separated from the rest, where I like you the best; @winslow
Cada segundo de silêncio era uma pequena tortura a mais. Àquela altura, Barlow estava acostumado a não receber respostas dela, não havia conquistado sequer um melhor motivo quando recebera aquela mensagem que encerrara o que se desenrolava entre eles, por que diabos receberia algo agora? Porém a esperança e insistência se mesclavam em uma só, e mais uma vez o irlandês estava ali, tentando esbarrar em Chloe de modo casual outra vez. Stephen sabia que era errado procurá-la na cafeteria, onde muito de certo Winston não poderia fugir, porém estava tão consumido pela preocupação, pela falta que ela fazia em seus dias, que aquela havia sido sua única escolha. Diferente das vezes onde fora inoportuno em buscá-la tentando encontrar uma razão melhor para o término, daquela vez Stephen só queria saber como ela estava. Cinco minutos bastariam e, se aquela fosse de fato a vontade de Chloe, ele não a procuraria outra vez, ainda que fosse doloroso imaginar aqueles pequenos silêncios dela durando mais alguns meses. Quando o café fora depositado a sua frente, seus olhos seguraram a ponte visual com os dela, criada no instante em que a garota finalmente lhe olhou, a despeito da resposta rude no tom doce. Stephen quis sorrir pela forma como Chloe agia, lhe chutando de modo cruel ainda que tais palavras saíssem dos lábios de um rosto tão angelical, porém manteve-se neutro em suas expressões, esperando uma retorno de sua proposta, esquecendo das demais pessoas que formavam a fila atrás de si.
Seus dígitos se fecharam ao redor do recipiente da bebida assim como os de Chloe tamborilavam no balcão, nervosos. Stephen estava quase convencido de que havia perdido aquela luta outra vez, sua teimosia desejando desistir por completo, quando Winston finalmente lhe respondeu. Diante da réplica positiva, o moreno sorriu. Genuinamente. Empurrou o valor de sua bebida no balcão, um olhar mudo de desculpas trocado com o sujeito atrás de si na fila, e enfim seus passos ganharam uma nova direção, seguindo Chloe até o escritório nos fundos do estabelecimento. Ainda sem dizer nada, adentrou o local, depositando seu café em uma mesa e finalmente virando-se para fitá-la. Queria não sorrir, mas era difícil ao vê-la daquele modo, tão pequena com os braços cruzados em um sinal claro de resistência… Era um gatilho automático para pensar nos dias onde havia desfeito aquela pose com beijos e alguns risos. Um suspiro quebrou o silêncio criado no local, e Stephen encostou-se na beira da mesa onde depositara seu café, retribuindo a expectativa daquele olhar com uma expressão mais tranquilizadora. “Eu não vim aqui para brigar ou insistir em algo, Chloe.” Começou, sincero. Queria dizer o quão linda ela ainda era, como havia lembrado da garota na última semana quando passara por pontos que haviam frequentado juntos, contudo, ao invés de sobrecarregá-la com memórias que Winston de certo havia apagado, escolheu seguir pelo caminho mais seguro, e abrir o jogo quanto as suas intenções naquele lugar. “Eu só queria conversar com você. Saber como você está. Eu sei, é idiota…” Apressou-se na última parte, derramando outro suspiro de seus lábios. Estava nervoso e um dos palmos subira até sua nuca naquele gesto característico, denunciando seu estado. Por um segundo seus olhos desviaram-se dos dela, parecia tão errado estar na presença de Chloe sem saber o que ela queria, mas Stephen desejava acalmá-la, deixar claro que estava ali como um amigo, ou qualquer pessoa que Winston considerasse o bastante para não expulsar tão de cara. Assim, procurando os olhos dela outra vez, o moreno prosseguiu em sua honesta declaração. “As coisas não ficaram claras, Chloe, mas eu desisti de tentar entender. Você tem seu direito, não posso te suplicar por algo que não quer, só… Por favor, não tente me convencer a não me preocupar com você. Fomos amigos antes, não é? Essas coisas não desaparecem assim, por isso estou aqui. Você pode esquecer o que já aconteceu, fingir que nunca nos conhecemos além de nada, e só me dizer como tem estado. Sinto falta de ouvir coisas sobre você.”
Tinha as barreiras bem erguidas e não podia estar mais comprometida com agir na defensiva. Era a postura comum de Chloe, a de se preservar e manter quem quer que fosse a uma distância segura. Sentia que precisava de reforço, no entanto, quando se tratava de Stephen. A vontade de ceder que lhe acometia sempre que ele lhe dirigia os olhos negros, os quais sempre pareciam transbordar com gentileza fazia com que percebesse os trincados que o rapaz provocava em sua armadura. Assentiu às primeiras palavras dele, um tanto aliviada que suas intenções não consistissem em insistir no porquê havia acabado com os encontros tão repentinamente. Entendia sua confusão, não foi necessária uma briga ou que Barlow dissesse algo de errado. Foi ao perceber-se corando diante de suas palavras, o formigar em seu estômago toda vez que pensava em vê-lo, as noites onde seu sorriso brotavam na mente de Chloe a cada vez que fechava os olhos que acarretaram em seu distanciamento bruto. As palavras seguintes, no entanto, fizeram com que seus braços caíssem ao lado do corpo. Não era por isso que esperava. O sentimento pesado que sinaliza quando está agindo como babaca alastrou-se por seu corpo. - Não... Não é idiota. - Disse, coçando um dos olhos. Sabia que não merecia a amizade de Stephen. Ele a impessionava constantemente com o quão bom podia ser. Ainda que Chloe tivesse rejeitado-o diversas vezes, apartentemente sem motivo algum, estava ali, preocupado com seu bem estar. Era uma índole que a espantava.
A rajada de honestidade que deixou seus lábios pegou a de surpresa. Todo o corpo de Chloe tornou-se tenso, seus olhos dirigiram-se a porta anunciando seu desejo de fuga. Sentia como se as palavras estivessem invadindo seu espaço social e sua reação imediata era a de se tornar esquiva. Considerara simplesmente sair do escritório, passar pela porta e não parar até encontrar o bar mais próximo. Mas não podia fazer aquilo com ele. Não de novo. Lutou com as palavras em sua mente, tentanto capturar as certas a dizer. Podia derramá-las em páginas em branco com maestria, mas não sabia lidar com elas quando precisavam deixar seus lábios. - Eu... Olha... - Engasgava no próprio desconforto, mas estava se esforçando. Seus olhos encontraram-se com os de Stephen mais uma vez. Ela se calou, na tentativa de buscar a própria sanidade. A verdade é que gostara de ouvir o que ele dissera. Se importava, não era um sentimento que acostumara ter dirigido a si. Passara por toda sua vida como um fantasma, alguém que estava por ali sem nunca realmente ser vista. Ele parecia vê-la. Chloe chacoalhou a cabeça na tentativa de desanuviar seus pensamentos. - Eu estou bem. Estou muito bem. - Tentou exprimir honestidade em sua voz, mas as olheiras profundas e o tremor que de vez em quando acometia suas mãos tendia a desmentí-la. - Estou trabalhando aqui, escrevendo, minha rotina nunca muda muito, você sabe. - Deu de ombros, apoiando-se na parede. Se as noites em que perambulava pelas ruas escuras de Bradcliff completamente fora de si e causava algumas explosões graças ao estado ébrio fossem apagadas, a vida de Chloe tornaria-se absolutamente entediante. Raramente divergia da linha casa-emprego e passava os tempos livres lendo qualquer coisa ou escutando música. Não tinha nada de interessante a contar. - Como você está? - Indagou, tentando desviar o foco do assunto. Também sentira falta de ouvir coisas sobre ele. Não era capaz de proferir tal pensamento, no entanto. - Como estão as coisas com a sua irmã? - Sabia que ele e Evening tinham problemas. Preocupava-se com a situação, e ainda não havia sentido ser sob sua liberdade perguntar sobre o assunto desde que pararam de se ver.














