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@walker-and-prudent
i miss you friend
I miss you too, El.
Nos somos amigos á tanto tempo e fazemos muitas coisas juntos acho que é por isso. Povo é tão malicioso que não acredita na amizade verdadeira. Eliot é um amor de pessoa e um rapaz muito especial, diferente de grande parte das pessoas que tenho de lidar... espero mesmo manter isso, é, Eliot é tipo meu melhor amigo... acho. Não que fosse ruim ser namorada dele... ai vou me calar.
So we'll come, we will find our way home - @Smilker/Prudice
Ele fez um aceno de cabeça, concordando com ela. – Relacionamentos humanos são complicados porque os humanos são muito complicados. – fez uma careta, apertando os olhos e colocando a língua para fora. Levantou-se com a ajuda de Prudence e passou as mãos pela calça para limpá-la. Olhou para o cavalo que o derrubara. – Ah quer saber, acho que não é uma boa ideia cavalgar… – voltou seu olhar para a loirinha. – Nem te perguntei sobre os demônios. Como tem sido? Eles estão por toda a parte, nos lugares que menos se espera, isso chega a ser um pé no saco.
Deu o braço para a amiga, para ela encaixar sua mão lá e andarem juntos. Como se ela que estivesse mancando. – Poderíamos fazer compras, sabe, seria divertido. Quero dizer, sempre quis ver garotas no shopping porque deve ser engraçado, você sabe. – sorriu, imaginando-se com Prudence em um shopping com várias meninas da Constance experimentando sapatos e roupas e essas coisas que meninas compram tanto. Provavelmente, acabaria fazendo alguma gracinha e a loura daria muita risada dele - Mas agora é melhor comermos… Cavalgar e esse papo de humanos e demônios me deram fome. – deu uma risadinha. Estavam se aproximando da cantina e só então ele percebeu o quão faminto estava. Talvez fosse o tombo ou a adrenalina do esporte em si, mas seu estômago estava roncando. – A comida daqui é boa, não é? Digo, tem um cardápio amplo? Eles não vão servir a gente com, sei lá, comidas comuns entre cavalos e humanos… ou vão?
Nancy Walker não era a pessoa mais sociável do Upper East Side. Na verdade, a loirinha conseguia ser bem arisca de vez em quando, talvez isso fora um ponto forte para sua escolha como hospedeira, afinal Prudence era uma criatura cuidadosa, e cuidado era o que aquela menina poderia lhe proporcionar por detrás de seus muros de proteção e seu comportamento arredio. Entretanto Nancy era uma pessoa doce com poucos e bastante agradável, o que era bom pois o anjo sentia necessidade de ter algum amigo afinal ninguém fica bem sozinho. E Justice era uma boa companhia. A loira sentia-se bem naquela conversa e o senso de humor do rapaz colaborava para aquela situação. - E também são muito cabeça duras! - Completou a sentença sobre humanos, era fato que sua teimosia parecia infindável e aquilo as vezes enchia o saco, no entanto cabia á si o uso de sua paciência divina para manter-se ali no meio daquelas pessoas. - Eles adotaram as mesmas táticas que nós... digo, quase todas. Afinal eles jogam sujo não é mesmo? - Completou num tom de voz preocupado e reflexivo, sabia o quão aquilo poderia ser incomodo, afinal não estariam ali se não tivessem as outras forças tentando pender a humanidade para o lado obscuro. Quando por fim começaram a andar, o moreno estendeu o braço que logo Nancy aceitara. - Ouí, mon cheri! - Sorriu para o rapaz enquanto começavam a caminhar. Não demorou para perceber que o menino usara do artifício para caminhar com a ajuda da loira que observava o horizonte ao longe antes de voltar o olhar para o amigo pensativa. - Você tem pique para isso mesmo? - Perguntou estreitando o olhar, normalmente garotos não costumavam fazer compras, mas imaginou que seria divertido se o fizesse com a ajuda de Elric. Algo lhe dizia que seria divertido lidar com o humor de Justice naqueles momentos. Para o anjo aquilo era assustador, aquelas meninas correndo atrás de bolsas e sapatos, no entanto a menina lidava com aquilo muito bem no final das contas. - Vamos comer, até porque cavalgamos bastante! - Assentiu positivamente com a cabeça brincando com o moreno enquanto que prosseguiam no trajeto e Nancy refletiu sobre o que serviam na lanchonete. - Aqui tem uns croassants muito gostosos... mas tem ração também. O cardápio é bem abrangente! - Meneou a cabeça para o lado quando por fim chegaram próximo á lanchonete que estava parcialmente vazia, enquanto que próximo á janela a menina indicava uma mesa. - Vamos nos sentar ali? Tem uma vista legal! - Completou enquanto se espremiam entre as mesas até aquela extremidade da sala.
Conspiracy theory, better keep it down cause the walls are thin - Nancholas [Theory]
Arte lhe interessava. Interessava porque era cheia de emoção, porque era um retrato da vida. Talvez não tão fielmente, talvez realístico demais para o conceito que abordava. O que lhe incentivou a visitar o museu foi a exposição de arte abstrata, pois admirava o modo como uma figura abria portas para variados significados. Tantos que, de vez em quando, se perguntava se cada uma das sete bilhões de pessoal que andam por esse chão tinham uma interpretação diferente. Tanto que, naquele momento, se perguntou se o humano que uma vez ocupara esse corpo do qual ele estava se aproveitando tinha uma interpretação diferente.
Picasso possuía uma obra maravilhosa, claro, porém admirava mais o trabalho de Miró. Possuía um quadro do mesmo em seu quarto, os gostos de sua alma coincidindo com a decoração que o humano possuía em seu apartamento quarto e sala. Esse quadro era o La Lune Verte, que ele tanto amava. Sempre imaginava a mãe andando com seu filho na praça, o dono passeando seu cachorro, o poste de luz uma mera pincelada em meio à luz da lua. Os pintores modernistas espanhóis eram os que ele mais amava, e poder ver uma obra original de Picasso e Miró na parede lhe tirava o ar.
Bom, de Miró. Pois quando chegou a hora de contemplar a pintura de Pablo, uma multidão poluiu sua visão. Atravessou o emaranhado de gente, só para encontrar uma parede suja. Suja de uma tinta vermelha ácida, que ainda escorria pela superfície, formando palavras desconexas e borradas. Ele tomou seu tempo até perceber do que se tratava o trecho. E no chão envolta da “pintura”, panfletos amassados e pintados da mesma tinta. This way a good soul never passes…
A frase não fez sentido em sua cabeça, porém tocou-lhe de maneira que não compreendeu o que doía tanto em seu peito. Curvou os dedos na blusa, o cenho franzido, o tecido preso entre suas juntas. Largou o panfleto, olhando para trás ao ouvir uma voz indignadamente alta. Encontrou uma loira emburrada, confusa, aparentemente tão afetada quanto ele. Andou até ela, com medo que não saísse nada de sua garganta, nenhuma palavra em resposta a pergunta que ela emitira, porém que todos ali se perguntavam silenciosamente.
- É estranho e… medonho -
Seu dia estava soando deveras agradável. Nancy não tivera muitos imprevistos, lidara bem com os problemas e estava bem mais disposta do que em outras ocasiões. Até o momento o qual decidira ir até o museu. Estava tudo bem entretanto uma visão lhe tirara a remota calmaria de tal ocasião. Nancy não havia compreendido exatamente do que se tratava aquilo, apenas permaneceu á analisar aquele espaço onde deveria está exposta alguma obra no entanto tinha apenas a frase que lhe perturbara assim que pousara os olhos sobre a mesma. Ajeitou a bolsa no ombro direito enquanto mantinha a face curvada para um dos lados sem nem saber o porque o fazia, mas pegou-se a analisar a imagem por um tempo realmente considerável sem tampouco saber porque, talvez por algo assim não aparecer propriamente todo dia. Na verdade sabia o quão era eficiente o sistema de segurança do Metropolitan, de tal modo que câmeras e segurança eram notoriamente usadas, afinal ali estavam obras caríssimas e estimadas, até porque se alguém saísse com um Picasso por aí alguém saberia. Bem, talvez aquilo não tivesse haver com um roubo mas sim com um recado, afinal um ladrão teria colocado uma cópia no lugar caso conseguisse tirá-lo e não deixar uma frase pichada e vários papéis com algo que parecia ser um recado. Um comentário tirara a atenção da menina, que voltou o olhar para uma figura próxima á si, o rapaz parecia entender o que lhe afligia naquele momento. Assentiu positivamente com a cabeça a respeito do que o mesmo dissera. - É doentio. - Completou a menina antes de tornar a olhar para aquela cena. A mente de Prudence trabalhou inúmeras vezes mas aquilo era deveras estranho e peculiar. Ainda fitando a parede diante de si tornou a falar novamente. - Acha que isso é um tipo de recado? - Questionou agora em voz alta.
Lights will guide you home @Stalker
– Por favor. Tudo o que eu queria. – Assentiu, acompanhando-a para dentro da casa e seguindo-a até a tão conhecida sala de jantar. – Você nem precisava ter tentado me persuadir com a geleia de framboesa. Estou com tanta fome que seria capaz de comer um boi. – Comentou com exagero, simplesmente por força de expressão. Eliot desconfiava de que nem se estivesse literalmente morrendo de fome seria capaz de ingerir carne animal, já que era vegetariano desde os dezesseis anos. Apesar disso, não podia negar que realmente estava louco para enfiar alguma coisa sólida goela abaixo. Sentira-se tão nervoso antes de sair de casa que não conseguira tocar em nada na hora do café da manhã e agora, acompanhado de Nancy, tudo parecia ter ficado mais fácil. Era quase como se seu apetite tivesse voltado todo de uma só vez. – Sua mãe está em casa? Faz tanto tempo que não a vejo… Ela também deve estar muito brava comigo, não? – Sempre fora muito próximo da mãe da garota. Obviamente não como era com a própria Nancy, mas tinha o costume de chamar a mulher de “tia” e chegava a considerá-la uma segunda mãe. Suspirou. Tinha deixado tanta coisa para trás ao simplesmente… sumir.
– Espero que eu possa te contar tudo enquanto comemos. – Pediu, já puxando uma das várias cadeiras e deixando seu peso recair sobre ela. Talvez pudesse adiar o momento em que teria que confessar alguma coisa aparentemente sem sentido. Tinha mesmo algum motivo para ter ido embora? Naquele segundo, Eliot não fazia a mínima ideia. – Me desculpe por não ter te mandado um e-mail. Ou um adeus decente. – Agarrou um pão numa cestinha no centro da mesa, cortando-o pela metade com as mãos. Sem nem se dar ao trabalho de enchê-lo de geleia ou requeijão, levou-o a boca deliciando-se com o seu sabor. Parecia não comer há décadas; o nervosismo certamente deixava-o ainda mais faminto. – Tem um monte de coisas que eu preciso te contar. Ano passado, quando eu parti, meus pais estavam sendo acusados de lavagem de dinheiro e outras besteiras. – Começou a explicar com a voz baixa, alguns pedaços de massa mastigada voando de sua boca. – Eles brigavam o tempo todo. Era uma droga ter que ouvi-los gritar um com o outro… Simplesmente não pude aguentar. Então resolvi ir embora. – Perdeu mais alguns minutos explicando sua situação com detalhes, tentando achar um meio sensato de se desculpar por ter sido tão irresponsável. Não sabia se conseguia convencer Nancy, mas tinha certeza de que não convencia a si mesmo. Na época em que resolvera se internar na clínica, tudo pareciam muito além do adequado - na verdade, era necessário. Agora, no entanto, olhava para o seu próprio passado e enxergava a si mesmo como um adolescente mimado e louco por atenção. Não queria se sentir assim, mas era inevitável. – Eu estava perdido, Nancy. Cansado dessa porra de sociedade. Será que não passo de um hipócrita? – Guiou os olhos até a cesta de pães novamente, agarrando um dos pedaços que cortara e lambuzando-o de geleia roxa. Precisava de umas palavras reconfortantes, mas não esperava realmente que elas viessem da melhor amiga. Naquele caso, não tinha razão nenhuma.
Se Nancy fosse uma pessoa realmente má teria deixado Eliot ali ao relento por um tempo ou até nem descido as escadas. Ok, se fosse alguma pessoa que de fato não se importasse a idéia passaria do status de tentadora para um fato. Tampouco o convidaria para um desjejum matinal. Mas a verdade era que, ainda que aparentemente mostrasse uma raiva e mágoa com o rapaz ela estava feliz em reencontrar o velho amigo. Esse ano que Eliot estivera longe, Nancy não se recordava de uma ocasião que não sentiu a falta do rapaz. Desde as conversas despropositais até algum momento onde Eliot parecia uma fortaleza impenetrável até para a melhor amiga, afinal algumas respostas sempre lhes renderam silêncio, talvez apesar da imensa amizade não compartilhavam exatamente tudo, e sabia que teria de fazê-lo agora, porque um ano pode não fazer muita diferença, ou mudar totalmente o curso da própria história. Veja bem, fora exatamente na ausência de Eliot que Nancy Walker transcendera qualquer expectativa pré definida sobre si mesma. Já havia alguns meses que dividia o corpo - sim, não era a casa, a cama ou as roupas, era o corpo literalmente - com um novo hóspede. Agora além de Nancy Walker atendia por Prudence também, mas obviamente aquilo Eliot não poderia saber. Era fácil lembrar do tempo onde o rapaz aparecia na sua casa para comerem ou até estudarem, nesse caso era mais por vontade de Nancy do que do próprio Eliot, entretanto a menina sempre quis ajudá-lo a manter as rédeas. Por falar em rédeas também sentia saudades del levá-lo á hípica. Depois que o seu próprio gelo passasse o convidaria para ir lá, isso é se ele não desaparecesse novamente. - Mamãe saiu logo cedo. - Respondeu enquanto cruzavam o extenso ambiente que era a sala de estar. - Ao que eu saiba está como voluntária em um evento novo no Metropolitan. Querem leiloar algumas peças de arte para ajudar o hospital municipal. E sim, ela me perguntou algumas vezes se você dera notícias. Nunca tive uma resposta positiva pra dá-la. - Não perdera oportunidade dar uma alfinetada no amigo pelo sumiço, afinal. A viúva Walker gastava seu tempo ocioso em eventos de caridade. Não se limitava apenas aos eventos mais luxuosos, na verdade estava presente em muito deles, ainda que a maioria das pessoas ali gostasse de ajudar para se destacar em alguma coluna social, a mãe da loira no entanto gostava de fazê-lo apenas por fazer. Apesar de não exercer a profissão, a mulher se formara em ciências sociais mas devido á grande herança que lhes fora deixada e á hípica da família viviam bem sem muitos esforços, as finanças eram cuidadas diretamente pelo tio de Nancy, afinal se não o tivessem, a menina teria impressão de que a mãe já teria abrigado metade da comunidade de Nova York, e sentia de fato orgulho naquilo na mulher. Mas ainda sim mantinham-se de pé diante da realidade então costumavam ajudar como podiam. Ela mesma participava com frequência de tudo, só nesse último ano ficara relapsa, mas ajudava as pessoas de outra forma. Sentou-se à mesa diante do rapaz. A sala de jantar era extensa e tinha uma grande janela que iluminava todo o ambiente transformando-o em um lugar bastante agradável e iluminado pelos raios matinais. Era bastante bonito está ali, e Nancy sentia-se grata por tudo que tinha, e mais ainda pelo retorno do moreno. Nancy demorou-se um pouco do que o mesmo para servi-se do desjejum pegou então uma torrada menos corada e a postou diante do prato enquanto se servia de um pouco de capuccino. - Eu soube disso, pela televisão. - Completou depois de uma longa pausa, deixando esvair-se por um suspiro baixo, contemplado a própria refeição por um tempo. - Você só precisava ter falado comigo. - Completou enfim, levantando o olhar e levando uma das mãos sobre a mão do rapaz. - Eu estaria lá por você, sabe que eu estaria. Afinal, quando foi que parou de me contar as coisas. - A expressão de Nancy tomou-se mais serena por um tempo antes de acomodar-se confortavelmente na cadeia de novo, levando o peso do corpo pra trás e levando a mão á xícara de café. - E sobre hipocrisia. Metade de nós somos, você não será o primeiro o e nem o último. - Completou antes de tomar um gole do líquido quente.
michaeldraven said: te amo nancy
Mesmo você sendo um pervertido.
deixa eu lamber suas asa pra elas ficar lustrosa
todo mundo tenta mas só o eliot aguenta ♫
Escuta aqui queridinha, sou muito amigável e popular, ok?
nancy vc gosta de mais de pinto ou de peru?
Prefiro frango na verdade. E peru só no natal.
Achei ofensivo
Aposto se for na categoria parceiros de compras.
Que esquisito, vocês.
Por favor....
Lights will guide you home @Stalker
De todas as coisas que poderia ter feito de ruim nessa vida, a que Eliot mais se arrependia era de ter abandonado Nancy sem nenhuma explicação. Quando resolvera pedir aos pais que o internassem na clínica, encontrava-se tão perdido em seus próprios pensamentos e sentimentos que se esquecera completamente das coisas e das pessoas que estava deixando para trás. Precisava de um tempo para pensar sobre a própria vida sozinho, sem a opinião de qualquer pessoa que pudesse interferir na sua própria. Precisava crescer não só como pessoa, mas também como homem. Não aguentava ver os seus pais afundados em acusações que não eram reais, injustiças que faziam com que corressem o risco de perder tudo - e quando Eliot pensava no tudo, não se referia apenas ao dinheiro. De todas as coisas que possuía, riquezas eram as que menos lhe importavam. No seu mundo, nas suas prioridades, tudo significava simplesmente família. Não aguentava mais acordar com os gritos de sua mãe com o seu pai, as brigas constantes durante o café da manhã e as milhares de vezes que descia até a cozinha para pegar um copo de água e encontrava seu pai dormindo no sofá da sala. Eram situações que precisava se privar ou temia que pudesse enlouquecer. Nunca fora muito do tipo que tinha facilidade de externar seus medos e suas fraquezas e não podia mentir que escondera todos os seus problemas da melhor amiga. Fugira para proteger a si mesmo e acabara machucando a pessoa que mais lhe importava em todo o mundo. Ainda que precisasse de um tempo só seu, nada lhe impedia de manter contato com Nancy, ainda que muito ocasionalmente e apenas através de e-mails. Mas, ainda assim, optara pelo meio mais difícil: apagara toda a vida normal que podia ter levado um dia e isso incluía a garota. Não esperava que ela o perdoasse tão facilmente.
Era justamente por isso que tremia naquele momento, esperando que pudesse disfarçar o temor com o frio. Ao mesmo tempo em que se amaldiçoava por ter deixado sua casa com roupas tão mal escolhidas, o fato acabava vindo a calhar. Talvez Nancy não desconfiasse que continuava o mesmo inseguro de sempre quando se tratava dela. Ainda que tivesse deixado as cerimônias de começo de amizade há muito tempo e se sentisse completamente confortável ao lado da loira, sempre tivera certa mania de se esforçar ao máximo para agradá-la e se punia severamente quando falhava. Não podia suportar uma expressão de tristeza ou desaprovação provinda de Walker e, mesmo depois de um ano inteiro decorrido, tinha que admitir que as coisas não haviam mudado. Exatamente como pedira, a jovem não enrolou muito dentro da casa e, antes que ele pudesse contar até dez, ela já atravessava a porta de entrada e corria com toda a velocidade que as pernas permitiam em sua direção. Ficou aliviado ao ver o sorriso estampado no rosto da garota, logo abrindo os braços o máximo possível para recebê-la com um abraço caloroso. Afagou-a nos cabelos, respirando fundo para sentir o seu cheiro tão característico. Parecia que as coisas continuavam exatamente as mesmas. Apertou-a com uma força um tanto quanto desnecessária, só para poder se certificar de que tudo aquilo era real. Estava tão feliz. – Você também. Pensei em você todos os dias que estive fora. – Assegurou, afastando-a alguns centímetros para que pudesse depositar um beijo bem no topo de sua cabeça. – Senti tanta saudade. – Suspirou, liberando-a de seu aperto e observando-a com cuidado. As faces ligeiramente coradas, os cabelos dourados caindo nos ombros em pequenos cachos. Se até um segundo atrás as coisas não estavam certas, magicamente tudo tinha se resolvido no momento em que pode fitá-la nos olhos.
Não se surpreendeu muito quando a garota o empurrou, na verdade, esperava um soco bem no meio do rosto. Aquilo não era nada. Deixou que uma risada baixa ecoasse pelo ambiente, virando-se um pouco de lado para se proteger dos ataques. Sentia tanta falta daquilo. – Sei que te devo um milhão de explicações, mas você vai ter que ser paciente comigo. – Pediu, respirando fundo. – As coisas não foram muito fáceis ano passado. Não espero que você entenda. Estava esperando uns tapas seus, sabia? – Confessou, pouco antes de assumir uma expressão séria. Ela parecia de fato magoada. Talvez não decepcionada, mas tinha alguma coisa ali… Era quase como se estivesse ofendida, não de modo tão ruim quanto parece. Estava preocupada. Realmente preocupada. Sinceramente, não sabia o que dizer. Não fazia ideia se devia pedir desculpas ou simplesmente ficar quieto, esperando que o esporro finalmente viesse. Não sabia nem sequer se ela brigaria com ele ou se as coisas ficariam bem muito mais rápido que imaginara. Não tinha essa sorte toda, mas não custava nada fantasiar. – Nós podemos entrar? Prometo que tento te explicar tudo lá dentro. – Pediu, já começando a andar em direção a entrada, sabendo que, de um modo ou de outro, ela o seguiria.
Era difícil dizer como Nancy Walker sentia-se naquele momento, estava certamente muito feliz pelo retorno de Eliot, isso era inegável, mal se lembrava de alguma boa lembrança no passado que não tivesse a presença do rapaz, ele era seu melhor amigo até algum tempo, e ainda que tivesse sumido por um período ela tinha certeza que mesmo com sua nova condição ele ainda seria uma das melhores pessoas para ela. Entretanto por outro lado era inquestionável que a loira estava furiosa pelo rapaz não ter sequer dado uma notícia ou retornado seus telefones, emails, ou ter tido "oi Nancy estou vivo", havia elaborado uma quantidade considerável de teorias até que certo dia percebeu que eram teorias falhas e que de alguma forma o rapaz simplesmente sumira. Ainda que não estivesse cobrando uma explicação gostaria de saber porque - perdão da palavra - diabos ele não dara notícia alguma, até o dia em que simplesmente não mandou e-mail algum, estava se acostumando á vida normal, entretanto o retorno de Eliot trazia uma parte sua que pouco demonstrava, e era disso que sentia uma parcela de medo, observou. A loira ainda estava um pouco furiosa com o rapaz, ainda que isso não afetasse sua felicidade pelo seu retorno - isso é, ainda não havia perguntado se era definitivo, afinal temia um resposta contrária - entretanto naquele momento poderia lembrar de um passado não tão longe dali quando ela brigava, Eliot ouvia, e não adiantava muito, na verdade, o rapaz era extremamente teimoso e cabeça dura, mas ela também, então. Mas isso não mudava o fato que a loira estava surpresa, ainda que muito feliz, mas surpreendera com o retorno do amigo. Queria batê-lo abraçá-lo, fazer os dois simultaneamente. E ainda que tivesse muitos outros amigos, e sim ela tinha, sabia que a amizade que obtivera com o rapaz viera de longa data e duvidou que seria fácil substituí-lo, nunca tivera esse intuito na verdade. Nancy prezava tanto suas amizades de forma incalculável e insubstituível, ainda que tivesse passado tanto tempo ocupada com missões, sentia que um espaço vago tinha sido novamente preenchido. - Deve mesmo! - Disse a menina cruzando os braços um pouco séria, mesmo que soubesse, aquela seriedade logo passaria, preferia dar um gelo inicial no rapaz. - Se for pra não te decepcionar posso te bater também! - Concluiu a menina, analisando Eliot por um tempo e constatado que ele não mudara quase nada nesse ano que ficara longe, sentia-se aliviada por isso e mais ainda por saber que nada havia lhe afetado como fora seu próprio caso. Iniciou uma caminhada ao lado do moreno, era verdade que ali estava frio, mas o clima típico da manhã nova yorkina talvez fosse estranho após o rapaz passar um tempo longe, talvez o mesmo estivera em outro lugar mais quente nesses dias, iria aguardar até ele resolver falar sobre o assunto. Assentindo positivamente sobre a proposta de Eliot entrar, fazendo o mesmo trajeto novamente antes de parar diante a grande porta de madeira da propriedade, abrindo-a enquanto adentravam a sala vazia. - Eu estava indo para o desjejum, me acompanha? - Perguntou, se lembrava de que outrora Eliot costumava ir á sua casa e até fazer alguma refeição ali, ou vice-versa. Era quase que comum considerando a intimidade que já tinham. Mal se lembrava de quando conhecera o rapa e fazia muito tempo que eram amigos, logo era comum passarem tanto tempo junto, ainda que não tivesse lhe ocorrido o quão precisaria conciliar o tempo entre ser anjo - que resumia sua nova vida - e ser a amiga de Eliot, o que havia sido no passado. Ainda que não quisesse abrir mão de nenhum dos dois. - Acho que tem torrada e geléia de framboesa! - Completou se lembrando que o amigo sempre fora chegado nas torradas que a governanta costumava fazer. Logo caminhou pra a sala de jantar esperando que Eliot fosse a seu encalço.
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Ele mordeu o lábio, pensativo, refletindo sobre o que ela dissera. – Não. Acho que não nos conhecíamos antes. Quero dizer, acho que não éramos colegas ou coisa do tipo. Eu me lembraria. – deu de ombros. – Mas somos amigos agora. É o que importa. – ele sorriu. – E acho que Elric e Nancy continuarão amigos quando nós… você sabe. – ele não queria dizer a palavra. Embora soubesse que teria de voltar para casa um dia, não queria pensar nisso agora. Sentia saudades de sua vida celestial, mas estava gostando da vida mundana. Era bem agradável, ou pelo menos estava sendo, até agora.
Por outro lado, até o encontro com Prudence, ele não percebera o quanto sentira falta de uma companhia angelical. Estava feliz por tê-la encontrado e estavam se divertindo muito, talvez bem mais do que Elric e Nancy poderiam se divertir se estivessem livres da possessão. Ele tinha essa naturalidade quando estava perto dela, devia ser porque ambos eram “farinhas do mesmo saco”, como dizia uma expressão mundana.
Lembrou-se, então, que devia uma resposta a Prudence, pois não lhe contara como estava sendo sua atual vida. Com um suspiro, virou-se para ela e começou: – Elric é… como posso descrevê-lo? Divertido e gosta de estar rodeado de pessoas, quero dizer, ter muitos amigos. Tinha uma garota, mas terminamos. – fez uma pausa, sem saber como continuar. Não sabia se deveria falar mais do namoro; não sabia se Nancy tivera um namoro e como Prudence lidara com isso. Ele gostara da experiência, mas não tinha certeza se devia comentar isso, até porque quando se apossou de Elric ele já namorava há um tempo, então ele acompanhou essa fase da vida de seu hospedeiro. – Elric é bem festeiro, você sabe. Eu gosto disso nele, admito. – ele passou a mão pelos cabelos, rindo. Era engraçado falar de seu hospedeiro em terceira pessoa. Era como ter um álter-ego ou falar de um amigo que você conhece melhor do que conhece a si mesmo. – É bem… Confortável, fácil, ser ele.
Não sabia o que mais dizer a ela, então abaixou a cabeça e ficou brincando com algumas folhas de grama. Sentiu que o assunto tinha encerrado ali, pois um silêncio pairou no ar por alguns instantes. Tentou deitar-se, mas seu corpo ainda doía um pouco, então continuou sentado. Ergueu a cabeça e olhou para Prudence novamente, esperando que ela risse ou comentasse algo de sua tentativa falha de deitar. Mas ela não disse nada, então ele imaginou que ela não tinha visto. Se deu conta de que estava encarando-a então achou melhor dizer alguma coisa. – Ei, eu estou começando a ficar com fome. Que tal comermos alguma coisa e depois, sei lá, tentar montar de novo? Se não der certo, podemos fazer compras ou seja lá o que garotas gostam de fazer. – ele fez uma careta, esperando diverti-la com isso. Colocou as mãos no chão e apoiou-se nelas, tentando levantar, mas acabou caindo de novo e machucando-se mais. Seu rosto se contorceu em uma careta de dor. Ele apertou os olhos e olhou para a loura. Ergueu os braços, como se implorasse por ajuda divina, e sorriu. – Será que alguém me dá uma força aqui?
Era mentira dizer que Justice sentiria saudades da caótica New York, ou ainda que não queria retornar para casa. Sentia saudades do seu lar, de sentar e observar as coisas, ter tempo, afinal a vida de um estudante na terra era demasiadamente caótica, e se tivesse que lutar contra demônios nos intervalos das aulas as coisas pareciam ainda mais complicadas. Mas também sentiria falta de ser Nancy Walker, se acostumara com a rotina da loira tal como seus problemas, e até das missões, estava finalmente lutando contra o outro lado e poderia enfim fazer a diferença, mas a verdade era que, estava se acostumando á ser humana. - Tenho certeza que terão. Nancy precisa de uma boa influencia. - Confidenciou, em uma real brincadeira. Nancy Walker não era a pessoa mais amiga de todos e sociável do mundo, mas costumava se da bem com umas poucas criaturas, ainda que suas amizades eram bem diversificadas. Voltou de imediato o olhar para o rapaz enquanto esse descrevia seu hospedeiro e se fosse analisar bem a cena, ambos se referiam á eles mesmos em terceira pessoa, alguém de fora teria achado aquilo muito esquisito, ainda que para ambos soava perfeitamente normal. - Dá pra reparar mesmo. É um rapaz bem extrovertido. - Assentia positivamente com a cabeça enquanto o rapaz mencionava a garota, logo interrompendo o assunto sem muitas delongas. - Relacionamentos humano... só eu que acho isso complicado demais? - A loira refletiu mas não dera tanta ênfase ao assunto considerando que era inegável constatar que teriam de lidar com tais situações sempre que se apossassem de algum corpo, afinal cada pessoa tinha sua estória, além de que estariam sujeitos aquilo exceto se hospedassem um corpo de algum monge beneditino que passava a vida toda num mosteiro. Tornou o foco visual para o rapaz que explanava o quanto gostava do seu hospedeiro. Walker sorriu de canto, assentindo positivamente com a cabeça. - Escolhemos bem. - Completou. A visão do rapaz fazendo compras alargou o sorriso da jovem que assentiu positivamente com a cabeça. - Certo! Vamos no espaço gourmet e depois montamos de novo... exceto se você quiser fazer compras, aí podemos ir ao shopping. - Quando o jovem caiu novamente, a menina levantou-se de imediato para ajudá-lo. - Só porque sou uma criatura muito boazinha, você´sabe. - Estendeu uma das mãos ajudando o menino a se reerguer, antes de agora retornar a caminhada que os levaria a lanchonete da hípica.