Eu tenho tanto medo, medo de me magoar de novo como ele fez comigo. Eu lutei tanto, tanto pra não sentir mas a única coisa que eu fazia era isso. Tenho medo de sofrer isso de novo. Não consigo me entregar, o fato da cobrança que ele me fazia de ter que sentir rouba até o que eu quero e mereço ter agora. A insuficiência da minha existência era algo que ele colocava tão sutilmente que latejava aqui dentro mesmo sem eu perceber. Me pego agora tomada em um mar de certezas que nem são minhas. Eu não me permito sentir. Acho que nunca me perdoei pelo fato de você ter me feito te amar depois da Kamila. Eu me culpava tanto por não te amar que quando te amei eu ainda achava que não era suficiente. Vocẽ quis tudo de mim, menos eu. E tá tudo aqui ainda, “ não pesa tempo para te esquecer que eu me acostumo mais não te esqueço” eu cantava essa parte da música do Tim pra mim mesma por diversas vezes, várias e várias e incansáveis vezes. Mas o que eu não sabia era que na verdade, eu me acostumei com o fato de você ter me roubado. Todas Bruno, todas as minhas relações depois de você foi uma busca incessante de mim mesma. De me sentir merecedora de você. Eu te amei mais do que eu pude e aguentei por muito tempo. Você me colocou em uma caixinha onde eu não deveria ser mais do que aquilo. Eu tenho medo. Você me fez ter tanto medo, me fez querer tá em lugares que não me cabiam só pelo fato de ter a necessidade de me encaixar em você. Querer estar com quem não me queria tornou-se algo normal. Eu normalizei o fato de alguém não me querer porque simplesmente eu aceitei que não merecia você. E qualquer um que eu deixei entrar foi porque eu queria provar que podia ser amada mesmo você me fazendo sentir nesses 4 anos que não. Eu estou cansada. Cansada de você em mim, de ainda acreditar em você. Esse medo não é meu, não me pertence. Eu tenho saudade de mim sabia, eu nem me lembro mais como eu era antes de você, antes dessa necessidade de suprir seus sentimentos me toma. Eu sou corajosa, eu sei que sou. Eu rompi tantas coisas nesses últimos meses, me olhei como nunca tinha me visto antes, como você que dizia que me amava nunca me olhou. Eu quero ser amada por quem eu sou, por aquilo que ainda eu vou me tornar, não as consequências disso. Hoje eu quero romper com você. Com o medo que você fez nascer em mim. Esse medo não cabe mais, não o quero aqui, não é sobre mim, não me pertence. Eu quero enfrentar o amor como uma pessoa amada, para além daquela que descobri quando amo. Eu sou um caco, um caco que quer brilhar sobre o sol.