&&; ` Paint me a blue sky ´
yoonjinae:
Não se sentia confortável sabendo que o pai tinha indicado aum amigo os seus trabalhos, não se sentia confortável de que a famíliadivulgasse o que ele fazia não por qualquer outro motivo senão amor e em algunscasos, apenas para se lembrar como se fosse um trabalho realmente. Acreditavaque pessoas tão ricas como ele era, não precisavam fazer aquilo pra vender ousubjugar a arte a um mero produto de comércio, mas o capitalismo do pai diziao completo oposto então ele simplesmente aceitaria de bom grado desde que odinheiro não passasse por ele. Sabia que indiretamente passaria porque seusgastos todos com roupa, alimentação e tudo mais eram provenientes dos pais,então era sim como um trabalho, como se pintasse para se sustentar mesmosendo rico e aquilo era triste… Tão triste que já tinha desistido de pensarsobre assim que se colocou na frente do prédio. Conhecia aquela empresa, conhecia dos donos dela e as histórias maisinternas, famílias sempre comentam esse tipo de coisa e em uma de suas‘conversas de menino’ com o pai a respeito de negócios e todas essas coisas, amãe havia se metido no meio para falar do perigo de se ter moças muito novas ebonitas nas empresas. Para Haruki aquilo era completamente estranho e até mesmoengraçado porque acreditava que pessoas que amavam não se metiam com qualqueroutra pessoa e não entendia principalmente porque parecia tão ruim ser com umafuncionária da empresa que o pai até tinha comentado a função, mas o garoto nãolembrava mais. Ele nunca se lembrava, mas naquela questão aquilo não fazia a menor diferença e sequer era relevante.
A sua frente uma mulher imponente que o obrigou a tomarpostura, coisa que tinha relaxado no elevador, os olhos baixaram e o corpo seinclinou de forma respeitosa para ela, a camisa fechada nos punhos com botões deixava apenas astatuagens do pescoço a mostra e algumas nas mãos (as mais importantes, junto asdos pulsos e antebraço). Estava tentando ser o mais formal e profissional possívelnaquela ocasião embora fosse a primeira vez que tentava expor seu trabalho dealguma forma, seu pai havia sido claro em relação ao fato de que ele deveriaficar relaxado, mas que se aceitasse fazer que fosse da melhor forma possível,pois era o sobrenome da família. Seguiaa moça como um estagiário que havia acabado de descobrir que a empresa era bemmaior do que o imaginado, como uma criança em seu primeiro dia na escola sem ospais e por aquele motivo, o hálito quente saiu jogado de seus lábios como um bufarenquanto os dedos brancos e frios iam até a gola da camisa social,puxando-a para aliviar o sufocamento que era mais psicológico. Adentrou a sala e os olhosforam diretamente as paredes, eram largas e aquilo dificultava ainda mais seutrabalho, não era habituado a pintar em paredes, na verdade não fazia ideia decomo fazê-lo e deveria ter avisado isso ao pai, entretanto agora estava ali ejá era tarde demais, havia pego uma responsabilidade e a cumpriria. – Sim…Elas só são mais largas do que eu imaginei. – Abaixou o rosto, escondendo umsorriso do tipo amarelo. – Ah, claro! – Rapidamente a bolsa que carregavaatravessada de um ombro para o outro lado do quadril foi aberta, exibindo umaorganização de agendas e papéis maiores que não era lá tão conhecida no mundoda arte. Tirou de dentro dela uma pequena pasta azul clara com algumas floresdente-de-leão desenhadas e aproximou-se um pouco mais da moça, folheando aspáginas até finalmente encontrar as que interessavam. – Eu tenho dois modelosno caso de paredes, eu tenho in draw e os em tinta mesmo… O in draw são essesaqui e eu posso fazê-los diretamente na parede e posso fazer qualquer outrodesenho que não os que estão aqui. – Havia se colocado ao lado dela quase semperceber e também daquela forma, estava sorrindo e os olhos brilhavam. – Eu tambémtenho os que eu faço normalmente á óleo. – Disse exibindo agora a outra pastaem um tom um pouco mais escuro de azul. - Já esses são mais trabalhosos porquevou precisar fazer na tela e … – Pensava em como explicaria o trabalho para amoça, se nem ele entendia direito sobre os termos, imagine alguém quetrabalhava em uma empresa de um ramo tão distante da arte. – Acho que vou ter que…Como se fosse colá-los na parede. – Sentia-se um perfeito idiota. Os lábiospartiram, buscando ar que parecia faltar agora nos pulmões e os dedos comopedras de gelo indicavam a queda repentina de pressão, levou a mão à frente daboca para ‘tapar’ o tossir. – Gomene. – Balançando a cabeça negativamente,lembrou-se que tinha que ser formal e que era em coreano, mas quem disse que ele se lembrava das palavras formais? – Mian – O nervosismoimpedia que a palavra fosse dita sem mais um tossir. – Mianheyo.
Desestabilizou-se quando a pasta dos desenhos que já haviamsido mostrados escorregou de sua mão sem que ele sequer notasse, sem queconseguisse controlar ou tivesse reflexo suficiente para não deixá-la cair e opior, para não observá-la no chão com os desenhos sendo espalhados pela sala de rostos das pessoas que moravam em seu condomínio. O rosto desceulentamente enquanto a mão destra ia tapar o olho direito que havia desfocado em um nítido alerta de crise, puxava maisum pouco de ar, não acreditava que aquilo estava acontecendo, sabia que tinhatomado o remédio e que tinha se alimentado bem, não tinha nada errado… Nadaalém do nervoso absurdo de ter que mostrar coisas que pra ele, ninguém tinhaque ver: suas pinturas. O corpo desceu devagar enquanto o rosto se erguia com um sorriso. – Eu voupegar tudo, me desculpe pela confusão… A senhora pode ficar olhando ostrabalhos enquanto eu recolho, eu sinto muito mesmo. – O sorriso era cheio devergonha e falta de jeito e aos poucos os desenhos iam sendo recolhidos pelamão esquerda que tremia.
OS SEGUNDOS PARECERAM SE ARRASTAR enquanto ambos se encaravam e foi uma surpresa a porta do elevador não ter se fechado e levado-o de volta. Sempre que se deparava com alguém novo ali, se perguntava o quanto eles sabiam sobre sua situação ali dentro, se a olhavam com desprezo, se fofocavam por suas costas também. Todos os funcionários pareciam tão certos de que Yoon JinAe tinha tirado a sorte grande ao se tornar a menina dos olhos do CEO mas ninguém se importava de verificar os fatos, a saber, o inferno que aquela ocorrência representava para ela. Contudo, não conseguiu se obrigar a encarar os olhos coloridos por muito tempo, temendo deixá-lo desconfortável mas o peso da presença do rapaz enquanto este a seguia parecia prender-se à ela e puxá-la para trás.
“Isto não deve ser um problema. Apenas pense nelas como telas, hm... um tanto fora do convencional?” Não tinha ideia do que dizia mas soava bastante profissional e aquilo lhe passou alguma confiança que desejava ter atingido o artista também. Não tinha experiência com eles, mas ouvia dizer que eram peculiares e costumavam ter o ego maior que o prédio no qual trabalhava além de portarem vontades e especificidades as quais, se não atendidas, tornava o convívio profissional impossível todavia Yoon não demorou a perceber que aquilo não se aplicava ao jovem enquanto este lhe mostrava as opções e trabalhos com fascínio visível tamanho que a garota não pode evitar de ser contagiada. Pequenas exclamações de assombro e admiração escapavam os lábios pequenos de tão belos que eram os exemplares e completamente opostos do que ela imaginava - pensava em uma cor vibrante, alguns padrões aqui e ali, talvez bordas nos cantos diagonais... mas desenhos? De súbito, ela estava interessada e perdia toda a postura profissional e sisuda de antes.
“Tudo bem.” Sua voz era macia ao sorrir pois percebia o nervosismo do rapaz. “Você não é daqui, não é?” Não perguntava por não saber pois tinha notado o sotaque dele desde o momento em que abrira a boca e estava curiosa a respeito da escolha de um estrangeiro para fazer aquilo. Não que fosse algo incomum entre os ricos - que gostavam de importar todo tipo de produto e serviço como se isso valorizasse seus bens - mas ainda assim... “Ah!” Exclamou com pesar quando as pastas caíram no chão, os desenhos espalhando-se. Não teve certeza de como agir a princípio e o próprio rapaz parecia incerto de como proceder então ela permaneceu congelada, os braços semi estendidos em uma posição estranha enquanto debatia se deveria tocar ou não o material. “Tem... certeza...?” A voz de JinAe foi morrendo quando os olhos encontraram um desenho peculiar... um rosto. Um rosto muito conhecido. Na verdade, uma dúzia deles - mais ou menos familiares. Mas um, em particular, lhe chamou a atenção e antes que se desse conta estava agachada com este nas mãos. “JinHwan?” Perguntou ao retrato. “Este é o JinHwan, não é?” Direcionou a pergunta ao artista desta vez. “Conhece meu irmão?”
















