every reunion is a type of heaven — mateo&marisol
sidekickrubio:
Ouvi-la dizer que a caçula da família estava viva e bem pareceu retirar um peso de seu peito, permitindo finalmente que voltasse a respirar. Se a tivessem perdido, tinha certeza que nenhum dos irmãos seria capaz de perdoar a si mesmo, a mais velha dentre os quatro principalmente.
No momento em que a irmã se afastou, deixando-o desamparado uma outra vez, sentiu falta de Apolo como um sobrevivente de guerra o faria com um membro amputado: sabendo que havia chegado até onde estava sem ele ao mesmo tempo em que a dor fantasma da ausência o assolava. A relação que tinha com cada um dos outros Rubio era única, e todas tão incontestavelmente diferentes entre si. Com Alejandra, sentia que a mais nova precisava de si. Apolo era o exemplo de tudo aquilo que se esforçava para ser sem sucesso algum, e o amava tanto quanto o ressentia; Já Sol, bem… negasse o quanto fosse, era ele quem precisava de Marisol. Sempre havia precisado.
Assistindo-a se afastando, porém, esforçando-se para manter o tom de voz estável e positivo como tantas vezes a havia visto fazer antes, algo dentro de si pareceu se partir de maneira que não tinha certeza ser possível remendar. Sentiu-se um peso então, por fazer com que a irmã precisasse usar uma máscara de coragem e indiferença ao seu redor na esperança de o proteger da realidade. Mateo já não podia ser protegido; havia há muito se tornado parte daquele mundo sombrio e deturpado.
Tomou a mão de Marisol na sua na esperança de a impedir de se afastar. “Drop the ‘brave face’ act.” Pediu, dando um passo na direção da irmã e permitindo que o sol banhasse sua expressão para que ela o visse; verdadeiramente o visse. Havia pesar em seus olhos, raiva na maneira rígida com que havia trincado a mandíbula. Os sinais que entregavam o que realmente sentia eram pequenos, imperceptíveis a qualquer um que não o conhecesse: a testa franzida, o pequeno tremor de seu lábio inferior. Sentia medo.
Não por si, é claro. Por ela. Porque passara todo este tempo se perguntando se a irmã estaria viva e, agora que a tinha ao seu alcance, o medo de a perder diante dos próprios olhos tornava-se algo visceral.
Quando falou novamente, sua voz suava derrotada e exaurida. Entregou, de uma só vez, todos os temores e vulnerabilidades que havia guardado só para si. “Alex can wait. Can you just… stay with me for a while?”
Hesitou quando sentiu a mão dele tocar na sua, parando imediatamente onde estava, mas ainda assim encarando o chão, quase como se temesse o que ia encontrar na expressão dele. As palavras não eram nada de novo. Apolo lhe pedia o mesmo ocasionalmente, para deixar aquele ato que ela tanto se tinha habituado a representar em que nada no universo lhe afetava. Mas ouvi-lo de Mateo tinha outro peso, outro que a fez apertar a mão dele na sua com força, silenciosamente confirmando-lhe o que já sabia. Não importava o quanto fingisse, nunca mais ficaria tudo bem. Não estava certa se alguma vez as coisas tinham ficado bem para eles, na verdade.
Então, se permitiu virar para o olhar. Reconhecia os pequenos sinais que não tinham mudado desde que ele era mais baixo que ela. Era quase assustador pensar no quanto ele tinha crescido em todos aqueles anos. Parte de si, se sentia ridícula pelos ciúmes que sentira segundos atrás por querer tão desesperadamente que ele precisasse dela, porque era tão fácil esquecer o quanto desesperadamente eles precisavam uns dos outros. Não só ela dele. Levantou uma mão para acariciar o rosto do irmão deleve, abrindo um sorriso hesitante enquanto o fazia.
❝ — I missed you. — ❞
Acabou por vocalizar o que não saia da sua cabeça desde o momento que percebera que era ele. Não costumava falar do que sentia, disfarçando todos os seus pensamentos com piadas idiotas, desviando o assunto até que a pessoa se distraísse o suficiente para que ela pudesse voltar a ficar confortavelmente na sua concha segura. Mas com Mateo... Nunca tinha conseguido fazer isso com ele. Podiam não ser todas as vezes que ele chamava a sua atenção, mas bastava um olhar para que Marisol percebesse que ele sabia exatamente o que estava tentando fazer isso. ❝ — Come here. — ❞ Puxou-o pela mão que ainda segurava para o fundo da loja, achando um canto mais limpo da carpete para eles se sentarem. Quando já estava acomodada, procurou na sua bolsa o exemplar que tinha achado naquela mesma loja.
❝ — Eu ia levar isso, porque me fez pensar em você. Estava planeando ler ele hoje e chorar porque fui literalmente a pior irmã do mundo e não te obriguei a vir junto. — ❞ Apertou a mão dele um pouco mais forte, revelando o quanto culpada se sentia por aquele deslize. Nunca achara que que as coisas iam chegar naquele ponto, mas mesmo assim deveria ter insistido. Nunca o deveria ter deixado para trás. ❝ — I'm really sorry, Theo. I really am. I should never have left you behind.






