yrenebowers:
O sorriso de Percy nunca deixaria de dar arrepios à Yrene. Só depois que ele morrer, uma vozinha insistente dizia em sua cabeça. E por incrível que pareça era semelhante à voz de Amara. Mas tinha uma parte dela que pensava que mesmo quando ela chegasse à etapa final de seu plano e finalmente matasse o warlock, ainda assim não teria paz. Se ao menos o mundo mágico tivesse justiça… Yrene só não pode deixar que sua mãe tenha morrido em vão. Ela fechou os olhos ao sentir o warlock se aproximando e só os abriu quando ele virou as costas pra ela. Yrene o odiava como nunca odiou alguém na vida. Não só por ele ter matado sua mãe mas a personalidade de Percy era irritante demais, e ele sempre a humilhava todas as vezes. Sempre a fazia tremer de raiva ou medo, às vezes os dois. Ela sentiu vinhas se rastejarem por seus punhos e pensou como seria fácil acabar com a vida dele ali e agora. Mas não seria uma morte justa. Era até hilário que Yrene ainda acreditasse nela. Justiça. As vinhas quase deixaram seus punhos quando escutou o que Percy lhe dissera. Ele acha que isso é um jogo e que eu vou cair nele, de novo. “Catorze anos. Eu tenho esperado e aguentado por todo esse tempo.” Ela apenas disse e respirou fundo o desaparecimento das vinhas. Yrene já havia dito a Percy: primeiro vou te torturar, vou criar flores de dentro pra fora do seu corpo e você nem vai ver quando morrer, vou te dar um tiro, vou te fazer sofrer como minha mãe sofreu… Mas nada daquilo adiantava porque Percy via Yrene e tudo o que ela dizia como puro entretenimento desde que era apenas uma garotinha. E agora, mesmo adulta ainda se sentia aquela garotinha assustada sempre que estava na presença dele. Odiava se sentir impotente mas ainda era tudo que sentia. Por isso, durante todos esses anos trabalhou seu fingimento. Tentar soar serena quando estivesse na presença dele, mesmo que estivesse com ódio, rancor e medo por dentro. Faltava pouco tempo para colocar seu plano em prática. “Faz catorze anos desde que você matou a minha mãe. Eu tenho um plano de quinze anos, vai ser moleza esperar mais um ano.”
« Uau, quinze anos? Deve ser um ótimo plano. » ironizou, enquanto tirava a xícara da cafeteira e colocava no pires bem ajeitado com o nome do café assinado na borda. ergueu a cabeça, voltando a olhá-la, como se não tivesse acabado de ser ameaçado de morte e de ser contado que havia um plano gigantesco orquestrando seu assassinato -- é que, sinceramente, depois da quinquagésima vez, aquilo começava a ficar cansativo. às vezes, se perguntava se deveria pedir desculpas à loira por ter sido o assassino de sua mãe, mas logo se relembrava que nada do que falaria iria deixá-la feliz ou faria com que ela o perdoasse, por inúmeros motivos. primeiro, porque desculpas não traziam ninguém de volta à vida, ele sabia daquilo muito bem. segundo, porque percy não tinha o menor remorso em tê-la matado, então as desculpas cairiam no vazio. na verdade, sequer se lembrava bem da tal noite fatídica ou da mulher em si; lembrava-se do contexto da situação, que estava vingando um poderoso aliado (e amigo, porque não) morto pelas mãos da mulher. no final das contas, era um grande ciclo de quem matava quem, antes da parceria entre as três facções mágicas ter se firmado. era por isso que jamais tivera qualquer mágoa em relação à yrene (para além do fato da moça incomodá-lo com olhares carregados de ódio), pois ele entendia aquele ciclo de vida e morte, caça e caçador. o que realmente sentia era gratidão ao fato de já ser um alpha quando cometeu o assassinato, pois não precisaria da força vital dela para se manter vivo e, portanto, continuar a enlouquecer com mais uma personalidade dentro de si. « Açúcar? » perguntou, a estendendo o café que ela havia pedido.















