Fechou os olhos no instante em que sentiu os lábios do menino sobre os seus, por algum motivo aquele momento parecendo mais significativo do que qualquer outra vez em que algo acontecera entre os dois, e era estranho pensar assim, mas não era como se James pudesse controlar aquilo. Acabou deixando mais algumas lágrimas escaparem no processo, respirando fundo no instante em que seus lábios se separaram, mantendo os olhos fechados por mais um tempo. Um pequeno sorriso se fez presente em seu rosto ao ouvir as palavras do menino, mais uma vez aumentando a pressão com que segurava sua mão. - Eu também amo você, demais. Boa noite, meu amor. - murmurou, pondo todo o significado possível naquilo, e em pouquíssimo tempo já estava caindo num sono profundo – até mais profundo do que era o desejado.
Tony não soltou a mão de James, uma hora ou outra no meio da noite ele iria acabar aliviando o aperto em seus dedos e o deixando ir, por isso gostava da percepção que o garoto só iria dormir tranquilo se aquele contato estivesse sendo feito entre eles. Assistiu-o fechando os olhos, como todas as noites, o polegar acariciando o dorso de sua mão e Antony podia sentir que dessa vez não tinha uma excitação adicional sobre a espera para ver os olhos castanhos do outro novamente, dessa vez era como se ele já soubesse o que viria em seguida. O barulho agoniante da máquina ao lado da cama do seu marido decretando que era aquilo. O pequeno conto de fadas deles com os dias numerados tinha fechado ao fim. Tony pode sentir toda a boca se amargar automaticamente e o coração se apertar tanto dentro de seu peito que era como se o mesmo havia virado do averso e estivesse tentando sair de dentro de seu esterno, ou então parar. Mas ele se recusava a pensar daquele jeito. Ele se recusava a pensar que sem James não tinha mais razão nenhuma para viver. Sim, ele era e ainda seria por muito tempo o motivo principal pelo sorriso que carregava no rosto, mas viveria em função de mostrar ao mundo o que era um amor verdadeiro, em função de mostrar como James era o ser humano mais espetacular que as pessoas já haviam conhecido, viveria em função de se lembrar todos os dias por ter vivido um amor tão doce e terno, mesmo que em um tempo tão desrespeitoso. Mas ele o tinha, e não aproveitar daquela dádiva era como se fosse um desacato aos outros corações que não tinham se enchido totalmente de amor como o seu havia feito. “Obrigado. Obrigado por ter sido o motivo da minha existência” a voz de Tony soou abafada contra o peito de James, onde estava com o rosto apoiado enquanto as lágrimas inundavam o seu rosto e a próxima coisa que ele sentiu foram algumas mãos puxando-o para longe do corpo de seu marido, mas não tinha pelo o que lutar. James já havia ido. E estava feliz que pelo menos ele havia partido envolto de todo o amor e carinho que Antony poderia eternizar. Antony Portwood-Bourne. Fotografo. Viúvo. Portador de um amor que tinha sofrido por desentendimentos, grosseiras e até mesmo algumas mentiras. Portador de um amor que tinha sido intenso como as chamas de um fogo que tinha nascido brando e receoso, mas que agora faria um grande incêndio dentro de si mesmo. Portador de um amor que agora era o alimento para a continuação de sua própria vida. Contudo, que tinha sido o suficiente para duas.







