As mensagens que me ensinaram a escutar
Começou com uma pergunta simples: “Seu olho é azul ou verde?”. O tipo de pergunta que atravessa a tela sem pressa, como quem pousa devagar num território novo. Eu estava curioso, claro. Mas havia também algo de tatear o mundo. E você respondeu: azul.
A gente se conheceu do jeito que muita gente se conhece hoje, por entre telas e silêncios preenchidos por emojis. Nosso primeiro encontro eu te fiz sorrir inúmeras vezes , você me admitiu o que teu coração já te dizia : você é muito melhor pessoalmente do que no WhatsApp , que alívio… Aquilo tudo que veio depois disso foi um mergulho inesperado. Um reencontro com partes minhas que andavam esquecidas, ou adormecidas, não sei ao certo…Nossas trocas foram se costurando entre a leveza e a densidade, como se a cada conversa um novo degrau fosse sendo construído, com cuidado, entre as nossas vulnerabilidades.
Você me dizia que era um “jovem senhor” e ria disso. E eu respondia com afeto que os quatro anos que te faltavam pra virar “coroa” ainda davam tempo de aproveitar. Pequenas brincadeiras que, aos poucos, viraram alicerces de intimidade. Lembro das primeiras vezes que abri algo mais profundo para você, quando eu disse que não era bom em demonstrar sentimentos... aquilo tocou a ambos de maneira especial, porque eu também aprendi a amar com os olhos baixos, meio de lado, esperando que o outro não desconfiasse demais da minha entrega.
Com o tempo, passamos a nos dizer mais coisas e a encarar também as sombras. Tivemos conversas difíceis… várias vezes…Você me perguntou, uma vez, se ainda precisava se preocupar com uma pessoa do meu passado. E aquela pergunta doeu, não porque fosse injusta, mas porque me fez olhar de novo para a forma como minhas histórias antigas ainda ecoavam. Aprendi que amar alguém de verdade também é ter coragem de responder essas perguntas com o coração inteiro, mesmo que ele esteja tremendo.
Houve dias em que minha ausência doía. Houve dias em que a minha presença em excesso talvez tenha te sufocado. Mas entre os extremos, o que mais me marcou foram os momentos em que a gente se escutou. De verdade. Sem respostas prontas, sem pressa de acabar a frase. Só ouvindo. Eu aprendi a ouvir com você. E aprendi algo ainda mais importante, falar mansinho com assertividade, pra não magoar algo que eu gosto tanto.
Eu te ensinei a desacelerar seus sentimentos para não ser sufocado por eles. A não medir o amor pela frequência das mensagens, mas pela verdade delas. A entender que carinho pode ser dito em silêncio, em presença, em cuidado. E que amar não é controle, é confiança, mesmo quando a gente não tem todas as certezas.
A nossa história está longe de ser perfeita. Mas talvez por isso ela seja tão real. Porque entre cada acerto e tropeço, existiu sempre uma escolha: continuar. E é nessa escolha que, todos os dias, eu reencontro o que em mim é afeto, é desejo, é construção.











