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Queria que você soubesse de todas as coisas que alcancei desde a última vez que conversamos. Eu sou uma pessoa diferente. Eu sou uma pessoa melhor. Eu gostaria que você tivesse essa versão de mim naquela época. Talvez eu não te perdesse nesse caso.
jy.
você não sabe mas quando me apaixonei por você, eu me apaixonei por você inteiro, me apaixonei pelos seus defeitos, por suas imperfeições, por suas manias, por suas dores que vieram grudadas em ti, eu me apaixonei pelo seu interior que gritava para ser compreendido. você não sabe, por mais que eu precisasse de você, eu precisava de você inteiro, eu precisava do seu pior lado, e mesmo que doesse...eu precisava de você. você não sabe, mas quando você se foi, eu fui em direção a um pequeno desastre. o combustível acabou, as luzes se apagaram, e as cores... as cores viraram cinzas. você não sabe, mas não teve um dia se quer que eu não pensasse na sua volta.
A gente nunca é o suficiente pra ninguém, por mais que a gente faça de tudo pela pessoa, elas sempre acham que ainda falta algo.
a verdade é que às vezes eu tenho uma vontade absurda de chorar. tudo o que eu guardei durante todos esses anos. todos os dias em que tive de ser forte, aparentar uma falsa felicidade, fruto de uma vida pesada que se alimenta da minha dor. a verdade? choro no quarto toda a noite. me falta ar e eu acho que a ansiedade um dia vai me levar. pra onde? não sei. espero que pra um lugar melhor, mais calmo, sem tantas palpitações. o problema da ansiedade é que ela me afasta de todos que eu amo. eu luto comigo mesmo pra não me afogar nos meus próprios pensamentos, pra conseguir fazer atividades simples como levantar da cama, dar uma volta na rua, ver gente, mas é tão difícil. e o mundo não me avisou que seria difícil assim. que haveriam dias quase impossíveis de serem vividos, dias de precisar da mãe vir até em casa pra me segurar no colo, dos melhores amigos me animando pelo telefone, dizendo que vai ficar tudo bem. vai ficar tudo bem? te pergunto porque sei que, como eu, você também chora escondido pra não chamar a atenção de ninguém. você se esconde atrás da ansiedade, só esperando que um dia ela te leve. mas minha oração é que você consiga permanecer bem. ficar estável em um lugar de conforto, cercado de pessoas que te amam e torcem por você. te pergunto porque sei que, como eu, você também quer enxergar uma luz no fim deste túnel. porque, assim como eu, você vai encontrá-la. e, quando chegar lá, vai sentir que valeu a pena. que viver ainda pode ser bonito, mesmo que chorar nos faça parecer vulneráveis demais. [ainda bem que somos]
“De uma companhia qualquer, você virou a única que eu queria. De uma pessoa qualquer, você se tornou a melhor delas. De uma voz qualquer a sua é a que mais queria ouvir. De um sorriso qualquer, o seu virou o que eu mais queria ver quando abrisse meus olhos. De todas as risadas, a sua é a que tem o som mais bonito. E foi assim, do nada que você se tornou.”
— Nevada, 1994.
“Porque você não sabe, mas tenho corrido maratonas e vencido monstros gigantescos para conseguir sentir tudo isso sem arrancar minha cabeça fora.”
— Tati Bernardi.
a verdade que eu sei que você - mais do que qualquer um - sabe, é que ninguém vai te amar como eu te amo. e ninguém vai querer tanto ficar ao seu lado, apesar de todos os desencontros e tempos errados, como eu quero. a verdade dolorosamente estampada no nosso “adeus” é que ninguém vai querer você tanto quanto eu. e não falo isso como se amaldiçoasse todos os seus próximos amores, falo isso como quem conhece exatamente o que sente: e não, ninguém nunca vai chegar perto. ninguém nunca vai passar os dedos pelos seus defeitos desesperos e noites em claro e lágrimas aflitas e irritações gritantes e personalidades distintas e ama-los e insistir neles e ver você dentro disso tudo. ver você, meu amor, como eu vi. com zona de desconforto e curva do pescoço. com seus detalhes e sensibilidade extrema. porque ninguém vai entender suas partidas como eu e suas voltas ainda mais bonitas, ninguém vai saber o que você quer dizer toda vez que quer e precisa ir, mas fica. ninguém vai entender que só por estar tentando ser atravessado, só por tentar, você ama tanto e eu sei, meu bem, eu sei porque a flecha era minha. porque o amor era o meu, porque eu fui a sua festa, porque eu fui sua. sua como talvez ela não conseguiu ser, como talvez nenhuma outra consiga. porque ninguém nunca vai foder você como eu e, meu deus, espero que saiba disso. espero mesmo que saiba disso.
gosto de falar sobre céu. gosto de observá-lo e de perder tempo apenas imaginando um mundo de coisas que existem nele. um dia li sobre estrela binária, e achei interessante. se você não sabe, calma, eu te explico: ela é criada quando duas estrelas são atraídas uma pela outra. quando estão muito próximas, não podem resistir à atração que sentem. e aí, ficam presas para sempre, rodopiando pela galáxia como um par. e a gravidade? não está em nenhuma delas, e sim no meio. segurando as duas, juntas. é interessante, né? me fez pensar em tanta coisa, e no meio dessas coisas, você. talvez pudéssemos ter sido uma dessas. mas nosso amor foi mais como uma estrela cadente, não caberia em apenas uma órbita. você sempre foi meu céu, e acho que na verdade, teríamos sido uma galáxia inteira.
sinto muito por sentir tanto. (amanda p.)
A vida é uma coisa que não é fácil de compreender. São altos e baixos. Nem sempre baixos que consegue nos reerguer. Mas o que eu mais sinto falta, além da força que some em meio ao céu nublado, é da empatia, da compreensão. Do olhar ao outro, do abraço verdadeiro, das palavras que não são feitas. Tantos sofrem todos os dias com fome, doenças físicas e psicológicas, que seria bonito não estar sozinho. O mundo seria melhor se em vez das pessoas ajudarem a empurrar precipício abaixo, elas segurassem. O mundo seria muito melhor se toda dor fosse respeitada e não julgada. Talvez assim as pessoas morressem menos. Talvez assim as pessoas não perdessem tantas partes de si pelo caminho a ponto de não restar nada. A ponto de ser apenas uma estatística.
Você é importante. Para alguém, em algum lugar do universo, você existe. Em algum momento, existe uma memória sua impregnada na cabeça do homem que esbarrou contigo na esquina da Peixoto Gomide com a Augusta, numa sexta-feira que parecia desaguar o mundo de tanta chuva. Você existe porque alguém neste microssegundo lembrou da sua risada enorme. Porque, por mais rápida que a vida queime, ande, pule, grite e suma, você habita o peito ferido de quem ousou gostar de você um dia.