Já era esperado que CAMILLE MANON DURAND viesse para a Ilha de Treatan, afinal, ela é uma ASSISTENTE PESSOAL vinda do REINO DE VELRAISSE (FRANÇA). Não que seja elegante perguntar, mas sei que ela já conta com seus DEZENOVE ANOS, e não esconde a fama de DESLEIXADA, mas é sabido que seu lado AUTÊNTICO compensa. Se não tivesse sangue azul, eu diria que é uma descendente direto de KATIE DOUGLAS, porque não poderiam ser mais idênticas!
HEADCANONS
A família Durand já foi prestigiada uns dois séculos atrás, mas o número exacerbado de herdeiros da família acabou eliminando o título de boa parte dos membros ao longo dos anos e muitos ramos da família acabaram perdendo sua influência, ainda que alguns conquistem cargos mais importantes ainda assim. O pai de Camille é um diplomata da corte enquanto sua mãe é dona de uma das marcas de roupas mais famosas de Velraisse, a Le Lys Noir. Apesar da falta de título nobiliárquico, eles provavelmente são um dos ramos mais ricos dos Durand e isso foi mais advindo do casamento de sucesso com a mãe da Camille. É a caçula de de cinco irmãos e a única garota, o que automaticamente configura sua vida como um inferno completo desde a tenra idade.
Enquanto sua mãe sonhava que Camille fosse puxar seu dom e apreço para a moda, a jovem não poderia ligar menos para esse tipo de coisa e é muito mais daquelas que prefere uma roupa confortável do que uma extravagante. Talvez seja coisa da geração, mas ela é cronicamente online e tendo uma família cheia de dinheiro, costumava gastar boa parte de seu tempo jogando jogos no celular ou navegando nas mídias sociais, se mantendo a par da fofoca global e do reality show do momento. E assim que teve idade o suficiente, começou a sair pra farra escondida e se meter com o pior tipo de gente, pior ainda para os pais, estava ficando muito amiga de vermelhos baderneiros. Com seus pais sem saber mais o que fazer com a filha rebelde, decidiram que ela teria de imediatamente arrumar um trabalho e finalmente adquirir algum tipo de responsabilidade. Sua mãe teve que mexer um pauzinhos e pedir um favor há um tio distante dela, que era mais próximo da corte para que a colocasse em um cargo onde ela definitivamente não poderia cometer erros.
Bom, era desnecessário dizer que nem mesmo a mãe de Camille esperava que fossem a colocar como assistente pessoal do príncipe Laurent, mas depois de anunciado não tinha mais como voltar atrás. A jovem passou por um breve treinamento de uma semana antes de assumir a posição oficialmente, e ela estava achando até tudo fácil até começar a trabalhar de verdade. A única coisa que faz com que ela se dedique é que odeia passar vergonha ou que olhem pra ela como se fosse uma idiota, mas que culpa ela tem de ser um tantinho desleixada? Ou de que ela acabou não conseguindo atender uma chamada importante por que estava no meio de uma partida ranqueada rumo ao mítico? Existem prioridades na vida e ela tinha certeza de que uma ligaçãozinha perdida não faria nenhum mal para príncipe herdeiro. Ela está um tantinho preocupada de perceberem mais seu desleixo agora que o acompanha durante o Althara, mas tem lutado bravamente pra fazer com que prestem atenção apenas nele e deixem ela completamente de lado. Nem que pra isso ela tenha que espalhar por aí algum boato absurdo, mas que renda uma boa reputação pra ele.
PODERES
Manipulação de probabilidade - Camille tem o estranho hábito de sair ilesa de situações que claramente deveriam dar errado, e isso não é só sorte. Seu poder altera, mesmo que sutilmente, as chances ao seu redor, fazendo com que eventos improváveis passem a acontecer com uma frequência irritante — desde alguém tropeçar bem na hora de impedi-la de fugir de uma tarefa até uma chuva inesperada estragar um anúncio importante que ela esqueceu de organizar. Ainda não tem controle consciente da habilidade e, na maioria das vezes, ela se manifesta quando Camille está entediada, estressada ou com muita vontade de que algo não aconteça, o que pode gerar resultados cômicos ou desastrosos. Apesar disso, ela já percebeu que quando realmente quer alguma coisa, o universo costuma “dar um jeitinho”, e embora o caminho seja imprevisível, o resultado costuma pesar a favor dela — pelo menos por enquanto.
TRIVIA
É viciada em jogos estúpidos de celular (do tipo que joga todos os joguinhos que aparecem em anúncio) e especialmente em mobas.
Ela é fumante, uma das poucas coisas que ela começou a fazer puramente pelo aesthetic.
É cronicamente online e está sempre por dentro de fofocas envolvendo a corte ou celebridades.
Ainda que agora esteja usando as roupas caras da grife da mãe dela, não é difícil ver alguma mancha nas roupas dela por que estava comendo algo doce e sujou.
É apaixonada por chocolate ao leite.
Completamente viciada em café, não consegue começar o dia sem um copo enorme de café pra ficar bem acordada.
Apesar de estar sempre online e agora atualizar as redes sociais do príncipe, quase nunca atualiza as próprias, mantendo um perfil privado onde quase raramente posta algo.
Departamento de segurança do Magisterium — Castelo de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – Reprodução ou vazamento deste arquivo implicará em execução sumária por crimes contra a segurança mundial. Arquivo elaborado sob autorização direta do Chefe de Segurança.
✦ INFORMAÇÕES BÁSICAS
Nome completo: Camille Manon Durand
Reino de origem: Velraisse
Título/Posição: Assistente pessoal do príncipe herdeiro
Idade: 19 anos
Status atual: Solteira
✦ PERFIL PSICOLÓGICO
Camille Manon Durand apresenta uma personalidade expansiva, marcada por espontaneidade, sarcasmo e uma aparente despretensão diante da autoridade. Seu comportamento informal e avesso a protocolos pode ser interpretado como despreparo à primeira vista, mas esconde uma inteligência social aguda, senso de oportunidade incomum e um talento inato para observar o ambiente e manipular o caos a seu favor. Apresenta altos níveis de resistência emocional em cenários de estresse, mas não por controle — e sim por irreverência: tende a rir ou debochar mesmo diante do perigo, usando o humor como mecanismo de defesa e distração. Sob pressão, age de forma instintiva e impulsiva, confiando mais na sorte (ou no funcionamento inconsciente de seu dom) do que em planejamento. Não demonstra traumas explícitos, mas há indícios de negligência afetiva durante a formação — o que pode explicar sua necessidade constante de validação, contato físico (inclusive com desconhecidos) e dificuldade em respeitar limites pessoais e institucionais. Suas motivações principais giram em torno da autonomia, prazer imediato e senso de justiça pessoal (por vezes conflitante com as regras).
Entre suas fraquezas emocionais estão o medo do abandono, baixa tolerância à crítica (disfarçada de indiferença), e uma tendência à autossabotagem quando se sente desvalorizada ou subestimada. Exibe manias compulsivas como roer as unhas, desviar o olhar durante conversas sérias e apego excessivo a objetos pessoais (como o celular ou seu gato Mefisto). Apesar de caótica, é genuinamente leal àqueles por quem cria laços, mas essa lealdade é volátil e pode se perder caso se sinta traída. Seu estado emocional é difícil de prever, e embora não colapse em crises típicas, sua impulsividade aliada ao dom de manipulação de probabilidade tornam-na uma variável instável em operações de risco.
✦ PODER REGISTRADO
Camille possui a habilidade rara de manipular probabilidades de forma inconsciente, fazendo com que eventos altamente improváveis se manifestem a seu favor — seja evitando perigos, encontrando soluções inesperadas ou simplesmente tendo “sorte” em momentos decisivos. Essa manipulação, no entanto, não pode ser ativada de forma voluntária e muitas vezes parece ocorrer em situações de estresse, desconforto ou puro tédio. A imprevisibilidade da habilidade é seu maior trunfo e também sua maior fraqueza, pois Camille não compreende totalmente a extensão de seus efeitos, nem consegue direcioná-los conscientemente. Em alguns casos raros, a alteração de probabilidade gerada por ela pode afetar terceiros, criando uma espécie de caos controlado ao seu redor. Dentre suas limitações, ela não tem controle voluntário. Pode falhar sob extrema pressão emocional. Seus efeitos colaterais incluem desorientação, coincidências desconcertantes e atração indesejada de atenção mágica.
Nível de controle: Baixo.
✦ ESTADO EMOCIONAL OBSERVADO
Distração crônica mascarada por otimismo defensivo.
Camille apresenta um estado emocional de aparente leveza e descompromisso, frequentemente adotando uma postura irônica, debochada ou despreocupada frente a eventos de alta carga emocional. No entanto, essa atitude parece funcionar como um mecanismo de defesa contra pressões familiares, institucionais e sociais, especialmente no contexto de sua presença no Althara. Demonstra sinais de ansiedade internalizada, ainda que camuflados por uma fachada de humor e sarcasmo. Seu vínculo afetivo com figuras específicas parece interferir diretamente em seu equilíbrio emocional, sugerindo que, apesar da pose despreocupada, Camille carrega uma sensibilidade maior do que admite — especialmente diante de rejeição ou exigências externas.
✦ PERFIL COMPORTAMENTAL EM CRISE
Camille tende a responder a situações de risco elevado com improviso e humor nervoso, utilizando o sarcasmo como principal válvula de escape. Raramente entra em colapso emocional visível, mas seu foco pode ser prejudicado por distrações ou impulsos momentâneos — especialmente quando a situação envolve figuras afetivas. Não assume a liderança espontaneamente, preferindo seguir quem demonstra segurança, mas quando encurralada, recorre a respostas instintivas e soluções improváveis que, surpreendentemente, às vezes funcionam. Seu comportamento pode parecer desleixado ou inconsequente, mas esconde uma intuição afiada e grande resistência psíquica a pressões externas, mesmo que ela própria não confie nisso.
✦ PADRÕES DE INTERAÇÃO SOCIAL
Costuma se aliar a pessoas que a fazem rir, que toleram seu sarcasmo e que não exigem perfeição constante — o que, curiosamente, a aproxima tanto de figuras poderosas quanto de completos deslocados sociais. Apesar de vir de uma família influente, evita bajular autoridades ou seguir protocolos formais, o que pode gerar conflitos com nobres mais tradicionais. Prefere alianças afetivas e espontâneas, muitas vezes se aproximando de quem sente que precisa de apoio ou de quem parece mais “gente como a gente”. Seu maior atrito costuma ser com figuras autoritárias, frias ou excessivamente rígidas, que encaram seu comportamento como irresponsável ou imaturo. Ainda assim, tem uma habilidade quase inconsciente de desarmar situações tensas com comentários debochados e um certo charme desleixado que conquista aliados improváveis.
✦ PERFIL POLÍTICO-RELIGIOSO
Camille demonstra apatia religiosa e ceticismo moderado diante da fé azul, sem jamais ter demonstrado envolvimento fervoroso com rituais, orações ou doutrinas. Cresceu cercada de tradição, mas nunca se sentiu parte dela — encara o Magisterium como uma instituição necessária, porém distante de sua realidade e relevância pessoal. Apesar de não ser abertamente rebelde, expressa descrença com humor ácido, principalmente em relação a cerimônias e figuras de autoridade religiosa. Seu comportamento irreverente já levantou suspeitas veladas de vínculos com facções dissidentes, embora nunca tenha havido evidência concreta. Na prática, Camille evita o embate direto, mas não esconde sua incompatibilidade com estruturas formais ou sua relutância em respeitar hierarquias rígidas.
✦ RISCO DIPLOMÁTICO
Camille representa um risco moderado a alto em termos diplomáticos, especialmente por sua natureza impulsiva, sarcasmo desmedido e aversão a normas protocolares. Embora não tenha intenção direta de desestabilizar alianças políticas, seu comportamento imprevisível e desleixo com convenções sociais podem facilmente gerar embaraços públicos, gafes internacionais ou interpretações equivocadas. Além disso, sua tendência a criar laços afetivos improváveis pode levá-la a alianças não autorizadas ou exposições midiáticas indevidas.
Classificação: Alto.
✦ RELAÇÕES ESTRATÉGICAS
Bahar Kavur (@voutebahar) — Assistente pessoal — Aliada/mentora. Se tornou uma aliança e mentoria já que ambas exercem a mesma função.
Darian Lanier (@darianversion) — Ministro de relações exteriores — Aliados a longo prazo. Relação próxima e consideravelmente familiar.
Kalliope Phaidonos (@kallionomeupapin) — Princesa de Elythea — Aliada antiga. Genuína, porém de extrema utilidade.
✦ INDICADORES DE AMEAÇA
“Acusações de inutilidade ou infantilidade” – Qualquer comentário que questione sua capacidade, maturidade ou inteligência pode levá-la a agir de forma impulsiva ou autossabotadora, especialmente em público.
“Insinuações sobre favoritismo ou nepotismo” – Comentários que envolvem sua posição como assistente do príncipe e a influência da família podem provocar defensividade ou crise de identidade.
✦ INFORMAÇÕES SENSÍVEIS
Manipulação inconsciente da probabilidade: Embora oficialmente registrada como uma habilidade menor, há indícios de que seu poder já influenciou resultados de forma alarmantemente conveniente — incluindo processos de seleção, apostas privadas e até o fracasso súbito de oponentes políticos de sua família. Nada foi provado. Ainda.
Histórico de sabotagem leve: Há rumores (não confirmados) de que Camille já tenha sabotado propositalmente eventos da elite azul por vingança pessoal ou pura diversão. Nenhuma imagem, gravação ou testemunha concreta.
Descumprimento de protocolos diplomáticos: Já foi flagrada informalmente em festas privadas com membros da plebe vermelha, ainda que sem confirmação de envolvimento ideológico ou estratégico. A própria Camille diz que foi “pelo vinho e pela estética”.
✦ BOATOS
Existem boatos de possuir grandes amizades rubras e frequentemente ter participado de festas com estes, muitas dessas festas são de teor duvidoso e envolvendo substâncias ilícitas.
Roda por ai um boato sobre a jovem estar propensa sabotar as pessoas próximas de seus interesses amorosos, indica até mesmo que ela faz uso do poder de algum modo para ter sorte e inevitavelmente dar azar a essas pobres pessoas.
✦ OBSERVAÇÕES ADICIONAIS
Apesar da aparência desleixada e da postura informal, Camille apresenta um desempenho surpreendente em tarefas que lhe despertam interesse — embora seja instável em termos de foco e comprometimento tradicional. Nunca passou por treinamento militar ou diplomático formal, mas possui um senso afiado de leitura social, manipulação emocional e timing estratégico, o que a torna uma jogadora subestimada no contexto político de Althara. Seu histórico acadêmico é errático: foi diversas vezes antes de se formar com mérito em uma instituição privada, por influência da família. Sua ficha contém notas medianas em áreas técnicas e destaque em disciplinas ligadas à argumentação, psicologia social e filosofia política — embora suas redações tenham sido descritas como “geniais, porém desrespeitosas”.
No que diz respeito à união e à coroa, Camille não demonstra grande ambição pessoal, mas parece disposta a jogar conforme as regras se for em benefício de quem ela escolhe proteger. Há indícios de lealdade profunda (ainda que seletiva), sobretudo a certas figuras do Althara — mas sua motivação permanece fluida e imprevisível. Observadores experientes notam que sua presença serve tanto como catalisador quanto como bomba-relógio: Camille pode tanto desarmar tensões com seu humor quanto acender fagulhas perigosas com frases provocativas. Seu valor tático, embora difícil de mensurar, não deve ser descartado.
Recomendado: manter vigilância discreta.
▌ASSINATURA: T.N.S. Chefe de Segurança do Castelo de Treatan Após análise, favor encaminhar ao setor de vigilância mágica e comportamental.
‘ Viu? ’ questionou, um tanto mais eufórico do que deveria, talvez porque estivesse sendo tomado por cerca ansiedade ou pelo humor alheio. ‘ Ah, seria ótimo se checasse. Eu não estou em condições de... Enfim ’ sentia que, se se mexesse, acabaria constrangendo ainda mais a mais nova, algo que não queria. Além disso, se a garota fosse gentil como parecia, ela o ajudaria. ‘ Não atrapalhou ’ negou com a cabeça, para que não se preocupasse. ‘ Eu nem deveria ter usado disso, pra começo de conversa ’ arqueou uma das sobrancelhas quando ela mencionou seu príncipe, se perguntando de quem estava falando, e porque frisava seu status atual justo para alguém como ele, que não estava a par de fofocas. ‘ Para quem você trabalha? ’ não queria se meter em problemas por pedir favores à funcionária de outro azul da realeza. Além disso, não queria que a morena, mais tarde, levasse aquilo ao seu príncipe. ‘ Uh, será que isso pode ficar entre a gente? Seria um grande favor se não mencionasse a mais ninguém que me viu assim ’
❝Ah, claro... Ahn, você fica aqui e eu vou pegar? Ou você vem atrás de mim? Tipo, não do jeito stalker, mas acho que seria meio estranho você andar do meu lado sem roupas e... Não que você seja estranho! Até por que você é um grande gost... Deixa pra lá!❞ Se parou na fala quando sentiu o calor subir ao rosto, se dando conta que estava falando pelos cotovelos sobre o que não deveria outra vez. ❝Ah, você pode usar o que quiser, não precisa se preocupar com esse tipo de coisa!❞ Eu inclusa. Pensou consigo mesma, dando graças que seus pensamentos não se formavam acima de sua mente como em um desenho animado, uma grande sorte. ❝Ah, trabalho para o herdeiro de Velraisse, Laurent Lefevre.❞ Deu de ombros como se não fosse tão importante assim, mesmo que soubesse não ser verdade. ❝Nem esquenta, não é como se ele prestasse atenção em qualquer coisa que falo mesmo... Nunca me dá ouvidos. E bom, eu jamais contaria algo assim pra ele, certeza que me mataria ou acharia um forma de me culpar... Não por que ele é um chefe ruim, claro, mas por que eu sou sempre mega atrapalhada e estrago tudo com frequência e... To falando demais de novo, né? Esquece, vou ir pegar suas roupas, fica paradinho ai que eu já volto!❞
apoiou os cotovelos na mesa depois de um tempo de conversa . nada que pudesse ser chamado de inapropriado à primeira vista , mas o suficiente para passar a impressão de que estava à vontade demais para uma princesa . ‘ é realmente uma combinação perigosa . mas algo me diz que você sabe administrar sua impulsividade com a sua sorte . ’ inclinou o rosto , mantendo os olhos fixos em camille enquanto esboçava um sorriso tênue para a garota . o segundo comentário da outra a fez engasgar com a própria risada . tentou disfarçar e não conseguiu . cobriu a boca com os dedos , balançando a cabeça devagar , como se dissesse " desculpa , desculpa " , mas os olhos brilhavam de diversão genuína . ‘ céus , camille . ’ riu baixo , o tom leve , quase como quem compartilha um segredo entre amigas . ‘ só teve uma pessoa que já me fez ajoelhar para rezar durante uma noite inteira , mas não foi exatamente por salmos . ’ comprimiu os lábios , como se tivesse deixado a informação escapar . sarp veio à mente , junto com o gosto de uísque e o som abafado de vozes atrás das cortinas da boate . mas não era o tipo de lembrança que dividia com garotinhas inocentes , então respirou fundo , limpou a garganta e retomou a pose impecável de star . ‘ de todo modo , acho sensato você ter critérios . tem muito lobo vestido de cordeiro por aí . ’
❝Gosto de pensar que sim.❞ Deu de ombros ainda que nem sempre se sentisse como uma boa administradora daquilo, apenas ia com a vibe do momento e esperava que o poder lhe salvasse no fim do dia. Ficou um tantinho constrangida quando ouviu a risada alheia, mas tentou tomar como uma boa coisa e meio sem jeito se permitiu rir um pouquinho também. Por vezes, falava tão sem pensar que não se dava conta que poderia estar falando besteira ou algo engraçado. ❝Ah e foi porq... AH!❞ Quando se deu conta do que era acabou por se engasgar com a própria saliva, tossindo um pouco entre uma risada, se abanando levemente com uma das mãos. Não estava esperando aquela revelação tão súbita, menos ainda no quanto a imagem mental da princesa da Tailândia de joelhos lhe deixava com o corpo em chamas. Malditos hormônios! Se resignou a concordar com um aceno de cabeça, ainda que o gosto de Camille costumasse pender apenas para os piores tipos de pessoas ou as mais perturbadas, contudo, achava que não era de bom tom compartilhar isso com a princesa, ao menos não nesse momento. ❝Vou manter isso em mente, obrigada! Eu to vendo a Devine me chamar, mas eu adoraria que a gente tivesse uma chance de conversar outro dia, alteza, foi uma honra te conhece!❞
Sorriso malicioso se alargou em seu rosto assim que viu as bochechas coradas, como se todos os seus movimentos integrassem um jogo que tinha por objetivo constranger a mais nova. "É, tem razão. Temos que levar em consideração o que as múmias iam considerar adequado" comentou, pensativo, como se estivesse, de fato, conjecturando. Não era segredo que não tinha nenhum respeito em relação ao Magisterium, sendo a religião algo de pouca relevância em sua vida, seguindo o exemplo do pai. "Acha que o Aleksei está tão desocupado assim? I mean, eu também invadiria meus sonhos para tentar me seduzir" disse de maneira convencida, jogando a cabeça em um gesto teatral, "mas ele poderia só se aproximar com aquele sotaque russo carregado e falar um oi ou um привет"
Acabou rindo quando ouviu múmias, mesmo que não devesse, não pode deixar de achar engraçado. É, por vezes o coreano podia ser divertido, mesmo que durasse poucos segundos, mas quem aguentava um chefe chato. ❝Isso é difícil, tudo é inadequado pra eles.❞ E essa era a razão pela qual ela geralmente cagava e andava pro Magisterium, isso era algo que poderia fazer no dia a dia, mas definitivamente não ali, uma pena. ❝Desocupado eu não sei, mas definitivamente carente, né? Até por que assim, desde o término de Vilek, ele deve estar miserável, mas quem não estaria deixando uma mulher como a Villavencia escapar?❞ E bem ali estava a Durand que era fã de carteirinha das princesas de Castilla, algumas mais do que outras é claro. ❝Nossa, você realmente quer aquele embuste na sua vida ou na sua cama? Tá, tudo bem que ele é gostoso, mas assim, acho que tudo tem limite! E falando no diabo, acho que acabei de avistar ele, espera aqui que eu vou lá rapidinho e vou tentar arrancar a informação dele, depois te conto!❞ Comentou agora mais animada e esquecendo completamente da vergonha, ainda que essa certamente iria voltar no momento que seus pés rápidos lhe colocassem na frente de Aleksei.
Quando concordou em seguir com o príncipe coreano até o labirinto, era em busca de alguma calmaria — já estava mais sóbria do que gostaria e sem seus cigarros pra fumar, então era um misto de tensão, irritação e frustração comprimido naquele corpo diminuto que falava alto demais pro tamanho que tinha. E, como já era de se esperar, o deboche típico do mais velho não estava ajudando em absolutamente nada. Mas como quem já tinha discutido com o próprio chefe naquele dia, Camille não se importava nem um pouco em mandar outro príncipe à merda. ❝Escuta aqui, eu já tô com a paciência por aqui! Por aqui, ó!❞ Ela ergueu a mão acima da cabeça e ainda deu um pulinho pra dramatizar o quanto aquilo já tinha passado do limite. Sabia que não era ameaçadora. Sabia que era pequena, desbocada e pouco imponente — mas também sabia que sabia usar a língua. Em todos os sentidos. ❝Então, se você não vai falar nada de útil, pelo menos ache uma utilidade melhor pra sua língua!❞ E sem esperar resposta ou reação, puxou Jihoon pela gola da camisa e o beijou. Sem cuidado, sem pensar. Sem nem saber se ele estava no clima — porque na cabeça dela, homens sempre estavam. Se não estavam, deviam estar. Claro que o universo achou de bom tom dar um toque de comédia ao caos: no segundo seguinte, o pé dela escorregou numa das pedras soltas do chão, e os dois foram direto pro chão. Camille caiu com um baque leve sobre ele, bufou alto, e em vez de se constranger, apenas revirou os olhos. Foi rápida em inverter as posições, agora sentada sobre ele com as coxas presas dos lados, como se estivesse acostumada a ganhar quedas corporais com estilo. Um dedo foi direto até os lábios dele, pressionando com cuidado mas sem delicadeza. ❝Eu juro que se você falar um absurdo sequer, eu vou te morder onde você não vai gostar. Não tô num bom dia e no momento... tô contando com você pra me desestressar.❞ O olhar dela queimava agora — e não com raiva. Com fogo mesmo. Daqueles que dançavam nas pupilas como se ela tivesse engolido um raio e ainda estivesse se eletrizando por dentro. E, sem dar muito espaço pra resposta ou análise, ela voltou a beijá-lo. Mas agora foi diferente. Mais lento. Mais firme. Os dedos escorregaram pela nuca dele enquanto a outra mão apoiava o próprio corpo, conduzindo o beijo com domínio e ritmo. O quadril desceu um pouco mais, pressionando-o de leve — um aviso e uma provocação. Quando o ar ficou escasso, ela se afastou só o bastante pra sussurrar perto da boca dele: ❝Mas olha... se você quiser gritar meu nome depois, eu deixo.❞
Depois de conseguir jogar o medalhão pra Nárnia basicamente, quando achou que estava em um lugar que não tinha câmeras puxou a garrafa do que aparentava ser água, mas estava bem longe de ser isso... Mas por que desconfiariam de uma jovem de dezenove anos com uma garrafa de um litro fosse ser algo diferente de água? Franceses só bebiam vinho afinal... Viva os estereótipos! O fato é que já tinha bebido metade da garrafa quando viu Mayi se aproximando, claro que não iria deixar de compartilhar bebida com sua idola! E bom, uma coisa leva a outra e quando ela viu já havia pedido desculpas, mas mesmo assim isso não a parou de subir no colo da mais velha e a beijar como se não houvesse amanhã, ela era tão linda e já faziam semanas desde a última vez que a Durand havia beijado alguém, estava quase ficando bv outra vez! E isso era um absurdo ao ver dela, foi por isso que ao separar o beijo, ela sorriu um tanto embriagada. ❝Você é tão linda e gostosa... Eu posso te beijar mais? Eu quero te beijar mais... Na verdade, eu quero fazer bem mais do que te beijar...❞ E ao falar isso a mão subiu lentamente pela coxa alheia, um toque sutil e um pouco desajeitado, uma risada leve escapando pelos lábios de Camille. ❝Não é excitante pensar que podem achar a gente? Acho que teremos de ser silenciosas... ❞
Não havia muito tempo desde que havia basicamente discutido com Laurent e simplesmente o deixado para trás, tanto por querer chorar por provavelmente o poder a mandado para longe antes que tudo piorasse ainda mais. Quando viu Darian surgir na frente de seus olhos, ela simplesmente correu e o abraçou com força. ❝Darian... Eu acho que cometi um grande erro...❞ Comentou em tom choroso, ainda que não houvesse lágrimas nos olhos ainda. Não achava que estava errada em seus argumentos, contudo, talvez não fosse sábio ou certo basicamente gritar com seu chefe no meio de um brunch. ❝Ele vai me matar... Ou melhor, meus pais vão me matar!❞
"Então...? O que está vendo?" Charlie segurou o prato sujo de molho onde tinha acabado de comer sua refeição; o espaguete estava ótimo, mas ainda estava entediado quando finalizado. Conversando com Camille ao seu lado, de alguma forma havia terminado em uma conversa profunda sobre a vida e seu futuro. Charlie até teve algumas aulas de psicologia antes de ter que sair da faculdade por conta de problemas financeiros, mas depois de mexer uns pauzinhos para receber seu diploma falso, ele se virava com uma boa conversa para enganar aquele pessoal de Althara. Devia ser bem óbvio que um psicólogo mostrar um prato sujo de molho para uma cliente no meio de brunch não era exatamente algo profissional, mas todos acreditavam que Charlie trazia uma visão britânica exótica para sua profissão. "Um homem ou uma borboleta? Pode ser muito significativa a sua resposta."
Terapia. Era isso que ela precisava, era isso ou ela teria um mental breakdown até o fim do programa, era isso ou Laurent daria um jeito de lhe assassinar e sumir com o corpo. Por que isso ele conseguiria fazer sem ser pego. Talvez fosse culpa dela de ir importunar o outro no meio da refeição, mas estava necessitada de ajuda e por isso nem ligava muito para a situação. ❝Definitivamente um homem e ele parece muito bravo... Pelos Santos! Isso quer dizer que meu chefe está furioso comigo, não é? Claro que ele está! Puta que pariu! Tá... Ahn.. O que eu posso fazer pra não ser assassinada mediante raiva? Essas imagens vão ajudar com isso?❞
levou um tempo demais para responder . pegou uma taça de alguma bebida espumante — que não fazia ideia do nome — e bebeu . os olhos semicerrados em um sorriso gentil , desses que a princesa star sabia dar com perfeição . só que kitty não estava sorrindo por delicadeza . estava tentando entender por que diabos uma assistente estava tão preocupada com o status do seu noivado . ‘ amor é uma palavra poderosa , camille . ’ disse com suavidade , fingindo que refletia profundamente , quando na verdade estava apenas escolhendo a forma mais convincente de mentir . ‘ estamos nos conhecendo . mas acredito que existe um carinho mútuo . e cuidado . às vezes isso é mais valioso do que promessas apressadas , não é ? ’ era uma mentira bonita . das que enganam câmeras , jornalistas e garotas com sonhos românticos demais . antes que camille pudesse cavar mais fundo no terreno do noivado , kitty se inclinou um pouco para frente , fingindo genuíno interesse — o tipo de atenção que fazia os outros se sentirem especiais . ‘ isso pode ser uma bênção , sabia ? dá tempo de observar quem se esforça para encontrá-lo . ’ seu tom era quase maternal . ‘ e , entre nós , se cair nas mãos erradas , você tem todo o direito de rejeitar . ninguém respeita uma dama submissa em althara . ’
Conhecendo... Certo, então não era amor do lado da tailandesa, fez uma anotação mental quanto a isso. Por que carinho mútuo era uma forma bonita de dizer que eram quase estranhos que se respeitavam até o momento, o termo promessas apressadas lhe pareceu muito mais como uma tentativa de fuga de algo sério ou do compromisso do que uma cautela, ao menos aos olhos juvenis. ❝Talvez cautela seja sábio... Mas acho que sou muito jovem pra sabedoria. Sempre fui meio impulsiva, deve ser por que costumo ter a sorte do meu lado.❞ Literalmente, mas a maioria não sabia disso. Até por que não tinha por que saber da vida de Camille Durand, ela não era nobre ou interessante, pretendia continuar desse modo. Contudo, ficou contente com a súbita atenção da mais velha sobre si, Star ainda bela como se tivesse sido esculpida por um grande artista afinal. ❝Acho que você tem razão... Considerando onde meu medalhão está, realmente vai exigir algum esforço. Eu rejeitaria dependendo da pessoa, é claro, não iria querer causar desconforto pra mim ou pra ela! Poxa, imagina ir num encontro com alguém mega chato da igreja? Tipo, tudo bem ser religioso e tals, mas não quero ficar mais de uma hora ouvindo salmos da igreja!❞
A verborragia só podia ter a ver com as circunstâncias em que se encontravam, e Hakon se amaldiçoava internamente por ter se transformado justo ali, onde adolescentes poderiam presenciar isso. Não a falta de roupas, mas o risco de se deparar com o lobo gigante. Talvez tivesse deixado o lado competitivo falar mais alto ao assumir o risco, algo que não pretendia repetir. Era por isso que não retornava de imediato à forma animal e resolvia o próprio problema caçando as próprias roupas e se livrando do vexame. Além disso, sabe-se lá de que forma encararia a jovem com seus instintos lupinos. ' Só... Você viu alguma peça de roupa no caminho até aqui? ' perguntou, depois de um pigarrear desconfortável, ao mesmo tempo em que cobria a virilha. ' Vim da mesma direção que você. Pretendia voltar depois que encontrasse um medalhão, mas você me achou antes '
Teve de se esforçar para pensar e recordar se havia visto ou não, lembrava vagamente de ter visto algo que parecia ser roupas, mas não tinha total certeza, contudo, ela queria ser útil pra ele. ❝Ahn... Acho que vi sim, você quer que eu vá checar? Posso ver se pego pra você! Eu ofereceria parte do meu casaco, mas não acho que ele vá cobrir muito.❞ Até por que ele mal lhe cobria os braços, os ombros e a parte superior do espartilho que usava. Por isso ela gostava de roupas funcionais, mas até ficava contente de não estar com uma no momento, pelo menos estava mais bonita. Ou achava que sim. ❝Ah, eu atrapalhei? Peço desculpas, eu não queria entrar no caminho... Eu só estava procurando meu príncipe... Quer dizer, eu não tenho um príncipe até por que sou cronicamente solteira, mas estava procurando meu chefe que acontece de ser um príncipe e... Ahn, certo, pegar suas roupas, né? Você vem junto ou vai esperar aqui?❞
Como bom apoiador das tradições azuis, desde que se entendia por gente que Hakon acompanhava a Althara e, por conseguinte, a Caçada. Com o tempo, tinha chegado à conclusão que a forma lupina seria a melhor quando se tratava de encontrar objetos perdidos, considerando os sentidos aguçados próprios do lobo gigante. Podia ser considerado golpe baixo, mas assim o príncipe poderia identificar mais facilmente a quem pertenciam os medalhões. Acabava de se embrenhar por uma trilha para seguir um rastro quando ouviu um ruído às suas costas e, antes que deixasse os sentidos assumirem e atacasse alguém, voltou rápida e imprudentemente para a forma humana, praguejando ao constatar que estava bem distante de sua pilha de roupas. ' Eu meio que vou precisar de um favor... '
Por questões de preocupações extremamente plausíveis, quando percebeu que Laurent tinha sumido, ela não demorou a ir para o meio do mato de novo em busca do príncipe. Por que se ele desse o azar de fazer algo no mato justo onde tinha câmeras, ela teria um outro ataque do coração. Contudo, o que viu no meio das árvores era muito melhor do que poderia ter imagino ou pedido aos santos. A boca se escancarou em um perfeito "O" e piscou algumas vezes, sentindo as bochechas assumirem uma coloração avermelhada quase instantaneamente. Se virou de lado rapidamente, ainda o observando pela visão periférica. ❝Ah! Claro, eu faço o que você quiser! Tudo que você pedir e...❞ Se viu falando muito mais animadamente do que deveria, então logo balançou a cabeça e pigarreou ainda sem graça. ❝Quer dizer, eu estou a disposição pelo que precisar, alteza!❞
Adonis franziu o cenho enquanto a moça começava a tagarelar, abrindo e fechando a própria boca diversas vezes sem uma chance de realmente falar. O príncipe colocou as mãos nos ombros da outra azul como uma forma de tranquilizá-la, e também para fazê-la parar para respirar um pouco, pois ele começou a se preocupar de que Camille estivesse ficando sem ar. "Estou bem." Falou de maneira firme para evitar que ela se preocupasse mais. "De verdade. E minha irmã não precisa saber disso." Ele apontou para a perna ferida, que ainda escondia dentro dos sapatos e da calça, por mais que fosse óbvio pelo fato de estar mancando. Aproveitou o momento para sentar-se em um banco próximo, voltando-se para Camille então. "Então, somos eu e você." Ele sorriu, feliz de que pelo menos era alguém que conhecia... e que, seja lá o que acontecesse, não iria ter nenhum silêncio constrangedor com a garota. "Onde acha que vão nos levar?"
Sua mãe sempre lhe dizia que não deveria tagarelar demais e ainda assim era inevitável quando ficava nervosa ou agitada o que era sempre. Contudo, tentou ficar mais calma quando sentiu as mãos nos ombros, um sinal sutil e claro de cala a boca e respira, pelo menos ele era gentil. ❝Você diz isso, mas se você não contar a ela e eu não contar a ela, mas ela descobrir depois vai ser pior... Então, vai ser melhor eu mesma contar pra ela.❞ Decidiu por fim, afinal, não gostava da ideia de ficar de mal com a melhor amiga em cenário algum, ainda mais quando tudo estava bem. Se sentou ao lado dele, por que provavelmente começaria a caminhar de um lado para o outro se ficasse de pé. ❝É, eu e você... Espero que não seja estranho, eu nem sabia que iria ter que participar de coisas assim quando vi pra cá, sabe? Eu nem sou nobre.❞ Extremamente rica? Sim, mas nobre? Nenhum pouco, era apenas o dinheiro, influência e sangue azul que havia lhe conferido uma vaga na mesma escola que os outros membros da realeza. ❝Eu não sei, mas poderia ser algo divertido né? Tipo aqueles lugares que são cheios de jogos e afins? Qual era o nome mesmo? Um dos meus irmãos sempre me fala sobre... Fliperama? Algo assim, acho meio vintage, sabe? Mas definitivamente nos daria muito o que fazer! E você tem alguma ideia do que podem reservar para nós?❞
encarava um bolinho translúcido com desgosto . tinha a textura de espuma e cheiro de flor não comestível , mas mesmo assim , ela o colocou na boca — por protocolo , claro . e quase se engasgou . pelos deuses , quem achou que gelatina de lavanda era uma boa ideia ? o céu da boca implorava por algo com sal enquanto pigarreava discretamente . quando ouviu a voz de alguém , kitty quase deixou cair o guardanapo de linho sobre o colo , o susto estampado por um microssegundo no arquear das sobrancelhas . se virou tão devagar que parecia ter ensaiado aquilo em frente ao espelho . ‘ que gentileza a sua , querida . você também está adorável . ’ ela segurou o guardanapo , dobrando-o com os dedos num gesto lento demais para ser natural . ‘ acho que seria contra as regras , não ? informar o esconderijo a alguém ? ’ como se regras já tivessem impedido alguém de fazer o que quisesse naquele lugar . ‘ além disso , ludowig adora um desafio . e eu seria uma noiva muito entediante se entregasse tudo de bandeja , não acha ? ’ mentiu , como se ludowig não tivesse implorado para ela dizer o seu esconderijo horas antes . ‘ mas torço para que ele encontre . ’ ela se recostou um pouco na cadeira , voltando a cruzar os tornozelos sob a mesa . ‘ e você ? também está participando ? ’
❝Ah, obrigada! Eu me esforcei um pouquinho hoje.❞ Admitiu um pouco tímida, realmente havia tentando seguir algum senso estético e não ser tão desleixada. Até o momento não havia se sujado com comida, então considerava um recorde. ❝Ah, seria, mas quando se trata de amor quem segue as regras, não é? E quer dizer, vocês se amam, não é?❞ Inqueriu como se fosse um questionamento ingênuo e sem qualquer outra intenção ou curiosidade por detrás. ❝Ah, sim, um desafio, eu entendo... Fica meio que como um jogo, não é? Bem mais divertido mesmo!❞ Concordou em animação, pensando que se tinham um pensamento parecido isso já valia de algo para a Durand, era melhor do que nada. ❝Ah, estou sim, eu achava que nem iria participar dessas dinâmicas, mas foi uma surpresa hoje... Mas ninguém encontrou meu medalhão ainda, acho que só espero que seja uma pessoa legal, sabe?❞
Quantos anos tinha aquela garota, doze? Talvez ela mesmo estivesse sendo a má influencia para a nova geração, mas àquele ponto, não se sentia mais responsável por nada e ninguém. — Fique a vontade. — Concluiu em simploriedade. Teve que soltar um riso com a comparação a contos de fadas, dando de ombros com sua usual delicadeza. — Acho que transformar esse lugar num conto fantasioso seja a forma deles de faze-lo mais tolerável. É romântico de certa forma, não acha? — Mesmo que fosse, não deixava Althara menos desprezível; não aos olhos de Ágata.
❝Valeu.❞ Agradeceu novamente pro que achava que educação nunca era demais, mesmo que fosse do jeitinho dela e não seguindo protocolos chatos. ❝Acho que sim... Acho que era pra passar a ideia de que os caçadores lutando pelo medalhão de um coração é para provar como vale a pena lutar por amor, ou algo assim... Eu não sou muito romântica pra falar a verdade, mas acho que é por que nunca vivi um grande amor ou coisa parecida.❞ Ou talvez só estivesse mais focada em subir de elo no moba que não sobrava muito tempo pra cuidar de um relacionamento afetivo, fora que parecia exigir uma responsabilidade que ela não andava querendo ter, preferia apenas auxiliar na vida amorosa das amigas. ❝E você? Já viveu muitos romances? De verdade, não só por mídia como alguns fazem hoje em dia.❞
A resposta de Camille arrancou de Bahar um daqueles sorrisos que não chegavam aos lábios, só aos olhos — breves, quase imperceptíveis, mas sinceros. A garota tinha um jeito peculiar de ir direto ao ponto com aquela franqueza desajeitada, que em qualquer outro momento a teria deixado na defensiva. Mas ali, até os comentários mais crus pareciam ter espaço. Ela olhou de lado, observando novamente a roupa alheia. Era como se a Durand ainda carregasse uma certa esperança raivosa, uma energia crua de quem ainda não tinha sido totalmente moldada pelos bastidores — ou não deixava que a moldassem. Poderia sentir inveja, se fosse uma pessoa diferente. ❛ Constrangedor não. ❜ Murmurou, finalmente, voltando os olhos para a trilha. ❛ Mas… é simbólico. E isso às vezes pesa mais. ❜ Ela não dizia, mas aquele medalhão trazia uma imagem que só alguém muito atento entenderia: uma chave. Não que fosse um grande segredo que ela mantinha segredos, e era uma pessoa fechada. Mas era complicado ter aquilo exposto. ❛ E não se desculpe. Você tem razão. Não é pra gente, isso aqui. Nunca foi. ❜ A voz de Bahar saiu baixa, sem amargura, só uma constatação fria. Ela ainda não havia entendido o motivo de terem selecionado pessoas como elas para participarem da dinâmica. Não era como se pudesse fornecer um casamento vantajoso para qualquer um...❛ Se acharem o seu e fizerem cara de decepção… o problema é deles. ❜ Se surpreendeu com sua fala, mas não deixava de ser sincera. Tinha o bom hábito de enxergar, e mostrar, o melhor nos outros. Desinteressada, contudo, em uma conversa mais profunda, crendo não ser Camille responsável por ouvir suas lamentações, ela suspirou profundamente uma última vez antes de retornar à postura. ❛ Eu vi as notícias, sobre o vosso príncipe. Precisa de alguma ajuda? ❜
❝Eu entendo, eu acho.❞ Não elaborou muito dessa vez, mas compreendia que algo muito simbólico pudesse ser incomodo, por que era pessoal. E ainda que Camille fosse muito aberta sobre algumas questões de sua vida, já que não abria mão de sua autenticidade, ela ainda assim não queria compartilhar nada que parecesse pessoal ou intimo demais. Especialmente em um lugar repleto de câmeras. Por vezes o jeito mais frio e contido da mais velha lhe deixava um tanto incerta e desconfortável, temia estar sendo demais pra ela ou algo assim, por isso se surpreendeu com a fala alheia. ❝Bom, nesse caso, acho que posso dizer o mesmo sobre você... Se bem que acho impossível ficarem decepcionados ao te ver! Você é linda, elegante e super inteligente.❞ Elogiou com sinceridade perante ao que já havia observado, sabia que aquilo era apenas o exterior, mas era apenas baseado no que ela podia ver que poderia fazer tais observações. Os ombros se abaixaram no momento que o tema das noticias veio a tona, ainda estava sendo uma enorme dor de cabeça tudo isso, precisava trabalhar em conjunto com Laurent pra determinar uma narrativa... Mas o príncipe estava longe de saber o significado de união e sinergia, ao que aparentava. ❝Bem, eu aceito conselhos... Não vou negar que não estava esperando algo assim vinda dele, ainda estou meio incerta de como prosseguir.❞
Sempre havia achado Star linda e maravilhosa, era do tipo que adorava seguir as fofocas do reino tailandês, contudo, ela não havia ficado muito contente quando soube que a princesa estava noiva de um de seus crushes de longa data. Tudo bem, não era como se Ludowig tivesse trocado mais do que duas palavras com a Durand, mas agora que ela tinha a chance de o conhecer de verdade, como ele olharia pra ela quando tinha a perfeição que era Star com um anel no dedo? Era apenas mais uma coisa pra adicionar a lista de frustrações da vida de Camille, ainda assim quando avistou a outra no brunch se aproximou com um sorriso tímido. ❝Oi... Você está muito bonita... Quer dizer, você sempre é muito bonita, alteza, mas hoje está ainda mais... Ahn... Você informou pro Ludo onde achar seu medalhão? Vi algumas pessoas fazerem isso e como vocês são noivos, né...❞