Se ele não estivesse prestando atenção, talvez tivesse perdido as palavras do outro. E de certa forma, ele concordava. Claro que Yeonjin sabia que a culpa não era de ninguém além dele mesmo, porque o estado em que se encontrava naquele momento era nada mais do que seu corpo se protegendo da maneira que podia. Ele tirou o bloco de notas do bolso do casaco, a caneta entre o aro que segurava as folhas juntas e abriu na primeira folha, um sorriso quase tímido no rosto enquanto escrevia as palavras e quando terminou, virou o caderno para que Yukwon pudesse ler. “Eu sei disso, eu também acho que é um pouco injusto, mas tudo depende de mim agora.” Os médicos diziam que se ele lembrasse do que tinha acontecido, talvez sua voz voltasse, visto que o fator de não conseguir falar era um transtorno psicológico e não físico. Yeonjin mordeu o lábio inferior brevemente antes de virar o caderno de volta para si e virou a página, escrevendo mais algumas sentenças e mostrando a Yukwon. “Assim que eu cheguei aqui, eu fiquei imaginando como seria minha voz. Mas eu também me perguntei como eu era antes de esquecer tudo. As vezes sinto que eu não sou quem deveria ser, mas como eu vou saber se não lembro de nada, huh?” A pergunta final era para ser engraçada, por isso ele adicionou um emoji(^v^)para quebrar a seriedade do assunto. Era bom ter com quem conversar, mesmo que ele não fizesse a parte oral da conversa, mas parte de seu medo ao iniciar contato com as pessoas era em como seria recebido. E apesar da estranheza do primeiro contato com Yukwon, Yeonjin em nenhum momento se sentiu desconfortável na presença do outro. Quando a garçonete trouxe as bebidas de ambos, Yeonjin a agradeceu com um eyesmile e tomou um gole merecido de seu chocolate quente, sua garganta emitindo um fraco som de deleite e aquilo o pegou de surpresa. Seus olhos rapidamente travaram nos de Yukwon e ele podia jurar que conseguia ver seu reflexo ali, olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma. Aquele som nunca havia saído dele antes. Suspiros eram a única coisa perto de um som que Yeonjin conseguia emitir e agora aquele fraco, quase mudo som de que algo o tinha deixado satisfeito… Pegando seu bloco de notas, Yeonjin rabiscou as palavras rapidamente, se perguntando se apenas ele tinha ouvido aquilo. “Você… ouviu?” Observou o outro atentamente, fixo em cada movimento de sua expressão porque não achava que tinha ficado louco, ele conseguiu sim emitir um som, ou algo parecido.