“Like, I don’t expect to ever have to take a bullet for you, but I would.” | @rabastan
A primeira reação diante da revelação de Rabastan foi uma risada genuína. Isso porque o Vlahakis sabia que o médico possivelmente fazia a referência por conta do que ele havia acabado de falar. Tinha quase certeza de que o assunto não era assim tão empolgante para Wöfflin quanto era para ele, e podia estar confundindo o mesmo com outra figura da família do outro, mas era quase inconcebível, às vezes, que o mais velha fosse filho do rei Louis e não se mostrasse nem um pouco militarizado. Apesar da aparente frieza de Zircon com o monarca suíço, certo é que Lorsan nutria grande admiração pelo mesmo. “ estou quase emocionado com a declaração. será que pode repetir? ”, falou, em gracejo, o sorriso acompanhando a fala. Mesmo que a informação pudesse tornar a situação entre os dois constrangedora, era impossível experimentar isso com Rabastan. Diferente do comumente ocorrido com Hak, ele não considerava o humor do moreno impertinente e insuportável. “ só não me peça para fazer o mesmo. nem americano você é ”, brincou, tentando fingir tom sério para dar mais credibilidade à fala.
⊰ — ❊ Felícia Hybern possuía uma lista interminável com adjetivos que poderia utilizar para descrever o médico da instituição, mas nem de longe estúpido era um deles. Sabia, no entanto, que aquilo era mais uma retórica do que uma pergunta profunda para tirar dúvidas reais do mais velho. Balançou os pés no ar com facilidade, sentada à maca o movimento se tornava em todo mais fácil. E então, dera levemente de ombros, os olhos fixos nas costas do profissional da saúde, que lia seu prontuário ou simplesmente preparava sua medicação. Sabia que, justamente pelo Wöfflin não ser estúpido, já deveria ter notado que as visitas semanais da polonesa à enfermaria em nada tinham motivos. Mas não era como se Felícia fosse confessar seu pequeno delito ao principal envolvido. Mas, sejamos sinceros, não era simplesmente pela bela paisagem que ela inventava desculpas para se encontrar entre as paredes brancas— que lhe causavam verdadeira vertigem. Felícia apreciava as conversas e principalmente os conselhos recebidos de Rabastan.❛ É tão difícil assim acreditar que caí do cavalo e fraturei minha mão? ❜ Questionou, ignorando a postura com a qual o médico voltou o olhar para ela. Dramática, ergueu o braço no ar— o contrário ao que havia dito sentir dor, mas não fora algo em que se atentou— ostentando então um beicinho nos lábios. ❛ Está doendo muito, doutor. Eu devo ter quebrado, provavelmente terá de me aguentar por bons dias seguidos aqui. Apenas para garantir que ficarei sem sequelas… ❜ E então, o riso que escapou de seus lábios a entregou, mas a Hybern jogou as pernas para cima da maca, deitando-se nesta como se dissesse que não sairia dali sequer se ele desejasse. Tinham assuntos à tratar, afinal.
“I’m not gonna let you put up with that.” | @rabastan
(( ♟ )) O sorriso fraco da baronesa surgiu delicadamente com a frase do mais velho. Uma coisa boa sobre Rabastan é que ela sentia que ele a entendia. Ela precisava ser responsável o tempo todo, madura, adulta… Às vezes era bom ser só ser ela mesma, conversar com alguém que queria lhe proteger, e mesmo quando ele não verbalizava tais pensamentos como agora, ela ainda podia sentir em cada pequeno gesto. Ele não precisava de uma assistente para passar a limpo suas anotações, mas fazia isso para que ela se sentisse útil e para que pudessem passar algum tempo juntos. Ele não precisava da companhia de uma garota de sua idade quando princesas de todos os reinos e países dariam braços e pernas por um pouco de sua atenção. Ela sentia que o Wofflin tinha os próprios demônios, coisas que ele não falava…. Mas ele sempre deu a entender de que sua falta de disposição emocional não envolvia não estar ali por ela. Sempre foi acessível para que ela pudesse dizer o que quisesse, fazer o que quisesse e para ser quem ela quisesse que as vezes Joan até acreditava que podia.
Ela suspirou, se ajeitando delicadamente no abraço alheio, ouvindo as batidas do coração dele como uma marcação confiável de que ainda estavam ali, de que não era um sonho e eles eram reais. Havia algo de seguro na companhia do ex-herdeiro, algo que a confortava mesmo que ela não soubesse apontar o quê. Não era paixão, de fato, não podia estar apaixonada por ele da mesma forma que sabia que Rabastan não se abriria daquela forma, mas nutriam um carinho imenso pelo outro, de forma que intimidade, como os toques delicados na parte externa do ante braço da morena era algo natural, coisa que nenhum dos dois costumava dispensar a outras pessoas. — Eu agradeço a preocupação… Mas não tem nada que possa fazer para mudar isso. — Ela suspirou, os olhos atentos a reação dele. Ele sabia que ela não deixaria seu trabalho por conta de fofocas infundadas e que ninguém, nem mesmo ele, a impediria de fazer o que ela era boa fazendo. — Mas eu posso pensar em alguma coisa ou outra que você pode fazer para deixar as coisas melhores…. — O sorriso sujo foi capturado pelos dentes da baronesa, abafando o risinho que surgia a medida que Rabastan entendia muito bem o que ela queria dizer.
“Oh, no. Você nunca interrompe, Joan.” Assegurou à baronesa de maneira jocosa, ainda que sentisse a ponta da espada espetar a pele sensível do pescoço. Não esperava que a simples lição fosse se convolar naquilo. “Eu e ele só estamos… Treinando. É, treinando.” Piscou, buscando não dar muita atenção ao objeto cortante. Ela iria rechaçá-lo se descobrisse que tinha relaxado com suas obrigações de defesa. Fato era que Rabastan não gostava de lutar, ou mesmo de treinar para algo semelhante a uma luta de espadas, mas, desde que o ensinara o suficiente para vencer Louis em um duelo, passara a tomar algum gosto pelo esporte. Todavia, após chegar em Hyacinthum, buscou se manter longe o suficiente para que as memórias não o traíssem, tampouco a nostalgia do que já haviam feito naquele mesmo chão. “Já estávamos acabando, de qualquer forma.” Voltou os olhos azul-claros para a morena, acenando para que o Vermelho recolhesse a lâmina. “Sempre ótimo ser massacrado por você, mate.” Bastou um aperto de mão, e logo estava despindo-se da blusa social arruinada enquanto o guarda vermelho saía da sala, deixando-os a sós. “Agora, a que devo a honra de sua visita, Joan?” Arqueou as sobrancelhas, umedecendo os lábios antes de passar a toalha pelo rosto, buscando livrar-se de todo o suor para caminhar na direção da Baronesa, repousando ambas as mãos em sua cintura. “O Laboratório pegou fogo?” Perguntou, bem-humorado, ciente de que as covinhas apareceriam tamanha a risada que deu — não eram muito profundas, mas apareciam vez ou outra. “Detestaria que isso acontecesse com nosso ponto de interseção.” Acrescentou, ciente de que ela veria todo o duplo sentido em suas palavras.
“Do you think just because my feet don’t touch the bottom of the pool that I need a floatie?”
“No, I don’t think. I know, Felicia.¹” O moreno poderia enumerar todas as vezes em que levara o irmão mais novo para uma das cachoeiras quando sua mãe ainda conseguia sair da Suíça para os trabalhos voluntários — antes de se tornar rainha — e, em todas as vezes, ele tinha que salvar Antoine de se afogar quando a correnteza era forte demais. Gostava de água desde pequeno e, talvez por isso tenha escolhido a Marinha ao invés do Exército, como esperado por toda a nação assim que teve idade suficiente. “Eu nunca consigo adivinhar quando você está brincando de se afogar ou não, e, por via das dúvidas, gostaria muito de levá-la sã e salva para casa. Seu pai não é dos homens mais lenientes quando o assunto é a sua saúde.” Viu-se arqueando a sobrancelha ao tomar a cintura da polonesa entre as mãos, impulsionando-a para a borda com o máximo de delicadeza que conseguia, de modo que apenas seus pés mantivessem contato com a água da piscina. “Mas é claro, você sempre pode me surpreender.” Assegurou, afastando-se o suficiente da polonesa para que o contato não fosse mal interpretado pelo restante dos presentes, e, em especial pela morena a poucos metros de distância.
“Just this once¹?” O suíço perguntou imediatamente, franzindo o nariz com um sorriso no rosto. Sabia como Joan costumava estar certa em todas as suas colocações e, além disso, tinha conhecimento de causa suficiente para saber que eles sempre estariam errados quando morenas estivessem envolvidas. “Essa é nova.” Deixou escapar, soltando as palavras em meio a uma risada engasgada. Escutara pacientemente todo o relato do moreno sobre o evento, pausando vez ou outra, quando precisava rir de toda a situação — Lorsan havia sido arrematado pelo irlandês, e, ainda que Rabastan risse ante toda a situação, talvez entendesse parte da indignação do moreno. Ele também esperara um resultado diferente daquela noite, não que pretendesse externar para o americano. “Não querendo ser depressivo contigo, Hak-ítico.” Começou, incapaz de mencionar o apelido que dera ao príncipe na primeira vez em que se viram — Lorsan não fora das crianças mais reconchudas que já conhecera; pelo contrário, era carne e osso, na maior parte dos lugares. “Mas acredite em mim, esse é apenas o começo de uma longa sucessão de situações em que você vai ser o errado. Trust me.²” Deu de ombros, lembrando de todas as brigas com a irmã — a bem da verdade, ele realmente era o errado na maior parte delas, e seu orgulho não era tão monumental quanto o de Rapha, de modo que era sempre ele o primeiro a admitir derrota. Se tinha se esquecido de fechar as janelas de noite, ele era o culpado; se tinha mostrado um comportamento mais ciumento do que um irmão deveria demonstrar, ele precisava se controlar (malgrado Rapha tenha fuzilado com o olhar as últimas duas tentativas de namoradas de mentira nos últimos dois anos). Já havia se acostumado com as broncas, brigas e — que Deus o perdoasse, implorou, revirando os olhos com alguma saudosidade — as reconciliações. De fato, eram a melhor parte de suas brigas.
O Wöfflin podia não compartilhar dos mesmos gostos, bem como ter uma personalidade bastante diversa da dele, mas Lorsan gostava do médico. Talvez porque estivesse habituado à convivência, desde quando mais jovem, afinal, as visitas do mesmo ao palácio eram constantes, considerando os laços estreitos do reino norte-americano com o suíço. Não lembrava-se de Zircon falando com afeto do rei Louis em nenhum momento de sua vida, mas isso não o impedia de hospedar dois dos herdeiros do homem em sua casa. Era com a senhorita Wöfflin — ou melhor, soldada — que Hak tinha mais afinidade, por razões óbvias, mas a forma como esta se referia ao irmão tinha feito com que minimamente o tolerasse. Com o passar do tempo e conhecendo a personalidade do príncipe, o Vlahakis percebeu que gostava de seu bom humor, sendo Rabastan a companhia ideal dentro de uma festa enfadonha. “ Ouviu? Esse boato não chegou aos meus ouvidos ” — pendeu a cabeça para o lado, sabendo que se tratava de uma provocação, o que fazia com que sentisse a necessidade de responder da mesma forma. “ Nesse caso, acho que ele poderia gostar muito da companhia de sua irmã, uh? ”, disse, soltando um riso baixo na sequência. Irmãos mais velhos sempre se incomodavam com esse tipo de insinuação, decerto por força de algum instinto protetor que Daario nunca chegaria a conhecer. “ Aparentemente, é um fetiche comum ”, prosseguiu, ainda sorrindo de canto. Por mais que se tratasse de uma brincadeira, impossível não reparar na diferença de tratamento a ele dispensado quando estava fardado e quando não estava. Em eventos formais como aquele, era preferível usar o uniforme do que smokings caros nos quais se sentia desconfortável. “ Essas mentes sujas que desvirtuam até o uniforme de trabalho… ”
Rabastan costumava ter muitos irmãos mais novos, ao menos de consideração. Antoine não precisava de sua ajuda em muitos assuntos --- motivo pelo qual o apelido de Geniozinho foi dado quando ainda eram jovens o suficiente para que as provocações surtissem algum efeito mal-humorado na personalidade do mais novo ---, e ainda que tentasse, era difícil entender como a cabeça do loiro funcionava. Amava o mais novo, é claro. Um amor diferente do que nutria pela irmã, mas Antoine ainda assim ocupava um espaço particularmente grande e exclusivo em seu coração. Lorsan era apenas mais um dos chaveirinhos --- dessa vez de Raphaela ---, que o moreno recebeu de bom grado. “Nobres costumam falar muito no Consultório, Lorsan. Acabo escutando uma coisa ou duas que eu simplesmente não consigo... Deletar. São gráficos demais pra suportar.” Arregalou os olhos em exasperação, tomando mais um gole do uísque, ainda que a careta cômica emoldurasse o rosto. Assim que o moreno mencionou Raphaela, entretanto, a careta do Wöfflin congelou em uma expressão impassiva, e o suíço se forçou a abrir um sorriso amarelo, buscando ignorar a pressão exercida no copo --- os nós dos dedos passaram a adquirir uma coloração pálida, e ele precisaria de alguns segundos até se controlar. Quando finalmente o fez, entretanto, simplesmente deu de ombros, oferecendo ao Vlahakis um brinde. “Ele não é o tipo dela.” Respondeu de maneira seca, buscando respirar curta e pausadamente. Ah, ele sabia que se tratava de uma provocação, mas Wöfflin não era conhecido pela sua racionalidade. Malgrado não desejasse um incidente em um evento daquele porte --- rumores viajavam rápido no mundo dos nobres e, ainda que estivesse louco para finalizar aquela briga, Rabastan não daria o braço a torcer daquela vez --- não poderia dizer, ao certo, que tinha o domínio de todas as suas faculdades mentais quando a morena estava envolvida. Ainda que ele estivesse indubitavelmente errado e, ela, certa. “Sim, é.” Forçou-se a continuar respondendo, mas a mente já não estava mais na conversa. Por que Diabos Lorsan tinha que mencionar Raphaela? Semicerrou os olhos, por fim, pendendo a cabeça para o lado ao se recompor após um último gole. “Nem posso imaginar o motivo de estar contando vantagem. Muitas Maria Fuzil por aqui hoje, huh? O Valor Agregado deve estar nas alturas. Poderia apostar, se não estivesse completamente duro, que o lance vencedor seria de pelo menos algumas centenas de dólares.” Escarneceu, voltando ao aspecto despreocupado ao largar o copo de uísque --- conhaque serviria melhor, e o controlaria caso o tópico voltasse a pender na direção da irmã. Preferiria seus charutos, mas estavam longe demais e... Supunha que poderia pegá-los. Arqueou uma das sobrancelhas assim que a ideia perpassou pela sua mente. “Word of advice¹, procure impedir que Lady Bancroft ganhe. Sequer a deixe te ver vestido assim.” Meneou, semicerrando os olhos com algum humor. “Não existe farda que vá impedi-la de ter o que quer.” Soltou o ar pelas narinas de uma única vez, certo de que Lorsan usaria aquilo contra si --- ela tinha uma queda por jovens, especialmente militares e, ainda que Rabastan não tivesse passado muito tempo na Marinha Suíça, fora o suficiente para que ela o perseguisse.
“Não tropece… E sorria!” Esse foram os últimos conselhos que Briana escutou de Verena, antes de ser literalmente empurrada para cima do maldito palco. Mataria a irmã quando finalmente conseguisse descer daquele lugar! Tentando se concentrar em não cair, a italiana caminhou com calma para o lado do apresentador do evento, mas, sinceramente, estava tão apreensiva que os dizeres do homem mais pareciam zumbidos em seus ouvidos; a sua expressão denunciando exatamente o quão confiante estava naquela situação. Não queria ter a companhia de um desconhecido em um jantar, não queria precisar bancar a comunicativa para um estranho e, principalmente, não queria ter que lidar com investidas masculinas. Mas do que importava a sua vontade agora? Os lances logo começaram e a princesa acompanhou com apreensão a movimentação do salão, seu estômago praticamente revirando ao perceber que estava chamando mais atenção do que gostaria. Desde quando existiam tantos nobres interessados em si? A situação parecia ainda pior do que esperava e a garota estava prestes a dar um basta naquilo quando @vatomarnorabas levantou a mão para dar um lance – trazendo o mais completo alívio para si. Mas o que aquilo queria dizer, afinal? Estava salva ou era apenas uma pegadinha do destino?
Em sua defesa, não esperava que Briana fosse subir ao palco como uma peça para o leilão, e o choque percorreu suas veias ao encontrar a italiana, sempre trajando roupas mais sóbrias, em um vestido como aquele. Algo naquela imagem simplesmente não se encaixava na cabeça de Rabastan, mas tampouco reclamaria --- Brunelleschi conseguia conversar entre os dois mundos, e o moreno meramente encontrara mais uma faceta dela. Wöfflin teve que engolir em seco, observando enquanto boa parte dos presentes levantavam suas plaquetas em sinal de mais um lance bem sucedido. Ele meramente daria de ombros e continuaria a beber, mas a expressão nos olhos da italiana captaram sua atenção, de modo que, semicerrando os olhos, o suíço levantou a plaqueta, indicando que aumentaria os lances em pelo menos oitenta mil. “Você já a ouviu falar?” Sussurrou para um dos colegas de profissão ante o olhar assustado, certamente pelo dinheiro que dispendera em um único lance. Certamente, Louis não ficaria efusivo em saber que Rabastan fizera um pequeno rombo no tesouro da família, mas sua mãe o controlaria, ao menos por ora. Podia contar nos dedos o tanto de vezes que gastara mais do que alguns milhares com suas próprias necessidades, e a lancha se encaixava nos objetos dispendiosos dos quais não abria mão. Após alguns minutos de disputa, entretanto, Rabastan estava prestes a desistir, certo de que havia chegado ao seu limite, mas... “Vendida! Pela bagatela de quinhentos mil dólares!” Wöfflin arregalou os olhos, boquiaberto ante as palavras do anfitrião. Bem, se Louis ainda não tirou seu escalpo, quando soubesse daquela, era bem possível que o lanhasse até que estivesse em carne viva. Não havia como voltar atrás, entretanto, de modo que o suíço se apressou em subir ao palco, os olhos grudados nos de Briana, como se estivesse pedindo calma à italiana. “Parecia precisar de ajuda. Não culpe o mensageiro, culpe a mensagem.” Justificou-se, pendendo a cabeça para baixo de modo a depositar um beijo na mão direita da princesa, conduzindo-a para o térreo com alguma delicadeza --- Rabastan sabia como tratar uma mulher, malgrado não aparentasse. “Agora que a tenho pelo resto da noite --- ou ao menos até o dever chamar ---, você precisa me dizer o que quer fazer. Paguei caro demais para que não nos divertíssemos, Alteza.” Piscou apenas para a italiana, o meio sorriso galanteador a tiracolo. Louis poderia puni-lo gravemente pelo que fizera, era verdade, e justamente por isso Rabastan pretendia aproveitar a noite ao lado de Briana.
“ Você disse que seria apenas uma foto ”, lembrou, com o tom um tanto ríspido. Nunca fora muito paciente com jornalistas, e estes já deviam saber, à essa altura, que o príncipe não gostava de ser fotografado, só pelo fato de ele virar as costas e sair antes que os cliques terminassem. A melhor forma de fugir, naquelas circunstâncias, era puxar assunto com x primeirx que visse, logo depois de se apossar uma taça de champanhe que não lhe deixaria bêbado como ele gostaria. “ Não olhe agora, mas o Duque de York não para de te encarar ”
Ele teria continuado em seu canto até que alguém o arrancasse do bar para seu momento de exibição no leilão, mas o suíço não era conhecido como uma pessoa quieta. Precisava andar --- manter conversas o ajudava a deixar a mente ocupada o suficiente, e isso poderia ser um bálsamo, quando precisava. “Yeah, sure.” Rabastan arqueou uma das sobrancelhas, incapaz de não dar um pequeno olhar na direção apontada pelo príncipe. Conhecia Lorsan há tempo suficiente para saber do que aquilo se tratava --- Raphaela o auxiliara durante seu tempo no Exército de RANU, e ainda que o Wöfflin não estivesse exatamente ligado às patentes envolvidas, vê-lo crescer havia sido mais um lembrete de que estava ficando velho ---, abrindo um meio sorriso sardônico ao respondê-lo. “Mas você tem certeza de que ele não está te olhando? Ouvi dizer que ele tem um fraco por militares.” Engoliu o riso, forçando-se a apresentar sua expressão mais sisuda --- bastava se lembrar do modo como o pai franzia os lábios em uma linha fina, despindo a voz de qualquer emoção. “Pode ser a farda, talvez?” Arriscou, levantando o copo de uísque antes que Lorsan pudesse respondê-lo. “Não que esteja julgando.” Apressou-se em dizer, levantando ambas as mãos com claro divertimento --- a fachada de Vossa Majestade não costumava durar muito. Himmel¹, mesmo Wöfflin precisava se conter ao vê-la com o traje formal. Não poderia culpar o Duque, se assim preferisse seus acompanhantes.
⊰ — ❊ Tudo parecia mais fácil na Varsóvia, onde os servos eram bem pagos por seu pai para realizarem todas a vontades da herdeira e tornarem real toda ideia de Felícia para eventos como o leilão. Quando era ela a responsável por todo e qualquer problema que surgia na festividade era tudo mais complicado. Até mesmo quando esse senso de responsabilidade estivesse enraizado somente nela, e não fosse, de fato, sua responsabilidade em prática. Fato é que Seth sempre dispusera o mundo à seus pés, e ali, ela mostrava ao mundo o seu mérito próprio. Após ziguezaguear mais uma vez pelo salão, cumprimento aqueles que ainda chegavam como uma verdadeira anfitriã, trocando algumas palavras com aqueles que já estavam ali e principalmente analisando se não existiam imprevistos com os drinques e quitutes, Felícia finalmente se rendeu à uma taça de vinho. Mas bastou a voz de Clive ecoar pelo microfone para que a polonesa se aproximasse da pessoa mais próxima, as unhas perfeitamente pintadas de nude roçando no braço alheio antes que começasse à falar. ❛ Aquele é um belo espécime de seu sexo, não vai querer dar um lance? Por favor, diga que sim! Você pode ganhar um jantar com um membro da realeza e eu estou falando daquela pessoa acima do palco, mas também pode ser sobre mim caso diga que assim abrirá a carteira. ❜
Ele não participaria do evento, não fosse uma boa causa.Gostava de pensar que um sacrifício agora poderia render em ótimos frutos no dia seguinte, e, a julgar pelas joias exibidas nos pescoços dos nobres presentes, eles tinham mito a gastar pela caridade --- um jantar com a realeza não enevoava o julgamento deles, de forma alguma. Sorriu ante as palavras de Hybern, levando o copo de uísque aos lábios antes de conceder, com um suspiro teatral --- Rabastan era um péssimo ator. “Daria uma pequena fortuna por um jantar com Vossa Alteza, Felícia. Isto é, por uma boa causa. Dinheiro não é exatamente o problema.” Concedeu de maneira bem-humorada, acenando com a cabeça antes de dar de ombros, escorado no bar do evento. “Qual a Instituição beneficente que estão patrocinando hoje?” Arqueou as sobrancelhas, buscando uma resposta da loira. Clareza não costumava ser a melhor das qualidades dentre nobres, mas informações como aquela não poderiam ser deixadas em branco --- Rabastan tinha experiência suficiente para saber que, quanto menos claro fosse, mais fácil para redecorar o palácio com dinheiro que deveria ter uma destinação diferente. Claro, não poderia esperar que algo do tipo ocorresse em um evento que levava o nome da filantropa, mas Seth era uma cobra astuta o suficiente para trabalhar nos detalhes. Levantou a plaqueta sem muita atenção, oferecendo cinquenta mil dólares pelo jantar com a nobre, unicamente para ser subjugado nos segundos seguintes. “Não se preocupe, meu trabalho é aumentar as apostas o máximo possível. Quando há uma competição, eles sempre parecem mais ávidos.” Viu-se explicando antes que Hybern pudesse abordá-lo, os olhos cravados no palco. “Não que funcione sempre.” Soltou o ar pelas narinas ao alisar o bigode de maneira professoral, lembrando-se amargamente de ter perdido cerca de trinta mil algumas peças antes.
❛ ─ RAPHASTAN ❜
A W Ö F F L I N C E S T G I F S E T
NO m a s t e r s or k i n g s
when the 𝕣𝕚𝕥𝕦𝕒𝕝 begins
there is no ꜱᴡᴇᴇᴛᴇʀ i n n o c e n c e than our gentle 𝕤𝕚𝕟
in the MADNESS and SOIL of that sad ( e a r t h l y ) scene
only then I am human
only then I am clean
𝔸𝕞𝕖𝕟.
Nas poucas horas de lazer que se permitia ter, Rabastan gostava de dormir, como de costume. Antigamente, gostava de ficar com ela, mas após a briga, buscou se atolar em trabalho, de modo que não pensasse na morena. Poderia hibernar a qualquer momento, sob qualquer desculpa, mas simplesmente apagava após um dia de trabalho bem aproveitado. Diferentemente da euforia a qual a maior parte das pessoas sentia, Wöfflin só conseguia pensar em quão bom o travesseiro de penas de ganso estaria --- e em como ele iria simplesmente despencar na cama. Por este motivo, enquanto apertava os olhos para espantar o sono até chegar ao próprio quarto, não notou a aproximação, e tampouco poderia esperar chocar com a pessoa à sua esquerda (Himmel, deveria passar a manter um colchonete no consultório). Sentiu o choque, verdade, mas estava tão atordoado que demorou algum tempo até socorrê-lx, meramente x encarando antes de oferecer a mão. “Não é algo que acontece sempre, se quer realmente saber.” Viu-se arqueando a sobrancelha minimamente, apertando mais uma vez os olhos ao senti-los vacilarem ante a luz. “Talvez agora deixem...” Interrompeu-se, balbuciando enquanto soltava um bocejo nem um pouco digno de um príncipe. Piscou novamente, negando firmemente antes de dar de ombros. “Talvez agora me permitam enfiar um colchonete no consult---ório.”
Pesquisas cientificas eram uma verdadeira kriptonita para a princesa italiana. Desde muito cedo havia começado a sua iniciação científica no colégio e a partir dali havia descoberto uma verdadeira paixão. O príncipe Lorenzo parecia ser um grande apoiador das pesquisas da filha – contanto que elas não atrapalhassem os seus deveres reais – chegando a assumir o custeio para todas elas, e a princesa jamais havia dado motivo para que ele reclamasse de suas horas no laboratório. Havia adquirido uma rotina pesada para conseguir conciliar a vida academia, suas obrigações com a monarquia e a vida de pesquisadora, porém nunca havia falhado em nenhum dos seus deveres. Em contrapartida, a sua vida social era inexistente, horas livres sequer existiam para si, mas as suas descobertas valiam o seu sacrifício. E tamanha era a sua empolgação com uma nova teoria que havia criado em sua mente, minutos atrás, que ela não se importaria de entrar de cabeça em mais um projeto. Tudo que precisava era estabelecer se aquilo que pensava realmente seria possível, então, ela não demorou o único amigo no ambiente que poderia acompanhar a sua linha de raciocínio. Bastou que notar que Rabas estava sozinho para que se aproximasse, o sorriso largo em seu rosto denunciando o quão empolgada estava. ❛ — Teoricamente, seria possível estabelecer uma relação direta de aumento da série de glóbulos brancos com um fotoquímico especifico? ❜ disparou a principal questão em sua mente, optando por não perder tempo com apresentações formais. ❛ — Quanto tempo você acha que seria necessário para fazer um estudo randomizado com grupos testes em suplementações? Três deles, no caso. Grupo placebo, grupo com suplementação seguindo recomendações e grupos com doses acima das recomendações? ❜ continuou com a linha de raciocínio, arqueando uma sobrancelha. ❛ — Eu conseguiria aprovação com doses acima da recomendação ou acha que seria barrada pelo comitê de ética? Eu poderia usar a justificativa de que, talvez, o sangue azul necessite de doses maiores para que exista uma resposta satisfatórias. E, bem, pretendo anexar um estudo de caso que pode comprovar a minha teoria. ❜
“Na teoria, tudo é possível, Briana. Em teoria, por exemplo, uma espécie inteira poderia entrar em extinção em pouco mais de algumas gerações, caso os seres apenas se reproduzissem entre irmãos e primos, perpetrando doenças genéticas e debilitando a prole.” Respondeu imediatamente, certo de que havia um pingo de desgosto na voz ao final. Estava acostumado com a forma com a qual Briana lhe interpelava, e encontrá-la em meio a um evento como o jogo era estranhamente fascinante, como se a morena não fizesse parte daquele ambiente. Gostaria de protegê-la? Evidentemente, mas ainda que fossem parceiros de laboratório --- dividindo desde béqueres a conversas afiadas sobre os diferentes processos empregados e seus resultados ---, não a via com frequência suficiente para ter alguma influência em suas escolhas, ou forma de aproximação. Negou ante as próprias palavras, ostentando um sorriso calmo ao levantar o copo de brandy que estava bebendo. “Seu cérebro nunca se cansa, huh? O meu já pifou há algum tempo.” Semicerrou os olhos em divertimento, dando de ombros ao fingir pensar nas colocações da italiana. “Sim. Não há como imaginar que os fotoquímicos não reagiriam de forma diferente frente à incapacidade do organismo.” Iniciou, levantando o dedo indicador para que ela o deixasse falar por ao menos alguns segundos --- conhecia Briana o suficiente para saber que ela o interpelaria frente a menor das adversidades. “Mas pode haver complicações no grupo, caso não escolha o fotoquímico correto. Eu recomendaria cerca de cinco grupos, se fosse me perguntar --- use combinações dos fotoquímicos, se estiver inspirada.” Pausou, piscando para a italiana antes de tomar mais um gole do uísque. “Quanto ao tempo... Três semanas devem bastar? Manteria os resultados diários religiosamente anotados, se fosse você. Tudo pode acontecer naquele maldito laboratório.” Piscou com alguma fúria, certo de que ela não levaria seu pequeno acinte a sério --- estava focada em algo mais interessante. Ante as últimas palavras da morena, entretanto, Rabastan simplesmente exibiu um meio sorriso maroto. “O Comitê pode ser contornado. Barraram muitas das minhas pesquisas porque não soube como lidar com eles, mas acredito que já tenha entendido o mote, o que eles realmente querem. Deixe-os comigo, e se preocupe em me manter informado sobre todos os resultados. É uma teoria excelente.” Umedeceu os lábios, recostando-se no bar ao pedir mais uma dose de uísque. “Agora que já despejou toda a sua dúvida existencial, deseja alguma coisa para beber, Dra.?” Enviesou o olhar na direção da morena, chamando o bartender antes que ela pudesse respondê-lo.
Cor dos olhos: Azul-claros. Em determinados momentos, quando particularmente estressado, a coloração das íris escurece na direção de um azul-escuro.
Estilo do cabelo/cor: Os cabelos castanho-escuros tendem a apresentar aspecto revolto, como se o Wöfflin sequer tivesse se dado ao trabalho de penteá-los ao pular da cama. Rabastan não costuma se importar com o corte de cabelo, ou mesmo a quantidade de gel que deve passar sem que ofenda as regras de etiqueta da Corte, portanto simplesmente deixa o cabeleireiro real fazer o que deseja com as madeixas escuras. Quando mais novo, ademais, o Wöfflin apresentava-se sempre com o cabelo à altura dos ombros, deixando com que os cachos espessos, e, à época, bem mais claros, se contraíssem e se esticassem ao sabor do vento e de seus ensaios de corrida.
Altura: 1,86m.
Estilo de se vestir: Não que se preocupe muito com os trajes, mas o suíço sempre está vestindo calças de alfaiataria e ao menos uma blusa social --- por certo, é considerado um crime não ostentar ao menos um blazer e uma gravata de seda quando não está trajando o jaleco, mas o Wöfflin se desfaz das reclamações com um simples abano insolente. Nos diversos trabalhos que teve o prazer de participar, entretanto, trocou de muito bom grado os sapatos italianos por um tênis confortável e um jaleco manchado --- ossos do ofício. Já viajou a muitos lugares, e a pobreza da população o ensinou, da pior forma possível, que as futilidades exigidas dentre os azuis são simplesmente volúveis demais para tentar se manter de acordo com os padrões. Questão de sensibilidade ou não, nunca pareceu de bom tom atender Vermelhos famintos trajando um sapato que compraria a refeição familiar mensal de pelo menos cinquenta famílias. Ademais, sempre ostenta um infame bigode, que iniciou como um protesto em face do pai, mas se tornou algo semelhante a uma marca registrada para o Wöfflin mais velho, não que muitos apreciem o visual mais... Proletário.
Melhor característica física: Wöfflin acredita que, a depender do tom empregado, pode mudar o estado de espírito de outros, diminuindo sofrimentos desnecessários. Quando atende algum paciente, busca ser o mais calmo e prestativo, suavizando a voz fortemente marcada pelo sotaque suíço. É por meio deste contato que ampara os pacientes, acalmando-os e explicando cada ponto. Claro, Rabastan sabe que tem uma compleição forte e, em último caso, atraente --- fruto de anos de esforço junto a ela, bem como à dieta balanceada ---, mas não seria sincero se simplesmente dissesse que prefere os músculos à voz grave, que poderia gritar com rispidez em um momento, mas no seguinte se tornar em um sussurro acolhedor.
CAMADA DOIS: O LADO DE DENTRO
Seus medos: Incrível que pareça, o príncipe possui das mais diversas fobias --- a diferença elementar recai sobre sua capacidade em controlá-las, na medida do possível ---, mas apenas uma o incapacita de fato. Rabastan não suporta palhaços, barulho de chicoteamentos e tampouco ambientes enclausurados --- bônus se houver altura envolvida. Aprendeu a lidar com as próprias preferências com o passar dos anos, mas sobre ele paira a fobia particularmente incapacitante de se tornar pai no momento errado, de uma maneira completamente imprevisível e, por esse motivo, força-se a optar por métodos contraceptivos dos mais diversos. Imaginá-la carregando uma aberração da natureza é insuportável, e Rabastan perde noites a fio calculando as possibilidades de que isso ocorra algum dia.
Seu guilty pleasure: Noite de poker entre os funcionários de Hyacinthum, com certeza. Rabastan pode se afastar da quantidade de obrigações e se permitir ao menos um breve período de paz enquanto tenta enganar os colegas de profissão. Claro, poder fumar o charuto tem algo a ver com o guilty pleasure, bem como a quantidade cavalar de cerveja que os cinco entornam no período de sete horas.
O que mais te irrita: Não é algo que o irrita, de fato, mas que o enfurece a nível celular: injustiça. Há muito se despiu de qualquer tentativa de manter um mínimo de condescendência ante os conselheiros do Rei, ciente de que acabaria quebrando os ossos de cada um dos velhos duques que compunham o Pequeno Conselho. Herdou de Whilhelmina a empatia pelos menos afortunados, e ser obrigado a escutar as sandices que gostariam de empregar no pequeno reino da Suíça para aumentar os lucros das multinacionais era simplesmente desumano. Em momentos de fúria, entretanto, o controle caro pelas palavras se perdia, e o moreno sempre encontrava as palmas das mãos sangrando ante a pressão exercida pelas unhas.
Sua ambição para o futuro: Pretenderia dizer que erradicaria a fome no mundo, mas mesmo Rabastan não é idealista o suficiente para acreditar que um futuro como este seja possível --- ao menos na sociedade em que vive. Dito isso, acredita que até os quarenta anos tenha completado as pesquisas necessárias para se convencer de que pode seguir em frente e ser feliz com a pessoa escolhida. Rabastan também tem planos ferrenhos em criar uma organização mundial --- e não apenas nacional, como a idealizada por sua mãe --- que atenda às populações mais carentes, em um trabalho conjunto dentre todos os Estados do globo para humanizar o atendimento médico e torná-lo não tão somente mais eficiente, como também mais aprofundado. Atualmente, sabe que está enxugando gelo com as ações praticadas aqui e acolá, mas, com alguma sorte, talvez algo possa mudar.
CAMADA TRÊS: PENSAMENTOS
Seu primeiro pensamento ao acordar: Definitivamente, Rabastan não é uma pessoa matutina, entoando diversos palavrões quando o alarme toca e ele está confortável demais enrolado no próprio cobertor, ou em outro alguém. A relação com a cama é quase obscena, para ser sincero, e o príncipe resmunga todas as vezes em que é chutado dela, seja com carinho, ou, mais recorrentemente, com rispidez.
Seu pensamento mais decorrente: “Eu estou sóbrio demais pra essa merda” --- pensou Rabastan antes de suspirar e pegar um copo de scotch para lidar com as conversas diárias.
No que você pensa antes de dormir: Católico aficionado que é, não pode deixar de rezar o terço todas as noites, pedindo perdão por seus pecados todas as vezes em que cerra os olhos para dormir, sozinho ou não. Ademais, repassa grande parte dos acontecimentos do dia, buscando algo.
Você acha que a sua melhor qualidade: Empatia.
CAMADA QUATRO: O QUE É MELHOR?
Encontro a dois ou com mais casais: A dois. De vida pública, já bastam as aparições obrigatórias da Família Real Suíça. Não gostaria de dividir sua atual parceira com mais ninguém, especialmente porque não seria considerado de bom tom serem vistos juntos em uma situação de teor romântico. Entretanto, encontros com mais casais eram relativamente divertidos, quando Rabastan ainda se dava ao luxo de tê-los.
Ser amado ou respeitado: Respeito sem amor é medo --- e medo geralmente está ligado a um sentimento revanchista que pode culminar em desastres. Amor sem respeito não conta com valor agregado verdadeiramente útil. Não teme Louis, mas tão somente o respeita por amá-lo como seu pai, e, em igual medida, respeita e ama a sua mãe como a uma santa da Igreja Católica, acreditando que Whilhelmina está acima do bem e do mal. Portanto, Rabastan gostaria de conjugar ambos os sentimentos, buscando o equilíbrio entre eles.
Beleza ou cérebro: Atitude, mas, em termos mais práticos, cérebro. Uma mente afiada pode ser o melhor dos afrodisíacos, enquanto a beleza sem conteúdo é superficial e enganadora.
Gatos ou cachorros: Cachorros. Wöfflin tem ao menos cinco cães em sua residência na Suíça. Ademais, é alérgico a pelo de gato.
CAMADA CINCO: VOCÊ…?
Mente: Todos os dias.
Acredita em si mesmo: É complicado definir as camadas de insegurança que permeiam a personalidade de Wöfflin --- a maior parte delas incutida pelo pai, quando Rabastan decidiu que não seguiria a carreira a qual tinha sido destinado desde o nascimento ---, mas após anos de pesadelos e manchas roxas, provou a si mesmo que poderia, de fato, ser alguém de quem o pai teria orgulho... Eventualmente. Gostaria de dizer que as palavras e socos de Louis não o machucaram, mas Rabastan poderia sentir até hoje o traumatismo fantasma --- mais psicológico do que tudo --- aonde o pai o atingiu. Sabia que o Rei sentia afeto por todos os filhos, mas a forma de demonstrar era tão torta quanto um galho retorcido. Atualmente, entretanto, acredita mais em si mesmo do que antigamente.
Acredita no amor: Sinceramente? Sim. Não tem muitos problemas em dizer que acredita no sentimento, ao contrário da maior parte de seus colegas, que aparentam verdadeiro pânico ao mencionarem a palavra.
Deseja alguém: Que tipo de pergunta é essa? Quem não deseja alguém, hoje em dia?
CAMADA SEIS: JÁ FEZ…
Esteve em um palco? Já participou de vários eventos junto aos pais, subindo em palanques com facilidade com o passar dos anos. Não obstante, quando pequeno, participava de diversas peças nas imediações do Palácio em Zurique, interpretando homens como Alexander Hamilton --- Bridget, sua madrinha, e a mãe eram verdadeiras cidadãs de RANU, e o príncipe cresceu com as mais diversas apresentações dignas da Broadway ---, e mesmo Romeu, contracenando com Raphaela quando a irmã mais nova adquiriu idade suficiente para decorar as falas. Ambos eram um desastre, mas ao menos Rabastan se divertia, e Bridget vibrava ante os acertos do afilhado.
Experimentou drogas: Algumas vezes, sim. Não é um hábito recorrente, mas Rabastan aprecia um bom charuto cubano, quando a situação demanda, e também não possui restrições quanto a cigarros em geral.
Mudou sua personalidade para se adaptar a alguma situação: De fato, foi um dos motivos pelos quais se afastou dos deveres como herdeiro. A todo momento, o príncipe era obrigado a engolir calado os mandos e desmandos da Corte suíça. Pode-se dizer que sua rigidez principiológica não conversou particularmente bem com seus deveres como futuro monarca. Atualmente, exibe a única personalidade que consegue se encaixar em sua mente sem que se sinta um covarde: a própria.
CAMADA SETE: FAVORITOS
Cor: Branco.
Animal: Leão.
Filme: Saving Private Ryan.
Jogo: Polo e, em segundo plano, Corrida de Cavalos.
CAMADA OITO: IDADE
Dia do seu próximo aniversário: 06/03 (Peixes com Ascendente em Áries, Lua em Câncer).
Quantos anos você vai completar: 33 anos.
Idade com que perdeu a virgindade: 16 anos.
Idade importa? Não. Existem mais fatores a serem considerados em uma relação do que a idade.
CAMADA NOVE: NUM GAROTO OU GAROTA
Melhor tipo de personalidade: Assertiva, independente, intuitiva e direta. Rabastan gosta de mulheres fortes, e que saibam se rebelar pelo que acreditam, ainda que isso custe um olho roxo ou dois. Mulheres práticas, quase pragmáticas, tendem a contrabalancear os ideais oníricos do Wöfflin, e ele aprecia esse contrapeso mais do que pode entoar em palavras. Humor negro também é um afrodisíaco quase instantâneo, especialmente em tempos de crise. Aspectos mais autoritários, apesar de serem totalmente contrários à personalidade do moreno, podem funcionar, dado o conjunto de todos os fatores envolvidos, e ele não pode se esquecer, jamais, do senso de perigo envolvido em qualquer de suas relações --- Rabastan simplesmente ama andar na corda bamba, ainda que sua alma esteja condenada ao Inferno.
Melhor cor de olhos: Escuros.
Melhor cor de cabelo: Castanho-escuros.
Melhor coisa para se fazer com parceiro: Ele poderia dizer sexo, porque realmente não é algo a se desconsiderar quando tudo dá certo --- e tudo pode ir pelos ares, caso Rabastan não calcule bem as palavras ---, mas há algo mais íntimo em simplesmente sentir a respiração passar da descompassada para a calma em questão de minutos após o sexo. Saber que ela se sente segura o suficiente para dormir consigo parece simplesmente certo e, definitivamente, não acontece com todas.
CAMADA DEZ: TERMINE A FRASE
Eu amo: Webby, Huey, Dewey, Louie e Donald, seus cães. Respectivamente, tratam-se de uma Pastor-Alemão, um Collie, dois Huskies-Siberianos e um São Bernardo, sendo que Webby é a mais velha, contando com dez anos, e Donald, ainda um filhote de meros cinco meses.
Eu sinto: Fome. O. Tempo. Todo.
Eu escondo: Segredos que jamais devem ser ditos em voz alta, sob hipótese alguma.
Em nosso quadro, somente os mais competentes, e dentre eles não poderia faltar RABASTAN GERARD TEARSHEET AIHAN MIKHAIL WÖFFLIN, um MÉDICO e PESQUISADOR EM GENÉTICA SANGUÍNEA em Hyacinthum, além de PRÍNCIPE DA SUÍÇA. Com seus TRINTA E DOIS ANOS, o funcionário é conhecido pelos corredores como alguém TRANSPARENTE e IMPULSIVO, mas os mais elogiosos dizem que é BEM-HUMORADO e PERSISTENTE. Aposto que é um descendente de HENRY CAVILL, porque não poderiam ser mais idênticos!
⊰ — ❊ Talvez por ter passado sua infância sem a companhia de crianças, e principalmente sem brincadeiras, Felícia aproveitasse cada momento atual para realizar suas estripulias.Respirou fundo, segurando-se com mais força contra o tronco em que havia se empoleirado, orbes castanhas fitando o céu que brilhava. De cima da árvore, a visão era agradável, e a Hybern sentia-se de certa forma no controle de algo. Qualquer sensação de leveza, contudo, abandonou o ser diminutivo da quando notara uma movimentação próximo de si, mas abaixo. ❛ Olá? ❜ Não estava em um galho muito alto, contudo, era o suficiente para que, com o vestido que se encontrava, precisasse de ajuda para descer. Mordiscou o lábio inferior, observando o moreno à medida que, com uma das mãos, segurava o saiote do vestido. Equilibrar-se com apenas uma das mãos não estava se mostrando a tarefa mais simples. ❛ @vatomarnorabas! Estaria disposto à ajudar uma princesa indefesa? ❜
“I don’t know. Should I?¹” Replicou imediatamente, passando uma das mãos pelo queixo enquanto se apoiava no tronco da árvore. Fingiu estar imerso num dilema complexo, mas já havia se decidido sobre o futuro de Hybern ao final da noite. “A vista daqui é boa demais para me desfazer. Você concordaria se estivesse no meu lugar.” Arqueou a sobrancelha, cruzando os braços ao levantar o queixo, buscando contato visual com a princesa polonesa. Conhecia Felícia há tempo demais para se remeter às regras de etiqueta --- regras que há muito deixara de seguir, dado o trabalho ---, e quando a avistou escalando a árvore do outro lado do campo, o susto foi tão grande que Wöfflin vomitou o uísque (comemoração pela vitória do time no Polo) pelo nariz. Ainda sentia, com algum amargor, a queimação nas vias, e Gerard franziu o cenho ante a sensação nada agradável. “Apoie-se no tronco e largue a saia do vestido pra ganhar mais sustentação. Vai ser mais fácil se eu estiver aí com você.” Explicou, largando o copo de bebida ao finalmente se sentir apto a ajudar alguém que não a si mesmo. Dito isso, buscou o galho mais próximo, içando-se o suficiente para apoiar o pé em algum sulco do tronco.