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O poder e influência de Mama Huaco são vistos como algo da ordem do demoníaco e da feitiçaria, o que desclassifica suas práticas como negativas, perversas e repulsivas. A liberdade sexual é apontada como uma das perversões ligadas à sua representação. Mais uma vez, a ausência de controle sobre o corpo das mulheres é vista como sinal de desordem, de engano. As cerimônias praticadas e presididas por um agente feminino tornam-se focos de misteriosas feitiçarias, já que utilizam elementos da natureza. No imaginário do cronista, a presença de uma mulher exercendo o poder e estando ligada ao sagrado e às huacas, sendo respeitada, influente e temida, só podia figurar como algo da ordem do profano e diabólico, pois na perspectiva cristã o governo legítimo é somente aquele instituído por um deus/homem.
OLIVEIRA, Susane Rodrigues de. Por uma história do possível: representações das mulheres incas nas crônicas e na historiografia. Pg 138.