Aquelas horas pareciam um borrão. Odiava poções sedativas, odiava sentir que não tinha controle sobre seu próprio corpo. Lembrava, vagamente, de um borrão parecido com Remus lhe dizendo que teria de partir. Talvez estivesse sonhando. Quando acordou em sua casa estava mergulhada em cobertores, sua cama nunca havia parecido tão confortável. Remexeu-se lentamente e sentiu alguém se aproximar apressado. – Remus? – murmurou sentindo a voz rouca devido as muitas horas de sono. Ouviu alguém bufar. Marlene. Abriu os olhos de maneira preguiçosa. Piscou várias vezes até o formato de Marlene se tornar nítido. – Oi Len – disse encolhida na cama. Amava a amiga, mas só tinha uma pessoa que ela queria por perto agora. E essa pessoa definitivamente não era Marlene. – Como você está se sentindo? – perguntou a herdeira dos Mckinnon a olhando preocupada. Dorcas deu ombros. – Acho que bem.. - disse ainda se sentindo perdida. Respirou fundo algumas vezes antes de começar a erguer o corpo, Marlene logo foi ajudar. Dorcas resmungou que aquilo não era necessário, mas aparentemente sua vida agora seria comandada por outras pessoas. Não teria controle de nada mais. Marlene a ajudou a tomar banho, a colocar a camisola confortável e até mesmo penteou seus cabelos. Como se o simples esforço de levantar a mão para pentear os cabelos fosse demais para ela. Odiava ser frágil. Tentou focar no lado bom. Tocou o próprio ventre que em nada dava sinais de uma gravidez e um sorriso brotou em seus lábios. Marlene avisou que iria fazer algo para ela comer, nessa altura a pequenina já havia desistido de argumentar que não precisava de tudo aquilo. Esperou a morena sair do quarto para pegar o caderno de desenhos que ficava em seu criado mudo e começou a fazer esboços. As poções que prediziam o sexo dos bebes, errando mais vezes do que acertando, só funcionavam no quinto mês. Mesmo assim Dorcas começou os desenhos do quarto de seu filho. Queria que fosse um lugar de paz. Inicialmente pensou em desenhar o céu no teto, um costume dos Black. Lembrava-se das estrelas em seu quarto, de como sua mãe lhe dizia que os Black eram estrelas, mesmo que não as tivessem em seus nomes. Mas as estrelas sempre vinham acompanhada de luas, logo não pareceu assim uma boa ideia. Pensou em pintar todas as paredes de amarelo clarinho e em uma delas trabalhar numa paisagem. Um jardim. Um sorriso brotou nos lábios dela e as bochechas rapidamente se coraram, ao se lembrar de um passeio pelos jardins dos Meadowes que ela havia feito com Remus. Sim, definitivamente teria um desenho de jardim no quarto. Estava quase terminando o esboço quando Marlene entrou no quarto com uma bandeja. – Hora de se alimentar.. – disse colocando a bandeja no colo da amiga que suspirou, sempre havia detestado sopa. Começou a comer sem muito interesse. – Você que fez? – perguntou a Mckinnon pegando o caderno de desenhos da amiga que acenou positivamente com a cabeça. – Está lindo, Doe. – disse lhe dando um sorriso sincero. Dorcas continuou comendo e logo chegou ao fim. – Você quer mesmo isso não é? – perguntou Marlene a olhando séria. – Se isso que você está falando é o meu filho... – Dorcas suspirou profundamente e Marlene fez uma cara culpada, sabia que a pequenina não podia se estressar. – Eu não quero brigar, Doe, juro! – os imensos olhos castanhos de Marlene eram sinceros. – Há uma regra nessa casa para não brigar, Len... E essa regra é respeitar a mim, ao meu filho e ao pai dele. – Dorcas impôs cruzando os braços. – Sei que você e Remus tem seus problemas, no momento eu não poderia estar menos interessada neles, mas ele é o pai do meu filho. Se for da vontade dele, ele vai morar nesse apartamento que é tão meu quanto dele. Eu quero muito você aqui, Len. Você sabe o quanto você é importante para mim, o quanto eu amo você. Mas não me pede para escolher entre você e o Remus... agora mais do que nunca, eu escolho ele. Mesmo que ele não me escolha. Mesmo que ele não me queira. Sempre vai ser ele. – ela abriu seu coração para a amiga que a encarava com os olhos repletos de lagrimas. – Então para ficar perto de vocês, eu tenho de ser amiga do Lupin? – ralhou e Dorcas balançou a cabeça que não, sorrindo pela amiga ter incluído o bebe naquela conta. – Você só precisa o tratar com respeito, pode fazer isso? – perguntou com um sorriso, mas Marlene não teve como responder, no momento que abriu os lábios alguém bateu na porta. Então saiu para atender murmurando algo como “Chegou o papai do ano”, num tom irônico que apenas fez com que Dorcas risse. Em sua mente só vinha o pequenino ser gorducho de bochechas rosadas, com os cabelos claros como os de Remus. Esse bebê era a prova do que o que eles viveram era real. Que o amor deles não era algo de sua imaginação. Se encostou nos travesseiros sentindo-se feliz como há tempos não se sentia. Ouviu os dois trocarem palavras sussurradas da sala, não queria dar oportunidade para começarem uma nova briga. – Remus – chamou e sem demora viu o rapaz entrar no quarto, era ridículo que depois de tantos anos seu coração ainda acelerasse. As bochechas coraram. Ele estava cansado, isso era óbvio. E o sorriso que ele lhe lançou fez com que seu coração errasse uma batida. Quase não conseguiu ouvir o que Marlene falou, despediu-se dela sem lhe dar muita atenção. Tinham tanto para falar. Tinham tantas coisas para fazer. E, ao mesmo tempo, só queria abraça-lo. Naquele abraço ter a certeza de que nada poderia dar errado. Que os três ficariam bem. Mostrou os desenhos do quarto para o rapaz e, antes que pudesse se conter, palavras jorravam por seus lábios. Mostrou como queria cada detalhe do quarto. Tudo o que tinham de fazer para que aquilo se tornasse realidade. – … e é claro que você pode dar a sua opinião se quiser, mas eu estava pensando em pintar as paredes de… - ela continuava a dizer empolgada, estava prestes a lhe dizer que havia escolhido amarelo quando ele a interrompeu. – Acho que os olhos daquele médico vão explodir se ele te escutar falando sobre pintar paredes – o maroto se sentou ao lado dela, na beirada da cama, sacudindo a cabeça em negação com um ar descontraído. Ela gostava daquele Remus, do descontraído que ria dela. Mas havia algo. Algo nos olhos dele lhe diziam que havia algo que ele não estava lhe contando. – Você pode fazer todos os planos que quiser, desde que seja em repouso, combinado? O Peter pode pintar as paredes para você, ele faz qualquer coisa pelo seu chocolate quente. – ele deixou que a frase morresse num silêncio hesitante. Dorcas engoliu a seco. Sequer tinha coragem de fazer piada, afinal seria um milagre que Marlene lhe deixasse ir na cozinha preparar chocolate quente. Tinha algo estranho. Remus parecia reunir coragem para lhe contar algo. Escolhia as palavras. “Por Merlin, só fale”, ela implorou em pensamento pensando que ele a deixaria. – Eu poderia te ajudar, é claro, mas isso iria demorar um pouco – Deu prosseguimento ao assunto, escolhendo as palavras com cuidado, como se fossem bombas prestes a explodir. O coração de Dorcas já estava do tamanho de uma ervilha de tão apertado. Temendo o que poderia vir a seguir. – Dumbledore me deu uma missão, mas não parece ser nada complicado. Ele quer que eu descubra se o dono de um apotecário no norte do país está trabalhando para Voldemort. Devo ficar, no máximo, umas duas semanas fora. – ele completou e a verdade estava estampada na face do rapaz. Céus, como Dorcas queria ser capaz de não ver a verdade estampada nos olhos dele. – Sabe, depois de todos esses anos... Ou você se tornou um péssimo mentiroso ou eu realmente boa em ler suas mentiras. – ela disse de forma carinhosa tocando a face do rapaz, aproximou-se lentamente observando as reações dele. Deixou que os narizes se esbarrassem e selou os lábios de forma suave nos dele. Depois suspirou, com as testas coladas. Ficou assim por um tempo até se afastar novamente. – Você é controlador demais para ficar longe por vontade própria, Marlene provavelmente vai falar que você fez isso de propósito para se livrar do... problema. – a boca dela entortou para baixo ao chamar o filho de problema. – Mas eu te conheço melhor, você não quer esse bebê... Ou melhor, você quer. É seu sonho ser pai, como nunca foi o meu, mas não desse jeito. Não quando teria uma mínima chance dessa criança herdar seu probleminha. – ela deu ombros, olhando para o próprio colo. Antes de ressaltar que com os cuidados certos isso seria improvável. – Você só aceitaria essa missão se não tivesse outro jeito... Levando que em duas semanas teremos passado da próxima lua cheia... É uma missão com lobisomens, não é? – o rapaz não precisava responder, ela sabia a verdade. Tocou os pingentes do lobo e da fênix que ficavam perto de seu coração. O nó em sua garganta só crescia. Uma lágrima perfeita rolou pela bochecha da baixinha que a secou rapidamente. Precisava ser forte. Precisava ser forte por Remus, por ela e pelo filho deles. – Me prometa.. – ela pediu mantendo o rosto dele preso em suas mãos. – Me prometa que você... que você vai voltar pra mim.. que vai voltar para nós dois. – ela gaguejou olhando nos olhos do rapaz. – Não me importa se você terá de abortar essa missão, se você vai pensar que isso é trair a ordem... Volta pra mim! – Dorcas implorou antes de o beijar de forma doce. O beijo se misturava com lágrimas. Afastou-se dele apenas o suficiente para pegar uma caixinha na gaveta. Um medalhão estava dentro da caixinha. – Pertenceu ao meu pai, sei que vocês não se amavam... – ela revirou os olhos ao relembrar o relacionamento dos dois. – Eu dei isso para ele, ele dizia que isso me mantinha sempre perto de seu coração... Que lhe dava força mesmo nos piores momentos. – Dorcas abriu o medalhão revelando a foto dela dentro e depois murmurou um encantamento, apenas Remus poderia abri-lo. O colocou no pescoço do rapaz. – Antes que resmungue que não pode aceitar... Não é um presente, é um empréstimo. Eu quero de volta, trate de me entregar você mesmo. Não aceito que outras pessoas venham me devolver. – lembrava do médico que havia lhe devolvido o medalhão de seu pai, dizendo que sentia muito. Não podia passar por isso de novo. Havia perdido a mãe, o pai, os avós. Perderá Edgar há tão pouco tempo, seu amigo de infância. Não podia perder Remus. Ela não sobreviveria a isso. O empurrou para o banho e fez com que ele comece um pouco da sopa de Marlene. Viu o rapaz considerar dormir no sofá e o olhou feio. – Se você for para o sofá, eu também vou. – ela deu ombros imprudente. Sorriu ao vê-lo se deitar ao seu lado. Antes que ele pudesse a afastar, ela o abraçou e colocou a cabeça em seu peito. Não queria desgrudar-se dele.
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Infelizmente, não tiveram dias. Muito menos semanas. Logo Remus partiu, deixando o coração de Dorcas partido. As duas semanas logo se tornaram um mês. Um mês logo se tornou cinco. Tentar animar Dorcas havia se tornado o principal passatempo de muitos membros da ordem. Marlene praticamente havia se mudado para o apartamento da pequenina, revezando-se muito raramente com Emmeline. A loira tendia a ser mais divertida, fazendo penteados no cabelo da mais baixa do grupo e planos malucos para uma possível menina. Peter era presença constante no apartamento, com a ajuda de Sirius – que era ainda mais presente – haviam pintado o quarto do bebê e agora faltavam só pequenos detalhes. James e Lily apareciam pelo menos uma vez por semana. Com sorte todos jantavam juntos uma vez por semana. A ruiva já havia feito o teste e, muito provavelmente, teriam um menino. James só faltava explodir de tanta felicidade. Insistiam para que Dorcas fizesse também. Mas a pequenina insistia que só realizaria o teste com Remus, ficando muito corada logo depois. Os meninos por vezes traziam notícias da missão de Remus. Era claro que editavam as informações. Comunicavam-se com o rapaz através dos dois espelhos. Nas últimas duas semanas, no entanto, eram mais evasivos do que nunca o que fazia Dorcas desconfiar. A pequena Meadowes estava sentada no sofá, Alice tentava lhe ensinar a fazer tricô, mas era obvio que não levava o menor jeito para isso. Haviam acabado de tomar o chá quando Sirius chegou. – Six! – Dorcas disse animada com um grande sorriso para o rapaz que foi a abraçar. – Você fica tão feliz quando venho aqui que quase compensa o mal humor da Mckinnon! – disse ele risonhamente indo falar com Alice. – Isso é só porque você traz notícias do seu amigo... Ela não gosta tanto de você! – retrucou Marlene recebendo um olhar feio de Sirius, a menina engoliu seco. Podia não gostar de Remus, mas não queria que nada de ruim lhe acontecesse. E lhe acontecendo algo ruim, Dorcas ficaria péssima. – Como ele está? – os olhos verdes de Dorcas ficaram gigantes e pidões. – Não consegui falar com ele, Dods. O James ficou com o espelho... mas tenho certeza que ele está bem! – disse o maroto de um jeito carinhoso, tocando o cabelo dela com as pontas dos dedos. – Você é realmente ruim nisso.. – disse rindo do projeto de sapatinho que ela tentava fazer e recebeu uma careta da menina. – Alice, seja mais exigente com ela... – piscou para a outra menina e então murmurou algo sobre precisar comer e meteu-se na cozinha com Marlene. – Eles reataram? – perguntou Alice curiosa. – Ou estão dando uns amassos na minha cozinha ou estão me escondendo algo. – Dorcas não sabia o quão certa estava. Na cozinha os dois morenos trocavam sussurros. – Como assim vocês não têm notícias dele? – Marlene estava furiosa, estavam enrolando Dorcas a semanas. Logo ela não acreditaria em mais nada que falassem. – Ele parou de responder, não vemos quase nada no espelho. Só que tudo está escuro. Não podemos falar e correr o risco de alguém ouvir. – o rapaz deu ombros, era obvio que estava mais preocupado do que tentava aparentar. – Dorcas morre se acontecer algo com ele... – Marlene murmurou com a mão no coração. – Vou com James para resgata-lo essa noite. – Sirius lhe confidenciou. – Ele preferiu deixar Peter na casa dele, caso Lily não se sinta bem, Emmeline deve passar a noite lá também, a ruiva está a ponto de explodir com toda essa situação... Você dá conta de ficar sozinha com Dorcas não é? – Marlene acenou que sim com a cabeça quase o desafiando a contestar aquilo. – Chame o médico, precisamos ter certeza que Dorcas está bem... Se... – a garganta do rapaz se fechou antes que ele pudesse completar a frase. Marlene, num impulso, o abraçou. – Fique bem! – ela murmurou deixando algumas lágrimas caírem. – E voltem com o Lupin... Vivo! – ela ralhou e tão logo soltou-se do rapaz. Secaram as lágrimas e voltaram para a sala. Marlene avisou que George viria para uma visita. Dorcas estranhou. – Ele veio ontem, ainda tenho as poções... – disse a baixinha sendo ignorada por todos. George visitava Dorcas semanalmente para fazer um acompanhamento de sua gestação. Sirius havia acabado de sair quando o médico chegou, fez um exame completo em Dorcas que tentou extrair dele a informação que precisava, mas o rapaz só desconversou. Deu a menina uma poção que a deixou sonolenta e, nos poucos flashs que se lembrava, viu Marlene perambulando pela casa. Acordou já tarde, tomou seu banho e colocou um delicado vestido floral com um cardigã azul. Deixou Marlene escovar seus cabelos, coisa que raramente fazia, apenas para fazer com que a menina que estava inquieta tivesse algo a ser feito. Lia um livro despreocupada na sala quando alguém bateu na porta. A herdeira dos Mckinnon saltou de sua cadeira ao ouvir. Abriu a porta cuidadosamente. – Ah Sirius.. Que susto que nos deu! – ralhou Marlene sendo empurrada para o lado por um Sirius nada delicado. – O que diabos... – Marlene não teve tempo de terminar a frase, porque ele já estava nos pés de Dorcas. – É o Remus não é? – a pequenina já estava com o rosto repleto de lágrimas. – Sim! – o Black respondeu sem rodeios. – Sirius! – Marlene clamou. – Ele... – as palavras não conseguiam sair pelos lábios de Dorcas. – O estado dele é grave, ninguém na ordem tem treinamento médico.. – a não ser ela, completou em sua mente as palavras de Sirius. – Ele não pode ir para um hospital regular.. – lobisomens não eram bem vistos, além de estar numa missão da ordem. – Não! – Marlene gritou já prevendo o que estava por vir. – Onde ele está? – perguntou Dorcas se pondo de pé rapidamente. – Você não vai! – Marlene estava furiosa. – Lene, sai da minha frente... – rosnou Dorcas correndo para o quarto e pegando sua maleta de suprimentos médicos. – Os outros não podem ter concordado com isso! – Mckinnon gritou furiosa. – Eu não me importo muito com a opinião alheia quando a vida do meu melhor amigo está em risco! – gritou Sirius em resposta. – Ela é minha amiga, você está colocando a vida dela em risco... – Marlene retrucou, mas Dorcas já estava na porta esperando Sirius e os dois saíram. Ouviu de longe Marlene gritar que não era para ela subir naquela moto, mas era tarde demais.
Quando chegaram na casa dos Potter, Sirius ajudou Dorcas a descer da moto. Marlene já estava lá, havia aparatado. Coisa que Dorcas não podia fazer, olhou feio para a amiga. – Hestia já tem a situação em controle, vamos para casa! – Ralhou Marlene e Dorcas não podia estar mais furiosa. – Vocês deixaram a Jones cuidar dele? – o rosto dela estava corado por conta da raiva e então empurrou a amiga para fora do caminho. – Saia da minha frente! – disse a pequenina marchando em direção a escada com Sirius em seu encalço e Mckinnon logo atrás dele resmungando sobre como aquilo era uma grande loucura, como ela se arrependeria disso. Peter reuniu toda a sua coragem e barrou a passagem de Dorcas. – Você não vai passar... – o rapaz não teve nem tempo de terminar a frase ou de terminar de erguer a varinha, Meadowes fez com que ele voasse alto e fosse jogado no chão do outro lado da sala. – Dorcas! – Marlene guinchou. – Alguém mais quer voar? – rosnou Dorcas olhando feio para Emmeline que saiu rapidamente de seu caminho. A menina subiu as escadas rapidamente, encontrando James no andar superior. – Vai tentar fazer algo contra mim, Baixinha? – disse o rapaz com o rosto serio, mas os olhos levemente divertidos. Ele sabia que era muito fácil tirar Dorcas do sério. – Sai da minha frente, James! – ela disse com a varinha em riste, sim, ela duelaria com James se ele ficasse entre ela e o que ela queria. – Sabe que ele vai te matar quando souber que a trouxe aqui... – o moreno de óculos disse olhando para um ponto acima de Dorcas. – Para me matar ele precisa estar vivo, o que já seria um grande avanço. Todos sabemos que ela é a melhor chance dele sobreviver! – Sirius não ergueu o tom de voz, mas em seus olhos estavam uma ameaça clara, ele lidaria com James se isso fosse necessário. Caso isso significasse a vida de Remus. – Doe! – Lily apareceu, saindo de um das portas, o rosto preocupado. James se colocou entre as duas amigas e a ruiva empurrou o marido para longe. – Ela nunca me atacaria.. – ralhou a nova senhora Potter revirando os olhos e ouviu o marido comentar sobre o que Dorcas havia feito com Peter. – No lugar dela, eu faria o mesmo... vem Dorcas! – disse abrindo a porta do quarto para a amiga passar e a Meadowes achou que nunca havia amado Lily mais do que naquele momento. – Lily! – gritaram James e Marlene, mas somente o primeiro teve a atenção da ruiva. – Se fosse você naquela cama, Dorcas me ajudaria a fazer o possível para te salvar... – disse enquanto Dorcas entrava no quarto, bem a tempo de ver Hestia Jones levando uma poção rosada aos lábios de Remus que se contorcia todo. Fez um breve movimento com a varinha fazendo o pequeno frasco sair das mãos de Hestia e ir parar nas dela. – Você é louca? Ele precisa desse remédio, saia daqui! – Jones gritou e Dorcas precisou cravar as unhas na palma da mão. As duas meninas tinham divergências no passado. – Até o ponto que eu sei, eu sou médica e não você... – Dorcas disse se aproximando do rapaz e tocando sua testa com atenção, precisava ignorar que aquele era Remus. Precisava trata-lo como um paciente comum. – Que direito você tem de estar aqui? Ele pediu para não te chamarem! – chiou Hestia empurrando Dorcas para longe. – O direito de ser a mãe do filho dele e ter mais conhecimento no meu dedo mindinho do que você em todo o seu corpo... Ele está a ponto de ter uma convulsão e a poção que você ia dar só pioraria isso! – em meses Dorcas não ficava tão furiosa quanto estava naquele momento. – Alguém tira ela daqui! – disse a baixinha olhando para Marlene que rapidamente entendeu o recado e tirou a outra morena da sala. – Agora, eu preciso saber o que houve com ele... a versão curta, vocês têm menos de um minuto! – disse apontando para James e Sirius que explicaram por alto real missão de Remus, como havia dado errado. No final James a olhou preocupado. – Você acha que ele vai se transformar agora? – a voz do rapaz falhava e Dorcas apenas examinou o que estava deitado, então negou com a cabeça. – Não, ele não vai. As pupilas estão boas. Se ele fosse se transformar, estariam dilatadas! – não era mais a amiga deles que estava ali, era a Dra Meadowes. Dorcas molhou um paninho com um liquido de cheiro forte. – O que é isso? – Lily perguntou levemente enjoada. – Vai ajudar ele... Para não sentir dor. – disse olhando para o pano em suas mãos. – Lily eu preciso de agua quente e toalhas limpas, um pijama de James seria bem vindo quando acabarmos. – deu ordens a amiga que logo saiu do quarto. Abaixou-se perto de Remus. – Eu amo você, não vou deixar que nada de ruim aconteça... – sussurrou no ouvido dele, antes de pressionar o pano no nariz e nos lábios do rapaz que se debateu um pouco, mas logo acalmou-se. Dorcas sentiu-se zonza, levou a mão até o abdômen. – Calma, meu amor, estamos ajudando o papai. A mamãe precisa que você seja uma boa menina... – sussurrou para o próprio ventre. Então começou a preparar uma injeção. – Merlin, essa agulha é imensa! – disse Sirius próximo a Dorcas enquanto Marlene voltava para o quarto. – Eu sei, por isso pedi para Lily sair, ela tem pavor de agulhas. – murmurou para o amigo. – Lene, sente-se na cama e segure as pernas dele. James, você fica com o tronco e a cabeça. – disse e então olhou para Sirius. – Você segura o braço direito dele, não deixe que ele se mexa, Sirius! – ela falou séria e logo todos tomaram suas posições. – Eu posso perguntar o que é isso? – perguntou James preocupado enquanto Dorcas injetava o conteúdo da seringa no braço de Remus, justo no momento em que o maroto passava por uma convulsão que acabou assim que a seringa foi esvaziada. – Essa é a poção mata cão, ou pelo menos um protótipo dela... – murmurou Dorcas e James a olhou horrorizado, como se ela tivesse tentado matar seu amigo. – O grupo de estudos na França está procurando a cura, ainda não tiveram sucesso... Mas já estão quase conseguindo uma poção que acalme o lobisomem. Foi isso que eu injetei nele, para tentar cortar o efeito do que ele enjeriu antes. Parece ter dado certo. – ela disse tocando a testa de Remus com cuidado, Lily voltou para o quarto. Usaram a agua quente e as toalhas para limparem o rapaz, estava repleto de ferimentos menos que foram cuidadosamente tratados. Por fim, colocaram um pijama limpo nele. Marlene e Lily desceram para fazer uma sopa, Remus precisaria comer algo quando acordasse. James resolveu descer para informar os outros que agora tudo estava bem. Dorcas deixou-se afundar numa confortável poltrona e colocou os pés em cima da cama, os tirando do sapato. – Seus pés estão gordos! – Sirius disse risonhamente sentado em outra poltrona. Ela riu. – São meus pés de gravida! – disse dando ombros. – Há muito tempo eu não tinha tantas atividades, não ficava tanto tempo em pé... – ela deu ombros e o rapaz sorriu sentindo-se culpado por tê-la feito passar por tanta coisa naquele dia. Dorcas chegou a cochilar por alguns minutos naquela poltrona, despertando logo em seguida. Esfregou os olhos. – Quanto tempo ele vai ficar assim? – perguntou Sirius que estava de pé. – Pouco, não me surpreenderia se ele estivesse ouvindo a nossa conversa. – disse a menina risonhamente, medindo a temperatura de Remus novamente. Acariciou os cabelos dele cuidadosamente. Beijou a testa do rapaz, antes de voltar a se sentar. – Sério, seus pés estão horríveis... – brincou Sirius. – Se está achando tão feio, faça uma massagem.. – implicou ela. – Moony me mataria se me pegasse fazendo massagem na garota dele... – o herdeiro dos Black deu ombros e viu as bochechas dela se colorirem num vermelho bonito. – Sabe, acho que boa parte da minha infância e adolescência eu só queria ser isso... a garota do Moony.. – ela deu ombros, fingindo não se importar antes de se encolher na cadeira. – Mas foi isso que você sempre foi, Doe. Para os marotos, você sempre foi a garota do Moony... Ele sempre foi louco por você. Uma vez, brincando, eu disse que ia te chamar para sair. Merlin, achei que ele ia me matar! – disse o rapaz dando gargalhadas, Dorcas não conhecia aquela história. – Você se lembra de seu ultimo aniversario no castelo? – perguntou o rapaz a olhando cuidadosamente e ela acenou que sim. – Meu primeiro aniversario depois da morte de papai e meus avós. – como podia se esquecer daquele dia. – Vocês organizaram aquela festa para mim, no jardim. Um piquenique... – ela disse encantada. – Ai que você erra, baixinha... O Remus organizou. Ele pensou em cada detalhe... No bolo que tinha de ser de chocolate e em como todos os enfeites tinham de ser azul, por ser sua cor favorita. Merlin, eu passei dias fabricando rosas azuis... Ele era extremamente exigente. Me dava nos nervos, de tantos detalhes. – Sirius contou a olhando sério, era óbvio que a menina não fazia nenhuma ideia daqueles detalhes. – Ele pensou em tudo, menos que teria uma péssima noite de lua... Ficou pior do que o de costume e madame Pomfrey não permitiu que ele fosse para o seu aniversário. – Dorcas permaneceu olhando para o amigo em choque com aquelas palavras. Não esperava por aquilo, Remus nunca havia lhe contado. – Ele pode ser cabeça dura, mas ele é louco por você... Por vocês duas, eu diria.. – apontando para a barriga dela. – Eu ouvi quando você falou com ela, achei que não tinha feito o teste. – disse risonhamente e a menina corou novamente. – Eu queria contar para ele primeiro... – ela se justificou, olhando rapidamente para Remus que começava a se remexer na cama.












