Há milhas e milhas daqui.
Até que ponto as Redes Sociais nos ajudam a nos relacionarmos? Estamos sofrendo de um paradoxo? Nos distanciando e nos isolando em uma ilha, há milhas e milhas daqui, como dizia Engenheiros do Hawaii? Uma coisa é fato: elas alteraram totalmente o nosso modo de viver. Ganhamos a velocidade da informação e da mobilização coletiva, porém, estamos perdendo o senso do individual e da nossa "persona" que está ficando coisificada, distante, irrelevante. Não estamos melhorando, viramos números, discursos - como esse que estou escrevendo - todos estão certos, ninguém quer mais parecer errado, não podemos ser "humilhados" pelo simples motivo de que quase sempre a nossa opinião não está batendo com a do nosso próximo, queremos manter a nossa "imagem" de vida perfeita virtual só para mantermos a opinião de que somente nós estamos certos. Com efeito, nos fechamos em nós mesmos, olhando cada vez mais para o nosso umbigo, em troca de curtidas, um mero alimento do nosso ego, tão pobre de carinho e atenção que se sente feliz por ser aceito virtualmente, mas que ignora pessoas, às vezes não as responde, porque afinal de contas nossas vidas são tão corridas que não há tempos para gentilezas; e quando as respondemos geralmente estamos na companhia de nossos amigos em um bar, igreja, cinema, shopping, com os olhos grudados no celular, absortos nesse mundo perfeito, conversando pouco e nem sequer mais lembramos da cor dos seus olhos. Há quanto tempo você não olha dentro do olho de alguém? A ponto de enxergar a alma, ver a verdade, a alegria ou sentir que deve confortar alguém. Tudo ficou tão rápido, né? Não ligamos uns para os outros, temos o WhatsApp e podemos falar com qualquer pessoa que quisermos, é fácil, mas não falamos. Dificilmente vamos na casa uns dos outros, porque graças ao Facebook e ao Instagram as novidades não são tão novas assim e as fotos daquele lindo casamento já são antigas em comparação com as lindas "selfies" que foram tiradas. As vezes é bom sentir saudade, é bom sumir e quando voltar, encontrar aquela expressão de "nossa, que bom que está aqui". As vezes saio com os antigos amigos e é bom, porque sentimos que só a nossa cia basta, não importa o resto, importa o que se está vivendo de verdade. É esse o ponto que deixo para vocês, pois chego a outro paradoxo curioso: nos encontramos tentando nos perder e nos perdemos tentando nos achar. Boa noite!










