiça ou abuso. O nome dela era Maria Felipa de Oliveira. Ou como suas amigas a chamavam: Maria de Itaparica, Filha da Tormenta, Senhora das Capoeiras, a indomada da Bahia, Rainha dos Martelos Rodados, Rainha da Independência Baiana, Mãe dos Dra… ok, me empolguei e ainda misturei duas personagens. Voltando.
Descendente de africanos sudaneses, Maria Felipa foi uma das figuras importantes na independência da Bahia, chegando até a ser considerada como a Matriarca da Independência de Itaparica.
Embora Dom Pedro I tivesse proclamado a Independência do Brasil em 7 de setembro, muitos portugueses, principalmente no Maranhão e Bahia, radicados aqui não gostaram muito dessa ideia. O que promoveu lutas por diversos cantos do país para que o grito de Don Pedro I não tivesse sido em vão.
Maria Felipa nasceu escrava, mas depois conquistou a liberdade e considerava essa como o bem mais valioso que alguém poderia ter. Isso serviu como força motriz para que ela usasse toda energia para combater quem se colocasse no caminho da independência do Brasil.
No começo ela era responsável por observar a movimentação das caravelas portuguesas e informar (indo de jangada) o Comandante do Movimento de Libertação em Salvador. Não satisfeita com a função, Maria Felipa logo foi pro combate onde chegou a liderar mais de 200 pessoas, dentre elas entre mulheres negras, índios tupinambás e tapuias.
Em uma de suas ações, ela soube que uma frota de 42 embarcações estavam se preparando para atacar Salvador. Então reuniu 40 mulheres e se produziram mais do que você sai em noite de sexta-feira atrás de maldade (porque todos sabem que sexta é dia de maldade). Foram até onde sabia que estavam os soldados e seus comandantes e seduziram boa parte do grupo. Levaram os mesmos para uma região deserta, fizeram eles tirarem a roupa e deram uma surra de cansanção nos marmanjos enquanto outro grupo incendiava as embarcações.
- Pausa -
Se você não é biólogo ou um conhecedor da fauna brasileira, talvez não conheça a “cansanção”. Ela é uma planta que em contato com a pele causa uma sensação de ardor e queimadura na pele. Clique aqui para saber mais detalhes. Agora imagine: você sem roupa e uma planta dessa batendo em todo o seu corpinho. Não sou especialista em dor, mas imagino que deve ter sido beeeem ruim.
- Voltando -
Essa estratégia foi de grande importância para a vitória do movimento sobre os portugueses no dia 2 de julho de 1823.
Continuou a vida como marisqueira e sendo extremamente respeitada em toda comunidade. Nossa “Brienne de Tarth” também foi uma grande guerreira, forte, ágil e honrada que inspirou diversas pessoas e conquistou o coração de selvag… opa, olha o spoiler. ;)
Fontes: http://goo.gl/GMFZbm ; http://goo.gl/DQn8o0 ; http://goo.gl/cvwaFG ; https://goo.gl/iZxoMj
Postagem especial: Angélique Namaika
Mestre Bimba
Manoel dos Reis Machado nasceu em 1900 em Salvador - BA
Se você acha que manja dos paranauês, precisa conhecer a história do Mestre Bimba. Ele não apenas manjava como, praticamente, criou os paranauês. Sério. Filho de Maria Martinha do Bonfim e Luiz Cândido Machado, Mestre Bimba recebeu esse apelido da freira que fez seu parto. Ela e sua mãe, Dona Maria, apostaram qual seria o sexo do bebê. A freira apostou que seria um menino e a mãe uma menina. Obviamente a freira acertou e apelidou o bebê de Bimba, que no nordeste é um apelido para pênis (se você deu um sorrisinho maroto significa que sua criança interior continua viva. Tá tudo bem, não se envergonhe).
Começou a lutar capoeira aos 12 anos de idade em um local onde era conhecido como Estradas das Boiadas e hoje é o Bairro Negro da Liberdade. Seu professor, o africano Bentinho, era capitão da navegação Baiana. As aulas, que eram de capoeira antiga (ou Angola), duraram quatro anos. Esse tipo de capoeira, que ele também ensinou durante dez anos no Clube União em Apuro, é um estilo mais próximo do que os negros escravos praticavam.
- Pausa -
Zum Zum Zum, Capoeira Mata Um
- Voltando -
Uma das principais características desse estilo de capoeira é que os movimentos eram discretos, pra não dizer disfarçados. Como a capoeira era proibida, os escravos tiveram que adaptar os movimentos para que ninguém notasse que estavam praticando. Inspirando-se no antigo Batuque (luta que seu pai era campeão) e usando sua criatividade, ele inseriu movimentos que considerava fundamental para deixar a luta mais eficiente e criou a Capoeira Regional Baiana (era baiana porque só praticavam em Salvador) em 1928.
Falando em datas (relaxa, não precisa decorar tudo, isso não é uma prova e você não será cobrado) a partir da década de 30 com o Estado Novo, o Brasil passou por uma fase de ressaltar as ideias nacionalistas e cheias de gingado. E quem manjava mais de gingado e paranauê do que nosso Mestre Bimba? Ele fez uma apresentação em público e logo em seguida foi convidado a fazer uma apresentação no Palácio do Governador onde estava o presidente Getúlio Vargas que gostou tanto da apresentação que reconheceu a capoeira como Esporte Nacional.
De quebra, Mestre Bimba foi reconhecido como professor de educação física e teve a primeira academia de capoeira registrada do Brasil.
Mestre Bimba foi um dos maiores (se não o maior), responsáveis pelo respeito e aceitação da capoeira na sociedade. Um grande mestre, uma grande história.
Curiosidade I: Mestre Bimba era rigoroso com seus alunos. Só poderiam participar das aulas adultos que estivessem trabalhando e jovens que estivessem estudando.
Curiosidade II: Naquela época a capoeira não podia ser praticada oficialmente, então as aulas (antes do Mestre Bimba ser reconhecido) eram feitas em esquinas, lugares abandonados e até no meio do mato. Clandestinidade Vid4 Lok4.
Curiosidade III: No começo do treino os alunos praticavam sem música até Mestre Bimba decidir se eles já poderiam “entrar no aço, no aço do berimbau”.
Fontes: http://goo.gl/8rA4Gj ; http://goo.gl/m6HLn5 ; http://goo.gl/lUOhgy
Postagem especial: Lorrayne Isidoro
via https://goo.gl/ORpuCn
Mae Menininha
Maria Escolástica da Conceição Nazaré nasceu em 1894 em Salvador - BA
Nascida literalmente dentro da casa de candomblé Ilé Ìyá Omi Àse Ìyámasé, fundada pela sua avó nigeriana Maria Júlia da Conceição Nazareth, mãe menininha foi uma peça importante na luta pela legalização dos Orixás. Caso você não saiba, durante muito tempo os cultos de candomblé e outras religiões de matrizes africanas foram proibidas e extremamente discriminadas no Brasil.
Quando foram “per-mi-ti-das” (clique aqui e leia a palavra novamente), seus horários eram definidos pelos governantes. Agora, imagine se no meio das suas reuniões, cultos, missas, encontros ou celebrações (vai de acordo com o que você acreditar) o seu ambiente religioso fosse invadido de forma agressiva com frequência. E se além de viver sob constante ameaça, você só pudesse praticar sua religião com autorização e em datas e horários específicos. Loucura, né? Mas foi em um cenário assim, ou pior, que nasceu Mãe Menininha.
Desde seus seis anos de idade já dançava o candomblé e era vista pela Mãe Pulchéria, líder do centro, como uma possível sucessora no futuro. E não deu outra! Quando Mãe Pulchéria faleceu muitas pessoas pediram para que Mãe Menininha, que na época estava com 26 anos, assumisse a liderança, mesmo com ela afirmando que não se sentia pronta para o cargo. Dois anos depois, escolhida pelos orixás, Mãe Menininha se tornou líder da casa de candomblé Ilé Ìyá Omi Àse Ìyámasé.
Antes e depois de liderar o terreiro, ela trabalhou como costureira, bordadeira e também quituteira. Mesmo com todas as barreiras de se comandar uma casa de Candomblé em um período de perseguição, Mãe Menininha e seu marido, o advogado Álvaro MacDowell, trabalharam e conseguiram criar uma relação de respeito e harmonia entre os membros da comunidade e a sociedade em geral.
Uma prova é que em 1930 conseguiu uma licença para o culto aos orixás. Além disso, sua postura sempre carinhosa e receptiva fez com que o endereço do terreiro fosse um dos locais mais visitados em Salvador. No meio dessas visitas era frequente encontrar celebridades como Jorge Amado, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Dorival Caymmi.
Não sei se você já reparou, mas não costumo falar sobre a morte das personalidades que aparecem por aqui, só que dessa vez vou abrir uma exceção. Seu funeral foi um dos maiores procissões já registradas na Bahia e também contou com a presença de líderes de outras religiões.
Mãe Menininha foi e sempre será lembrada como uma pessoa de muita luz que levava palavras de paz e sabedoria a quem estivesse a sua volta.
Axé pra quem é de axé. :)
PS 2: o nome dela no título está sem acento por razões técnicas. :/
Curiosidade I: Dorival Caymmi compôs a música “Oração de Mãe Menininha” que você pode ouvir clicando aqui.
Curiosidade II: Em 1986 a rua do terreiro passou a se chamar Mãe Menininha.
Curiosidade III: Ela liderou o terreiro durante 64 anos.
Curiosidade IV: O homem que está beijando a mão de Mãe Menininha na foto é o Jorge Amado.
Curiosidade V: Em 1994 a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou um selo comemorativo pelos 100 anos do seu nascimento.
Pixinguinha
Alfredo da Rocha Vianna Jr. nasceu em 1897 no Rio de Janeiro - RJ
Antes de mais nada, perceba a serenidade no olhar de quem se tornou um dos maiores musicistas brasileiros. Pinxinguinha cresceu em meio a música sendo que seu pai, Alfredo da Rocha Vianna, também era um excelente flautista com muitos amigos no meio musical.
Além disso, seus irmãos Léo e Henrique ensinaram, junto a seu pai, Pixinguinha a tocar cavaquinho aos 12 anos e aos 13 flauta e bombardino. E foi na infância que criou sua primeira obra que chamou de “Lata de Leite”. O nome veio da “brincadeira” das crianças da época de tomar o leite que era deixado pelo leiteiro na porta das casas.
- Pausa -
A origem do apelido “Pinxinguinha” (ou ao menos uma delas) é a seguinte, a avó dele, que foi trazida da África para cativeiro, chamava-o carinhosamente de Pizindim. Pizin quer dizer “bom” e dim quer dizer “menino”. Daí ela chamava nosso camarada de “bom menino”. Com o passar do tempo houveram algumas confusões na pronuncia do apelido e somada ao outro apelido “Alfredo Bexiga” que recebeu quando contraiu a doença em uma epidemia no Rio de Janeiro, acabamos tendo como resultado o Pixinguinha.
- Voltando -
Até hoje, Pixinguinha é considerado um dos melhores flautistas do Brasil. Ele compôs músicas para orquestras, cinema, teatro e grandes personalidades da música. Carmen Miranda foi uma delas. A música “Os Home Implica Comigo” é um trabalho em conjunto dos dois artistas.
Foi integrante e flautista do renomado grupo os Oito Batutas composto também por Donga e Raul Palmeri (violão), Nelson Alves (cavaquinho), Jacob Palmieri e Luis de Oliveira (bandola e reco-reco), o irmão de Pinxinguinha, China, (canto e violão), José Alves de Lima (bandolim e ganzá).
O sucesso do grupo era tão grande que foram fazer uma turnê na Europa com a meta de passarem 30 dias, mas acabaram passando 6 meses. Que vida né? Nesse período, Pixingas (criei intimidade),ganhou de seu amigo Arnaldo Guinle um saxofone que iria substituir sua flauta tempos depois.
Além dessa turnê na Europa, eles também rodaram pela Argentina (onde foram caloteados) e, claro, pelo Brasil. Pixingas ainda lecionou, a convite do prefeito do Rio de Janeiro, nas escolas de músicas da cidade gravou seu primeiro disco em 55 e em 62 escreveu uma música, com letra de Vinícius de Moraes, para o filme “Sol Sobre a Lama”.
De um bom menino Pixinguinha se tornou um grande homem que fez história e deixou seu legado na música nacional.
Curiosidade I: No dia 23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha.
Curiosidade II: Em 77 a Funarte em parceria com as Secretarias de Cultura Municipais e Estaduais criaram o Projeto Pixinguinha que tem como objetivo difundir a MPB pelo país.
Curiosidade III: Durante algumas apresentações em São Paulo, Pixinguinha conheceu Mário de Andrade, que queria conversar com alguém que lhe contasse coisas sobre macumba. O resultado desse encontro foi a participação de Pixingas no sétimo capítulo do clássico Macunaíma, onde ele é descrito na passagem "negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão".
Curiosidade IV: Em 2014 ele foi homenageado em um Doodle No Dia Nacional do Choro.
Fontes: http://goo.gl/AvLkCH; http://goo.gl/y5AJp2; http://goo.gl/1q9EuV
Clementina de Jesus
Clementina de Jesus da Silva nasceu em 1901 no município de Valença - RJ
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Clementina de jesus (também conhecida como Rainha Quelé ou Tina) aprendeu com a mãe, que trabalhava de lavadeira, a cantar corimas, jongos, lundus, incelenças e modas. Heranças africanas que foram a base da sua música e seu diferencial. Ainda criança, mudou-se com a família para Jacarepaguá onde foi convidada por um vizinho para ser solista nos eventos religiosos da comunidade.
Ô, marinheiro marinheiro
Marinheiro só
Ô, quem te ensinou a nadar
Marinheiro só
Ou foi o tombo do navio
Marinheiro s… opa, me distraí, voltemos a história
Mas a vida de cantoria da nossa querida Quelé saiu dos trilhos quando seu pai faleceu. As contas batendo na porta e as crescentes dificuldades financeiras obrigaram Quelé a procurar trabalho ainda jovem. Durante mais de vinte anos ela trabalhou como empregada doméstica, lavadeira e passadeira. Mas mesmo longe dos palcos e perto do tanque, Quelé continuou cantando em bares e rodas de samba.
Foi em um desses bares que o compositor e produtor Hermínio Belo de Carvalho encontrou nossa bela senhora (ela já havia se casado com Albino Pé Grande) e convidou a mesma para fazer alguns shows. Sua voz rouca, anasalada e fora dos padrões da época surpreendeu um público que havia acabado de ouvir um recital com músicas de Mozart e Villa-Lobos. Uma surpresa que fez cada vez mais sucesso e recebia elogios da MPB. Tanto que Hermínio criou o musical “Rosas de Ouro” que rodou as principais capitais brasileiras mostrando o talento dela.
Admirada por grandes artistas, Quelé chegou a gravar 120 músicas inclusive algumas com músicos de sucesso como Pixinguinha, Cartola e Milton Nascimento.
Embora não tenha chegado ao fim da vida rica, Quelé deixou um legado que refletia a união das raízes africanas com o talento brasileiro. Até hoje é uma referência no samba e recebe homenagens de músicos e outros artistas.
Curiosidade I: Embora tenha crescido vendo a formação da Portela, depois do casamento, Quelé, entrou para a Mangueira.
Curiosidade II: Em 2013 foi lançado o musical “Clementina, Cadê Você”.
Curiosidade III: Mesmo com todo seu talento Quelé foi bastante explorada por produtores inescrupulosos e acabou a carreira cantando em bares menores e locais pouco conhecidos.
Curiosidade IV: Quelé tinha 62 anos quando se tornou famosa.
Fontes: http://goo.gl/wTUJjW; http://goo.gl/yAQ8C8; http://goo.gl/J5nykP
Milton Santos
Milton Almeida dos Santos nasceu em 1926 no município de Brotas de Macaúbas- BA
Se existisse um prêmio Nobel de Zoeira na Internet, provavelmente, o Brasil já seria hexa campeão (com direito a nunca perder de 7x1, diga-se de passagem). Mas além desse reconhecimento, se houvesse um Nobel de Geografia possivelmente o Professor Milton Santos teria trazido para as terras brasileiras e colocaria ao na prateleira ao lado do nosso prêmio de zoeira e nossa taça do Hexa na Copa do Mund… não, pera!
Filho de professores do primário, Professor Santos (que chamaremos carinhosamente de Tio Santos) sempre foi muito estudioso. Uma prova disso é que, aos 10 anos de idade, passou em primeiro lugar no exame para o Instituto Baiano de Ensino em Salvador. Onde além de manter boas notas, Tio Milton criou os jornais “O Farol” e “O Luzeiro”.
Formou-se em direito pela Universidade Federal da Bahia, período em que foi eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, e tornou-se Doutor em Geografia pela Universidade de Estrasburgo na França.
Autor de livros como “O Povoamento da Bahia", "O Futuro da Geografia" e "Por Uma Outra Globalização", surpreendia geógrafos do Brasil e do mundo com seus estudos e perspectivas sobre a urbanização no terceiro mundo. Também foi co-autor de dezenas de livros, publicou diversos artigos inclusive para a Folha de São Paulo, Correio Braziliense e Jornal A Tarde.
Mas nem tudo foram flores na vida do Tio Milton. Com o golpe militar de 64 ele foi preso e exilado na França onde lecionou durante três anos. Por lá conheceu Marie-Hélène (também geógrafa) com quem casou e teve um filho.
Além das terras francesas, Tio Milton lecionou nos Estados Unidos (onde foi pesquisador no Massachusetts Institute of Technology ), Canadá, Peru, Venezuela e Tanzânia. Quando voltou para o Brasil, trouxe consigo a obra completa “Por uma Geografia Nova”.
Mas Tio Milton não era só trabalho, ele também recebeu diversos prêmios, títulos, medalhas e homenagens. Em especial vale destacar o Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia”.
Até hoje Tio Milton é uma verdadeira inspiração e referência na área, tornando-se um geógrafo que estudou e ganhou o mundo.
Curiosidade I: Seu livro “O Espaço dividido”, é um sucesso mundial. Nele, Tio Milton apresenta uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.
Curiosidade II: Ele é, até então, o único geógrafo da América Latina a receber o Prêmio Vautrin Lud.
Fontes: http://goo.gl/SqvLPq; http://goo.gl/4xvBHd;
Harriet Tubman
Harriet Tubman nasceu em 1822 no Condado de Dorchester, Maryland - EUA
A Viuva Negra não foi a única mulher a atuar como espiã em uma guerra civil. Harriet Tubman também desempenhou esse papel. Na verdade, ela foi muitas coisas.
Com uma vida digna de virar filme, (e eu não estou exagerando, depois de ler essa postagem você deveria ler as fontes no final. Na verdade, você precisa!) Harriet Tubman nasceu escrava em, obviamente, uma família de escravos.
Sua mãe, Harriet Green (que chamaremos de Mamãe Harriet para não rolar confusão) sempre fez de tudo para manter a família (o marido Ben Ross e os nove filhos) unida. Mas esse desejo de preservar sua família não impediu que o dono deles, Edward Brodess, vendesse três de suas filhas separando-as da família para sempre.
- Pausa do café -
Para você não se perder vamos explicar de maneira simples:
Edward Brodess é o dono da fazenda e de Harriet.
Harriet Green é a mãe de Harriet Tubman e como o nome delas é bem parecido vamos chamá-la de Mamãe Harriet, ok?
Benn Ross é o pai de Harriet Tubman
Romance é romance, amor é amor, e um lance é um lance.
- Voltando -
A vontade de manter a família unida era tão grande que Mãe Harriet escondeu seu filho caçula, Moses, durante um mês de um comerciante e do dono da fazenda. Quando eles encontraram a criança, Mamãe Harriet ameaçou “Vocês estão atrás de meu filho, mas o primeiro homem que puser os pés dentro de minha casa, eu racho a cabeça dele”. Isso fez com que o comprador desistisse de levar o garoto embora. Os biógrafos de Harriet Tubman afirmam que nesse momento ela percebeu que a resistência era possível.
O Ministério da História Triste adverte: é melhor se preparar.
Desde criança Harriet Tubman trabalhava e era castigada pelos seus donos. Entre os 5 e 6 anos ela foi alugada para uma mulher conhecida como “Miss Susan” para ser babá.
Sua experiência cuidando dos irmãos ajudou no serviço, mas não impedia que o bebê chorasse diversas vezes. Afinal, bebês choram, certo? Mais ou menos, porque é aí que a porca torce o rabo.
Quando o bebê chorava Harriet era chicoteada.
Em um dos seus relatos, ela menciona que chegou a ser chicoteada cinco vezes antes do café da manhã (Nesse momento você clica aqui e depois volta pra continuar lendo). Em outra ocasião ela roubou um torrão de açúcar e, sabendo que seria punida, se escondeu no chiqueiro durante cinco dias. Voltou para a casa quando estava quase morrendo de fome e foi duramente punida (Agora você clica aqui). Uma estratégia que usou para amenizar as chicotadas foi vestir varias camadas de roupa (malandrinha).
Ainda na infância, trabalhou em outra casa onde seu dono fazia com que ela fosse até o pântano (no qual a água batia em sua cintura) próximo da casa para verificar as armadilhas de ratos almiscarados (eu também não sabia que esse monstro existia, mas clique aqui pra descobrir). Mesmo quando estava com sarampo era obrigada a olhar as armadilhas. Isso fez com que ela ficasse muito doente, a ponto de ser mandada de volta para sua mãe, até ficar boa… para voltar ao trabalho.
Na verdade, Harriet era praticamente uma Highlander (se vc nasceu nos últimos 18 anos talvez não saiba o que é um Highlander. É um filme muito loko de uns caras lokos que só morrem quando perdem a cabeça, e pra isso eles usam umas espadas lokas ). Existiram outras situações em que ela quase morreu. Como da vez em que estava em um armazém e encontrou um escravo que havia saído sem a autorização do seus donos. O feitor que estava atrás dele pediu que Harriet ajudasse a pegá-lo. Ela se recusou e, em um ataque de fúria, o feitor jogou um peso de 1kg que acabou acertando a cabeça dela.
Foi devolvida inconsciente e sangrando para a casa do seu dono. Segundo a própria Harriet, o peso teria “rachado seu crânio” e sua vida teria sido salva graças a seu cabelo que nunca havia sido penteado e estava sempre emaranhado(que nada, gata, solta esse cabelo aí). Ela ficou durante dois dias deitada em um banco sem cuidados médicos até que consegui se levantar... e foi enviada imediatamente para a lavoura (com o rosto e parte da visão coberta de sangue).
Como sequela da pancada, ela tinha crises de sono súbitas e profundas o que leva os pesquisadores de hoje a acreditarem que ela teria sofrido de epilepsia. Tudo isso aconteceu em uma época em que Harriet se tornava bastante religiosa. Com a pancada, ela passou a ter visões e sonhos realísticos que acreditou serem sinais divinos (Uma vibe meio Joana Darc, né?). Esse foi outro empurrão no seu caminho na luta pela liberdade.
Ok, vamos pegar emprestada a cabine de polícia londrina de um tal Doctor Who e viajar para alguns anos até o casamento de Harriet com John Tubman um negro livre. Agora se você acha que seus relacionamentos são complicados a ponto de escolher pessoas pelo signo ou ligar no disque amizade, é porque você não era uma escrava namorando uma pessoa livre.
Embora isso não ser tão incomum naquela época. Na verdade, muitas famílias negras eram compostas por escravos e pessoas livres.
Com o passar do tempo o dono de Harriet resolveu vendê-la. Como ela não queria viver longe da família começou a rezar para que Deus mudasse a mente do seu dono (ela era muito religiosa, lembra?) até que as tentativas de venda ficaram tão constantes que ela passou a pedir para que Deus tirasse ele seu dono da sua vida. E pouco tempo depois, ele morreu (Maaaaaaano!).
O problema é que essa morte complicou ainda mais sua situação. A esposa de seu falecido dono quis acelerar o processo de venda. Percebendo isso, Harriet começou a alimentar o seguinte pensamento “a liberdade ou a morte; se eu não podia ter uma delas, teria a outra”. Com isso em mente ela e dois dos seus irmãos fugiram mesmo com seu marido tentando fazer com que mudasse de ideia.
Mas no caminho, seus irmãos começaram a ficar temerosos (principalmente porque um deles tinha se tornado pai a pouco tempo) e acabaram voltando para a fazenda. Ela se viu obrigada a fazer o mesmo.
Tempos depois ela resolveu fugir de novo mas, dessa vez, sozinha. E foi nessa segunda fuga que ela conheceu a rede de rotas Underground Railroad. Em resumo: o escravo foragido recebia hospedagem, disfarces e vários outros tipos de proteção para conseguir escapar para o norte do país ou Canadá. Ela era composta por negros livres, abolicionistas brancos e ativistas cristãos.
Quando Harriet finalmente conseguiu chegar a terras amigas ela fez essa descrição “Quando me dei conta de que tinha cruzado o limite, olhei para minhas mãos para ver se eu era a mesma pessoa. Tudo estava glorioso, o sol passava entre as árvores como se fosse ouro, iluminava os campos e eu me senti como se me encontrasse no paraíso.”
Agora você entende porque essa história merecia virar um puta filme? Mas é claro que não para por aí. Já livre, Harriet começou a pensar em sua família e percebeu a necessidade de buscá-los. Ela começou a trabalhar em empregos temporários e a juntar dinheiro. Enquanto isso o governo americano aprovou a Lei Estatal dos Escravos Fugidos que obrigava todas as autoridades a ajudarem na procura e captura dos escravos.
Mesmo com mais essa dificuldade Harriet fez outras viagens para para buscar aos poucos sua família e ainda guiar outros escravos para a liberdade. Até trazer todos os seus parentes para terras seguras.
Quando a Guerra Civil (Não, não é a da Marvel) começou ela trabalhou para o Exército da União. Primeiro como enfermeira e cozinheira, depois como olheira armada e espiã (isso sim que é promoção). Sendo a primeira mulher a comandar uma expedição armada guiou o ataque em Combahee Ferry onde mais de 700 escravos foram libertados.
Quando a guerra chegou ao fim, ela voltou para os pais que já estavam idosos (sim, os pais dela continuaram vivos durante um bom tempo :D) e viviam em uma casa que ela havia comprado para eles.
Mas a luta de Harriet não se limitava apenas a questões raciais. Ela também era ativa no movimento pelo sufrágio feminino (falando nisso, assista As Sufragistas é um bom filme pra puxar aquele papo maneiro na mesa de boteco e impressionar o seu interesse amoroso, vulgo crush) até ficar doente e ir morar em um lar para idosos afrodescendentes que ela também havia criado.
Harriet Tubman nasceu escrava e se tornou abolicionista, humanitária, olheira armada e espiã do Exército dos Estados Unidos. Cá entre nós, estampar uma nota de vinte dólares é pouco pra alguém de tanto valor. ;)
Curiosidades I: Em 2016 Harriet Tubman foi eleita para estampar a nota de 20 dólares americanos.
Curiosidades II: Mas quem Harriet Tubman vai substituir? Será o ex-presidente americano Andrew Jackson que, ironicamente, era um escravagista.
Curiosidades III: Na verdade seu nome de batismo era Araminta Ross. Ela mudou de nome quando se casou em parte para homenagear a mãe e em outra parte para colocar em prática seu plano de fuga.
Curiosidade IV: O antigo dono do pai de Harriet havia escrito um documento que o libertaria quando completasse 45 anos. Tanto que o pai dele chegou a ser alforriado. Em uma investigação, com a ajuda de um advogado contratado, Harriet descobriu que sua mãe tinha o mesmo direito. Aparentemente a família ignorou o papel e preferiu manter mãe e filhos como escravos.
Curiosidade V: Harriet chamou seu marido para fugir em uma das vezes em que voltou para buscar sua família, mas o mesmo não quis ir. Na verdade ele se casou de novo e tocou sua vida. Mas Harriet tinha uma garrucha e um sabre! Quem precisa de relacionamento quando você tem uma garrucha e um sabre? Fica aí o questionamento.
Fontes: http://goo.gl/HRkQv6 ;http://goo.gl/gnHOf0; http://goo.gl/dZ9zQb; http://goo.gl/iVUlCq;