Só até logo ali
Nunca fui de sair à francesa, sempre me pareceu que assim alguma coisa ficava inacabada e que o ‘oi’ precedente é que terminava desamparado. Me dá uma inquietação conviver com as situações em aberto, sem ponto final. Se parte de mim deixa os planos de viagem suspensos, existe essa outra parte que espera resoluções – nem que isso só signifique dizer ‘tchau’ antes de cruzar a porta.
Quando eu era criança e perdi o seu Toninho, a minha família não sabia como me contar e decidiu esperar o velório passar pra me poupar de uma despedida triste. Na minha cabeça infantil, mas já um pouco tomada por essas regras que a gente inventa pra dar conta de navegar por esse mundo, aquela perda ficou complicada sem o que eu entendia por encerramento. Por nunca ter me despedido, tive a sensação de que meu avô ainda estava internado no hospital e nem as visitas ao cemitério ao longo dos anos me fizeram associar melhor pra onde ele tinha ido de fato. Como se ele não tivesse retornado pra casa depois de adoecer, até que um dia a normalidade tomou conta da espera.












