“ — I know you’re probably pissed and I get it. Não culpo você, é sério.” Começou, ciente de que aparecer na porta da casa da ex-namorada não era uma boa ideia. Mas, naquele estado, não conseguia raciocinar ou se importar com aquele fato. Aparentava estar calmo e ser, num geral, resiliente, mas a realidade estava distante do Lancaster mais velho. “ — É o décimo quinto aniversário dela. Da morte dela, eu digo.” Murmurou como se aquilo explicasse tudo. Os olhos vermelhos, vermelhidão causada pela ansiedade, e a voz fraca não eram nada perto de seus punhos inchados, doloridos e vermelhos, foco da visão de Jupiter dessa vez. Se olhassem de perto, poderiam ver vestígios de sangue ali, que ele não fazia a menor questão de limpar, e suas mãos, assim como o resto de seu corpo, tremiam. Estava muito perto de uma pequena crise, como costuma chamar, também conhecido por doença psicossomática. “ — Não quero ficar sozinho em minha casa e ninguém me conhece como você. Please.” Não sabia o que estava pedindo exatamente, mas sentia-se completamente perdido e arrasado. Charlotte era, provavelmente, a única pessoa que ele procuraria naquele estado. Seu inconsciente a fazia ser a primeira pessoa que ele pensa quando não está bem.
Charlotte não estava esperando visita, e estando em casa apenas com a irmã mais nova, imaginou que seria apenas alguém tendo esquecido a chave de casa ao ouvir a campainha. Entretanto, sentiu-se desmoronar com a visão. Analisou-o de cima abaixo, e então de baixo a cima, incrédula, preocupada, com o coração afundado no peito e um imenso nó em sua garganta. Mil e uma coisas passavam por sua cabeça, em especial juntando o estado em que ele estava com o pedido de desculpas, guiando-a a algo ruim. Mas de forma alguma a preparou para o que ouvira. Sentiu o luto atingi-la com aquelas palavras, vendo o estado dele, e se não fosse o choque, teria abraçado-o naquele mesmo instante ao invés de observá-lo por mais alguns momentos, o deixando falar. A realidade da morte da mãe do ex-namorado era muito pior, sem dúvidas, mas ela entendia o sentimento por também ter perdido sua figura materna. Negou com a cabeça, impulsivamente retendo-o em um abraço apertado, que buscava dar a ele o conforto que precisava. “I’m so sorry, Jup... But you’re not alone. No matter what, I’ll be always here for you, ok?” afirmou, acariciando os fios loiros. “Venha, venha pra dentro...” chamou, mantendo um braço ao redor dele e o guiando até o sofá da sala, no qual sentou sobre os calcanhares, para poder manter o abraço protetor ao redor dele. “Só respire fundo, ok?” tentou acalmá-lo, encostando a testa contra a lateral da cabeça dele, em que uma das mãos ainda acariciava lentamente seus cabelos. “Vai ficar tudo bem, eu prometo.” falou, sabendo que de início, o melhor era apenas aceitar a onda de sentimentos sem tentar retê-la, e que palavras ou qualquer outra coisa ainda não seriam a ajuda que ele precisava. Charlotte sabia, afinal, não só porque já estivera lá antes, mas porque tomar conta dele era instintivo.