todo mundo que me olha duas vezes sabe que eu não valho a pena.
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todo mundo que me olha duas vezes sabe que eu não valho a pena.
eu nunca considerei realmente o suicídio. eu já me senti muito mal, um merda, um lixo, mas nunca realmente pensei em me matar. eu pensava que amanhã seria outro dia e na maioria das vezes era. eu acordava e as coisas estavam melhores, pelo menos até a próxima vez. mas eu perdi muita coisa, eu consegui afundar até o pescoço em estrume. eu perdi o controle sobre o meu corpo, sobre o meu humor, sobre as coisas que eu falo. algumas vezes eu sinto raiva, uma raiva incontrolável, e eu não sei se é melhor guardar ou por pra fora. ela sempre escapa em algum momento e atinge alguém que nada tem a ver. e desse jeito eu só consigo me sentir pior. mas isso é quando eu sinto alguma coisa, porque muitas vezes eu só estou vazio. há quanto tempo eu não me sinto realmente bem, seguro, limpo, aceito? eu lembro de alguns dias assim, dias em que eu tinha alguém que me fazia sentir como se eu valesse a pena. hoje eu não tenho mais certeza disso. eu sinto falta do conforto que esse alguém me trazia, da paz. sim, ele era minha paz. uma vez ele me disse que eu era seu porto seguro, mas o que a gente não sabia é que ele era o meu. e hoje eu sou um barco solto num mar de incertezas e desilusões, perdido sem saber que direção tomar, sem encontrar meios de sequer retomar o controle. parece que eu já morri, só que ainda não aceitei isso. a culpa não é sua, meu amor, você só me fez bem. você só tem culpa de me mostrar como é ser feliz, o que me fez perceber o quanto eu sou infeliz hoje. eu nunca considerei realmente o suicídio, mas hoje eu estou sozinho em casa e tem uma faca do meu lado. e eu me pergunto por que eu não consigo parar de pensar nela.
“Não é que eu não queira falar contigo. Tem dias que eu realmente só quero ficar quietinho, na minha entende? Assim eu evito aborrecimentos e decepções.”
— Diego Castro.
não é que eu não sinta tua falta.
“Eu quis espernear, gritar “Fica pelo amor de Deus!” Mas desde quando a gente pede uma coisa assim? Desde quando a gente tem que implorar pra alguém ficar? Mesmo que a vontade inunde nossa alma, e a certeza da falta destrua nossas vontades, amor não se implora.”
— Tati Bernardi.
“Tem que ser você. E não foi escolha minha não, te juro. Tem que ser você porque é pra ser assim. Tá escrito, em algum lugar, em algum papel amassado no fundo de alguma gaveta empoeirada. Eu sei. Todo mundo sabe, todo mundo olha pra gente como se já soubesse que se for pra ser de alguém, eu tenho que ser tua e vice e versa. Não é algo que eu tenha pedido. Simplesmente aconteceu… Um dia eu te olhei e vi ali, no reflexo do teu sorriso a minha vida inteira.”
— Os clichês que eu gostaria de te dizer.
Me perdoa por ainda acreditar na ideia de que alguém vai chegar e vai me fazer entender porque tudo deu errado até agora.
Densidades. (via densidades)
não aguento mais fingir que eu não sinto nada quando, por dentro, meu mundo está despencando.
“Desejo a você: Cheiro de jardim. Namoro no portão. Domingo sem chuva. Segunda sem mau humor. Sábado com seu amor. Filme do Carlitos. Chope com amigos. Crônica de Rubem Braga. Viver sem inimigos. Filme antigo na TV. Ter uma pessoa especial - e que ela goste de você. Música de Tom com letra de Chico. Frango caipira em pensão do interior. Ouvir uma palavra amável. Ter uma surpresa agradável. Ver a Banda passar. Noite de lua cheia. Rever uma velha amizade. Ter fé em Deus. Não ter que ouvir a palavra não. Nem nunca, nem jamais e adeus. Rir como criança. Ouvir canto de passarinho. Sarar de resfriado. Escrever um poema de amor, que nunca será rasgado. Formar um par ideal. Tomar banho de cachoeira. Pegar um bronzeado legal. Aprender um nova canção. Esperar alguém na estação. […]Uma festa. Um violão. Uma seresta. Recordar um amor antigo. Ter um ombro sempre amigo. Bater palmas de alegria. Uma tarde amena. Calçar um velho chinelo. Sentar numa velha poltrona. Tocar violão para alguém. Ouvir a chuva no telhado. Vinho branco. Bolero de Ravel. E muito carinho meu.”
— Carlos Drummond de Andrade.
Você não entenderia minhas dores, nem o fato da minha existência pesar e ser nula às vezes.
Não entenderia meus medos, minhas crises de ansiedade, meu choro de saudade, meu mau humor disfarçado de irritação e frieza.
Não entenderia meu cansaço. De como a tristeza às vezes se agarra nas minhas vísceras e maltrata.
Não entenderia. Você gosta do meu lado feliz, do lado que faz você rir.
Você não teria lugar no seu abraço para as minhas dores. Nem sequer nota quando me fere.
Não teria atenção na sua agenda para os meus soluços roucos.
Você sempre quis o mundo e eu sou só uma fagulha nele, por falta uma descrição melhor.
Não! Não teria espaço pro meu existir confuso nas suas malas de viagem.
E tudo bem. Só não me segure também.
Deixe que eu voe e observe a paisagem
Deixe que eu pouse em outros campos
Deixe que eu siga e procure outro laço.
Nanda Marques.
desculpa hoje eu tirei o dia pra sentir saudade
A well deserved rest