embora tudo em mim tenha mudado, qualquer coisa que eu tenha te dado é totalmente estático e seu, pra sempre.
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@desamorador
embora tudo em mim tenha mudado, qualquer coisa que eu tenha te dado é totalmente estático e seu, pra sempre.
oh mas você vai acordar
lembrar de mim
e se dar conta
que o amor é sempre uma coisa boa
até quando acaba
o batuque desse carnaval eu quero bater no seu peito, baby. existem milhões de galáxias ocultas nos vários buraquinhos dentro da gente, eu sei. mas quero te contar da vontade que queima e arde e me faz querer que seja diferente. dessa vez. com você. eu quero aproveitar cada espacinho de acesso. eu deixo as borboletas dançarem numa espécie de performance com pontapés bem nas pontinhas do meu estômago - e não deixo elas te causarem medo, prometo. enquanto descubro as particulares da sua língua, mergulho num beijo milimetricamente infinito que explode em água. porque esse sentimento é corrente. ele flui. ele aumenta. e você vale tanto, baby. eu quero escancarar todas as portas e janelas e frestas. e te olhar como se o amanhã não fosse chegar. e te enxergar com as nuances de um fim de tarde. porque você existe aqui. no meu peito.
bevi II
há em mim uma espécie de eternidade involuntária. não escolhi permanecer; permaneci porque o sentimento criou raízes mais fundas que o tempo. eu vivo sobre isso, sobre a lembrança que não dói o tempo todo, mas pulsa. como uma cicatriz que não se vê, mas define o movimento do corpo.
ser mais que um noah de The Notebook não é romântico como no cinema. na tela, a espera tem trilha sonora e chuva conveniente. na vida real, a espera tem silêncio e notificações que não chegam. tem o constrangimento de reler mensagens antigas como quem visita um túmulo e espera resposta. dói de um modo que não cabe em fotografia.
beatriz foi o meu excesso. e eu fui, talvez, apenas a circunstância dela. mas isso pouco importa. porque amar não é um acordo; é um acontecimento. e o que me aconteceu não desaconteceu nunca.
as vezes penso que amar alguém assim é tornar-se guardião de uma chama que só você vê. ninguém entende por que você ainda aquece as mãos ali. ninguém percebe que, se a apagar, apaga junto uma parte de quem você é. se ela jamais ler o que escrevi naquele chat abandonado durante 6 anos, ainda assim o amor existiu. existiu porque me transformou. existiu porque me ensinou o peso de sentir até o limite do suportável. existiu porque, mesmo sozinho, continuei sendo dois: eu e a lembrança dela.
e talvez seja isso o amor, não a permanência do outro, mas a permanência daquilo que o outro nos fez ser. eu sigo. mas sigo habitado, por você, beatriz.
eu vou viver outra história de amor fajuta e daí escrever e daí você vai pensar que ainda estamos presos um ao outro e talvez até seja verdade mas não importa. nessa vida não importa mais. talvez na próxima, talvez a gente se resolve em outra, não nessa
daí eu vou encontrar esse cara e sei lá dormir com ele e sei lá me apaixonar e escrever sobre ele e então você vai ler ou quem sabe você não faça mais isso e sou eu que me conforto na ideia de que existo tanto na sua vida quanto você na minha
pensar que estamos atados deve ser porque ainda lembro
é que amar é exercício de memória e tenho medo de perder a parte de mim que só soube sentir e sentir e sentir por você
era uma parte boa. eu tinha problemas mas a minha versão que viveu a gente é tão querida, eu gosto tanto dela
preservo
eu a amei tanto, na época não parecia, eu estava triste com tanta frequência, mas ela tinha uma luz que eu queria guardar
não a encaro como a versão de mim que não segurou você, não há ninguém nesse mundo que te prendeu nas mãos
ela sofria tanto, mas eu a amo
eu amo a fé que ela tinha em quem eu sou hoje
minha ex idade, aquela que eu vivi em seu nome, é muito mais que isso
porque ela pode até ter te escrito, eu escrevi tantos homens
mas se você parar pra pensar
tanto pra ela, quanto pra mim, a certeza era uma
quem fica
sou eu
Me pego pensando: o que resta na cabeça de quem se esquece?
Talvez ainda reste uma imagem aqui ou ali, mas embaçada e difícil de reconhecer. Um rosto que não pertence a ninguém e que logo mais sumirá. Um corpo nômade para uma desmemória.
Agora, o que acontece na cabeça de quem lembra, eu consigo responder.
Em uma manhã de sábado qualquer, eu lembro do frango assado da ceia de Natal que eu nunca mais vou comer, porque quem preparava agora é uma cabeça que se esquece — da receita do frango e de mim também. Eu sou a face sem rosto e o corpo nômade. Ela é a cabeça desmemoriada.
Hoje ela me contou uma história espontaneamente, como se, de repente, estivesse se lembrando de que costumávamos fazer isso: conversar.
E logo em seguida, esqueceu.
Eu continuei lembrando.
Talvez seja poesia toda sutileza do sol nos seus olhos.
já passou da hora, pega teu coração esmaga os teus sentimentos e vai embora é difícil, mas você tem que entender é o momento de partir.
sendo o nosso maior planeta do sistema solar é de se imaginar que há grandes terras de sentimentos a serem cultivados por aí
a sua velocidade diz muito
podendo ser visto a olho nu, uma das estrelas mais brilhante
rondando a ti: ganímedes, calisto, lo e europa
o deus dos deuses na escrita
o caos que há em ti, das suas intensas tempestades
facilmente encobriria mundos
você é muito maior que se imagina
@ceudejupiter 🫂🫀
A dor é íntima. por mais que você escreva sobre ela, ela continua sendo sua, só, sua.
é um tipo de solidão diferente quando a gente tem com quem contar e mesmo assim se sente sozinho.
Há um azul em você que não pede explicação. Não é céu, mas é profundidade.
Algo que fica mesmo quando tudo passa.
Caio Araújo