Hello, death, my old friend | Red & Evan
Red dava graças aos deuses por Jessamine ter voltado a consciência depois de ter o acertado no ombro. O filho de Hefesto não chegou a ter um novo corte, mas seu ombro e peito direito estava tão danificado pelas garras da Esfinge, que qualquer murro era o suficiente para fazê-lo se curvar. E também não era o seu único ferimento, visto que a coxa esquerda também tinha recebido das garras do monstro. Analgésicos o seguraram nos primeiros momentos da batalha, mas agora, o semideus já não parecia muito capaz de fazer qualquer coisa. Ele e Felicia eram os responsáveis pela linha de frente, mas depois da luta contra Jessie, Red foi obrigado a recuar ligeiramente para recuperar suas forças. “Droga”, falou baixo, ao ver os dedos molhados de sangue depois de checar com o tato as bandagens por debaixo da camisa e armadura. Abaixou-se e ficou sobre um joelho, a espada no chão para não ter que fazer força com o braço danificado, mas mantendo-se atento ao cenário a sua volta, o escudo de leão de Nemeia no braço esquerdo pronto para ser erguido e protegê-lo.
Por um momento, mais observava do que participava da luta. Seus companheiros gregos estavam vários metros a sua frente, lutando contra os romanos, e muito embora tivessem espadas afiadas, o plano era exatamente evitar as mortes. Principalmente porque os romanos não estavam em seu melhor estado lúcido, guiados por uma maldição de Marte. Maldito seja. Mais um deus que ganhava o ódio eterno do filho de Hefesto. Dado momento, se levantou e pegou a espada novamente, um pouco mais recuperado, embora apenas o ato de girar os ombros fosse capaz de fazer seu ombro arder. Ainda recuado, guiava os companheiros para áreas em que pareciam mais frágeis de onde podia ver, ou os mandava interferir em uma batalha que um grego estivesse perdendo. Só que essa era a questão: eles continuavam perdendo, e em desvantagem, tanto que depois de Red avançar metade do caminho de volta, a luta já avançara até ele. Levantou o escudo para defender-se de uma espada que viria a partir seu crânio em dois, e então um companheiro arrancou o inimigo de si, comprando a briga somente para ele. Passado aquele vulto agressivo que eram os dois, Red voltou a olhar para frente, e viu mais uma figura conhecida. O que era engraçado, porque lembrava-se de já ter o matado uma vez.
Animais sabem quando algo ruim vai acontecer, ainda mais um corvo com olhos que mostravam o futuro. Crow não acompanhou o dono, que seguiu mal-humorado o cortejo de Lupa e os outros romanos. E Evan achou peculiar, mas não deu muita importância. O corvo era seu melhor amigo e tinha a liberdade de ir e vir como qualquer outro animal selvagem. “Depois ele vem.” Acalmou a si. Crow nunca voltou. Nem quando Evan pisou dentro dos limites do acampamento Júpiter e sentiu a cabeça pulsar. Nenhum sinal de penas quando as vozes raivosas se juntaram ao coro de centenas de romanos mortos. E quando ele começou a duvidar de cada relação que criara no acampamento grego sabia que estava perdido. No momento em que os rostos de Natalie e Alícia deixaram de ser… Amados… Para ilustrar cartazes de procurados, a esperança de resgate estava aniquilada. Cada conversa o trazia mais para o fundo do poço de ódio. As vozes diminuíam, e a influência aumentava. Aumentava. Aumentava tanto que o filho de Plutão sucumbia.
A terra tremia sob a ponta dos dedos de Evan, a mesma reagindo a seu comendo e engolindo o grego derrotado. A asfixia e o peso de toda aquela terra terminariam de matá-lo. Mais lentamente que sua grande espada de duas mãos. Evan era um combatente silencioso no meio do caos da guerra, quase calmo perto de seus conterrâneos. Sua vida inteira tinha sido de raiva e ódio, ignorado pelo pai e uma mãe muito pouco relapsa (se violência vontade como preocupação…) que o mesmo queimava frio em seu interior. Passou por cima da cova recente e focou em um novo alvo, um que o tinha ajudado a chegar mais rápido nesse nível de serenidade e clareza. “Red.” O cumprimentou num aceno de cabeça. As pernas entraram num turbilhão de movimento e o lançaram para frente, a distância diminuindo a um nível alarmante. Teria cuidado com as flechas (se existissem), teria cuidado com a proximidade e tiraria todo o proveito de sua condição duvidosa. Mas primeiro: destruir esse escudo. O primeiro golpe chocou-se contra o material duro de maneira brutal fazendo os dentes e os ossos chacoalharem dentro de si. Um momento para se firmar, voltar ao eixo, e novamente a espada bateu contra o escudo. O ferro estígio não quebrava com facilidade, diziam, e Evan ia tirar prova disso hoje, batendo e empurrando o oponente para longe de pessoas que pudessem pular e ajudá-lo.














