✧ ˚ · . Estaria mentindo se não continuou o restante da semana ansiando pela sexta-feira. Por quê? Essa era a pergunta. Era só um encontro entre as crianças, certo? E bem, uma conversa a mais para ela e Adam, mas nada de mais. Por que um sentimento estranho perambulava por dentro dela? Já tinha se convencido de que não sentia mais nada por Adam. Deuses! Ele era viúvo, ela divorciada, não ia dar certo, cada um tinha cicatrizes demais para pensar em qualquer coisa entre eles, e acima de tudo, os dois tinham seus filhos para cuidar. A partir daquele momento, as crianças eram a prioridade, não sua vida pessoal. Ainda assim, a roupa que havia escolhido para a ocasião dizia que havia algo a mais ali, o macacão expondo um pouco mais do que geralmente mostrava por trás do avental de trabalho do Granny’s. Por mais que não fosse mais só uma garçonete, e sim gerente, ela ainda gostava de seguir as regras da avó, para mostrar a evolução da relação das duas, e quanto tinha orgulho do pequeno espaço que haviam construído naquele mundo.
A mão quase tremeu ao tocar a campainha, mas os sussurros incessantes das gêmeas que pareciam estar planejando todas as brincadeiras que fariam pela tarde a mantinham com os pés no chão. Antes que pudesse dar um último sussurro para esconder o nervosismo bobo, tão diferente daquele dia que haviam se encontrado no bar, a porta abriu, e o sorriso de Adam pareceu iluminar o local. Não pode sequer cumprimentá-lo antes das gêmeas partirem correndo para dentro, sendo levadas embora por Caleb, quem ela mal pode ver; mas apenas o pouco que viu, já sabia que ele havia crescido mesmo. A voz de Adam por cima da gritaria arrancou um riso sincero da Lucas, que conhecia bem aquela situação. “Oi, Adam. Eu estou ótima, obrigada por nos receber…”, ela complementou em tom alto, mas que também não fez efeito algum nas crianças, fazendo com que ela risse outra vez. “Acho que a animação vai falar mais alto dessa vez.”, agora em tom normal, riu baixo, entrando na casa assim que ele lhe deu espaço. E agora? Ela o abraçava? Um beijo em sua bochecha? A que pé estavam? Credo, parecia uma adolescente! Se recompondo, passou um dos braços pelo ombro dele, lhe dando um abraço breve. “Mas de verdade, obrigada mesmo por deixá-las vir aqui hoje, falaram disso a semana toda.”, não sabia que as crianças eram tão amigas assim, mas aparentemente, difícil seria separá-las. O faro lupino logo se ativou, e ela não conseguiu esconder o salivar que o cheiro delicioso da comida lhe causou. “Nossa, a Sra. Potts pelo jeito se superou… se importa se eu perguntar o cardápio de hoje? Até me arrepiei.”, em relação a seus problemas bestiais, ela não sentia vergonha em compartilhar com ele, afinal, um dia tivera o mesmo problema. Era até estranho a sensação de liberdade de poder falar daquele jeito, um pouco cômico.
"Dessa vez?" Adam resmungou, olhando para onde as crianças tinham desaparecido correndo enquanto balançava a cabeça. Adorava os filhos, mas estava ansioso para quando poderia ter conversas com eles que não incluissem tentar descobrir onde tinham escondido os próprios sanduíches de pasta de amendoim e geleia. Quando se virou, foi surpreendido pelo abraço de Lucas. Claro, não é como se fosse recusar, mas não era o maior fã do contato físico. "Claro, sem problemas. Meus delinquentes juvenis também ficaram planejando cada momento a semana toda." Ele deu um passo para o lado, fazendo sinal para que ela entrasse na casa. A mansão continuava tão impressionante como sempre, embora ele a achasse muito mais vazia agora e pensasse muito sobre comprar algo menor e mais perto da cidade. Chega das memórias desse lugar.
"Ela não sabia o que você preferia... então ela fez tudo. Carne e massa e sopa e pão... espero que estejam com fome." Ele disse com um suspiro, fechando a porta enquanto ela adentrava mais o local. A visão do macacão não foi uma da qual ele reclamaria, mas não sabia se era educado fazer um elogio. Já tinham ido por esse caminho antes e não tinha acabado bem. "Quer beber alguma coisa? Uma água, um vinho?"















