“Eu gosto de ficar acordado até tarde, porque nessas horas da madrugada, o mundo está tão quieto e ninguém espera nada de mim. Eu poderia olhar para as paredes por horas e não haveria consequências. É tão silencioso e calmo.”
— Garoto Sincero.
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“Eu gosto de ficar acordado até tarde, porque nessas horas da madrugada, o mundo está tão quieto e ninguém espera nada de mim. Eu poderia olhar para as paredes por horas e não haveria consequências. É tão silencioso e calmo.”
— Garoto Sincero.
The Death of Cleopatra (Detail), after 1659 - Guido Cagnacci
“O amor se esgota. Eu descobri isso ontem, quando o ex namorado da minha irmã ligou pra ela. 3 meses, 3 meses esperando qualquer sinal dele. Qualquer ligação, qualquer aparição, qualquer sinal de fumaça. E ele nada, e ele desaparecido. Não digo totalmente desaparecido, entendam isso como: E ele desaparecido da vida dela. Minha irmã diariamente recebia notícias dele, e era sempre como: Ontem eu vi seu ex numa balada que eu fui, ele está melhor do que nunca. E minha irmã deveria pensar coisas do tipo: Como ele podia estar bem, quando eu estava tão mal? Eu via ela chorar o dia inteiro, eu ouvia ela reclamar pra mim, pras amigas, e pra quem mais quisesse ouvir o quanto ela sentia falta dele. Ela o amava como ninguém mais o amaria, e ela fez de tudo por ele. Isso durou até semana passada. Minha irmã havia finalmente saído do transe em que ela estava, ela havia finalmente… Acordado. Colocou um vestido apertado, um sapato alto e saiu. Lembro até dela ter me chamado para ir, e ela estava com um sorriso enorme no rosto. Minha irmã saiu com as amigas de segunda à sexta, aproveitou tudo aquilo que ela tinha perdido. E ontem ele finalmente ligou. “Você estava bonita ontem.” “Você me viu?” “Sim. Parece estar feliz.” “Sim, finalmente.” “Fico feliz por você, estou com saudades.” E então, ela me surpreendeu. Não respondeu nada. Não chorou, não resmungou, não fez pirraça, não surtou. Simplesmente desligou o telefone, se arrumou, e saiu novamente. Disse que se ele ligasse, que era pra dizer que ela não estava. E que nunca estaria. Então eu percebi que a necessidade por uma pessoa se esgota. E o amor também. Não importa qual tamanho seja ele, não importa quão enorme ele seja. O amor simplesmente se esgota.”
— avô, cabeça.
se eu não quisesse, você jamais me adentraria, V. você faz ideia de por quanto tempo eu tenho voado sozinha? enfrentar os nossos próprios furacões nem sempre mantém as nossas asas intactas. alguns remendos aqui e ali, mas sempre me fizeram sentir mais viva do que nunca. porque a minha força vem de mim. e mesmo que eu tenha te amado um dia, isso nunca teve a ver com você. sim, o meu estômago ainda embrulha quando lembro das vezes em que estive nas mãos erradas. até que a gente consiga assumir o controle do que há por dentro e por fora da nossa pele, o peito caleja e dói. quantas feridas pra se costurar até que finalmente estejamos prontos pra um recomeço? quantos punhais cravados em nossos corações até conseguirmos ser tudo que sempre sonhamos e merecemos?
eu descobri que o medo não cria pontes até os nossos sonhos, V. o medo constrói muros em torno da nossa humanidade frágil feito sopro. ele nos aprisiona na nossa própria existência. e é preciso coragem pra se livrar das grades e algemas. mas das coisas que eu aprendi e nunca consegui te ensinar: me permitir doer de vez em quando, não me faz mais fraca. porque apesar de expandir em alma, ainda sou só humana. no pouco tempo em que você realmente se esforçou pra me ouvir, eu costumava te falar sobre o quanto eu acredito que o amor pode transcender qualquer hemisfério. e eu nunca falei de geografia. mas você nunca entendeu nenhuma das minhas metáforas mesmo.
V, eu sempre estarei muito além da mulher que a sua vista alcança, e sempre soube o quanto isso te assustava. eu tenho carrego uma imensidão que você nunca entenderia. e uma fome nunca foi de você. estávamos fadados ao fracasso dentro o começo. nem mesmo as minhas partes mais bonitas, poderiam compensar a sua soberba, seus julgamentos errôneos e sua mente que não se abre pra nada que vá além das tuas próprias paredes. eu costumava pensar que era você que não me enxergava, mas sou eu que não consigo enxergar em você nada além de um oco sem probabilidade de cura. ouvi dizer que os nossos atos são só um reflexo do que é alimentado em nós. e todo sentimento minimamente genuíno sempre morreu de fome dentro de você.
você quase me convenceu de que te afastar me destruiria. porque que tudo que você toca desmorona, V. mas a verdade é que você nunca me alcançou.
e desde que encarei o abismo sob a luz da minha própria sombra, me vejo de asas inteiras. não preciso de mais ninguém pra alçar voo.
Our bodies entwined.
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