Xander podia ser expert em inúmeros itens, porém nunca conseguia de fato ler e entender as pessoas. Não era algo pelo qual se importava ou possuía o mínimo de interesse — muito focado em si mesmo, mal tinha tempo para lidar ou se importar com as vidas alheias, embora gostasse de ser útil quando precisavam. Nunca admitiria, no entanto, que India se assemelhava à um enigma que ele gostaria de resolver, ao mesmo tempo em que todos os seus instintos o ordenavam a se afastar da garota com um provável perfil de psicopatia. Estava pronto para lhe direcionar à palavra mais uma vez, quando foi interrompido pelo barulho incomum vindo do lado de fora. Os dias dentro do acampamento geralmente eram calmos — o que deixava Del Prado bastante contente por poder se concentrar no trabalho em paz — portanto, ouvir gritos desesperados e disparos logo em seguida só podia ter um significado ruim.
Ficou imóvel. Observou enquanto India se aproximava da janela e, mesmo que ela não fosse a melhor pessoa do mundo em transmitir emoções, conseguiu captar o pavor em seus olhos. "O quê? O que foi isso? O que está acontecendo?" Perguntou rápido demais, se recusando a olhar com seus próprios olhos; isso só oficializaria tudo e teria de enfrentar, mais uma vez, o que quer que estivesse acontecendo. E esta não era realmente a sua especialidade. Quando ouviu a palavra zumbis, sentiu um alívio parcial, porque os guardas e afins estavam acostumados a matá-los. Forçou os pés à pararem em frente a janela, se horrorizando com a imagem. Ele deveria saber, Xander deveria ter previsto. Passou anos estudando radiações e mutações; como não deixá-las se infiltrar nas espaço-naves. O risco que os soldados corriam ao se expor à radiação gama e todos os cuidados e providências que deveria tomar.
E agora o mundo todo estava infestado com um vírus mortífero e coberto com radiação, todos estavam propícios à serem afetados — humanos e animais. Ele deveria saber. Se afastou da janela ao cair em si, jurava que conseguia ouvir os próprios batimentos cardíacos. "Shit. Fuck. Shit. F—" Sua voz foi cortada pelo som dos objetos caindo ao chão, empurrados pela sua mão num ato impensado, passava a mão boa entre os fios de cabelo, sua testa começava a suar. "Nós não temos que fazer nada. Estamos seguros aqui dentro, não vou à lugar algum! Se quiser ir, vá, não vou te convencer a ficar. Mas tenho certeza que o problema será contido muito em breve."















