Alinhamento Planetário
Não sou terráqueo, não sou normal e muito menos humano no sentido da palavra. Derivo da fração que é a arte. Residente no espaço que paira em meio à gravidade, em sua obesidade a colidir com asteroides e traçar o curso desta galáxia. Tudo aqui parece ser feito para ti enquanto direcionam-se para o vulcão solar. Os franzinos-sóis juntamente dos obesos astros num (des) alinhamento, com causa maior e por você contemplam tua beleza que chega a anos luz.
Eis que eles se pronunciam de uma forma pitoresca, de uma forma individual expressando teus efeitos sob a atmosfera.
Mercúrio é onde a arte toma fôlego e a extensão cinza muda para um tom abóbora sem tempero.
Vênus, uma fração mostarda-avermelhada que parece explodir e mimetizar o sol. Como se a atmosfera fosse proposital para chamar a tua atenção, numa espécie de cortejo que permanece pelas eras.
Terra, um conglomerado azul e marrom que se esconde em densas porções de chantilly. Brilha com um azul precioso e audaz para refletir tua proporção. Pois, a Terra e as estrelas nasceram para ti.
Marte, a parte da astronomia que completa a alma. Com um rubor tão vivo, pois tuas cavernas negras penetram deixando hematomas de vergonha. Então, essa atmosfera que nos leva a uma dimensão quase particular na ausência de água, pois tu fizeste toda umidez evaporar.
Júpiter, um planeta que de tão grande e curioso sai do eixo solar para te observar assim tão nua e tímida com esse sorriso bobo. “Eu amei as estrelas tão afetuosamente que é impossível ter medo da noite. E cada parcela pequenina e brilhante é de certa forma um traço de ti”.
Saturno, mesmo com 5 sentidos (anéis solares) para examinar teus rastros em torno da galáxia, tão vão que implode em ventos fortes, das cores marmóreas ao ouro. Ainda sim, com auroras e atrações mil nada é suficiente para presentear você que de tão esquiva, prefere fazer shopping no sol.
Urano, arado o pó das estrelas e direcionado, tu sopras sobre a atmosfera que se mistura com o vento e dança num carnaval gélido e azulante que expulsa gotículas d’água. Reluzindo lentamente num modesto brilho gelo e nuvens esparsas.
Netuno, navegar num oceano azul, o qual tão carmesim quando encontra a luz, além do sol num banho oeste de estrelas desconhecidas. Rompendo o vácuo estelar para conquistar tua atenção.
Plutão, um planeta verme-nanico que por não respirar oxigênio acompanha uma tristeza solene vestida de prata. Por não ter tua presença, então excluído e vitimizado com tanto amor resguardado. Mas com certeza, há algo em algum lugar incrível esperando para ser exibido.
E eu um mero mortal em traje. Visualizando você… A minha lua. Emitindo sinais fracos que não perpassam o que realmente reside no peito. Projeto de foguete rompendo a ionosfera para na tua extensão derivar como um lixo espacial, a rodear na tua orbita, rompendo a velocidade da luz e até o vácuo. Mas sem sucesso de aterrissar sobre ti, os teus cílios negros e os teus sons que me guiam, porém não saciam o que somente teus beijos fariam. Sem ar antes da hora como o teu afago, ou sem forças suficientes para não soltar a mão tua. Então, eu só posso observar você desalinhar da minha orbita e partir cravando um sentimento em mim.
-GREGO










