tu foi
a alma
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que eu ja colidi.

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tu foi
a alma
mais linda
que eu ja colidi.
Vai doer, vai deixar um buraco no peito. Seu adeus me pegou de mal jeito.
Mart'nália
Entre guerras territoriais de feminismo e machismo estou nua. No corpo as marcas da desgraça humana. No coração a marca de um infeliz que amei, mas que saia sem blusa porque homem mostra o peito enquanto a puta da mulher se ocupa mostrando o coração.
Bárbara Matoso
Moça, sai da sacada, você é muito nova pra brincar de morrer.
Supercombo
Eu com todas as minhas complicações e defeitos queria te contar um segredo, que não é mais segredo: você me faz um bem enorme. E eu queria te dizer que por esse motivo mais nada aqui dentro dói. Parou. Aquela ferida cicatrizou. Aquele sangue que escorria, secou. Aquela cara de insônia, sumiu. Aqueles motivos pra chorar se transformaram em sorrisos. E eu sou grata pra caramba. Queria te contar que as vezes acho que não sou humana. Eu consigo sentir. Sentir coisas. E a coisa mais bonita, sem dúvida alguma, foi conseguir sentir o que você sente por mim. E é como uma criança, que é pura e que sabemos que vai crescer forte e saudável. Se cuidarmos, é claro. E eu cuido. Dela e de você. Porque você cuida de mim. Teve aquela vez que íamos entrar na água naquela tarde quente, e você me deu a mão e me ajudou a entrar. Você sabe que não sei nadar e que ainda por cima tenho uma pequena fobia de água. Segurou minha mão e ficou olhando pra ver minha reação, e quando viu meu semblante de desespero, disse que pararíamos por alí, segurei sua mão forte e pedi que não me soltasse, mas eu sei que não soltaria. E isso me encanta em você. Posso dizer que seu afeto, de fato, me afetou.
Chicago,1992.
Eu não quero fazer parte do universo, o universo me dói. Eu tenho um infinito dentro de mim, mãe. Eu tenho um infinito e já não posso sentir nada, eu tenho nojo da existência humana. Eu tenho nojo de mim, mãe. Olha o que me tornei: uma pessoa com medo de tudo. Eu não quero ver o mundo fora do meu quarto, mãe. Tudo é duro demais pra mim. Eu estou presa numa areia movediça e só quero que ela me engula logo, eu quero não sentir. Eu quero fazer parte do nada. Mãe, você não vê? Eu estou cansada dessa tolice do dia-a-dia. Eu estou cansada de sentir. Eu estou cansada de ser sempre quem fica. Eu estou cansada. Eu estou morrendo e não virarei uma estrela. Eu sou uma estrela que não brilha, mãe.
Laura.
Volta pra mim com os cortes na boca e a falta de fôlego porque sim, eu te aceito. E eu reparo teus danos e te refaço pro mundo, para que você voe novamente, e parta sem mim. Porque dentro do amor eu percebi que não há nada nosso, nem as noites em que cantamos a tristeza e reverberamos a solidão, nem o vulto da eternidade no teu pé errante. Não há nada que eu posso dizer que tive nos momentos onde a intensidade disse os verbos e nós proferimos o infinito. Volta pra mim, não, não volte pra mim, erre o caminho que os descaminhos são paralelos. Volta, não, não volta. Volta, que os eixos nas suas costas me dizem sobre o amor que gangrenamos nas mãos quando o sorriso não preencheu. E eu canto o que drummond diz: se mil vezes você me deixar e voltar, eu aceito. E eu faço dos versos nosso colete anti-monotonia e te abraço pra nunca mais existir. Porque o belo não existe, além do brilho que há no invisível, através da retina do olho esverdeado que você tem. Volta pra mim que os dias têm esmagado meus punhos, e eu tenho visto miúdo o que se vê brando e claro; não abro minhas mãos aos céus e sorrio há semanas e os raios do céu mudaram o curso: meus lábios pararam no tempo. Volta antes do dilúvio bíblico, antes da terceira guerra mundial iminente, antes que outro meteoro caia e desta vez aqui, aqui. Volta antes que eu agonize sua lembrança e refaça sua imagem turva e deturpada, antes da aurora-boreal encandecer o céu da Noruega, antes que eu e o suicídio conversemos sobre como andam os planos pro meu futuro. Antes do terremoto afligir meus dedos, antes da queda d’água explodir as estrelas mortas por nós que dissemos superficialidades. Não, não volta agora, estou desbotando todo destino. Canta pra mim, canta chico, e não volte enquanto o teu brilho não satisfazer meus dramas renegados. Eu te amo, mon amour, como um mantra que eu não soube pronunciar. “Se mil vezes você ir e voltar, eu te aceito… eu te aceito.”
Floresinexatas.
Falávamos como se nos conhecêssemos há anos. Há vidas, quem sabe.
Caio Fernando Abreu.
Me diz pra que fazer assim? Você pode ter um tempo pra pensar, e uma eternidade pra se arrepender. Tá na cara dá pra ver no seu olhar, tô fazendo muita falta pra você. É loucura não ouvir o coração, desse jeito a gente pede pra sofrer. Eu não quero te ver na solidão, tô fazendo muita falta pra você.
Joanna
Pra você guardei o amor que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar. Sentir sem conseguir provar, sem entregar e repartir. Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar. O amor que vive em mim vem visitar. Sorrir, vem colorir solar, vem esquentar e permitir. Quem acolher o que ele tem e traz quem entender o que ele diz no giz do gesto o jeito pronto, do piscar dos cílios. Que o convite do silêncio exibe em cada olhar. Guardei sem ter porque, nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar. Achei, vendo em você, explicação, nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar. Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais. O amor que tive e recebi, e hoje posso dar livre e feliz. Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris risca ao levitar. Vou nascer de novo. Lápis, edifício, tevere, ponte. Desenhar no seu quadril, meus lábios beijam signos feito sinos. Trilho a infância, terço o berço do seu lar. Guardei sem ter porque, nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar.
Nando Reis.
A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes… enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: ‘Te amo’. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.
Bukowski.
O que ela tem? Alguém pode me responder? Tudo bem, ela tem um rosto que fica lindo até quando faz careta, mas e daí? Ah, claro, tem um corpo que… Caramba! Mas e daí? Essa menina… Que beleza, mas não passa de um rostinho bonito. Ela é seca, vezenquando a ouço dizer que não ama mais, que bobagem! Menina bonita, tudo por fora e nada por dentro. Ela jamais ouvirá da minha boca, mas com certeza ouvirá dos outros o que eu sempre digo por aí, “essa garota não sabe que me tem nas mãos”. Mas e daí?
Marcos Filipe.
Fica mais, fica mais um pouco, porque muito de você pra mim ainda é pouco.
Charlie Brown Jr.
Livrai-me de tudo que me trava o riso.
Caio Fernando Abreu.