Capítulo 8 – O Outro
A noite caiu rápido no Ipiranga.
Alexandre sentia o corpo vibrando de novo, aquela energia quente debaixo da pele. Era como se a cidade inteira fosse um imenso coração batendo, chamando por ele.
Saiu de casa sem saber para onde ia. As ruas estavam molhadas pela garoa, refletindo a luz dos postes em poças sujas.
Quando chegou na esquina da Bom Pastor com a Greenfeld, o cheiro veio primeiro.
Não era humano.
Era… familiar.
O coração de Alexandre disparou, os pelos do braço arrepiaram.
No outro lado da rua, parado debaixo de um poste, havia um homem.
Alto, magro, usando um sobretudo surrado.
Ele não se mexia. Apenas olhava.
Alexandre sentiu o instinto gritar: corra ou ataque.
Mas ficou parado.
O homem sorriu. Um sorriso que não era de quem está feliz, mas de quem reconhece algo.
— Achei que você não fosse aguentar a primeira lua — disse, a voz rouca, grave. — Mas parece que você gosta.
Alexandre não respondeu. Não tinha certeza se queria ouvir mais.
O homem deu um passo à frente, e por um segundo o rosto dele mudou. Os olhos brilharam amarelos, os dentes ficaram pontiagudos.
— Tem espaço para dois nesse bairro? — ele perguntou. — Porque se não tiver, você vai ter que me matar.
Antes que Alexandre pudesse reagir, o homem virou a esquina e desapareceu.
Mas o cheiro ficou. Forte.
Alexandre respirou fundo e percebeu que estava sorrindo de novo.
Não de medo.
De excitação.
A cidade não parecia mais tão grande.
Agora ele tinha algo para caçar.














