🖤⚔️🖤gluten free poly play pride puddle (click thru for full scene) 1993 March on Washington for Lesbian and Gay Rights. #lesbianculture #lesbianrights #lgbtrights #the90s #thrupple

bliss lane

@theartofmadeline
YOU ARE THE REASON
we're not kids anymore.
Claire Keane
Sade Olutola
Jules of Nature

No title available
Monterey Bay Aquarium
𓃗
One Nice Bug Per Day
🪼
Fai_Ryy
The Stonewall Inn
art blog(derogatory)
KIROKAZE
trying on a metaphor
EXPECTATIONS
noise dept.
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH

seen from United Kingdom
seen from United Kingdom

seen from Germany
seen from United States
seen from United Kingdom

seen from Colombia

seen from United States

seen from Türkiye

seen from Germany

seen from Türkiye
seen from United States

seen from India
seen from Ukraine

seen from Türkiye

seen from Germany
seen from United States

seen from Suriname

seen from United States

seen from Brazil

seen from United Kingdom
@wedyke
🖤⚔️🖤gluten free poly play pride puddle (click thru for full scene) 1993 March on Washington for Lesbian and Gay Rights. #lesbianculture #lesbianrights #lgbtrights #the90s #thrupple
Gostaria que Maca me pedisse em casamento, de um jeito louco... do alto da galeria. A princípio, eu ficaria chocada, claro. Mas... mas eu diria "sim, é claro que sim". Eu ia chorar como uma menina e a gente se casaria aqui mesmo, na capela, as duas de branco. Lindíssimas. Daríamos uma festança. Seríamos muito felizes, mesmo aqui, presas. Lá fora... lá fora seria incrível. A gente ia alugar um apartamento próximo a um parque com um supermercado por perto, para eu trabalhar como caixa. Iríamos arrumar um cachorro, um cachorro gigante que encheria tudo de baba e pelo. Mas uma noite vi que nada disso aconteceria. Que, a qualquer momento, ela começaria a se afastar feito um balão no céu. E decidi, que até esse dia chegar, eu continuaria ao seu lado, a desfrutá-la... até o último minuto.
Estefanía Kabila, a.k.a Cachinhos (Vis a Vis)
Eu sempre prometo voltar a escrever aqui mas já tem muito tempo que esqueci como juntar palavras pra formar frases que façam sentido fora da minha cabeça.
preciso aprender a ouvir meu grito ecoando no quarto vazio, me devolvendo minhas próprias questões.
Keepin’ it 💯 at London Pride, 1990. Photo submission from @firebalm #lesbianculture #squad #lesbianpride #londonpride #1990 http://ift.tt/1pD8r5j
prestação de contas
a última vez que dei as caras por aqui foi em janeiro de 2017. percebemos que meus últimos (e únicos) desabafos foram de um serzinho desesperado, em agonia e confuso. bom, infelizmente eu estava certa. ano passado trouxe um turbilhão de emoções e acontecimentos na minha vida, e eu realmente não estava preparada para lidar... nem um pouco. eu sei qual foi o furacão (na verdade foram vários de uma só vez) que bagunçou toda minha vida e me deixou sem estruturas, mas eu não pude fazer nada pra me esquivar. só veio. e levou tudo que tinha aqui dentro. já destruída, tive que voltar pra terra do abalo sísmico: a casa dos meus pais. o resultado disso não foi bonito, e só eu sei bem como foi o estrago. entre crises fodidas de pânico e ansiedade, tentei sobreviver a devastação da depressão, sem diagnóstico comprovado (perdão, estive ruim demais pra pedir ajuda). sem perspectiva de uma vida, já que a que eu construí em 4 anos e acreditei ser a única existente, me foi tirada. períodos sombrios e tristes demais para serem explicados. minha dúvida do último texto postado por aqui era se eu seria suficiente... é, eu não fui. nem um pouco, nem pra mim. quando eu já não acreditava que tinha alguma coisa pra mim nesse plano astral, me surgiu um oportunidade. insegura e medrosa, agarrei. agora começa minha nova vida, por enquanto ela tá funcionando. mas não estou satisfeita, preciso ser mais, preciso ser melhor. por mim e pra mim. se não... o vazio pode tomar conta de novo. confesso que voltei aqui muitas vezes mas nunca consegui ter palavras pra escrever. estive quebrada. mas o Brasil me fez voltar, amanhã saberemos quem será o presidente e meu coração dói. o medo me fez aparecer aqui... isso é importante pra mim. como eu mesma já dizia na minha descrição: relatos de sobrevivência de uma dyke, butch, tomboy, sapatona, lésbica. só não me venha com esse papo de "machinho". nós existimos e precisamos falar disso. RESISTIREMOS
Insuficiente
O futuro pra mim trás um peso enorme e uma tristeza constante. Não só porque terei que me virar, resolver minha vida, “cair no mundão”. Mas também porque ter um relacionamento lésbico onde ambas famílias não aceitam, se complica ainda mais. Será que o sentimento supera a distância? Eu não sei como será daqui pra frente, não sei o dia de amanhã. Não sei onde estarei em 2018. Mas sei com quem eu quero estar. Isso será suficiente? Temo que não, e isso me assombra, me persegue. Tenho medo desse futuro desconhecido e incerto. O que eu posso fazer? Algumas coisas fogem do nosso controle, e muitas vezes não são como gostaríamos. Quero amar tranquilamente, quero ficar em paz. Quero poder ser e existir, não quero terminar. Mas é suficiente?
2017
Já faz um tempo que não escrevo. Fiz 21 anos ontem. Algumas pessoas acham legal meu aniversário ser no “ano novo”. Eu não. Sendo bastante egoísta, esse dia deveria ser especial pra mim, deveria ser meu. Mas é de todo mundo. 1 de Janeiro, fogos de artifício. Abraços desejando um feliz ano novo etc. Apesar de esquecerem de me desejar “feliz aniversário”, tenho que pensar que não deixa de ser um novo ano também. Enfim, todo ano é a mesma coisa. 2017 vai ser um ano bastante emocional, meu último ano na faculdade. Tenho que preparar meu TCC enquanto não entro em colapso pensando no depois: desemprego, vida adulta, mais e mais responsabilidades, me mudar, afastar de pessoas que amo e já estou acostumada com a presença, meu namoro. Um turbilhão de sentimentos e eu só consigo pensar que: eu não estou pronta.
O mundo exige um amadurecimento repentino e o famoso saber lidar. Mas não é fácil, não mesmo. São tantas decisões de uma vez que vão resultar no que será da sua vida a seguir, é desesperador pensar nisso. Há tantas metas traçadas pros próximos meses e muitos obstáculos que precisam ser superados. Esse ano traz situações que me obrigam a ser adulta. É preciso que eu dê o máximo de mim, 2018 depende disso. E o medo do fracasso e do esquecimento só aumenta. Estou pressionada e espero que isso não me sufoque.
é difícil se aceitar
Nesse último dia de agosto se encerra o mês da visibilidade lésbica, mas lutaremos por ela sempre. Dessa vez quero falar de mim, especificamente. Falar sobre a enorme dificuldade que tive em me aceitar, quebrar preconceitos e desgrudar da ignorância. Chegando até os dias de hoje, em que me aceito e me amo como sou, finalmente liberta das amarras dos padrões. Lembro que desde quando eu era criança, eu não me encaixava nos padrões do gênero feminino. Não queria arrumar meu cabelo, passar maquiagem nem usar saias e vestidos. Odiava rosa. Não queria gostar de meninos. Eu queria poder ser como eles porque eles podiam fazer tudo. Podiam sentar como quisessem, falar o que quisessem, correr, lutar, jogar futebol, subir em árvores e ficar até mais tarde na rua. Usavam bermudas, camisas e tênis legais. Tinham carros, motos, skates e vários outros brinquedos interessantes e divertidos. Isso tudo eu consegui até certo ponto, mas minha mãe começou a tentar controlar meu comportamento e minhas roupas. Eu deveria ser uma “mocinha” e não um “moleque”. Mesmo brincando de Barbie, eu escolhia ser o Ken. Em todas as brincadeiras imaginárias, eu era um homem. Brincando com meus primos eu era um homem. Que graça tinha em ser uma mulher? Não podia fazer nada de aventureiro ou extraordinário, era só um papel chato e entediante. Eu queria ser importante e nos fizeram acreditar que as meninas não podiam ser. Além disso, garotas se interessavam por garotos. Então, mesmo que de brincadeirinha, eu podia fingir que tinha alguma interessada por mim. Eu odiava a parte de cima do biquíni e não entendia o motivo de ter que usar se meu peito era liso, igual do meu primo. Me recusei até que eles começaram a se formar... odiei isso, me expôs como mulher. Assim mais coisas começariam a ser impostas a mim e o que eu podia fazer era apenas aceitar. Na escola, a separação entre gêneros ficava cada vez mais evidente. Não eramos iguais e não podíamos nos misturar. Tinha fila para os meninos e fila para as meninas. Era difícil um professor permitir na aula de educação física que um menino jogasse vôlei com as meninas, ou que uma menina jogasse futebol com os meninos. Um menino que tivesse muitas amizades com meninas, era gay. Uma menina que tivesse muitas amizades com meninos, era sapatão. Minha primeira lembrança lésbica é de quando eu tinha mais ou menos 6 anos. Eu gostava de uma menina da minha sala e queria que ela fosse minha namorada. Depois aos 8, tive outra paixão na escola e dizia para dois amigos meus que ela era minha namorada. Era segredo, ela nem sabia disso... coisa de criança. Essa informação vazou para todos os alunos do meu ano e tive que enfrentar isso até o colegial. Não foi legal. Sempre temi a palavra “sapatão”. Era horrível. Um xingamento. Uma coisa que você nunca poderia ser. É motivo de chacota, piadas maldosas, zoação e bullying. E eu ouvi muito essa palavra. Sempre usada no pejorativo e ainda era piorada: “maria-homem”. Uma menina jamais poderia fugir do padrão do feminino. Ela não podia preferir a bermuda larga do que o shorts estilo legging (referência aos uniformes do colégio em que estudei). Também não podia fazer “brincadeira de menino”. Nem andar com eles se não você seria menos mulher por isso. Você seria meio homem: maria-homem. Inclusive, aos 10 ou 11 anos de idade, teve um episódio em que alguns garotos me cercaram na escola para ficarem me chamando disso. Eu fiquei tão ofendida que comecei a chorar. Não sabia o que fazer e liguei para minha mãe me buscar. Ela ficou me dizendo que eu não era “aquilo” e fez os envolvidos me pedirem desculpas. Teve até reunião com o pai de um deles. Até hoje ela faz questão de tocar no assunto: “lembra da vez que te chamaram de maria-homem (sempre insistindo em usar essa palavra) e você chorou porque nunca foi isso?”. A questão é: eu nunca entendi o que era isso. Só sentia que era ruim. Mulher que gosta de mulher? Anormalidade total. Puro desconhecimento meu. Depois disso tudo, passei a esconder o que eu sentia. Reprimia meus pensamentos... eu tava errada, tinha que pensar em meninos. Mas eu nunca consegui. E os que eu me esforçava para tentar gostar, eram amigos meus. Eu tentava me iludir com isso, sempre. O tempo passava e os pesamentos continuavam. “Com qual amiga eu namoraria?”, “eu gostaria de namorar fulana”. Eu sonhava, não conseguia mais controlar. Com 14 anos eu dei meu primeiro beijo, foi um garoto e eu odiei. Durante minha adolescência eu acreditava que tinha que me encaixar nos padrões, inclusive, comecei a comprar vestidos e saltos para ir em festas de 15 anos. Me senti obrigada. Era assim que eu acreditava que me encaixaria na sociedade. Eu nunca me senti confortável com isso, mas fingia que sim. Eu queria ter o cabelo curto mas parecia que não podia fazer isso, jamais. Por mais ou menos 10 anos, eu abafei tudo o que sentia. Quando fiz 16, eu comecei a entender melhor o mundo LGBT com a ajuda de uma amiga nova (que era bissexual). Até então eu jurava de pé junto que era hétero. Eu não aceitava ser outra coisa além disso. Ficamos muito próximas e eu gostava muito dela. Descobri que ela era a fim de mim. Isso me incomodou muito. Eu fiquei apavorada. No fundo, eu sabia que sentia o mesmo, mas não podia. “Comigo não. Isso é errado. Eu não sou assim, eu não posso ser assim”. Fiquei meses atordoada com esses pensamentos e decidi dar uma chance. Nos encontramos e nos beijamos. Não dá nem pra explicar o nervosismo que corria dentro de mim, minha boca estava completamente seca e eu nem conseguia pensar. Foi muito diferente do primeiro beijo. Mesmo sendo atrapalhado, foi uma sensação incrível. Então comecei a me entender. Mas até aceitar isso foi um processo longo e doloroso. -
Tudo bem. Finalmente eu estava aceitando minha condição. Não deu nem tempo de assimilar as coisas direito e um mês depois meus pais descobriram. Eu ainda tinha 16 anos e minha vida se tornou um caos. Na época passei por barras pesadas. Ninguém em casa me apoiou. Sofri ameaças, fui obrigada a frequentar a igreja e psicólogos que tentaram fazer uma lavagem cerebral. Eu só chorava. Não conseguia comer. Entrei em depressão. Fui no hospital por dor de estômago e tive reação alérgica a um medicamento. Sofri um choque anafilático e precisei ser internada por 3 dias. No meio disso tudo eu tentei, ainda, manter o relacionamento com alguém que exigia muito mais do que eu poderia dar naquela época. Me afastei da família, não conversava com ninguém. Não queria a companhia deles. Fui humilhada. Afastei dos amigos e achei que ninguém iria querer continuar falando comigo. Me isolei total. Eu estava esgotada e só tinha uma pessoa que podia contar, mas ela me abandonou quando eu mais precisei e no dia do meu aniversário me traiu. Eu não tinha ninguém e acabei aceitando o pedido de desculpas pensando que a culpa era minha por ser tão limitada. Continuei tentando manter esse relacionamento até o fim de 2013. Tudo sempre escondido. Depois de certo tempo, contei para alguns amigos sobre minha sexualidade. A maioria permaneceu ao meu lado, mas tem aqueles que continuam presos a ignorância e te julgam. E é aí que você se afasta deles. Tive que aguentar tudo dentro de casa sozinha. Não foi fácil e continua não sendo. Sem entender como, aos 18 anos consegui passar em uma Universidade Estadual. Sair da casa dos meus pais? Um sonho sendo realizado há mais ou menos 900km de distância. Eu comecei a ler mais sobre o feminismo e a comunidade LGBT. Me informei, me libertei, me desmistifiquei do medo da palavra “sapatão”. No primeiro ano de faculdade pude expressar minha sexualidade sem medo, até que enfim. Uma experiência que nunca tive antes, foi ótimo. Mas ainda faltava alguma coisa em mim, eu não me sentia completa e nem confortável. Tinha algo de errado com minha aparência e a ideia “quero cortar o cabelo” apitava cada vez mais. No final de 2014 me permiti a cortar (FINALMENTE) meu cabelo, mesmo com as proibições dos pais. Ele tava enorme. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Não ficou lá essas coisas, eu ainda achava que tinha que cortar mais. E depois acabei cortando mesmo. Eu tinha que fazer uma coisa de cada vez para que, além de eu me acostumar com a aparência diferente, meus pais também deveriam. E aí, após certo tempo, comecei a mudar meu guarda-roupa. Me desfiz de todas as roupas que eu não gostava. Todos os vestidos, blusas, calças, shorts, sapatilhas, saltos, tudo o que me incomodava e não faziam parte de quem eu sou. Comprei roupas novas, me encontrei na sessão “masculina”. Extingui os shorts curtos e troquei por bermudas. E sinceramente, eu deveria ter feito isso a muito tempo. Hoje com 20 anos posso dizer que me amo. Não foi fácil sentir esse amor próprio. Mesmo me aceitando como lésbica, demorou mais 4 anos pra eu me amar. Fugindo tanto dos padrões de gênero como eu fica mais difícil. É dolorido, a sociedade te dá um soco no estômago sempre que pode mas é preciso continuar lutando pela nossa visibilidade. Quebre esteriótipos. Nenhuma mulher é obrigada a manter o padrão de um sistema patriarcal opressor. Você não é menos mulher de calça e cabelo curto. Você é resistência e luta! Até hoje meus pais não me aceitam, mas esse ano minha irmã mais velha me aceitou. Isso já foi o bastante pra mim. Voltamos a nos falar e a conviver bem. Precisamos espalhar conhecimento e histórias por aí, pra cada sapatão sem amparo saber que não está sozinha. Vocês tem com quem contar, pelo menos podem contar comigo.
Vamos conversar
Ontem, foi o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Essa data é comemorada há 20 anos, mas você sabe por quê? Em 29 de agosto de 1996, foi realizado no Rio de Janeiro o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), a partir de iniciativa do Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ). Mas poucas pessoas discutem a importância disso. “Por que agosto é o mês da visibilidade lésbica se já exite o do orgulho LGBT? Já existe o combate a homofobia. Ficam querendo mais direitos que os héteros, celebrar esse orgulho pra que?” Não adianta falar que todo mundo é igual, dessa forma não poderemos lutar contra outras opressões como machismo, racismo etc. Não somos iguais e não lutamos por isso. Lutamos por respeito e direitos! A homofobia dificilmente engloba todos os problemas da lesbofobia. São amplas as pautas e pouco se fala disso em grupos e páginas LGBT ou feministas. Pouco se fala da saúde sexual da mulher lésbica, da marginalização da lésbica fora do padrão de feminino, da problemática do “queer” que excluí nossa vivência e estereotipa o “ser mulher”. Pouco se fala de artistas femininas que fogem do padrão de gênero e resistem sobre isso há anos. Mas idolatram o homem que usa saia e batom (às vezes) que diz que por esse motivo, é mulher. Roupas, acessórios e comprimento de cabelo não definem o gênero de alguém, isso já deveria estar mais do que entendido. Mulheres como nós, são fetichizadas e ao fazer umas pesquisa no Google sobre “lésbica”, o que você mais vai achar são pornôs (que são feitos para homens héteros). Sem esquecer da possibilidade do estupro corretivo que nós sofremos, como eu já disse em outro texto. Nos invisibilizam desde sempre. O preconceito vem da própria comunidade, onde gays questionam a legitimidade das relações sexuais lésbicas por não existir um pênis no meio. Eles criticam e TAMBÉM fetichizam a “lésbica machona que é igual menino” e por esse motivo, muitos acham que podem dar em cima da gente, é “cool” deslegitimizar a amiga caminhoneira, já que ela parece um macho mesmo... Isso é ridículo e desrespeitoso. Gostamos de mulheres, independente do nosso estilo. Passar batom, pintar a unha e coreografar divas do pop nas baladas é ok. Mas a vivência da dyke é ignorada e motivo de piada. Sem o mês e o Dia da Visibilidade Lésbica, esses temas iriam ficar esquecidos e continuaríamos invisíveis. É muito importante ter uma época do ano para fortalecer nossa existência e resistir. Afinal, tem o ano inteiro de heterossexualidade pela frente. É preciso lembrar que estamos aqui, desde o início dos tempos, e continuaremos. Firmes, fortes e juntas.
smash homophobia / fight sexism
VOCÊ NÃO DEVERIA ANDAR COMIGO
Recentemente minha ficha caiu sobre isso. Sempre vou ser a amiga que não pode ser apresentada pra família, ou sempre terão o pé atrás. Sou a pessoa que os pais alertaram os filhos. “Você não pode andar muito com esse tipo de gente”. O primeiro choque que me fez cair a ficha realmente, foi no início desse ano. Conheci meu vizinho por internet, e quando ele se mudou para o apartamento do lado, pensei em ir até lá dar um “alô”. Vi a porta aberta e chamei. Ele logo se assustou, não entendi muito bem o porquê. Veio correndo, meio furtivo. Perguntei como estavam as coisas e tentei dar um abraço mas ele me cortou. Disse rapidamente: meus pais estão ali na frente, eles não podem saber que sou seu amigo. Depois conversamos. E então pediu pra eu sair. Entrei em casa sem entender. O que foi que eu fiz? Por que os pais dele não podem saber que me conhece? A resposta é óbvia. É só eu me olhar no espelho. Eu não sou uma garota qualquer. Eu não tenho cabelo comprido, não pinto as unhas e nem uso vestido. O problema sempre vai ser minha aparência, por causa dela as pessoas temem que os pais presumam que sou uma pessoa ruim, que leva pro mal caminho e coisas do tipo. Ele me avisou por mensagem que a mãe viu, e já foi tirar satisfações com ele. Pedi desculpa. Mas a culpa não foi minha. Eu fiquei lá por um minuto e já foi suficiente de ser um problema só por eu existir. Notei agora que isso acontece frequentemente. Alguns pais que me conhecem, tem receio. Ainda mais se eu for amiga da filha deles. Eu não devo ser amiga delas. Eles perguntam pra elas se ainda falam comigo, e que devem ficar longe de mim. Mentem e dizem que não, que não saem comigo. Também sempre desconfiam que eu tô levando as filhas pro outro caminho, fazendo elas “virarem lésbicas”. Pois é claro, é isso que LGBT+ fazem. Seduzimos seus filhos com mentiras, os recrutamos pro nosso exército maligno e destruímos famílias.
Esses dias eu disse que queria conhecer o pai do meu melhor amigo, e ele não deixou. De maneira alguma. “O que eles vão pensar?”
E o que eu vou pensar? Alguém se importa? Cada dia é mais complicado viver numa sociedade que, além de banalizar nosso amor, complica amizades. É difícil ter qualquer relação com algum ser humano por ser tão diferente. Afinal, o que eles vão pensar?
I know what is to be in those shoes
Finalmente assisti o filme “Orações para Bobby”. Resolvi que eu precisava falar sobre ele aqui, porque entre tudo que Bobby escreve, tem a frase “they don’t know what is to be in my shoes” (eles não sabem como é estar na minha pele). Mas eu sei. E isso justifica meu título. Me identifiquei tanto com partes da história que ao final do filme eu chorei muito. Isso porque o meu destino poderia ser igual ao de Bobby. É isso que acontece com muitas pessoas LGBTS espalhadas pelo mundo. Suicídio. A sociedade nos machuca o tempo inteiro. O lugar que a gente espera ter refúgio e amor, é dentro de casa, com nossa família. Mas isso nem sempre acontece. Se não temos paz em lugar nenhum, e tudo favorece para a “quebra” do que somos, dos nossos valores e da nossa vida, acreditamos que se sumíssemos do mundo, tudo vai acabar e ficar bem. É a única saída, é o que pensamos. O ódio e a ignorância destroem as pessoas. Eu acho que esse filme devia ser obrigatório como “lição de vida”. Ele mostra como a hipocrisia domina e como a sociedade apenas segue “regras” que lhe convém. É muito egoísta pensar que quando você descobre um filho LGBT, as pessoas vão pensar coisas ruim sobre você. Isso é se preocupar com você mesmo, e não estar nem aí pra pessoa que precisa do seu amor e atenção. Alguns pais acabam ligando apenas sobre o que os outros estão falando sobre sua família, “isso vai prejudicar a todos nós”. Enquanto isso seu filho está morrendo aos poucos, perdendo sua essência, achando que é o motivo de discórdia na família inteira, que a culpa é dele, que todos o odeiam, que ele é uma abominação, pervertido, imoral, sujo, nojento, podre, indigno de amor e de felicidade. Não force alguém a viver infeliz para sempre, não podendo ser o que realmente é, pra você ficar feliz. Não dite regras, as pessoas são diferentes. Não existe um padrão a ser seguido. Tente abrir sua cabeça sobre esse assunto que ainda é um tabu. Escute seus filhos, os acolha. Nós apenas queremos nos sentir normais e capazes de amar sem morrer de medo. Não abra os olhos quando for tarde demais. Não perca as pessoas por uma questão de orgulho e intolerância. Não adianta dizer que ama seu filho, se você não ama quem ele é. (abaixo uma fala da mãe de Bobby Griffith)
“A homossexualidade é um pecado. Os homossexuais estão condenados a passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser normais de novo. Se ao menos eles tentassem, e tentassem com mais afinco, talvez isso funcionasse. Estas foram as coisas que e disse ao meu filho, Bobby, quando descobri que ele era gay. Quando ele me disse que era homossexual, meu mundo desmoronou. Eu fiz tudo o que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho pulou de um viaduto e se matou. Eu me arrependo profundamente da minha falta de conhecimento sobre gays e lésbicas. Vejo que tudo que me ensinaram e disseram era odioso e desumano. Se eu tivesse investigado além do que me disseram, se eu tivesse simplesmente ouvido o meu filho quando ele me abriu o coração, não estaria aqui hoje, com vocês, cheia de arrependimento. Eu acredito que Deus estava contente com o espírito gentil e amável do Bobby. Aos olhos de Deus, gentileza e amor é tudo o que importa. Eu não sabia que, cada vez que eu ecoava a condenação eterna aos gays, cada vez que eu me referia ao Bobby como doente, pervertido e perigoso às nossas crianças, a sua autoestima, os seus próprios valores, estavam sendo destruídos. E finalmente, seu espírito se quebrou para além de qualquer conserto. Não era o desejo de Deus que Bobby se debruçasse sobre o muro de uma ponte e pulasse diretamente na frente de um caminhão de dezoito rodas que o matou instantaneamente. A morte de Bobby foi resultado direto da ignorância e do medo dos seus pais quanto à palavra “gay”. Ele queria ser escritor. Suas esperanças e sonhos não deviam ter sido tirados dele, mas foram. Há crianças, como o Bobby, sentadas nas suas congregações. Desconhecidas de vocês, elas estarão escutando, enquanto vocês ecoam “Amém”. E isso depressa silenciará as suas preces. As suas preces a Deus, por compreensão, aceitação e pelo amor de vocês. Mas o seu ódio, medo e ignorância da palavra “gay” irão silenciar essas preces. Por isso, antes de ecoarem “Amém”, na sua casa e local de adoração, pensem. Pensem e lembrem-se: Uma criança esta ouvindo.” (Mary Griffith - Orações para Bobby)