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@acusma
Lunar eclipse October 8, 2014
via
Olhe para cima e veja o luar. :D
Isso! Muito obrigada. (Prometo que quando me desafogar de trabalho escrevo um pouco sobre o que acho de "50 Tons de Cinza" -- mas acho que por hora o quadrinho expressa perfeitamente meus sentimentos).
Entrevistas, entrevistas, entrevistas
Acho que o último mês foi das entrevistas no FalaCultura. Foram várias entrevistas, três das quais me marcaram bastante.
A primeira foi com o querido Rui Xavier, sobre o livro de contos (excelente!) que ele escreveu, Metamorfoses Privadas. Creio que essa foi a entrevista mais difícil que já fiz desde o início do FalaCultura, por vários motivos. Primeiro porque amei o livro, reli umas duas vezes, mas não conseguia exatamente decifrar um ponto específico que me fazia amá-lo - coisa bem rara para mim -, era uma sensação generalizada de se envolver com uma obra, e cada vez que eu realizava uma nova leitura, acabava encontrando novas coisas que eu gostasse.
Depois que considero o Rui inteligente demais, então foi particularmente difícil elaborar perguntas. Havia muitas coisas que eu gostaria de perguntar, mas era difícil formular as perguntas de uma forma inteligível. Gostei muito do resultado final, mas muito mais pelas respostas dele do que pelas minhas perguntas.
A segunda foi com uma jovem artista chamada Bia Tambelli, envolvida com um projeto interessante chamado Memórias de Yokohama - uma mistura inusitada de futebol, arte e solidariedade. O projeto já me surpreendeu, mas ainda mais incrível é a atenção que a Bia deu quando pedi para fazer uma entrevista. Imagine uma pessoa legal. Ela foi super atenciosa, o que é mais raro em entrevistados de Artes Visuais (triste realidade).
Por último, fiquei ultra comovida de fazer uma entrevista com Mauricio de Sousa. Os quadrinhos dele marcaram minha infância, lembro da minha avó levando caixas de gibis quando eu morava fora do Brasil. Acho que a primeira coisa que aprendi a desenhar foi a Mônica (se bem que nunca consegui fazer o cabelo dela direito, até hoje) - e hoje também trabalho fazendo charges e ilustrações como freelancer (o que me lembra que preciso organizar um Flickr ou Deviantart com algumas delas, mas isso fica para quando houver mais tempo). Assim, o Mauricio foi uma das grandes influências na minha infância, e eu diria na minha vida até hoje.
Em resumo, foi um mês muito bom em termos de entrevistas :) Para quem quiser conferir os resultados aqui estão os links:
Rui Xavier - http://goo.gl/6lZny Bia Tambelli - http://goo.gl/TyWwl Maurício de Sousa - http://goo.gl/ooyID
O projeto estante pública que foi criado em 2008 na cidade de Porto Alegre - RS, tem o objetivo de levar cultura aos passageiros de ônibus que, por muitas vezes, acabam não tendo tempo de ler por conta da correria.
O projeto foi inscrito na Fundação Nacional de Artes, onde foi contemplado...
Resumo do dia: duas obras de arte, apenas mais duas oportunidades
Hoje (como ontem) foi mais um dia vida louca meio corrido, mas acho que o resultado no todo foi um pouco melhor que ontem.
Bom, além de aula de Processo Penal (ai, céus) e almoçar com minha melhor amiga, ainda consegui espremer um monte de coisa no dia. Como ontem, procurei primeiro encaixar alguns filmes da 36ª Mostra Internacional de Cinema na minha programação. A minha decisão em relação aos filmes da Mostra que vou ver estão sendo uma mistura dos horários que posso com os filmes que quero (com o primeiro critério, infelizmente, dominando quase sempre), então sempre rolam umas confusões na hora de montar minha programação (falo sobre isso com calma depois).
Ontem, por exemplo, acabei vendo dois filmes beeeem diferentes - o dinamarquês Alimente-me com suas palavras e o norueguês O quase homem. Enquanto o primeiro é bem intrigante e tinha uma estrutura digna de nota, o segundo é sem sal até dizer chega.
Então, originalmente meu plano para hoje era assistir um filme japonês chamado Rio às 14h, e depois um documentário sobre o grupo de arte-guerrilha Voina (que amo, aliás) às 16h00. Acontece que tudo deu caquinha porque perdi o horário das 14h. Aí surtei, fui pro Centro Cultural buscar um livros que precisava pegar emprestado.
Conclusão: fui parar numa sessão do filme Em Família. Não me arrependi nem um pouco - o filme demora um pouco pra engatar, mas ele consegue contar uma história que está caindo no senso comum (casal de mesmo sexo, um dos cônjuges sobrevive o outro e precisa lutar pela custódia do filho do casal) de uma forma que sai totalmente do esperado. Algumas cenas (como uma passagem na cozinha da casa, logo após a morte em questão) são pura poesia, e o desfecho também quebra com nossas expectativas. Recomendo muito - só vai ser exibido mais duas vezes na mostra, então corra.
Depois, corri para a Livraria da Vila da Lorena, para o lançamento do livro Metamorfoses Privadas, do Rui Xavier. Confissão nº 1: não conhecia até hoje a Livraria da Vila da Lorena - acho que já fui em outra, mas não lembro qual.
Confissão nº 2: não gostei do da Lorena. Pronto, falei. Não é acolhedor, me senti em uma loja de cristais ou um antiquário, sei lá, tem um ar meio burguês e dá a sensação de que você não deve tocar nos livros (aliás, de que você não deve tocar em nada). O contrário do que espero de uma livraria (ou de qualquer ambiente que abrigue cultura, aliás).
De lá, corri (é, vocês tão vendo que o dia não foi fácil) para o Sesc Consolação para ver DentroFora. Sorte minha! A peça é muito simples e mesmo assim muito impactante (diferente de umas produções bem maiores que vi recentemente). O grande destaque é a interpretação - o olhar vivaz que a personagem lança à plateia ao final da peça, que contrasta com seus movimento mecanizados até então, é de gelar os ossos.
Má notícia: também só há mais duas apresentações, segunda e terça que vem. Hora de correr para ver!
Vocês não imaginam em que nível estou fazendo isso...
Com tanta menina da mesma idade que vive em um mundinho que caberia em uma casca de ovo, Malala Yousufzai, de 14 anos, tomou um tiro de radicais do Talebã por dedicar sua infância ao que acreditava - o direito de garotas paquistanesas frequentarem a escola. Felizmente, ela já apresenta sinais de melhora. Para quem quiser mostrar apoio à causa de Malala, abaixo-assinado do Avaaz:http://goo.gl/VjIAo
E só porque hoje estou bancando a chata, vou fazer um breve comentário sobre a Peruada, festa (supostamente manifestação) organizada anualmente pelos alunos da Faculdade de Direito da USP nas ruas do centro de São Paulo.
Sou aluna da Faculdade e não frequento a Peruada. Por que? Porque acho ela a principal manifestação da arrogância do franciscano, que acredita que pode (literalmente) parar a cidade em função da sua vontade de beber e fantasiar-se nas ruas.
Não que eu pregue o fim da Peruada: não é isso. Mas acho que seria possível pensar em outras formas de realizar a festa, sem que ela prejudicasse a cidade. Por que ela não poderia ser realizada, por exemplo, de final de semana? Por que não poderia ser em outro local?
Qualquer pessoa que já frequentou a Peruada (cheguei a organizar uma, em 2009, quando fui da gestão do Centro Acadêmico XI de Agosto) sabe que ela não é uma manifestação política - pretexto que permite a autorização da CET para o fechamento do Centro, por parte da manhã e boa parte da tarde, em uma sexta-feira - mas uma micareta de luxo, para alunos das principais faculdades de São Paulo embebedarem-se. Como não há aviso prévio da população (que com certeza ficaria revoltada com o motivo do fechamento das vias), diversas pessoas ficam presas nas ruas que desembocam na via, incluindo idosos, pessoas com crianças pequenas e mesmo, em algumas situações, ambulâncias. Os reflexos da "diversão" são sentidos nas Marginais, na Avenida Paulista e em diversas outras vias.
O mais bizarro, contudo, é que os mesmos alunos que apluadem de pé a Peruada, descem a lenha quando há - por exemplo - manifestação de professores de escolas municipais na Avenida Paulista. Porque parar a cidade para beber às 9h da manhã em dia de semana é válido, mas para pedir melhores condições de trabalho e investimento na educação não. Vai entender.
Vergonha alheia: Soninha chama Haddad de "filho da p.", e depois recua
Notícia de ontem, mas não podia deixar de comentar. Acho que esse tipo de coisa, evidentemente, não prova que o Serra (apoiado por Soninha) não seja um bom candidato (apesar de outros fatores, na minha opinião, provarem), nem que o Haddad seja... Mas certamente provam que Soninha não tem o menor equilíbrio ou preparo emocional para ser candidata a qualquer coisa que seja.
Vou colocar aqui trechos da notícia conforme saiu no site da Carta Capital, para que entendam o contexto do ocorrido:
Candidata derrotada à prefeitura de São Paulo, Soninha Francine (PPS) chamou o candidato Fernando Haddad (PT) de “filho da p…” em texto publicado em seu blog nesta sexta-feira 19.
“Esses imundos (petistas) vem dizer que nunca ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram muito pelos pobres. Repetem, repetem, repetem. Aí botam um cara na televisão dizendo exatamente isso: “Os tucanos nunca fizeram nada pelos pobres”. E aí vem no debate dizer “Vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões?”. Filho da p…”, escreveu.
O termo já havia sido usado por Soninha na noite de quinta-feira, durante debate na tevê Bandeirantes, do qual participaram Haddad e José Serra, como puderam comprovar as pessoas que estavam próximas da ex-candidata. Durante o debate, sentada na plateia, Soninha já se mostrava nervosa com o petista e o chamava de mentiroso. A ex-apresentadora da MTV declarou apoio a Serra no segundo turno. No primeiro turno, petistas avaliavam que ela já atuava como “linha auxiliar” do tucano.
Agora, se você entra no blog da Soninha, dá de cara com o seguinte aviso aos leitores:
[Pra quem veio aqui procurando um palavrão xingando o Haddad: apaguei. Estava com muita raiva e escrevi como falo [falo muito palavrão]. Podia ter dito simplesmente "SUJO". No fim, substituí por "MUITO cinismo". Era lá que estava o "filha da p."]
Bom, vamos lá: quem escreve um texto de argumentação política (se bem que argumentação é o que menos há no texto, mas enfim), que possivelmente formará opiniões - e portanto, deveria ter um mínimo de responsabilidade na hora da elaboração - com "muita raiva"?
Para uma pessoa que prega um discurso de paz e diz que é possível fazer política "de outro jeito", esse comportamento é no mínimo incoerente. Ao invés de debater ideias e posições, buscar deslegitimar a outra parte usando palavras de baixo calão (ou mesmo ofensas genéricas que pipocam toda hora no texto, como "imundos" e "sujos") é infantilidade, e demonstra despreparo. Vergonha alheia.
Tá aí outra futura pauta para o FalaCultura que não posso esquecer: a incrível artista urbana Nikita Nomerz, que viaja mundo afora transformando objetos encontrados na rua em arte pública. Ela também fotografa outros artistas em ação.
Google Doodle do dia das eleições no Brasil. (adoro todos eles!)
Um assunto que mexe comigo: o real impacto que a saga Crepúsculo está tendo sobre toda uma geração de garotas. Digo isso em relação tanto ao modelo de relacionamento pregado pelos livros/filmes, quanto aos papéis de gênero que ele desenha.
Vamos começar por Bella. Pensemos nela enquanto mulher, habitante do século XXI. Enquanto personagem, Bella praticamente não existe de forma independente de seus pares românticos, Edward e Jacob - não sabemos do que ela gosta, dos seus hobbies, ou mesmo de amigos. Ela vive em função desses homens, e depende deles, tanto fisicamente (são sempre eles que a protegem dos perigos) quanto emocionalmente (lembrando que ela quase morre da primeira vez que termina seu relacionamento com Edward). Para ficar ao lado de Edward, ela sacrificaria qualquer coisa: sua família e toda sua vida.
Quer exemplo pior que uma mulher que apenas existe enquanto "namorada" de alguém? Que abriria mão de sua própria vida para seguir um homem?
Pior do que isso, ainda, é o relacionamento doentio entre Edward e Bella, que é desenhado por Meyer como "romântico". Edward é controlador, obcecado por Bella. A assiste dormir sem seu conhecimento ou autorização. Após o casamento, Edward machuca Bella na noite de núpcias - mas ela não se importa, e aceita isso passivamente, afinal, essa é sua "natureza" e, portanto, não foi culpa dele.
Pode-se dizer que a série é uma ficção, afinal, Edward é um vampiro que brilha e tal e tal. Mas não dá para ignorar as analogias que várias jovens garotas impressionáveis farão com suas próprias vidas. Estabelecer que um homem que persegue, agride "sem querer" é um homem romântico é, no mínimo, bizarro e pouco saudável. O relacionamento de Bella e Edward não apenas está longe de ser ideal: ele é o próprio modelo de um relacionamento amoroso abusivo.
Muito bom, ambos os stop motion (apesar de eu especialmente ter gostado do beijo).
Direto do túnel do tempo: campanha de Silvio Santos, candidato à Presidência da República.