Spielberg e o Dia D dos OVNIs: Como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e a ficção científica despertam novas ondas de discos voadores e ETs no imaginário coletivo
O fenômeno ufológico, frequentemente interpretado como uma incursão externa, revela-se, sob a lente da análise biopsicossocial de Roberto Banchs, como um espelho da própria subjetividade humana, modulado pelas narrativas culturais. Banchs foi o pioneiro acadêmico a demonstrar, com rigor estatístico, que as ondas de avistamentos não possuem natureza intrínseca, mas são desencadeadas por fatores externos, como o impacto de obras de ficção científica que, ao catalisarem emoções latentes, instigam o público a interpretar estímulos convencionais como manifestações anômalas.
Essa dinâmica de causalidade, exaustivamente documentada pelo autor ao analisar o impacto de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1978) — que gerou uma das maiores ondas de relatos na Argentina e no Brasil —, estabeleceu um precedente observado em sucessivos marcos cinematográficos, de E.T. a Independence Day, cujas estreias foram invariavelmente acompanhadas por picos de avistamentos e teorias conspiratórias.
Hoje, a história se repete com a iminente estreia de Dia D, o novo filme de Steven Spielberg. Mesmo antes da chegada às telas, a antecipação e a imagética do trailer já produzem efeitos concretos, exemplificados pelo caso do influencer Mayk Leão, em Campo Largo, cujos desenhos de supostos OVNIs reproduzem fielmente elementos do material promocional do filme. Tal evento sinaliza o que pode se tornar uma nova onda gigantesca de "avistamentos", onde a expectativa cultural, operando de forma frequentemente inconsciente, converte luzes, drones e reflexos na evidência definitiva que o espectador, já sugestionado pela ficção, anseia encontrar.
Spielberg e o Dia D dos OVNIs: Como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e a ficção científica despertam novas ondas de discos voadores e ETs




















