(Meu primeiro poema sobre relacionamento)
LOBA
eu corro.
Corro feito loba ferida,
na direção oposta
da resposta
que me fez ir embora.
Uivo alto —
que todos saibam:
o perigo se aproxima.
Tu és a pior espécie de lobo:
aquele que veste lã,
que finge ser cordeiro
e ataca os seus iguais.
Mostra teus dentes
como se fossem coroa.
Quer parecer o mais —
mais forte?
mais astuto?
ou apenas o mais burro?
Naquele dia fatídico
em que me apaixonei por você,
me pergunto:
foi tudo encenação?
Mentiras bordadas
em promessas de profeta?
Profeta que diz
que amar é enfrentar a tempestade,
mas foge na primeira gota.
Tu não és a tempestade
capaz de me apagar
ou me domar.
Eu uivo.
Eu mordo.
Debaixo da minha pele de loba
existe a cordeira que se revoltou —
que cresceu,
que lutou,
que aprendeu a mostrar os dentes.
Eu sou a tempestade que passa,
arranca telhados,
derruba certezas,
e te obriga a repensar
se vale mesmo a pena
assustar quem só queria amar.
Eu uivo.
Eu mordo.
E te devolvo
ao lugar de onde não deverias ter saído —
ao instante em que ficaste
e tiveste que implorar
para alguém te salvar















