#VidaExtraAnalisa - Fran Bow
Nos últimos anos tem acontecido o que podemos chamar de a era de ouro dos jogos independentes. Entre eles, um foi o escolhido como minha primeira postagem: Fran Bow. Antes de qualquer coisa sobre sua jogabilidade ou qualquer outro de seus pontos a serem analisados, irei começar falando um pouco sobre a história (Sem spoilers é claro).
Posso definir a história como uma fábula sobre o trauma de Fran Bow, a dor da perda e seu amor por seu gato: mr. Midnight, que faz com que Fran supere o desconhecido e vá atrás de seu amigo. A cena inicial mostra a ligação entre os dois e como viviam antes de tudo acontecer: a morte de seus pais, em circunstâncias não reveladas até os momentos finais do jogo. Logo em seguida, Fran está em uma casa de recuperação com várias outras crianças, e é aí que o jogo se inicia de fato. Desde o primeiro instante o jogador se sente na pele de Fran: vivendo o desconhecido, sem compreender o que a trouxe até ali. Ao mesmo tempo que a trama se desenrola, mais interrogações surgem na cabeça da protagonista (E de todos os que se aventuram no jogo).
Toda a direção de arte cria uma atmosfera que remete a nossa infância. Cada detalhe dos cenários, o modo que foram construídos, o estilo da arte que parece ter sido desenhada a mao. O mesmo pode se dizer da trilha sonora, sutil… mas sempre presente. Não há dúvida que os desenvolvedores tem amor pelo que fazem.
Ao mesmo tempo que cria esta atmosfera infantil, explora-se o gênero do horror. Um horror que se assemelha as obras de Lovecraft, Stephen King e Edgar Alan Poe, que vai crescendo aos poucos até chegar a um ponto terrivelmente assustador. Há também elementos de investigação. A jogabilidade usa mecânicas dos jogos point and click e é muito influenciado pelos clássicos, a exemplo de Full Throttle, Grim Fandango, Monkey Island, e tantos outros antigos ou modernos. Nesse sentido, lembra também o primeiro jogo da saga Residente Evil, que muito mais que apenas um jogo de terror, era um thriller investigativo, em que você precisa ir e vir muitas vezes e resolver puzzles para avançar na história. E todos eles são muito inteligentes e recompensadores, envolvendo realidades paralelas (Ou ultra realidades como são referidas no jogo), manipulação das estações do tempo e por aí vai.
Pois bem, mas por que Fran Bow é um jogo que vale a pena? Bem.. posso dizer que de todas as vezes que me aventurei em um jogo de gênero, poucas vezes senti esse tipo de atmosfera, não só em um jogo… Mas também em filmes ou livros. É certamente um dos jogos independentes que mais gostei. Talvez o principal deles, por sua originalidade e simplicidade. Uma verdadeira obra de arte que poucos tiveram a oportunidade de jogar… Mas um clássico para mim que tive a oportunidade de conhecê-lo.