Pelos corredores estreitos e escuros, Lorraine corria com pressa em direção a pequena saleta de medicamentos escondida em um dos cantos da sala de emergĂȘncia, torcendo para que a porta â travada por uma tecnologia de identificação biomĂ©trica â tivesse resistido ao desastroso apagĂŁo que agora assombrava o pronto-socorro e todo o Florence Nightingale.Â
Ao fazer a curva no corredor que a guiava atĂ© seu destino, fechou o olhos e pediu secretamente aos deuses para que o acesso estivesse liberado ou para que, por alguma sorte, alguĂ©m tivesse se esquecido de trancĂĄ-la, facilitando assim sua entrada, mas nĂŁo tivera sucesso algum. A luz fraca e dĂ©bil do aparelho celular iluminavam a pesada porta com trancas de metal completamente fechada, deixando que apenas os recortes protegidos pelo vidro revelassem o interior da sala. Com os punhos fechados socou a porta com força, frustrada, murmurando meia dĂșzia de maldiçÔes. âDroga, droga.â â o som escapava por entre os dentes cerrados. Do lado de fora podia enxergar o pequeno vidro de dobutamina que desesperadamente buscava, o que sĂł a deixava mais e mais nervosa. Numa tentativa falha, tentou arremessar o corpo franzino contra o bloqueio, mas fez apenas machucar os ombros, arrancando-lhe uma exclamação.Â
Distante, pode notar uma luz que parecia aproximar-se de onde estava, fazendo-a buscar por ajuda. â Ei, quem estĂĄ aĂ? â buscou, esperando que a silhueta misteriosa deixasse as sombras. â Eu preciso acessar o armĂĄrio de medicação, consegue me ajudar? â pediu, ainda que soasse muito mais como uma sĂșplica do que qualquer outra coisa.
Cliff ligou a lanterna do prĂłprio celular na tentativa de encontrar algum lugar escuro em que pudesse se encolher e ficar encolhido para sempre. Ele sabia que isso ia piorar ainda mais a dor nas suas juntas, mas atĂ© seus passos curtos jĂĄ pareciam insuportĂĄveis. As salas de pausa estavam cheios de mĂ©dicos em polvorosa e cada vez mais a medida que os turnos acabavam e as pessoas percebiam que nĂŁo poderiam ir para casa naquela noite.Â
Ele quase deu um salto ao entrar em uma das saletas da emergĂȘncia e dar de cara com alguĂ©m parado no escuro. -- Ah. Hey, Lori. Sou eu, o Cliff. Estou procurando um lugar para tirar uma soneca. -- Claro que a emergĂȘncia provavelmente era o pior lugar possĂvel para isso, mas Cliff nĂŁo era bem localizado no hospital mesmo quando nĂŁo estava um breu. Ele se aproximou para olhar a porta melhor. -- Bem... Consigo... Mas depende de quanto tempo vocĂȘ tem ou quĂŁo disposta vocĂȘ estĂĄ a destruir propriedade do hospital.Â





