Há algumas luas atrás tive um sonho em que tirava a carta A Morte no tarô, depois de atravessar vários acontecimentos de desespero e alagamento emocional. Senti-me completamente desamparada por mim mesma, como se não soubesse mais como me habitar. Supliquei ajuda entre soluços, debulhada em lágrimas. Esse sonho ilustrou muito bem o que eu vivia: algo precisa morrer.
Algo precisa morrer em mim para que eu saia desse ciclo. Mas como ser alguém que nunca se foi?
Entre insights, debates e revisitações de traumas, percebi que na verdade precisava voltar — encarar o que ficou pra trás, reviver quem eu era antes deles. Tudo que me devora se inicia lá. Então é lá o meu ponto de partida. Essa morte, na verdade, é uma chance de escolher a vida.
Porque o sentimento de que eu precisava morrer nunca fez sentido de verdade. O trauma já havia me matado. Eu já estava morta. Não precisava morrer de novo — precisava encontrar vida pós-trauma.
Depois daquele fatídico acontecimento, virei uma morta-viva. Nunca mais me permiti vivacidade, nem esperança de encontrar sentido e tesão pelo que me cerca. Até o que mais me acende nunca consegui tocar de verdade.
Então essa noite sonhei que visitava uma cafeteria nichada na minha cidade. Fui recebida com um banho de mel nas mãos e livros recheados de tudo que mais desejo me envolver. Senti tesão por tudo aquilo. Senti que havia algo ali pra mim — mas de alguma forma senti também que aquilo nunca seria possível ao meu acesso.
Ao acordar, percebi ali a resposta de tudo.
Morra antes que você morra — na verdade pulsa uma vida querendo ser vivida. Agora sei o caminho que preciso acessar. E viverei em busca daquele mel.









