Da Filosofia Helenística a Viktor Frankl: a busca por sentido em tempos de caos
Escrever Para Não Enlouquecer – Por Neemias
Uma reflexão sobre os encontros entre a filosofia helenística e a Logoterapia de Viktor Frankl. Da Grécia Antiga aos campos de concentração, uma jornada sobre liberdade interior, espiritualidade, autoconhecimento e a busca humana por sentido.
A filosofia helenística nasceu em um momento de crise.
Após a morte de Alexandre, o Grande, o mundo antigo…
Ceticismo sobre vacinas cresce nos Estados Unidos e em outros países
O crescente ceticismo em relação às vacinas tem sido uma preocupação crescente em várias partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos. A queda na confiança pública nas vacinas foi exacerbada pela pandemia de COVID-19 e pelo aumento da desinformação relacionada à saúde. De acordo com o Vaccine Confidence Project, um grupo de pesquisa da London School of Hygiene & Tropical Medicine, desde 2015, a confiança na segurança das vacinas diminuiu em diversos países. Esta tendência se acentuou durante a pandemia, quando o debate sobre mandatos de vacinação se intensificou, afetando programas de imunização já estabelecidos e rotineiros.(...)
Estava aqui pensando (e isso é o rascunho de uma ideia): E se um personagem de um jogo de terror cósmico for tão cético que ele simplesmente não "capta" os sinais de que algo está errado, querendo explicar tudo com lógica, razão e ciência?
Quanto tempo demoraria para ele entender que as coisas que estão acontecendo tem uma origem que vai além da compreensão dele?
Ou mesmo, como ele lidaria com a presença de uma entidade alienígena ancestral ou de uma das criaturas consideradas "divindades" dessas mitologias.
E aqui eu estou considerando cenários que vão além de Lovecraft, mas que, claro, se inspiraram nele.
Será que ele permaneceria cético até o final ou seria convencido ao ver uma dessas ameaças em ação?
E todas essas perguntas culminam com a mecânica do medo/terror/sanidade que geralmente há nesses jogos. Como essas coisas funcionam nessas situações?
Em outro momento posso tentar fazer uma postagem mais aprofundada usando algum RPG dessa linha como, por exemplo, Rastro de Cthulhu (meu favorito, até o momento).
Vacinas enfrentam ceticismo mesmo em tempos de emergência médica
Em um contexto de crescente ceticismo em relação às vacinas, a confiança nos cuidados médicos em situações de emergência se torna um tema de debate na sociedade moderna. Apesar da evidência clara de que vacinas como as da poliomielite e do sarampo erradicaram doenças devastadoras, uma onda de desconfiança se espalhou, particularmente após a introdução rápida das vacinas contra a COVID-19. Esse fenômeno remete à dualidade da percepção pública sobre ciência e medicina: enquanto a população se volta para médicos em situações de emergência, a prevenção através de vacinas frequentemente é questionada.(...)
exame terça, espero que estejam prontos. caso tenham de alguma forma encontrado isto pra estudar pra este exame, ou estão a estudar para um exame futuro, têm aqui o meu google docs com toda a matéria!
Já agora, se encontrarem aquele pdf q diz q materia vai sair, e diz "nao sai os temas da ciência, da arte, e da religião do 11º ano", é mentira caralho, sai sempre, nao sei pq q dizem aquilo??? nao é um ficheiro antigo, dizia 2025 nele!!
Epistemologia, o estudo do conhecimento
Como diz no título, a epistemologia estuda o conhecimento, especificamente se sequer conseguimos verdadeiramente ter conhecimento. Existem duas formas de adquirir conhecimento, conhecimento «a priori», que é feito através do pensamento, e conhecimento «a posteriori», também chamado de «empírico», feito através da experiência.
Platão criou a definição tradicional do conhecimento. De acordo com ele, temos conhecimento quando temos uma crença(temos de acreditar nessa proposição) verdadeira(nao pode ser falsa, obvio) justificada(precisamos duma justificação adequada para tal proposição). Se faltar qualquer um dos três não temos conhecimento.
Muitas vezes temos conhecimentos errados sem nos apercebermos, vivendo numa ilusão de que são verdadeiros, como podemos saber se isso não estará a acontecer com as nossas atuais crenças? E quanto ao mundo exterior etc? Parece-nos real, mas como podemos provar isso? Assim nasce o problema da possibilidade do conhecimento. Existem três respostas que estudamos: o ceticismo radical, o racionalismo de Descartes, e o empirismo/ceticismo moderado de David Hume.
Ceticismo Radical
O ceticismo é uma perspectiva filosófica que rejeita a possibilidade de adquirirmos conhecimento. Os céticos radicais afirmam que como as crenças que temos frequentemente podem acabar por não ser verdadeiras, então não têm justificação adequada, logo não há conhecimento. Os céticos radicais apresentam dois argumentos:
O argumento da regressão infinita da justificação: Para termos conhecimento precisamos duma justificação, no entanto ela precisa da sua própria justificação, e assim continua infinitamente.
O argumento dos enganos sensoriais: Somos muitas vezes enganados pelos nossos sentidos, por exemplo em ilusões de ótica etc, logo não podemos garantir que não nos estão sempre a enganar.
A posição dos céticos radicais apresenta-se como o desafio cético.
Objeções ao Ceticismo Radical
Uma crítica comum aos céticos radicais é que estão a ser contraditórios, pois a crença de que não temos conhecimento é também um conhecimento. Além disso, para fazer tal afirmação, é preciso outros conhecimentos, como o significado de palavras etc.
O Racionalismo de Descartes
Descartes, reconhecendo a vasta quantidade de incertezas que fortaleciam o ceticismo, pretendia estabelecer o fundamento do conhecimento e das ciências, e encontrar pelo menos uma crença que fosse indubitável(totalmente certa, irrefutável) e básica(autojustificada, não precisa de justificação externa).
Para tal efeito, Descartes recorre à «dúvida metódica»(ou dúvida cartesiana), que consiste em duvidar de todas e quaisquer crenças, adotando uma espécie de «ceticismo provisório», apenas terminando quando encontrasse alguma crença que resistisse a todas as dúvidas. Descartes duvida de todas as crenças, a priori e a posteriori através de três argumentos:
Argumento dos sentidos enganadores: O mesmo utilizado pelos céticos radicas, os sentidos enganam às vezes, então não podemos garantir que não nos estão sempre a enganar.
Argumento do sonho: Se quando estamos a sonhar acreditamos que tudo que vemos é real, nunca podemos garantir que não estamos em qualquer momento dentro de um sonho.
Argumento do génio maligno: Imaginemos que existe um Deus enganador que nos faz acreditar que 2+2=4, independentemente se seja ou não. Mesmo sendo uma hipótese absurda, desde que exista a possibilidade, não podemos totalmente acreditar nas crenças a priori.
Assim através da dúvida metódica, Descartes descobriu o primeiro conhecimento: «cogito, ergo sum», «penso, logo existo». O cogito é uma crença indubitável e básica, pois o próprio ato de pensar prova a existência de um pensador, e duvidar desta crença comprova-a.
A segunda crença que Descartes descobre é a ideia de Deus. Esta ideia é diferente das outras, é a ideia de um ser perfeito. Descartes utiliza o argumento da marca: um ser imperfeito não poderia criar a ideia de um ser perfeito, logo esta ideia de Deus teve de ser criada pelo próprio Deus. Um Deus perfeito nunca poderia ser maligno, logo o argumento do génio maligno é anulado, confirmando assim a existência das crenças a priori, que por sua vez permitem confirmar inúmeras mais crenças, desde que sejam feitas através do raciocínio.
Descartes distingue três tipos de ideias:
Ideias inatas: vêm da razão, nascem connosco.
Ideias adventícias: vêm da experiência, fornecidas pelos sentidos.
Ideias factícias: vêm da imaginação, são forjadas.
Descartes é um racionalista, acredita que a razão é a fonte principal do conhecimento, logo afirma que as ideias inatas são as mais claras e distintas(«inatismo»). Não nega a importância da experiência, no entanto considera-as menos rigorosas, e que para descobrirmos a verdade devemos confiar na razão.
Objeções a Descartes
Críticos acusam Descartes de incoerência. O argumento do génio maligno, ao mesmo tempo que pode-lhe fazer acreditar que 2+2=4 mesmo que não fosse, também pode fazer-lhe acreditar num Deus todo bom e perfeito. Também acusam a sua lógica de ser circular(«círculo cartesiano»), pois a ideia de Deus é verdadeira por ser clara e distinta, no entanto é Deus que garante a veracidade das ideias claras e distintas.
Empiristas criticam o «inatismo» de Descartes, argumentando que as crianças e alguns adultos não têm ideias inatas como a matemática, têm de as desenvolver, logo não são inatas.
O empirismo e ceticismo moderado de David Hume
David Hume era um empirista, acredita que a fonte principal do conhecimento é a experiência. Esta experiência cria perceções na nossa mente, e Hume distingue dois tipos:
Impressões: derivam dos sentidos pela experiência imediata.
Ideias: derivam das impressões, menos fortes e vívidas, uma memória.
Ambas podem ser simples ou complexas(compostas por várias perceções).
Hume considera que as ideias são apenas cópias das impressões. Sem a impressão de algo, não podemos formar uma ideia. Logo, a experiência é necessária para termos ideias.
Para Hume, tudo o que podemos conhecer ou descobrir está divido em dois grupos:
Relações de ideias: refere-se a afirmações que podem ser confirmadas através da associação de ideias, ou analisando conceitos, sendo a priori, pois não precisa da experiência direta(no entanto as ideias que estão a ser usadas precisam da experiência).
Questões de facto: refere-se a afirmações que só podem ser descobertas a posteriori. caracterizam-se pela probabilidade, não pela certeza.
A causalidade é um elemento fundamental para conhecer o mundo. Hume chama a conexão entre um evento A, a causa, que provoca um evento B, o efeito, de «conexão necessária». Hume afirma que é apenas através da experiência que podemos fazer estas inferências causais, no entanto não conseguimos ver realmente se existe de facto uma conexão entre os dois, apenas observamos a repetição da causa e do efeito(«conjunção constante») e assim criamos um hábito de que se irá repetir.
Durante as nossas vidas fazemos vários raciocínios indutivos, que partem da experiência, mas vão além dessa. Tornamos alguns exemplos do presente/passado, e transformamos-os em generalizações. Estes «saltos» baseiam-se no princípio da uniformidade da Natureza, a ideia de que a Natureza é regular e não irá mudar de forma arbitrária. No entanto, esta ideia é uma questão de facto, logo não é uma verdade necessária. Não conseguimos justificar a indução.
Ambas estas conclusões são céticas, David Hume declara-se um cético moderado. Nega a existência de muitos conhecimentos, mas não todos, a experiência imediata marca o fim do conhecimento.
Outra razão para ele não se declarar um cético radical é o facto de ele não rejeitar que devemos deixar de fazer induções ou relações causais. Devemos ter humildade e aceitar que não temos muito conhecimento, mas não devemos deixar que isso afete as nossas vidas.
Objeções ao Empirismo de David Hume
David Hume afirma que conhecimentos como a matemática são relações de ideias, logo não são substanciais. No entanto, quando fazemos contas matemáticas tipo «224 + 37 = 261», isso é dizer algo novo, pois «261» não está incluído nos conceitos de «224» e «37». Além disso os conhecimentos matemáticos também por vezes aplicam-se ao mundo no dia a dia, comprovando que são substanciais.
Outra crítica refere-se a duas consequências da sua conceção de causalidade de que «causalidade = conjunção constante». Se esse é o caso, então o dia seria a causa da noite, e vice versa, pois existe uma óbvia conjunção constante entre os dois. Além disso temos o caso da criação do universo, que só aconteceu uma vez, ou seja, houve uma causalidade(big bang -> universo), mas não houve uma conjunção *constante*.
Filosofia das Ciências
A filosofia das ciências estuda problemas relacionados com a atividade científica, nomeadamente o problema da demarcação e do método, e o problema da evolução e objetividade da ciência. Estes problemas são relevantes pois explicam por que deveríamos acreditar na ciência, mesmo que ao longo da história ela esteve errada.
Filosofia das Ciências — O problema da demarcação e do método
O problema da demarcação pretende encontrar um «critério de cientificidade» que define quando algo é ciência e quando algo é pseudociência.
O problema do método pretende encontrar a que métodos ou raciocínios os cientistas se baseia a atividade científica.
Problema da Demarcação — O Positivismo Lógico
Os filósofos positivistas apresentaram dois critérios:
Verificação: Uma teoria só é científica quando é constituída por afirmações empiricamente verificadas(critério da verificabilidade).
Confirmação: Uma teoria é científica se for empiricamente confirmável, ao acumular-se suficientes evidências empíricas para formar uma hipótese.
O primeiro foi criticado por não permitir a existência de proposições universais, pois é impossível verificar todos os casos. O segundo foi criticado por não haver uma demarcação clara sobre quais são os indícios empíricos relevantes, ou quantos são necessários para uma hipótese.
Problema da Demarcação — A Falsificabilidade de Popper
De acordo com Popper, a distinção entre as teorias científicas e não-científicas é a falsificabilidade, a capacidade de uma teoria ser falsificada, pois pseudociências como a Astrologia não podem ser submetidas a testes empíricos, utilizam linguagem vaga e interpretam qualquer dado como confirmação.
Popper acredita que cientistas devem realizar teorias claras onde estipulem em que condições poderiam ser falsificadas, e depois realizar testes. Quando uma teoria falha um teste, é substituída por uma que corrija os erros anteriores. Quando passa o teste, é corroborada, no entanto é apenas temporário, pois pode vir a falhar um teste futuro, nunca podemos afirmar uma teoria como totalmente verdadeira.
Para Popper, uma teoria é mais interessante para a ciência o quão mais falsificável for, ou seja, o quão mais ousada ou abrangente.
A falsificabilidade é também apenas uma condição necessária, não suficiente, para ser uma teoria científica. Além da falsificabilidade, também tem que ter capacidade explicativa, fornecer respostas a algum problema complexo.
Problema do Método — A perspectiva Indutivista
De acordo com o indutivismo, o método científico baseia-se na indução, que segue quatro etapas:
Observação: Observa-se e regista-se os factos de forma imparcial e rigorosa.
Hipótese: Elabora-se uma hipótese através duma generalização de forma a explicar o que foi observado.
Experimentação: Com base na hipótese elaborada, realizam-se testes.
Lei Científica: Caso a hipótese tenha sido confirmada, formula-se uma lei científica fruto duma generalização.
Objeções à perspectiva Indutivista
Críticos acusam a observação de nunca poder ser verdadeiramente imparcial. Quando alguém observa algo, ela fá-lo devido a algum interesse, expectativa, ou conhecimento já adquirido que orienta a observação. Por exemplo, se um geólogo observar uma rocha, irá dar atenção às suas camadas, enquanto um químico irá dar atenção à sua composição.
Problema do Método — A perspectiva Falsificacionista de Popper
Popper defende a utilização do «método crítico» ou «método das conjeturas e refutações», realizado através de três etapas:
Problema: Coloca-se uma pergunta a qual pretendemos responder.
Conjetura: Formula-se uma hipótese a essa pergunta, preferencialmente com grande conteúdo empírico e capacidade de testa-la.
Teste: Submete-se a hipótese a testes na tentativa de refutá-la. Se falhar os testes, será substituída por outra que corrija os erros, se passar os testes será corroborada, mas não deixará de ser uma hipótese pois pode ainda falhar testes futuros.
De acordo com Popper, cientistas devem manter uma atitude crítica face às suas teorias e às dos outros. Devem submete-las a testes e participar em discussões críticas com os seus pares.
Objeções à perspectiva Falsificacionista
Um crítico afirmou que a distinção entre ciência e pseudociência devia levar em conta o contexto histórico e social da comunidade, não só características suficientes e necessárias. Diz que faz parte da pseudociência características como a desatenção aos factos empíricos, o desinteresse por teorias alternativas, e a ausência de progresso.
Outras críticas são sobre o facto de que a descrição de Popper não está de acordo com a realidade, é apenas a forma como Popper preferia que a ciência fosse. Na realidade quando uma teoria é falsificada, o cientista põe em causa as condições da observação, e não a teoria em si. Resiste à refutação.
Filosofia das Ciências — Os problemas da evolução e objetividade da ciência
Como evolui a ciência? E será a ciência objetiva?
A perspectiva Falsificacionista de Popper
Popper compara o desenvolvimento da ciência à teoria da evolução de Darwin. Teorias falsificadas são substituídas por novas teorias com melhores explicações. Estes testes nunca provam a verdade total das teorias, pois podem ainda ser falsificadas no futuro. A verdade é um ideal que deve orientar a prática dos cientistas, a eliminação dos erros através da falsificação leva ao progresso científico. De acordo com a perspectiva de Popper, o progresso científico é cumulativo.
Popper também acredita que a ciência é um conhecimento objetivo pois é independente de interesses ou opiniões pessoais. Mesmo que alguns cientistas deixem-se influenciar por fatores externos, acabarão por ser descobertos e corrigidos por outros cientistas.
Objeções à perspectiva Falsificacionista de Popper
A ciência desenvolve-se através da eliminação de teorias erradas, no entanto as novas teorias são sempre apenas conjeturas, nunca garantimos a verdade. Por isso alguns críticos afirmam que não teríamos motivos racionais para acreditar na ciência.
A perspectiva Historicista de Kuhn
Thomas Kuhn apresenta uma perspectiva historicista do desenvolvimento da ciência, dando importância à comunidade científica, que orientam o seu trabalho em torno de um «paradigma»(modelo a seguir numa dada área científica). O desenvolvimento da ciência acontece segundo uma série de etapas:
Pre-Ciência: Refere-se ao período antes da existência duma comunidade científica orientada por um determinado paradigma.
Ciência Normal: Constitui a maior parte do tempo da comunidade científica, que resolve enigmas e puzzles em torno de um determinado paradigma. Não têm como objetivo produzir novas teorias, apenas tentam explicar o máximo possível com o paradigma atual, tomando uma atitude conservadora. Apenas aqui existe progresso cumulativo.
Anomalias: Ao longo da ciência normal irão aparecer fenómenos que o atual paradigma não consegue responder, chamados anomalias. Normalmente são ignorados, assumindo que seja algum erro de observação. Mas ao longo do tempo irão acumulando-se anomalias, diminuindo a confiança no atual paradigma.
Crise: Após suficientes anomalias, a credibilidade do paradigma cai, começando um período de crise.
Ciência Extraordinária: Período de crise onde o paradigma atual é debatido e contestado. Caso o problema seja resolvido e o paradigma reajuste-se, regressa-se à ciência normal.
Revolução Científica: O paradigma anterior não consegue resolver os seus problemas, e aparece um novo paradigma que é aceite pela comunidade científica, iniciando um novo período de ciência normal. Envolve uma descontinuidade radical com o paradigma anterior, não consiste em um progresso cumulativo.
A adoção dum novo paradigma envolve uma reeducação da comunidade científica, que Kuhn chama de conversão, comparando a um ato de fé. Cada cientista pode converter devido a uma série de fatores subjetivos, mas também existem alguns fatores objetivos como a exatidão, a consistência, o alcance, a simplicidade, e a fecundidade do novo paradigma.
Kuhn descreve os paradigmas como «incomensuráveis». Como não têm nenhuma base comum, ele afirma que não são comparáveis, logo não podemos afirmar que houve qualquer progresso científico entre os dois. Apenas há progresso cumulativo durante os períodos de ciência normal, não entre paradigmas.
Objeções à perspectiva Historicista de Kuhn
A ideia de os paradigmas serem incomensuráveis é implausível, pois frequentemente podemos observar que o novo paradigma resolve vários problemas do paradigma anterior, ampliando o conhecimento.
Kuhn também alega que durante a ciência normal os cientistas adotam uma atitude conservadora e acrítica, no entanto muitas vezes existem ideias inovadoras e descobertas feitas durante esses períodos.
Filosofia da Arte
A arte refere-se a uma variedade de coisas muito diferentes, como música, pintura, ou escultura. Uma boa definição de arte deve definir as condições necessárias e suficientes para algo ser arte. Existem dois tipos de teorias de arte:
Teorias Essencialistas: Aceitam que a arte têm uma essência, tentam definir a arte através de características intrínsecas a ela.
Teorias Não-Essencialistas: Rejeitam que a arte têm uma essência, tentam definir a arte através de características exteriores, como o contexto social que envolve as obras.
A Teoria Representacional
Esta teoria é a mais antiga e costumava ser aceite pela maioria. Está dividida em duas vertentes:
Imitação: A arte tenta ser uma imitação fiel da realidade. O quão mais realista for, melhor é a arte e o artista.
Representação: Não precisa ser rigorosamente igual à realidade, inclui coisas mais abrangentes como simbolismo.
Objeções à Teoria Representacional
Não apresenta uma condição suficiente para ser arte, pois há várias coisas que representam a realidade(como sinais de trânsito) mas não são arte. Também não apresenta uma condição necessária pois existem vários contra-exemplos(como obras abstratas geométricas).
A Teoria Expressivista
De acordo com Collingwood, algo é arte se e só se foi produzida por alguém com o intuito de exprimir as suas emoções individuais, e de modo a clarificá-las.
Collingwood faz a distinção entre a arte autêntica e o ofício. Enquanto a pessoa que desempenha o ofício tem uma ideia clara do que está a fazer, o artista não, apenas usa a arte como modo de clarificar as suas emoções, mas não as conhece. Também exclui o entretenimento como arte, pois este foi feito com emoções previamente definidas pelo criador. A arte promove o autoconhecimento, serve apenas para expressar e clarificar as emoções do autor.
Objeções à Teoria Expressivista
A clarificação de emoções não pode ser condição necessária da arte, pois existem várias obras, até de entretenimento, que são consideradas arte(como as peças de Shakespeare, ou obras de Mozart e Miguel Ângelo que foram encomendadas) e nenhuma delas clarificam as suas emoções.
Muitas vezes também não sabemos os sentimentos do autor, mas mesmo assim apreciamos as suas obras de arte, provando que a clarificação de emoções não é relevante.
A Teoria Formalista
Segundo Bell, a essência da arte é uma característica que ele chama de «forma significante», que provoca uma emoção chamada «emoção estética». Esta forma significante é a relação entre as partes duma obra, independentemente de que tipo seja ou de função. Não é preciso representar algo para ser arte, apenas precisa de ter forma significante.
Para sentir a emoção estética, Bell considera que é preciso ter sensibilidade estética, que é estimulada pela experiência e educação.
Bell também exclui aquilo que ele chama de «pintura descritiva» de serem arte. São obras sentimentalistas, que utilizam a forma apenas para sugerir emoções, não despertando emoção estética.
Objeções à Teoria Formalista
Bell dá exemplos de obras que não considera arte por não terem forma significante, mesmo sendo geralmente aceitadas como arte até por instituições artísticas, fazendo com que seja implausivel que a forma significante seja condição necessária.
Além disso, a forma significante é definida por suscitar uma emoção estética, e a emoção estética é definida por ser resultado da forma significante. Esta lógica é circular.
A Teoria Institucional
Segundo Dickie, a arte deve ser definida através de características exteriores, nomeadamente o contexto institucional. Algo é arte se e só se for um «artefacto»(inclui qualquer coisa criada por uma pessoa ou pela natureza que seja escolhida por um artista) e se for considerado arte por alguém que faça parte do mundo da arte(também inclui o público, não só artistas).
Objeções à Teoria Institucional
A teoria institucional não leva em conta situações em que o autor duma obra não esteja no mundo da arte. Se uma obra de arte for criada, mas nunca for vista por ninguém, nunca será arte, mesmo sendo exatamente a mesma obra.
Além disso a definição do mundo da arte é vaga.
A Teoria Histórica
Levinson, fortemente influenciado pela teoria institucional, observou que todas as obras de arte tinham uma característica em comum, o seu caráter histórico. Todas as obras de arte relacionavam-se de modo intencional às anteriores. Algo é arte se e só se o seu autor pretende que seja encarado como arte da mesma forma que outras obras anteriores foram.
Outro aspeto é a propriedade. Levinson não considera legítimo alguém declarar arte a algo que não é deles.
Objeções à Teoria Histórica
por alguma razão, Levinson decidiu que propriedade sobre a obra é importante. usando o exemplo q tinha no meu manual à uns anos: se descobríssemos que as tintas que Leonardo DaVinci usava foram roubadas, a Mona Lisa deixaria de ser uma obra de arte???
Agora para uma objeção mais legítima e relevante à teoria: Algo é arte se pretende ser encarado como arte da mesma forma que obras anteriores foram. No entanto, se continuarmos com essa lógica, chegaremos à primeira obra de arte. Como explicamos o facto dessa obra ser arte?
A perspectiva Cética
Segundo alguns filósofos, a dificuldade em definir a arte é culpa da própria complexidade da arte. Em geral os artistas valorizam a liberdade e a criatividade, levando a um contínuo alargamento da arte. Por isso, defendem que a arte é um conceito aberto sem limites, e tentar encontrar uma definição seria limitar a liberdade artística.
Filosofia da Religião
A filosofia da religião pretende resolver o problema da existência de Deus. Tanto os filósofos crentes como os filósofos não crentes pretendem discutir racionalmente, sem apelos à fé.
Existem e existiram várias religiões no mundo com conceções diferentes em relação a Deus ou Divindades. Politeístas, que acreditam em vários Deuses, e monoteístas, que acreditam em um único Deus.
Dentro do monoteísmo existe o teísmo, onde Deus criou e intervém no universo, e o deísmo, onde Deus criou o universo mas não intervém.
O Argumento Cosmológico
Tomás de Aquino tenta provar a existência de Deus através de algo empírico: a existência de coisas. As coisas do universo são designadas de «seres sensíveis»(podem ser captados através dos sentidos).
Todos os seres sensíveis têm causas anteriores, um ser sensível não pode ser a sua própria causa, não pode haver uma cadeia infinita de causas, logo deve haver uma causa primeira, e essa causa primeira não pode ser um ser sensível, terá de ser supernatural, ou seja, Deus.
Objeções ao Argumento Cosmológico
Deus ser um ser supernatural não explica o porquê de não precisar de uma causa anterior. Não pode ter criado a si mesmo, e se teve um criador então voltamos à regressão infinita de causas.
Mesmo que haja uma primeira causa, não significa que seja o Deus teísta necessariamente, apenas algo super poderoso.
O Argumento Teleológico
«Teleológico» refere-se a uma coisa com um objetivo/finalidade, feito com desígnio. Tomás de Aquino pressupõe que tal também aplica-se às coisas naturais. Assim, todas as coisas atuam para um determinado fim devido a um desígnio, e não ao acaso. Ou seja, foram criadas por um ser todo poderoso, Deus.
Objeções ao Argumento Teleológico
Outra vez, mesmo que seja correto, não implica a existência do Deus teísta. Além disso, existem muitas imperfeições no universo, o que significaria que Deus, um ser supostamente perfeito, cometeu erros.
E a teoria da evolução de Darwin explica a existência e desenvolvimento das coisas naturais.
O Argumento Ontológico
Deus é o ser mais perfeito concebível. Isto é uma ideia que temos no pensamento, mas segundo Anselmo de Cantuária, existe no pensamento e na realidade por necessidade. Se Deus, sendo o ser mais perfeito, não existir, então podemos pensar num ser ainda mais perfeito que exista, logo tem de existir.
Objeções ao Argumento Ontológico
É possível que não exista um ser mais perfeito que seja possível de pensar, do mesmo modo que não existe nenhum numero maior do que os outros.
Esta lógica também permite «provar» coisas absurdas. Por exemplo, podemos imaginar numa ilha paradisíaca mais perfeita possível, e, seguindo a mesma lógica do argumento ontológico, se ela não existir, podemos imaginar uma ainda mais perfeita que de facto exista, logo tem de existir.
O problema do mal
A existência do mal põe em causa a existência de um Deus omnipotente, omnisciente, e totalmente bom. Se Deus é omnipotente, então pode acabar com o mal. Se Deus é totalmente bom, então ele quer acabar com o mal. No entanto, o mal existe, ou seja, ou Deus não é totalmente poderoso(o que faria com que não fosse um Deus), ou Deus não é totalmente bom(o que faria com se fosse um Demónio), ou Deus não existe.
Respostas ao problema do mal
Muitos filósofos negam a existência de males sem sentido, acreditando que Deus tem boas razões para o permitir, e tentam procurar uma explicação para tal, chamada de «teodiceia».
O mundo perfeito: Deus criou o mundo mais perfeito que consegue. Se esse mundo tem males, então não são sem sentido, pois vivemos no melhor mundo possível.
Defesa do livre-arbítrio: Temos a liberdade de fazer o bem e o mal. Se fossemos proibidos de fazer mal, não seriamos verdadeiramente livres.(não explica o mal natural)
Edificação de caráter: O mal serve para desenvolver caráter. Sem males não haveriam oportunidades para mostrar compaixão ou generosidade.(existe muito mais mal do que o necessário)
Não sabemos o suficiente: Somos seres cognitivamente limitados, não sabemos o suficiente para determinar se um mal é justificado ou não.(incoerente. se não sabemos o suficiente para determinar que o mal é injustificado, também não sabemos o suficiente para sequer falar sobre Deus)
A Aposta de Pascal
A aposta de Pascal é a resposta pragmática à existência de Deus.
Pascal determinou que a razão humana não é capaz de determinar se Deus de facto existe ou não, é limitada, por isso este assunto deve ser deixado à fé(«fideísmo»).
No entanto, a razão humana pode provar que faz mais sentido acreditar do que não.
Se alguém apostar na existência de Deus, e ele não existir, não acontecerá nada, e se ele existir receberá vida eterna. Por outro lado, se alguém apostar que Deus não existe, se ele de facto não existir não acontece nada, mas se existir será destinada para o inferno. Por isso, faz mais sentido acreditar em Deus(também é preciso participar em cerimónias religiosas).
Objeções à Aposta de Pascal
Mesmo que um ateu ou agnóstico aceite a aposta de Pascal, não conseguirá desenvolver uma crença genuína em Deus, pois isso não é fruto duma decisão, simplesmente acontece.
Além disso é uma atitude interesseira e pouco sincera, por que razão Deus iria ficar agradado por tal atitude?