Meu querido diário n° 3 – Uma revisão e adendos as páginas anteriores
Outro dia escrevi sobre o quanto é difícil para mim revisitar conceitos e redefinir a rota. Mas preciso dizer, que também é um processo prazeroso, que cada vez mais me aproxima e alinha a uma vida autêntica e responsável.
Lendo textos que escrevi há uns dez anos, sorri ao perceber o quanto mudei e o tanto de conceitos, ideias que já não faz sentido para mim. Algumas ideias precisei descartar, outras tantas ressignificar. Pensei em descartar muitos desses textos, mas, pensando bem, vou reler um a um e acrescentar uma mota sobre o que mudou. Quem sabe, daqui há mais dez anos, seja essa razão para mais sorrisos e reflexões. É bom rir de si mesmo. Entretanto, aos textos intitulados meu querido diário n° 1 e meu querido diário n°2, vou explanar aqui mesmo com alguns adendos.
Assim como em meu querido diário n° 1, ainda não jantei, são 19h39 minutos de uma segunda-feira 01 de setembro de 2022. Dessa vez estou vestido e a janta hoje será cuscuz, também como ovo e café. Sigo tomando decisões idiotas vez em quando, levo umas topadas e me frusto, é da vida, mas tenho aprendido a tomar mais cuidado, ando mais responsável. Tenho reclamo menos, agradecido mais. Fiz terapia, o que significa que hoje tenho algum dinheiro para cuidar da saúde mental. Os olhares já não me afetam tanto e, não, não gostaria se sair por aí pelado. Sigo concordando comigo mesmo quando escrevi em meu querido diário n° 2, que sou um sujeito um tanto prolixo que adora devanear, pensar e questionar. Aliás, questionar é o que mais tenho feito nesses últimos anos, causa essa de decisões menos impulsivas, mais assertivas, autênticas e responsáveis. Já se vão 4 anos desde o falecimento de meu avô materno e, de lá para cá, ninguém tão próximo a mim morreu, apenas de pessoas próximas a mim, familiares de familiares. Entretanto, existiu uma pandemia no meio de tudo isso, e as reflexões sobre o morrer nunca estiveram tão presentes no dia a dia da sociedade. Já não defendo a tese de almas imortais, prefiro admitir o fato puro e simples de ver a morte como um fim em si mesma. Melancólico não? Talvez, mas só quando consideramos as muitas e diversas explicações culturais e religiosas que nos apegamos na tentativa de explicar o que há além de morte. Mas se olhamos para a morte como ela é e para muitas explicações sobre o que acontece depois dela, veremos que as essas explicações são apenas produto da cultura, argumentos que construímos para nos consolar, dar esperança e trazer sentido à vida. Mas aprendi que o sentido da vida é relacional e existe na própria vida e na realização de valores que só é possível realizar vivendo. Portanto, não faz mais sentido achar consolo nessas explicações, me parece mais simples apenas viver. Já não acredito mais que irei reencontrar meu avô, ficaria muito feliz se isso pudesse ser uma realidade, mas provavelmente não acontecera. Me conforta o fato de ter o conhecido, vivido com ele e de carregá-lo vivo em mim. Os remorsos, o que não foi feito, já está sarado em meu coração. Já sobre as redes sociais, minha relação melhorou, mais nem tanto e vou explicar. Se existir algo depois da morte, saberei quando morrer. Espero que tenha, embora não tenha pois quero viver eternamente, mas não vou preservar essa esperança e viver a serviço dessa crença. Indo para o próximo ponto, voltei para o Instagram com a ideia de usar a ferramenta como ferramenta na divulgação e produção de conteúdo de psicologia, mas a verdade é que isso não aconteceu, embora siga com uma página dedicada a carreira de psicólogo que mal iniciei, e uma conta privada para pessoas próximas. Ou seja, cancelei uma e agora tenho duas contas, mas com um uso muito mais consciente e organizado. Na bio da página pessoal coloquei: “só para chegados q já tomaram / tomariam / tomarão uma xícara de ☕ café ou uma 🍻 cerva aqui em casa ☺️🔒”. Fechei a página e tenho me privado de seguir ou me permitir ser seguido por pessoas que não fazem sentido. A regra é clara: quem não foi/seria/será convidado para entrar na minha casa, não pode bisbilhotar minha vida pessoal nas redes. Ainda continuo acreditando que ninguém precisa dessas redes para viver, não se trata de algo essencial para vida, mas hoje entendo que seja parte relevante dela no momento como ferramenta. O Google nos controla de todo jeito, tenho celular, então... (risos). No fim, os algoritmos não são vilões ou amigos, são o que são, um amontoado de informações sobre nós. O mais importe é o uso que fazemos dessas facilidades, o uso comedido e consciente. O último ponto que tratai no texto foi sobre minha vida profissional. Nesse sentido, não tinha escrito ainda que conclui a faculdade de psicologia, agora tenho CRP, ou seja: sou legalmente um psicólogo. Minha pretensão naquele momento era me reposicionar profissionalmente em um trabalho convencional, talvez como auxiliar administrativo, mas isso não aconteceu. Fiz estágios em psicologia e atualmente tenho feito alguns trabalhos na área, além de ter concluído uma especialização em psicologia clínica, área que irei empreender. Estou a cursar uma segunda especialização em psicologia escolar e educacional, área que pretendo atuar paralelamente a clínica, mas acho que esse assunto merece um registro a parte. Estabelecer uma rotina ainda continua sendo um problema que espero superar. Batido ponto a ponto dos dois textos, é isso.
Sentado em minha cama, ao lado de meu marido (sim, casei-me oficialmente), encerro esse texto indicando a leitura de um livro sensacional que li no último mês chamado - A Magia da Realidade de Richard Dawkins.
Adeus ou até qualquer hora ;)













