
shark vs the universe

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@ancorai-vos
Peso Invisível
Tem dias que acordo com um corpo que não é meu.
Ele pesa.
Afunda na cama, no chão, em mim mesma.
Chorar parece a única língua que eu sei falar.
E mesmo assim, ninguém entende.
Tem uma fome que não é de comida,
mas eu como.
Como pra calar o que grita —
e o grito volta, mais forte.
Me machuco.
Pra ver se sinto.
Pra ver se paro de sentir.
Tem um medo que mora na minha barriga, estômago, ossos
e uma vontade estranha de sumir.
Não é morrer, é sumir.
Virar silêncio.
Esquecer de existir.
Então fico deitada o dia todo, até o mundo me puxar pra fora.
Mas dentro...
tudo ainda cai.
E mesmo assim,
tô aqui.
Caída, talvez.
Mas inteira o suficiente pra escrever isso.
-Danielly R.
Enquanto penso
Me desfazendo de partes minhas que foram criadas.
Me desprendendo de certezas das quais eu era tão convicta.
Me perdendo nesse tédio de estar onde nunca estive, nem tão feliz e nem tão triste.
De fato, não sei o que é sentir "normal" , não enxergo da forma que todos veêm, e meu sofrimento é desproporcional.
O transtorno bipolar me fez perder anos da minha vida vivendo histórias que eu mesma criei. Me fez questionar a veracidade da minha construção como ser.
Me questiono enquanto penso, o que mais posso fazer!? Se já estou fazendo, tudo que posso.
E existir assim, algum dia vai ser bom? Algum dia alguém irá permanecer? Algum dia irei ter constância nas minhas decisões? Algum dia serei uma escolha, ou só uma opção desgarrada na vida dos que me cercam?
Eu torço para que um dia eu não viva em modo sobrevivência, para que um dia eu goste genuinamente de quem sou. Que eu não queira antecipar o enterro das minhas memórias.
Eu gostaria, enquanto penso, que eu não me odeie tanto pela parte do meu cérebro que não funciona como os demais.
Que por um instante eu não viva de querer preencher meus vazios buscando incessantemente uma chama de vontade pra viver. Sem que isso seja um enorme peso em meus pensamentos.
"Eu criei uma versão sua que nunca existiu. E agora odeio você por não ser ela."
e tô falando de mim.
TAB
"Às vezes, amar com um transtorno de personalidade é como tentar abraçar alguém com os braços em chamas. Eu só queria carinho, mas acabei queimando tudo."
Quando o ódio toma corpo
Tudo parecia calmo.
O céu azul,
o corpo em paz.
Eu, quase viva.
Mas de repente —
algo acende o inferno em mim.
A raiva me rasga.
Não pede licença.
Não grita: devasta.
Meus olhos mudam.
Meus dedos coçam.
Quero quebrar o mundo com as mãos.
Quero destruir tudo que me vê.
Tudo que respira.
Tudo que não entende.
Quero arremessar objetos,
fazer o chão tremer,
fazer o ódio sair de mim em forma de estilhaço.
Talvez, se o caos tomar forma,
a dor se esconda.
Talvez, se eu sangrar,
essa fúria se cale.
Ou talvez —
eu só desapareça no meio do estrago,
e ninguém perceba
que tudo que gritou…
foi só meu silêncio tentando sobreviver.
-Danielly R.
Eu tenho sonhos, mas ao mesmo tempo sinto eles como que inalcançáveis, fora da minha realidade, sinto que perdi as esperanças.
Meu Deus… até quando hei de vagar por essa bipolaridade que me dilacera em silêncios e tempestades ? Até quando suportarei essas inseguranças que se agarram à minha pele como sombras famintas, essa angústia sufocante que pulsa no peito e faz minha alma sangrar em feridas que ninguém vê?
Até quando vou me curvar diante do mundo, apagando minha própria luz como se fosse indigno de existir ? Até quando vou me encolher diante do mundo, me diminuindo como se fosse menor que qualquer sombra que passa ? terei algum dia descanso, ou sou condenado a caminhar por esta noite eterna onde até meus próprios passos me temem? Será que algum dia encontrarei paz, ou estou destinado a caminhar eternamente com esse vazio que me acompanha como um velho amigo triste ?
Nem tudo dá pra ver
Tem coisas que a gente sente e não sabe explicar.
Às vezes, nem entende… só sente.
Um aperto no peito, uma vontade de sumir, uma bagunça por dentro.
E, mesmo assim, levanta.
Faz café, responde mensagem, segue a vida como dá.
Tem dias que o esforço não tá em fazer muito,
mas só em existir.
E isso já devia ser o bastante.
Só que nem todo mundo entende.
Pra alguns, parece exagero, drama, frescura.
Mas não é.
É só que tem lutas que não aparecem.
E dores que não fazem barulho.
A verdade é que ninguém sabe o peso que o outro carrega.
E tudo o que a gente precisa, às vezes,
é de um pouco mais de paciência…
e menos julgamento.
Porque tem gente que não tá tentando chamar atenção.
Tá só tentando ficar bem.
Cansada de viver, de repetir os mesmos passos em uma estrada que já não parece levar a lugar nenhum.
As horas passam e com elas, as certezas também. Fico aqui, madrugada adentro, olhando o teto, o vazio e essa dor que insiste em me acompanhar.
Não me reconheço mais na vida que levo, nas escolhas que fiz, nas forças que me escapam.
É como se o mundo continuasse girando… menos dentro de mim.
E a vontade de partir não vem como alívio.
Silenciosa, ela se senta ao meu lado e sussurra:
“Você não precisa mais lutar.”
Quando será que tudo vai acabar,as dores,os desejos e os sonhos,que na cabeça dela eram infinitos,se perdia na sua bipolaridade com um pensamento na vida e outro na morte.
Jonas r Cezar
Lar de extremos
Não era pra ser tão difícil levantar da cama,
como se cada manhã fosse um parto da alma.
O corpo pesa, o mundo exige, e eu… me arrasto.
Não era pra ser tão difícil sair com amigos,
como se o sorriso precisasse ser ensaiado,
mil vezes diante do espelho —
pra fingir que existe alegria onde só mora o esforço.
Não era pra ser tão difícil abrir os olhos
e já negociar com o humor do dia,
implorando por estabilidade como quem pede ar.
Não era pra ser tão difícil.
Mas é.
É um peso que ninguém vê.
Uma dor que não sangra, mas dilacera.
É o vazio que habita até os dias cheios,
o eco constante do nada.
Tentei preenchê-lo com compras impulsivas,
com agitações vazias,
com copos cheios,
com festas barulhentas.
Mas o buraco ficou.
Sempre fica.
Será que um dia…?
Será que um dia ele cala?
Não era pra ser tão difícil.
Viver… não era pra ser tão difícil.
Mas o meu viver é luta.
É tropeço disfarçado de rotina.
É guerra dentro de mim —
uma batalha entre extremos que ninguém vê.
E não, não é falta de fé.
Não é ausência de Deus.
Quem dera fosse algo tão simples de resolver.
É o caos químico,
é o fogo e o gelo revezando dentro do peito,
é ser lar de extremos,
sem saber quando um invade o outro.
Ainda assim, estou aqui.
Tentando não afundar nessa multidão.
Tentando me reerguer,
mesmo quando não sei mais onde me apoiei da última vez.
Às vezes, falho.
Mas tento.
Com o que me resta.
Com o que ainda pulsa.
Não era pra ser tão difícil.
Mas é.
E mesmo assim… eu fico.
Eu insisto.
E isso, só isso, já é uma forma de coragem.
-Danielly R.
"Minhas emoções não mudam — elas explodem."