This is the end of everything that stands, beautiful friend. Цели. | POV
A inesperada noticia de que a porta construída por eles realmente funcionava o pegou completamente de surpresa. No decorrer desses dias que haviam se passado, Aleksandr dera o melhor de si para ajudar a todos com aquele projeto insano e nunca passou por sua cabeça que por fim poderia dar certo. Bom, era um alívio que ele estivesse errado ou não? Sim, era um alívio. Após um longo tempo pesando os lados positivos e negativos em uma balança descalibrada em sua mente, o russo decidiu que aquilo era ótimo e que ele finalmente voltaria para casa. Não que voltar para sua antiga vida na Rússia fosse uma coisa boa. A coisa que o Petrovich mais desejava era poder mudar de vida e consecutivamente apagar o seu passado sombrio, mas apesar de tudo sentia falta de sua família e de uma parte da sua vida que desejava muito ter de volta. Por certo, quando atravessasse aquela porta só iria se lembrar de Gael no último dia de sua vida, exatamente quanta esta passasse através de seus olhos como um filme e ele logo afundasse na inconsciência eterna. Todavia, uma parte de si desejava ficar nesta cidade esquecida por Deus e continuar vivendo ali completamente em paz, porém logo a outra parte de si tratava de lembrar para esta que as coisas na cidade do Doctor Greene já não eram mais as mesmas e seria insuportável viver ali sabendo disso: sem amigos, sem comida, sem conseguir imaginar qualquer tipo de futuro para aquele lugar misterioso. Sim, ele realmente precisava voltar para casa e tentar colocar as coisas no lugar. Era certo que a sua vida não seria mais como aquele que ele vivia antes de vir para Gael, mas seria milhões de vezes melhor e mais agradável. Aleksandr lutaria até o fim para fazer aquilo que ama mesmo que queira, de certa maneira, continuar no ramo lucrativo da máfia. Ele tomaria o lugar do pai e cuidaria dos negócios dos Petrovich e, principalmente, dos Adler, его семьи.
Aleksandr admirou os próprios pés por um longo período. Seu coração parecia ter inchado desmedidamente e batia fortemente contra suas costelas, ele começou a se sentir assim no momento em que trocou as últimas palavras com Eileen e se colocara de frente para a porta avermelhada. Tivera o tempo necessário para correr até o dormitório que divida com o Dominick e pegar seu estimado stradivarius antes de partir, não poderia deixá-lo para trás. Sentia suas mãos suando enquanto jogava a caixa com o instrumento dentro sobre o ombro direito, suas pernas tentaram fraquejar diversas vezes desde a última hora, mas sua mente estava sempre ali firme para mantê-las em pé e obedecendo aos seus comandos. Não desistiria agora quando faltava tão pouco.
Olhou sobre o ombro e deparou-se com a silhueta esguia do fotografo que conhecera enquanto saia do seu antigo dormitório, tinha esbarrado nele e ao invés de se desculpar apenas lhe informou que existia uma saída e que se ele desejasse deixar aquela cidade precisava segui-lo. Bom, o rapaz tomara a decisão certa, imaginou, e ficou surpreso por não ter sido julgado como um tresloucado por suas ações. Porque se Aleksandr tivesse a chance e tempo necessário teria avisado todos aqueles que habitavam Gael sobre essa oportunidade indispensável que se apresentava a sua frente. Porém, não tinha.
O moreno respirou fundo, dando uma última olhada no bosque a sua volta e, naquela escuridão, exatamente no momento em que uma nuvem bulbiforme cobriu a lua e extinguiu toda a claridade prateada que ela emanava, os olhos do Petrovich pareceram irradiar luz própria, um azul tão frio e profundo que poderia fazer um coração parar de bater por um segundo de tamanha beleza. Era realmente celestial. Aleksandr finalmente deu seus últimos passos nas terras majestosas e desconhecidas de Gael, passou pela porta sem olhar para trás. E com uma sensação esquisita de alguém que tinha acabado de pegar um resfriado forte: cansaço, frio e medo, ele deparou-se na frente de uma porta vermelha com pintura um pouco gasta, maçaneta dourada polida e um letreiro florescente com os dizeres “Loja de Penhores” em russo. Alek se retesou por alguns momentos antes de esticar a mão pálida e com os dedos longos tocar a maçaneta gélida. Um arrepio repentino tomou seus braços, pernas e nuca. Porém, ali, exatamente no local onde toda aquela história brilhante tinha se iniciado, ao abrir a porta encontrou apenas uma escadaria apertada e empoeirada, ao invés das ruas cinzentas da cidade perdida. Ele estava de volta a terra, de volta a sua amada Rússia, e era como se tudo não tivesse passado de um sonho ao qual ele ansiava de todo o coração poder retomar ao fechar os olhos novamente.














