Infelizmente não era necessário muito para assombrá-lo. O temor parece estar enraizado em âmago; sempre à espreita para abalar o bem-estar. Porém, por ser uma pessoa demasiado orgulhosa, ele dificilmente demonstra para outrem o emocional fragilizado. Prefere explodir internamente do que expor vulnerabilidade. Pois costuma dissimular o desalento ante uma faceta íntegra, mas ele simplesmente não consegue fazê-lo agora. Diante de seu mate. Na verdade, jamais conseguiria ser qualquer coisa senão sincero e transparente para com o outro. Seja pela marca que os une ou pela convivência, Haneul sabe que o marido o conhece melhor do que ninguém. Quiçá ele o conheça melhor do que si mesmo, pois caso tivesse dado ouvidos ao seu inconsciente, o ômega não estaria tão desesperado. Através da marca ele seria capaz de discernir que aquele choro não era de lamúria, mas a psiquê jazia tão focada em acreditar que o choro alheio era culpa sua, que Haneul acabou chorando junto pela angústia. Tentava confortá-lo em seus braços, ornando-o com o toque tão cálido e aflito de sua parte. Pois o lobo dentro de si jazia amargurado por cada soluço do outro, exasperado em melancolia ao tentar compreender o porquê daquele choro. Novamente vem a pergunta: O que será que havia feito de errado? Mais uma vez, o ômega estremece nos braços daquele. O arrepio doloroso da culpa, totalmente sem fundamento, entrecorta a corpulência e ele morde a boca. Procurando sucumbir um gemido de lamúria, pois sente-se incapaz de acalmá-lo através de seu abraço. O coração do ômega jazia acelerado, atordoado pela hipótese daquele estar por repudiar o seu toque. Porém, o aperto em sua cintura ou a forma com que o mate se sustenta em si, comprova o contrário do que a mente tenta projetar com sucesso. As mãos pequenas e trêmulas deslizam dos ombros do marido, sustentando-as na face alheia com carinho e medo. O primeiro por ser algo tão intrínseco aos toques destinados ao outro, sempre cálidos e apaixonados. Maso segundo era algo novo. Não sentia medo necessariamente de seu alfa, mas sim de estar por desapontá-lo. O medo era a aflição de tê-lo entristecido por alguma razão. Portanto, ao que o toca, Haneul beija a testa de Taeyang. Os dígitos escorregando para os braços alheios, deslizando pela área para tentar acalmá-lo. “A-amor. Fala comigo.” O lobo dentro de si praticamente implora pela voz do outro, receoso e destruído por conta daquela mudez. “Eu não sei o que eu fiz, mas se você estiver chorando por minha causa, por favor, me perdoa. E-eu não sei o que fazer.” Quando se deu conta do próprio estado, Haneul percebe que já havia começado a chorar. Onde o ômega vem a abaixar a cabeça, embora não se distancie daquele contato, as mãos caem em punhos ao lado do corpo e ele chora. Chora por algo que não sabe, chorava por se sentir inútil diante a circunstância. Pois, afinal, o que estava acontecendo? Quiçá só não estava tão angustiado por causa da marca, da qual lhe transfere em partes aquele sentimento incógnito que emana de outrem. Proporcionando-lhe um conflito interno, mas não é como se ligasse para o próprio emocional. Pois quando sente o rosto do outro na curvatura de seu pescoço, Haneul fecha os olhos.
O ômega acaba por esconder a própria face no peito do marido, sentindo-se tolo por ter chorado tanto. Mas logo ele direciona o olhar para o mate, olhando-o em expectativa e ansiedade. Quando, portanto, ele diz que estava chorando por alegria, o ômega arregala os olhos. Os lábios se entreabrem, mas ele não diz nada. Ressoa apenas um suspiro de alívio, a sensação do pesar em seu peito sendo relaxada aos poucos. “Meu Deus. Eu estou tão aliviado.” Ele sussurra quando finalmente havia parado de chorar. Mas agora havia outro questionamento. O que o fez chorar daquela forma? O que seria suficientemente poderoso para fazer o seu alfa ficar daquela forma? Os olhos atentos procuram os do semelhante, analisando-o de forma confusa e a espera de um complemento. E quando este vem, seja pela fala ou pelo toque em seu ventre, o coração mais uma vez dispara. Ele precisa segurar nos ombros do mate, pois sente que o próprio corpo cederia e desabaria mais uma vez. Estava estático. Tentava discernir a fala alheia, mas o seu coração já havia compreendido o que ele havia falado. “T-taeyang.” Mais uma vez ele estava chorando, as mãos trêmulas indo em direção ao próprio rosto. Semelhante a primeira vez, o ômega estava chorando. Tinha medo daquilo ser um sonho. Ou que o marido tivesse sonhado com a possibilidade de estar gerando uma vida e, desta forma, ter dito aquilo. Mas a forma com que ele tocava em seu ventre e em seu timbre havia sinceridade. Agora era à sua vez de não conseguir falar nada. Era um misto de alegria e medo. O primeiro porque se realmente estivesse grávido, aquele seria uma das melhores coisas que poderiam vir a acontecer consigo. Afinal, ambos haviam tentado por muito tempo. De modo que já havia até mesmo acreditado que não seria capaz. Então a princípio o seu choro era de REJÚBILO. Mas tão logo veio o medo. “E-eu estou com medo, Taeyang.” Ele confessa ainda com as mãos trêmulas em sua própria face, deixando-as cair por alguns instantes. “De isso tudo ser um sonho e eu acordar mais uma vez me sentindo” ‘Falho por não ser capaz de gerar o nosso filho’ Ele não diz, mas é o que a mente projeta. “P-por favor, me diz que isso é verdade. Que eu não estou sonhando mais uma vez.” Sequer sabia se era possível ou não, mas firmou-se aquilo. A possibilidade de seu alfa poder sentir aquela vida dentro de si. Inconscientemente, os dígitos vão para o ventre. Colocando-se acima dos dele, onde apertou suavemente a mão alheia.“E-eu me sinto tão feliz, porém. Se for um sonho, por favor, não me acorde. Pelo menos não agora.”
Embora repleto de felicidade por motivos óbvios, Taeyang não consegue controlar o sentimento de culpa ao ver seu omega chorando. Merda, era sua culpa ter desabado em lágrimas no meio da noite sem explicação alguma, conseguia sentir através de sua marca o quão desesperado estava o âmago de seu marido, pudera, ele próprio estaria em pânico se a situação reversa acontecesse. Assim, fez questão de agir como ele havia feito, tomando as rédeas da situação e deixando-se ser apoio para seu companheiro. Fazia questão de acariciar os fios dele, bem como as costas do mesmo, repetindo todos os exercícios que conhecia para acalmar alguém. “Shh…” O sussurro no ouvido dele vinha acompanhado dos diversos beijos que distribuía por seu rosto e pelo topo da cabeça de Haneul. “Está tudo bem meu amado, você pode ficar tranquilo, eu estou bem, nós estamos bem, respire fundo huh? Eu estou aqui, pode ficar calmo…” Quando dizia que podia imaginar todo o peso que o homem sentia quanto a pressão de não terem filhos o alfa não estava mentindo. Claro, compartilhavam de uma marca que ligava suas almas, o que Han sentia Tae também era capaz de sentir em igual intensidade, mas não era apenas isso. Tinha aprendido a ler o mais novo como se fosse um livro aberto. Reparava em cada olhar distante que possuía quando estavam perto dos filhotes da aldeia. Todas as cerimônias de batizado de filhotes eram um evento o qual ficava difícil conseguir animar o marido, claro, quão difícil já era para si mesmo batizar novos integrantes de sua alcateia, sabia que era 100 vezes pior para o outro visto que era sempre ele ao qual os dedos eram apontados como culpado pela falta de um filhote na relação. Mas nada lhe era tão intenso quanto as noites em que via o marido acordar atordoado, com os olhos marejados e o corpo tremendo. Nunca precisou perguntar o motivo dos sonhos ruins, ele sabia exatamente o que era. Não só sabia como incorporara em seu dia a dia o hábito de só dormir depois de ter certeza que seu omega estaria tendo um sono profundo e agradável. Era por isso que lhe acariciava as costas e beijava os fios negros até que dormisse, que sussurrava palavras de amor em seu ouvido até perceber que o peito subia e descia devido a respiração pesada de um corpo adormecido. Haneul merecia dormir bem, pois nenhum pesadelo jamais chegaria perto da verdade. Da verdade de que Taeyang não o culpava e jamais culparia por não poder engravidar, a verdade que ele nem ao menos se importara em ter filhotes até conhecer o homem pois só verdadeiramente desejara filhos depois de perceber o quão maravilhoso pai o marido seria e quão precioso seria um ser vindo dos dois como prova de amor. Taeyang não amava Haneul para ter filhos com ele, e sim queria filhos com ele porque amava Haneul. Observava o corpo do outro diminuir o tremor e a respiração parecia ficar cada vez mais leve, dando sinais de que o homem estava se acalmando.
Entendia perfeitamente o que ele queria dizer com tudo aquilo. Não fora uma ou duas vezes que o próprio alfa acordara como o coração pesado depois de sonhar com filhos. Sim, a imagem dos dois com filhotes era suficiente para aquecer seu coração, não só aquecer, mas também esfriar todas as vezes que acordava e percebia que sua mente estava apenas pregando peças consigo. Contudo, aquilo não fora um sonho. Já havia perguntado a seu pai antes e ele lhe explicara que haviam 4 sensações que um lobo sentia de forma diferente: a presença de seu mate, a marca sendo marca, a gravidez de seu parceiro, e uma nada agradável que ele jamais queria sentir, a morte daquele que compartilhava a marca consigo. Mas, novamente, aquilo não era um sonho, o sentimento fora a mais pura realidade e ele não tivera dúvidas disso, assim tomou os rostos de seu amado em suas mãos, fazendo com que os olhos se encontrassem e que Haneul pudesse encontrar conforto em seu olhar sereno. “Yah, meu amor, isso não é um sonho, é a mais pura verdade. Eu não só senti como ainda sinto uma nova vida se formando em você, um bebê, nosso filhote. Não sei como é possível, mas eu te garanto que poucos foram os sentimentos que se compararam a esse, eu te prometo, não é um sonho. Você não precisa mais acordar, já está acordado.” A carícia que deixava na bochecha macia dele desceu pelo braço do mesmo, pela cintura e por fim ao quadril. Não resistiu, a mão serpenteou até o bumbum dele, deixando um leve beliscão por cima da cueca. Bem, que culpa ele tinha se Han gostava de dormir somente com a parte de baixo? Ele não era o melhor lobo para controlar os próprios instintos. “Viu? Você está acordado. Precisa que eu te belisque de novo senhor futuro pai dos meus filhos?” As mãos novamente foram para o rosto dele, trazendo-o para si e selando ambos os lábios em um não tão curto beijo. “Você não está sonhando. Independente do que todos digam, você sempre vai ser o meu par perfeito ninguém sabe o quão feliz você me faz a cada minuto que passa do meu lado, não podem saber o quão linda é minha vida ao seu lado e o quanto eu sou e serei eternamente grato por te ter como meu mate Haneul. Eu não preciso de filhotes para te amar com cada pedaço do meu ser, eu não preciso de provas de amor, de palavras bonitas ou qualquer outra bobagem. Eu só preciso de você, só você.” Já havia dito aquilo diversas vezes, contudo, talvez aquela fosse a vez com que mais conseguira soar sincero em suas palavras. Pois ali estava a prova, de que Taeyang o amava acima de qualquer coisa. Sim, teriam um bebê juntos, e isso jamais mudaria o fato de que ele amaria Haneul da mesma forma para sempre. Eternamente seu companheiro, o amor estaria eternamente em crescimento, independente dos fatos. “E quer saber? Se eles não te consideravam apto a ser meu marido, pois que agora engulam as próprias línguas, pois o meu mate nunca me faltou e não me faltará em nada. Se é um filhote que querem pois nós os mostraremos que com amor tudo se conquista. Mas meu amado, eu nunca precisei de um bebê para te amar incondicionalmente, pois você me preencheu com seu amor por completo, nosso amor é tanto que não cabe em nossos corpos e se manifesta na forma de uma nova vida, você entende isso? Sei que será o pai mais perfeito do mundo para esse pequeno bebê que veio como uma bênção para nossa família ficar mais feliz. Hwang Haneul. Eu te amo, mais do que qualquer coisa nesse universo, eu te amo. E se eu estiver sendo sentimental ou exagerado demais, quem liga, eu só ligo para você.”