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@derrameicafe
| Basta acreditar |
Coisas novas estão sendo feitas! Olhe ao redor pois já começaram, mesmo de onde não haviam possibilidades. Esqueça o que se passou e viva das oportunidades que irão surgir. Seu passado serve como exemplo, mas não é onde você deve viver.
Isaías 43.18-19
E F Ê M E R O
Ninguém morre por amar outra pessoa; Ninguém morre porque outra pessoa fez algo ruim. A gente sente, sofre, sangra e segue. Tudo é temporário, inclusive suas dores.
Ontem contei a ela. Tive medo de perdê-la se o fizesse antes, mas ela disse que só ficou até hoje por todas as vezes que decidi contar aquilo que eu não queria: a verdade.
Derrameicafe
Quando estamos perto de ficar juntos, parece que fica mais longe. Deve ser porque não é para ser.
Mas ainda te amo
Deixei de ser a pessoa que eu era quando te conheci, porque esse alguém não era eu.
Tom Holland doing ballet turns is what I live for
Eu juro, essa é a última vez que escrevo sobre ele. Todo esse inferno começou há dois anos atrás, quando criei uma maldita conta num site onde algumas amigas minhas disseram que eu poderia postar os meus textos e conhecer pessoas que também gostavam de escrever. Logo na primeira semana eu o conheci. Ele era doce, gentil, bom com as palavras e parecia ser popular, várias outras garotas conversavam com ele e tentavam de diversas formas chamar a sua atenção. Seu nome era de anjo, Gabriel tinha olhos claros e cabelo enroladinho. Um dia me chamou e por mais que eu seja péssima com conversas virtuais (e pior ainda com as presenciais), o assunto parecia não ter fim. Ele me contou de sua família simples no interior e que havia recentemente conseguido um intercâmbio, por isso estava morando em Londres, o que fazia a nossa conversa ser mais envolvente ainda. Com o tempo, as conversas que antes duravam duas ou três horas passaram a se estender por madrugadas e chegou num ponto que não queríamos ter de esperar com ansiedade até o outro aparecer no tal site, a gente queria mais, trocamos contatos então e passamos a nos falar o dia todo, todos os dias, sobre tudo. Contei sobre meu curso de francês e meu sonho de morar em Paris, sobre minha família e meus amigos da faculdade. A gente se conhecia tão bem mesmo sem nunca ter se visto, ele me acalmava quando minha família me tirava do sério e eu fazia o mesmo por ele quando o estresse e a pressão eram pesados demais para carregar sozinho. Uma noite daquelas que passávamos sem dormir conversando, convidei-o para uma chada de vídeo, mas o Gabriel sempre tinha problemas com sua internet e nunca conseguíamos realizar isso. A gente tentou muitas vezes falar direto por telefone, mas sempre haviam ruídos nas chamadas que nos atrapalhavam antes que eu pudesse sequer ouvir sua voz, mas mesmo sem conseguir vê-lo em movimento, sem poder tocá-lo, sentir seu perfume, notei que estava me tornando dependente demais dele e na medida que isso crescia, ele parecia corresponder na mesma intensidade. Dia 8 de junho de 2015 foi o dia que Gabriel me pediu em namoro. Queria que o mundo inteiro soubesse, pois nem eu mesma acreditava que havia conquistado um cara tão incrível e cheio de tudo aquilo que eu sempre admirei nas pessoas. A gente se falava muito e ele conhecia cada pedacinho de mim, eu também conhecia sua rotina toda e até uma amiga dele, que dividia o apartamento e torcia pra que a gente se encontrasse. Dois meses se passaram e eu contava os dias pra chegada dele, ele havia me contado que vinha para visitar seus familiares no interior e em seguida correria pra minha cidade, pra finalmente podermos nos abraçar e sentir o cheiro um do outro. Quando o dia finalmente chegou, combinamos de nos encontrar ás 15h em uma praça no centro da cidade, tínhamos planos de ir ao cinema, comprar livros e no final do dia, jantaríamos em seu restaurante preferido. Eu me preparei durante uma semana pra esse dia, tinha a roupa certa, até o batom da cor preferida dele já estava separado. Ás 10h ele me mandou uma mensagem dizendo que havia chegado e estava indo visitar seus pais, mas que não demoraria a vir ao meu encontro. Ás 13h eu me arrumei e comecei a procurar as minhas chaves, nada podia dar errado, não iam haver atrasos porque nós dois odiávamos isso, estava tudo perfeito. Ás 14h eu cheguei no local marcado e fiquei dentro do carro esperando por ele, mandei uma mensagem e ele me disse que estava a caminho. Ás 15h, ele me disse que havia acontecido um imprevisto, mas que eu não precisava me preocupar, que ele ia encontrar um jeito de resolver isso. Ás 16h30 ele não me respondeu mais e minhas mensagens não chegavam mais. Ás 17h15 eu liguei, mas seu celular estava desligado. Ás 18h eu entrei no site que nos conhecemos e ele havia entrado 15 minutos antes de mim, mas não respondeu minhas mensagens. Ás 19h30 eu estava com fome, a maquiagem toda borrada de tanto chorar com esse bolo e a dignidade devastada. Ás 20h eu tomei coragem de ligar o carro e voltar pra casa. Ás 23h10 o meu telefone tocou e eu juro que mesmo depois de tudo isso, meu coração ainda disparou com esperança, era ele. Me pediu mil perdões pelo que aconteceu, contou que sua mãe havia passado mal enquanto estava no meio do caminho e o nervoso até deixou ele sem voz, isso justificava o volume que ele falava. Prometeu-me que no dia seguinte viria até minha casa para se desculpar pessoalmente e terminamos a ligação com um “eu te amo” demorado, com sabor de despedida, mas eu não queria acreditar. No dia seguinte, pulei da cama ás 05h00 e preparei um café da manhã reforçado para comermos enquanto faríamos planos para nosso futuro, mas ás 11h meu estômago roncava e eu comi sozinha, desejando que não houvesse um amanhã. Ás 13h ele me mandou mensagem pelo site que nos conhecemos dizendo que seu celular havia dado problema, mas que ele estava saindo da casa de sua mãe para ir ao meu encontro. Reforcei que não aceitaria mais atrasos e mais uma vez me joguei num mar de esperanças que não demoraram muito a serem tiradas. Enquanto preparava o almoço, recebi uma mensagem ás 13h15 que falava “eu não posso te ver mais, me perdoe”, o que me fez jogar tudo no lixo e perder completamente o apetite, minhas mãos formigavam e meu peito queria sair pela boca. “Por que você está fazendo isso comigo? Por favor, não me deixa”, implorei. Ele não respondeu mais as minhas mensagens durante um mês, todos aqueles 31 dias me corroeram, me mataram em vida, eu queria que a sensação de quase morte se tornasse uma realidade e algo me levasse, acabando com toda aquela dor e sofrimento. Dois meses depois, eu havia perdido 10 quilos e ainda não conseguia compreender os motivos dele fazer aquilo comigo. Eu ainda mandava mensagem todos os dias e ele ignorava, já não acessava mais o site que nos conhecemos e comecei a achar que havia acontecido algo ruim com sua vida. Eu rezei, procurei por seus amigos, que nunca me responderam e em uma de suas redes sociais, encontrei seu primo, mandei muitas mensagens, que foram visualizadas e ignoradas com tanta frieza que comecei a me perguntar que mal havia feito para aquelas pessoas. Um ano se passou e eu continuava da mesma forma: sem expectativas, sem vontades, sem acreditar que havia sido deixada mais uma vez. Mas algo não se encaixava, por mais que ele tivesse escolhido apenas seguir sem mim, por que de tanta enrolação? Por que ele não me respondia? Por que comigo? Completamente sem expectativas, comecei a me culpar por tudo que estava acontecendo de ruim em minha vida. Por muitas vezes gritei, urrei pedindo aos céus que me levassem e acabassem logo com isso. No meio de uma das minhas crises existenciais, ouvi meu celular vibrar e diferente das outras vezes, tive o interesse de pegá-lo em minhas mãos para saber quem era. Eu reconheci aquele chiado no fundo da ligação, conhecia de cor os erros que ele tanto culpava a operadora que atrapalhava nossas declarações de amor eterno que naquele momento, eram apenas lembranças que eu queria nunca ter vivido. “O que você quer?” Disse eu, em tom de indiferença, mas cheia de esperança no coração. “Precisamos conversar. A verdade está me sufocando. Eu preciso te contar da merda que fiz, mas precisa ser pessoalmente…” Quando ele usou essa última palavra, minhas mãos gelaram e pulei da cama. Afirmei que faria o que pudesse para vê-lo e entender tudo o que tinha acontecido, que merecia aquela explicação e estava a um ano esperando por ela. Marcamos de nos encontrarmos de noite, em um shopping perto da casa de seus parentes no interior. No começo achei trabalhoso demais ir até lá e cogitei fazer o mesmo que ele fizera comigo durante tanto tempo, mas percebi que eu não era como o Gabriel e não deveria tentar ser jamais, mesmo que para castigá-lo. Peguei o carro e dirigi durante 3h30 até o local marcado. Ele me pediu para encontrá-lo em uma praça de alimentação, mas no horário que cheguei não havia ninguém. Sentei-me no banco e estipulei um prazo: ele tinha 15 minutos e se não aparecesse, seria um ponto final. Meu celular em seguida vibrou novamente, era um número desconhecido e privado, respirei fundo e atendi esperando por mais desculpas. - Você não vem, né? - Eu já estou bem pertinho de você… Te liguei antes que você me veja pra te dizer mais uma vez o quanto você é linda, agora pessoalmente. Sorri aliviada. Senti aquelas borboletas que eu acreditava ter sido capaz de matar dentro do meu estômago voando, fazendo uma dança maluca de felicidade. - Por favor, sem jogos, Gabriel. Você já brincou demais… Fui cortada pelo som da chamada sendo desligada. Silenciei-me e olhei em volta, não tinha ninguém parecido com ele, seria mais uma maldita brincadeira com os meus sentimentos? Eu sou tão idiota assim? Por que insisti em dar mais uma chance? Reparei que do outro lado da praça, enquanto chorava sozinha naquele banco e olhava pro teto, questionando o universo o que eu tinha feito de tão ruim, notei que havia uma moça de camisa vermelha e cabeça raspada olhando fixamente pros meus olhos, admirando minha dor, como se estivesse se divertindo ou entretida com ela. Sequei rapidamente meu rosto e olhei em seus olhos fixamente por alguns segundos, ela desviava o olhar e retornava-o logo em seguida para a minha direção. Decidi ignorar. Algumas pessoas parecem se alimentar da tristeza alheia e eu não queria naquele momento me preocupar com isso. Mandei uma mensagem para Gabriel sendo bem grossa, dizendo que estava indo embora e que nunca mais queria vê-lo, ouvi-lo ou ler algo relacionado a ele. Disse também que queria distância de tudo que me fazia lembrar dele e por isso, estaria enviando de volta todos os presentes que ele me enviou ao longo daquela mentira toda. Antes que eu molhasse o bico para encaminhar uma segunda mensagem dizendo o quanto sua passagem por minha vida foi perturbadora, senti uma mão tocar meu ombro e parei de escrever. Durante um segundo o mundo parou, sem olhar pra trás, eu sabia que era ele. Eu pude sentir sua energia. - Desculpe te incomodar… Como vai? Era a moça que antes me olhava fixamente. - Não muito bem. Posso te ajudar? Nesse momento, a garota acomodou-se ao meu lado no banco, mesmo sem convite. Olhou com ternura em meus olhos e aquilo me gelou a espinha. - Na verdade, pode. - Olhe, estou esperando alguém e… - Acho que eu sou quem você está esperando. Disse ela com uma voz calma, me cortando. - Acho que você não me entendeu. Estou esperando outra pessoa. Não é você. - O Gabriel? Fiquei sem reação. Mais uma vez senti minha boca seca e minhas mãos tremerem. Tentei por alguns milésimos de segundo imaginar onde essa conversa nos levaria e o quanto eu sofreria em perguntar o que ela era dele. Me afastei um pouco mais do local onde ela estava sentada e olhei em seus olhos. - O que você é dele? Ela respirou fundo. Aproximou-se mais de mim e desligou o celular. - Você não vai perguntar o meu nome? - Olhe, eu não estou conseguindo entender essa brincadeira de mal gosto, mas estou cansada e vou embora. Diga pro seu amiguinho que comigo ele não brinca mais. Chega! Disse em voz alta, sentindo raiva daquela situação e de mim mesma por ter acreditado mais uma vez nas suas mentiras. Levantei-me do banco e peguei minha bolsa, tomei meu celular nas mãos e ela segurou meu braço, me pediu para sentar novamente e apenas ouvi-la. - Me chamo Carol. Essa conversa vai ser um pouco demorada, Anna. Quer comer alguma coisa? Soltei uma risada irônica, tomei minha bolsa novamente ao ombro. - Não, não vai. Eu não estou aqui pra ouvir seu conto de fadas ou seja lá o que for. Você é bonita, vai fazê-lo feliz. Eu já entendi tudo. Sejam felizes e torça para que ele nunca te abandone, nunca te faça desejar nunca ter nascido. Espero que seu coração nunca se quebre e você se veja sangrando por dentro e por fora, se machucando pra tentar esquecer a dor que nunca vai embora. - Você se cortou de novo, Anna? Meu Deus… - Como você sabe o meu nome? É alguma piada pra vocês? Estou participando de algum jogo doentio sem saber? Gritei enquanto colocava meu casaco, fazendo todos da praça de alimentação me olharem assustados. - Anna, por favor, sente-se. Me deixa te ex… - Eu não quero mais ouvir! Me deixe em paz! Tomei minhas chaves na mão e sai caminhando até o estacionamento, me odiando por ter sido tão ingênua a ponto de acreditar que alguém me amaria, que eu seria o suficiente pra quem quer que seja. - Anna, Anna! - Me deixe em paz! Gritei enquanto caminhava, agora em passos mais largos, quase que correndo pra fugir daquele local. - Eu sou o Gabriel, Anna. Ela segurou minha mão e disse em tom baixo, perto do meu ouvido, fazendo minha espinha arrepiar e minha cabeça mais uma vez criar mais perguntas e motivos pra eu ir embora dali. - O… O que você di-disse? Gaguejei. - Podemos nos sentar? - Você me enganou esse tempo todo? Não. Eu já ouvi o suficiente, não tenho nada pra conversar. - No começo era uma brincadeira, Anna. Eu ia te contar. Disse ela, mais uma vez insistindo para que eu me sentasse. Refleti alguns segundos e cheguei a conclusão que eu não poderia afundar mais do que já tinha ido e que se eu fosse embora, as perguntas me enlouqueceriam. Decidi me calar e deixá-la falar. - Depois de um mês, eu já não conseguia mais voltar atrás nas mentiras, sabia que uma hora ia precisar te contar tudo, mas eu me apaixonava a cada segundo um pouco mais por você, pelas nossas conversas, pela sua famí… - Não coloque minha família no meio disso. Por favor. Você é doente! Você mentiu pra mim, me usou, conheceu os meus segredos e eu me abri pra você. Você é desprezível. Eu estou com nojo de você, seja lá qual for o seu nome. - Meu nome é Carol e nada do que eu te contei sobre como me sentia sobre você, as coisas que falei da minha família eram mentiras. A única coisa que inventei foi essa história de intercâmbio, eu percebi sua empolgação com isso e usei dessa desculpa pra chamar sua atenção. Uma mulher incrível como você nunca olharia pra mim. - Você é doente! Você não tem escrúpulos, não tem piedade, não tem compaixão, não tem nada! Não vou dizer que você é um bicho porque os animais não merecem essa comparação. Eu vou embora! - Por favor, não vai! Eu também estou sofrendo. Eu estou enlouquecendo, Anna! Eu sabia que você nunca me amaria nesse corpo, como uma mulher. - O seu sexo não importa! Você deveria ter sido honesta sobre quem era desde o começo. Eu me expus pra você e você me usou. Eu me sinto violada. - Anna, eu te amo. - Cale a boca! - Anna, eu te amo, Anna! Por favor! Me deixa explicar, me deixa sei lá, te mostrar que eu sou como o Gabriel, que eu posso te fazer tão feliz quanto ele faria. Você disse que não se importava com o físico, por que agora faz tanta diferença? - Ga… Carol, é esse o seu nome? - Sim. - Tem certeza que é esse o seu nome? Enfim, não importa. Não, realmente, eu me apaixonei pelo que o Gabriel era, uma pessoa inteligente, aplicada, estudiosa, carinhosa e verdadeira. Isso tudo caiu por terra. Você nunca vai ser como o que fingia ser, por mais que tudo isso tenha sido de verdade. Não foi real. Eu não te amo, Carol. Eu amei uma versão falsa de você, amei o Gabriel, uma pessoa que me envolveu e me deixou sozinha quando eu mais precisei. Eu entrei em depressão por causa da sua brincadeirinha, eu tentei me matar mais de quatro vezes por causa de alguém que nunca existiu, você tem noção? Não, claro que não tem. Você é doente, completamente fora dessa realidade e nunca vai entender o que é sofrer por alguém que nunca foi real. - Eu adoraria diminuir a sua dor, linda. - Não me chame assim, você não tem esse direito. - O Gabriel, ou melhor, eu sempre te chamei assim. - Você não entende? Eu odeio você! Eu desejo que você nunca mais seja capaz de amar ninguém e se um dia for, que façam o mesmo com você! Você foi egoísta, mesquinha, você foi ruim comigo e ainda diz que me amou. Você foi a minha pior decepção, “Gabriel”. - Me perdoa. - Eu nunca vou te perdoar. - Você até me chamou pelo nome dele. - Eu fui irônica. Levantei. Sequei as lágrimas que agora eram 90% do meu rosto. Tentei me estabilizar enquanto sentia tontura pelo tanto que havia chorado. - Você vai me deixar aqui? Não quer mesmo ouvir o que tenho pra dizer? O que sinto? - Você é doente. - Você me prometeu que ia amar pra sempre! - E você me prometeu que não esconderia nada de mim. Caminhei com passos largos até o estacionamento, quando entrei no carro, olhei pelo retrovisor, ainda na esperança que o verdadeiro Gabriel aparecesse, eu não conseguia acreditar naquelas mentiras, que havia caído numa história tão mal contada. Como eu nunca suspeitei de não conseguir falar direito com ele e ouvir sua voz direito? Por isso ele nunca me deixava fazer vídeo chamadas… Ele? Não existe ele, Anna, sua idiota! Como você foi cair nessa? Ao chegar em casa, tinham muitas mensagens, mas agora da verdadeira Carol, que se dizia arrependida e que queria um dia ser capaz de amenizar a minha dor. Carol não imaginava o quanto eu a odiava mesmo tendo amado-a sem saber. Meus sentimentos ficaram confusos, por meses rolava na cama sem conseguir pregar os olhos, lembrando das mentiras que ouvi acreditando, pensando que daquela vez seria diferente. Mais um tempo passou e hoje em dia, sou conformada com o que aconteceu. De lembrar do Gabriel, minhas pernas ainda tremem e meu coração acelera, mas quando recordo das mentiras e do que a Carol fez comigo, sinto enjoo e raiva de mim mesma por ter confiado em alguém que nunca vi pessoalmente. Apaguei todas as minhas redes sociais e antes de excluir minha conta de vez naquele maldito site, publiquei meu último texto contando tudo sobre o Gabriel, sem me importar com o que achariam de mim e se acreditariam, fiquei com medo de ser julgada no começo por ele ser tão famoso naquele site, mas ao contrário, as pessoas começaram a vir falar comigo e me dizer que eu ficaria bem, que o Gabriel foi apenas mais um fake que enganou alguém que procurava desesperadamente por amor, mas encontrou ilusão e sofrimento. Hoje em dia, não sei mais sobre a Carol, se continuou enganando pessoas inocentes ou se excluiu também sua conta, desejo que ela encontre alguém que possa amá-la por quem é, não pelo que finge ser pra conquistar a atenção dessa pessoa. Desejo que Carol se torne um dia tudo o que disse pra mim que Gabriel era: honesto, gentil, empático. Tenho levado minha vida um dia de cada vez, ouvido muito o som da natureza e ignorado o restante do mundo. As vezes saio com uma pessoa especial, que não mente pra mim e sabe de toda essa história, todos os dias ele me diz que eu nunca esqueci de Gabriel, por isso não temos um relacionamento oficialmente. Eu não nego que ele mudou minha forma de ver as coisas e que a decepção ainda pesa sobre meus ombros. As vezes meu telefone toca e desejo ouvir aquele chiado, uma voz confusa dizendo que foi tudo uma grande brincadeira e que ele está chegando, mas isso nunca vai acontecer. Fui apenas mais uma das enganadas por pessoas que se escondem atrás de telas de computador e fingem serem pessoas maravilhosas. Como eu, muitos já sofreram e ainda sofrem na angústia de não saber o motivo da partida, do sumiço, dos encontros nunca acontecerem e ficarem apenas nos planos. Minha carta é um desabafo e uma lição para aqueles que são capazes de aprender com os erros alheios: não confiem em alguém que não podem tocar ou ver, busquem ter certeza absoluta de tudo o que as pessoas lhes dizem e prometem, não esperem príncipes ou princesas encantados chegando em um cavalo branco pra resgatar vocês de um pesadelo, pois isso pode ser só o gatilho pra que o terror realmente se inicie.