“Olha só, não é que eu fui embora, eu só tinha umas coisas pra fazer, já falamos sobre isso, não sei de doce nenhum,” ela sempre tentava amenizar a merda que havia feito. Não havia jeito bonito de dizer que havia percebido o quão sério aquilo estava e o quanto havia ficado nervosa com a situação. O quanto o plano pouquíssimo elaborado consistiu em apenas levantar sem que ele acordasse, recolhesse todas as suas coisas e levasse um suéter e uma bala de recordação. Não havia sido premeditado, apenas desesperado. Mas ela sempre tentava diminuir e deixar menos pior. Odiava admitir o que havia feito. “Uau, mais uma vez o trambiqueiro fazem trambiqueiragem. Claro, Paco, fica a vontade para fazer seu trabalho. Aproveita e me leva uma champanhe na piscina” revirou os olhos. Era facil evitar ele no hotel, já sabiam os horários um do outro, mesmo que dividissem o cargo era possivel fugir dele. Mas ali foi pega desprevenida. Os olhos analisavam o rosto dele, agora de perto e analisavam a barba. Ficava bem com ela. Não que fosse dizer em voz alta. “Traições? Me poupe, eu-,” parou de falar ao ouvir a hidromassagem. Aquele golpe era baixo. E automaticamente o rosto dela deixou claro isso. Fechou a expressão, sentindo o peso das palavras - jogadas no ar como nada. “Ainda não aprendi a atravessar paredes e parece que você também ainda não aprendeu a como ser educado” disse desviando os olhos “Olha só, eu não vou ficar papeando com você, porque eu tenho muito o que fazer, muita gente pra conhecer, muitos drinks pra beber, e eu não… vou ficar aqui perdendo tempo. Isso não vai levar a lugar nenhum, nunca levou” disse com a voz fraca, como se ao longo da frase a energia fosse sumindo.