Imagines - Chishiya (3/3)
Depois que foi anunciado a próxima fase do jogo, começou um tiroteio que fez com que nos separássemos. Está brincando conosco, Rei de Espadas?
Arisu, Usagi e Kuina entraram no carro onde estavam Ann e Tatta.
Chishiya deu uma de gato sorrateiro e saiu daquela confusão.
Eu... bom, eu fui com ele, mas com um tiro no meu braço esquerdo.
"A bala não está muito profunda, então não há grandes riscos aqui. Irei precisar tirá-la de seu corpo, limpar o local e fechá-lo para evitar que você morra estupidamente para uma hemorragia ou por uma infecção."
"Estou começando a achar que você realmente se preocupa comigo, loirinho." - brinquei para tentar esquecer a dor.
Dessa vez, ele não discorda da minha fala. Ele só me olha e eu vejo que em seus olhos que sempre esbanjavam indiferença havia uma pitada de um sentimento que eu não consegui decifrar.
E aquilo me afetou, apesar de não querer confessar isso.
Me afetou tanto que resolvi mudar o assunto rapidamente.
"Não precisava me explicar tudo aquilo, sabe. Eu sou médica. Ou eu era, já não sei mais... Enfim, pelo jeito você também era, certo?" - perguntei ao me sentar no balcão da farmácia em que estávamos.
Vejo ele olhar para mim e abrir aquele sorrisinho.
Ele realmente era encantador.
"Cirurgião cardiovascular infantil." - ele revelou, cortando meus pensamentos que estavam indo para um caminho perigoso.
"Neurocirurgiã infantil." - disse com indiferença.
"Parece que somos mais parecidos do que queremos aceitar." - falou com um leve tom sarcástico.
"Você quer dizer que não pode aceitar menos. É muito mais fácil aceitar mais do que qualquer coisa." - disse divertida.
"Você diz coisas engraçadas, fofinha. Acho que é por isso que eu me interesso por você." - o loiro falou a última frase em um tom mais baixo para que eu não ouvisse, mas acontece que eu escutei.
O que está acontecendo comigo?
----------------------------- Quebra de tempo ----------------------------
Que coisa, hein... parece que os jogos de copa me perseguem.
Enfim, ao entrarmos Chishiya e eu colocamos aquele colar estranho e nos separamos. Achamos melhor fingir que não nos conhecíamos para enganar os outros.
Afinal, era um jogo de traição.
Que vençam os melhores. Só espero não ter jogar contra aquele loirinho, eu percebi que comecei a nutrir... um apreço por ele? Vamos deixar assim, até eu descobrir o que eu realmente sinto por ele.
Comecei a analisar os outros participantes e reparei que o loirinho estava fazendo o mesmo.
Nossa atenção é voltada para o painel e para aquela voz robótica anunciando o jogo.
Depois de os grupos serem formados, eu e Chishiya ficamos no daquela menina estranha.
Distúrbio comportamental, certeza.
Agora nos encontrávamos no salão em que as comidas ficavam.
"Posso me sentar com você? A companhia de uma bela moça como você sempre sabe como acalmar um homem." - um homem careca com cara de badboy me perguntou.
"Acredito que você quis dizer que a companhia de uma bela mulher como eu sempre sabe como chamar atenção de um garotinho como você, não?" - falei com um sorriso falso em meus lábios.
"Concentre-se em saber qual é o seu naipe, careca. Isso é um jogo, e não um concurso de arranjar uma namorada." - falei em um aviso e saí daquela mesa.
Ao passar do lado do meu loirinho, pude perceber que ele me encarava com um olhar que me perguntava se estava tudo bem. Apenas abri um pequeno sorriso verdadeiro em sua direção para lhe informar que estava bem, fazendo ele me devolver o sorriso.
É, ele é realmente bonito.
Logo após essa nossa interação, vejo o seu olhar voltar para o careca de antes e seu sorriso desaparecer.
----------------------------- Quebra de tempo ----------------------------
A primeira pessoa que morreu foi o careca.
Depois os jogadores começaram a ficar desconfiados uns dos outros e começaram a se matar.
Patético, mas de certo modo aquilo me deixou com pena deles. Afinal, eles só queriam arranjar uma forma de sobreviver.
Por fim, depois da jogada articulada por mim e Chishiya, com uma participação extra do psicopata e do homem com cara de mafioso, desmascaramos o valete e o deixamos para aqueles homens.
"Acho melhor nós acharmos um lugar para passar a noite. Não quero ter que lidar com aquele lunático faixa preta imitador do Jack Chan." - falei para Chishiya me referindo ao Rei de Espadas.
"O que..." - ele começou a falar, mas foi interrompido por sua própria risada ao perceber de quem eu estava falando.
Não era aquela risada nasal que eu estava acostumada.
Era um risada mais leve e mais... gostosa de se ouvir.
Ok, agora eu tenho certeza que eu pareço uma boba olhando para ele, até porque fiquei o encarando com a boca ligeiramente aberta.
"Você está bem, fofinha?" - perguntou achando graça, mas notei um sutil tom de vergonha em sua voz.
Ótimo... agora eu realmente pareço uma idiota.
"Que bom." - eu falei sem pensar.
"Ora, se preocupa comigo agora?"
"Tire suas próprias conclusões, loirinho." - desviei o olhar para o céu para evitar que ele visse o meu sorriso bobo.
Esse cara tem um efeito estranho sobre mim.
----------------------------- Quebra de tempo ----------------------------
"Arisu!" - gritei ao ver o garoto mais a frente.
"S/N! Chishiya! Sabia que vocês estavam vivos." - Arisu disse com um alívio em sua voz.
Abri um sorriso em sua direção como se dissesse 'você também não é fácil de ser derrotado, meu amigo'.
Chishiya me olhou estranho por um momento, porém voltou seu olhar para o de cabelos escuros.
"Arisu, preciso te dizer uma coisa-"
A próxima coisa que eu sei é que Chishiya estava no chão.
"Chishiya!" - falei e olhei na direção do disparo - "Niragi, você está vivo..."
"Gatinha, sabia que você estava viva... Sabe, depois de acabar com esse loiro traiçoeiro, podemos nos divertir um pouco, o que acha?" - Niragi perguntou maliciosamente.
"Não, não vou deixar com que você machuque ele. Não podemos resolver isso com calma?"
"Porque você se importa com ele? Não me diga que..." - parou e começou a rir e, por consequência de tal ato, sangue saiu de sua boca - "você gosta dele, não é? Mais um motivo para matá-lo... terei você só para mim."
Depois disso, as coisas aconteceram muito rápido.
Niragi e ele começaram a atirar.
Arisu atirou em Niragi que, por sua vez, atirou em Usagi.
Ou pelo menos era para ter acertado nela, se não fosse por Chishiya.
"Mas que merda, Chishiya! Por que você fez isso? E o papo de sobreviver?! E o papo de foda-se todos?!" - falei preocupada e me agachando ao seu lado para tentar estancar o sangramento.
"Tentei fazer algo diferente... eu passei tanto com você, acho que acabou me afetando. Ei, espera... você está chorando por... mim? - ele falou com uma certa dificuldade.
"É, pelo jeito eu estou, seu idiota! Eu... eu... eu gosto de você! Não sei o que você fez comigo, mas eu realmente gosto de você. Então cala a boca e deixa eu cuidar de você, por favor" - falei com a voz embargada pelo choro.
"Nossa. Eu... Quando nós voltarmos para o mundo real, vamos sair em um encontro. Eu gosto de você também, S/N." - disse com um sorriso no rosto.
"Não posso acreditar que a primeira vez que você falou o meu nome foi quando você estava morrendo." - sorri um pouco.
"Pode ser a primeira vez que eu falo o seu nome, mas ele está constantemente em meus pensamentos, fofinha."
Sorri para ele e aproximei meu rosto do dele deixando um leve selar em seus lábios.
"E você nos meus, loirinho."
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Depois de tanta luta, finalmente zeramos o jogo.
Quando aquela voz nos perguntou se queríamos ganhar ou não residência permanente, não hesitei em negar.
Antes não tinha alguém me esperando do outro lado, mas agora eu tinha o meu loirinho e, para mim, nada mais importava.
Falando nele, agora ele segurava minha mão após também ter negado a oferta e sorria sutilmente em minha direção.
"Acho que vou vomitar em ver vocês dois." - Niragi falou, me dando um leve susto por estragar o momento.
"Ciúmes não combina com você, churrasco." - Chishiya disse divertindo-se com a situação.
"O que... churrasco?! Ora, seu merdinha!"
E então, depois de tanto tempo e quase me esquecendo como é a sensação, comecei a rir.
E sabe o que é mais interessante? Eu não estou sozinha pela primeira vez na minha vida.
Parei de rir por um momento e olhei Chishiya.
"Eu não sei o que é o amor, mas acho que sinto isso por você."
Sorri para ele e falei em um sussurro próximo ao seu ouvido.
"Eu também não tenho a mínima ideia de como é o amor, mas eu sei que eu sinto isso por você."
E como testemunha desse nosso amor, o céu nos fazia companhia, como sempre fez.