Às vezes acho
Que leio contos de fadas
Para desvencilhar da realidade
Que me faz apanhar todos os dias
Assim que os olhos despertam e os sonhos morrem.
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@adocedesconhecida
Às vezes acho
Que leio contos de fadas
Para desvencilhar da realidade
Que me faz apanhar todos os dias
Assim que os olhos despertam e os sonhos morrem.
Quando você percebe
Que essa brabeza toda
É só casca
E que por de trás da fortaleza
Tem uma menina
Que chora no escuro
E abraça o medo
Todos os estereótipos
Caem por terra
E são invalidados
Um a um.
Não é frieza
Nem falta de romantismo
Muito menos vontade
De querer acreditar:
É ausência de exemplos
Que sejam construídos
Com açúcar e afeto
E que, de alguma forma,
Deram certo
Em um determinado momento.
É tanta queda
Desilusão
Dor
Ressentimento
Que os buracos não se fecham mais.
Eles só são cobertos
Por um pano neutro
Que não faz o menor esforço
Para esconder
Suas feridas
Mais que expostas: escancaradas.
Quantos pseudônimos são necessários pra descobrir quem você é?
- A Doce Desconhecida.
Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então.
Alice no País das Maravilhas.
E se tudo ao nosso redor fosse luz?
Aquarelizando.
Da minha tremenda preocupação com o que as pessoas pensam, satisfações nasceram. E eram generalizadas: para o que eu fazia, comia, escrevia, por quem me apaixonava, com quem conversava, a quantidade de passos que dava. Passei a viver no trilho dos outros, e não conseguia mais avistar onde meu trem partia. Seja dando conselhos, ouvindo, sendo útil. Me tornei mais perdida que Alice, num lugar que era totalmente meu. Tomei chá de decepção incontáveis vezes. Algumas de desconhecidos, outras de seres que hoje são estranhos. Deixei de sair, viajar, encontrar antigos amigos. Me privei de algo que há muito tempo não fazia, e acabei encontrando o silêncio num beco. Com saída, mas com morada. Percebi que, quanto mais quieta me mantia, mas me encontrava. Em pensamentos, cartas, poemas e discussões, minhas comigo mesma. De questionamentos infindos, me refiz. E sim, continuo sendo Letícia. Menina que sorri até os olhos semicerrarem, não dispensa uma dança e se atiça por desafios. Que tem amor forte por sereias, livros e unicórnios, mas amor platônico por um príncipe que é quase gêmeo. Não se denomina poeta, mas suspeita ser uma. Para quem queria respostas, eu dei. Mas, para quem quer me encontrar, faça o favor de comunicar-me onde estou. Continuo perdida em pensamentos.
Açúcar ou Adoçante?
Prometi a mim mesma que não escreveria mais textos “água com açúcar”. Calma, não é um desses. Não é um do tipo “vamos todos salvar o mundo” também. Arrg, você vai entender...
Eu te conheci de uma forma bem clichê. Dois estudantes na faculdade, mesma sala, interesses parecidos. Tá, nem tanto vai. Você sempre preferiu Charles Bukowski e eu Hunter S. Thompson, tudo bem. Mas éramos dois alienados por apaixonantes textos sobre mulheres, bebidas e drogas.
Lembro as inúmeras cantadas suas que vieram até mim. Um poeta poderia ter mais criatividade nisso, eu acho. Só que não era o teu caso. Sempre escolhia as piores para usar, e até conjugava “mim” como verbo, quase um crime a língua portuguesa. E o pior? Eu adorava! Ria tanto que até os professores rogavam praga com um possível casamento.
Confesso que, por vezes gargalhava com suas idiotices. Mas como nem tudo são flores, tenho na memória as brigas. Não discutíamos a ponto de berrar um com o outro, mas acho que se gritássemos seria menos pior. Nós nos ignorávamos. E aquele seu amigo, ah Deus, como ele me irritava. Sabe, ele era meu amigo antes de você integrar a turma. Era mais sociável também.
Recordo que odiava quando você falava de algo interessante quando eu estava por perto, não relevando a minha existência. Ou se comentasse sobre garotas como se elas realmente fossem pedaços de carne prestes a serem mastigados. Mas a tua parte boa era maior que a ruim. Sua vontade de compartilhar conhecimento com crianças carentes era inspiradora. Apesar de reclamar dos milhares de projetos e ações sociais que eu entrava você ajudava as pessoas. Só que de outra forma.
Teu saber era tão gratificante e perturbador, que por vezes buscava saber sobre sua música favorita, para tentar impressionar. Ou falava sobre Cícero Rosa Lins, um dos cantores que eu venerava. Como de praxe, tua provocação me dizendo que era ruim acontecia sempre. Só para segundos depois estar cantando um trecho de “Açúcar ou Adoçante”, a minha favorita.
Ah, gostaria te agradecer. Por ter me tirado do tédio, calmaria e mesmice que era a minha vida. Pelas infinitas risadas que eu dei ao seu lado, e por aprender que ser idiota ás vezes é bom. Por entender que nada do que queremos vem até nossas mãos. Temos um exemplo aplicável disso. Eu lhe tinha aqui, mas perdi. Em compensação, Veneza se tornou uma adorável cidade para escrever livros e tomar uma boa taça de vinho. Você preferiu sexo, drogas e rock n’ roll, como Thompson. Talvez tenhamos nos completado tanto que a história se inverteu e, enquanto ficou com ele e eu preferi o amor de Bukowski. Simples assim.
- Letícia Silva.
A definição mais bonita que eu poderia receber. Obrigada ❤
Tá complicado, sabe. De uns tempos pra cá, a vida resolveu incorporar um parque de diversões e dar mais voltas que montanha russa. Quando eu penso que está tudo de cabeça para baixo, ela vai e gira de novo. Mas eu ainda prefiro acreditar que "é só rodopiar, em busca do que é belo e vulgar" e fica tudo certo. Não da forma que gostaríamos, mas como é necessário. Ando chorando bastante. Além de lavar a alma, anda lavando os lençóis da minha cama também, e creio que meus pais desconfiem. Apesar disso, sou grata pelo momento em que fiz amigos, e eles obtiveram a capacidade de forçar minha mente a deambular por aí. É a maneira mais eficiente de fazer com que eu esqueça tudo e sorria. Sorrisos sinceros e largos, como antigamente. A preocupação me atinge constantemente, e como uma facada que nunca levei na barriga, é indescritível o que sinto. Uma mistura dos mais terríveis sentimentos passa a habitar dentro de mim, e como no fim do túnel, lembro-me que se eu voltar a luz, encontrarei refúgio para os dias sombrios. E acabo percebendo que não é uma luz em si, e sim a Luz do mundo inteiro. Insisto em dizer a mim mesma que ainda há tempo. Mesmo que seja finita sua quantidade, não importa. Deve ser aproveitado ao máximo e com boas experiências. Entretanto, permaneço trancafiada no quarto. Esperando algum tipo de segurança, talvez. Ou procurando entender como é ser feliz de novo. Complexo, viu. Mas juro que tô aprendendo. A amar mais, julgar menos e aceitar as pessoas da forma como elas são. Até porque, não há nada de mal nisso. E se eu quiser alguém pra amar, vou amar a mim em primeiro lugar. Não é narcisismo, é auto estima. Se eu não gostar de mim, quem é que vai ser capaz de tal feito? - Letícia Silva.
Deixa eu mostrar que a confusão que a gente faz é parecida entre a gente.
Zimbra. (via ideografa)
É difícil fingir estar bem todos os dias.
I am broken. (via flautado)
Às vezes a tempestade que esmaga é a mesma que faz florescer.
Nina Benavídez (via floratizando)
Ir para festas não te torna uma pessoa ruim, assim como ir à igreja não te torna uma boa pessoa.
Miley Cyrus (via passionizar)
Se eu fosse uma flor, você seria o meu jardim.
Caroline Hoier. (via floratizando)
Chore menina. Chore tudo que você tive para chorar, você levou uma pancada muito forte da vida, coloque tudo para fora.
Coração de aço (via passionizar)
O amor tem rotina, tem ronco, tem louça suja, tem conta que vence, tem tapete do banheiro molhado, tem tampa da privada levantada, tem bagunça no meio da sala, tem roupa pra lavar, tem cocô do cachorro pra juntar, tem ciúme, tem briga, tem sujeira, tem toalha molhada na cama, tem comida no forno, tem copo vazio na mesa de centro, tem discussão por besteira, tem calor, tem frio, tem sede, tem fome. Amar não é nada fácil, apesar do amor ser simples. O amor é construção.
Clarissa Corrêa (via floratizando)